IMPOSTOS EM SÃO PAULO

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

DAS HISTÓRIAS INFANTIS: MONTEIRO LOBATO MAIS UMA VEZ CENSURADO PELO ESTADO? -click aqui no título

Desde o Estado Novo, Monteiro Lobato é censurado ! A Emília, bonequinha nem um pouco Barbie, aventura se com os personagens do SÍTIO DO PICAPAU AMARELO por ambientes inusitados...vindos desde a MITOLOGIA GREGA até o cotidiano do Sítio. Eu era incentivada por meus pais a ler. Gostávamos de conversar sobre estas aventuras.É uma pena que, a Educação no Brasil, tenha tanto medo do DEBATE ou da exposição na dificuldade que adultos ( incluindo professores e pais) tem com a imaginação fértil e instigante das crianças.Sugiro que todos nós paremos para pensar no significado destas medidas do Governo Federal. A postagem do dia 3 de novembro de 2010 do BLOG PAIDÉIA VIRTUAL merece ser lido e avaliado (click no título acima)http://paideiavirtual.blogspot.com/
e veja o artigo de Marisa Lajolo no final da postagem deste BLOG)
Comentários pela IMPRENSA:
30/10/2010 1
CNE quer que Monteiro Lobato com trechos racistas tenha nova edição  Parecer diz que é preciso contextualizar racismo em 'Caçadas de Pedrinho'. Conselho sugere exclusão de livros semelhantes em programas do governo.
05/11/2010 http://g1.globo.com/vestibular-e-educacao/noticia/2010/11/livro-de-monteiro-lobato-e-liberado-para-ser-usado-em-sala-de-aula.html   
Polêmica de racismo ronda livro de Monteiro Lobato  
Especialistas levantarama questão e MEC foi analisar se a obra 'Caçadas de Pedrinho' pode ser proibida de ser usada em escolas
Citações à personagem Tia Anastácia no livro 'Caçadas de Pedrinho', de Monteiro Lobato, foram consideradas racistas por especialistas. O Ministério da Educação estuda a proibição da obras nas escolas. A professora aposentada da Unicamp, Marisa Lajolo, é contra a advertência sobre o racismo do livro. Já Francisco Cordão, da CNE, diz que as escolas devem trabalhar o assunto.
 http://globonews.globo.com/Jornalismo/GN/0,,MUL1628408-17665-309,00.html 

Todas as Vidas  de Cora Coralina ( Ainda não censurada)
Vive dentro de mim uma cabocla velha de mau-olhado, acocorada ao pé do borralho, olhando para o fogo. Benze quebranto.Bota feitiço... Ogum. Orixá. Macumba, terreiro. Ogã, pai-de-santo...
Vive dentro de mim a lavadeira do Rio Vermelho. Seu cheiro gostoso d'água e sabão. Rodilha de pano.Trouxa de roupa, pedra de anil.Sua coroa verde de São-caetano. Vive dentro de mim a mulher cozinheira. Pimenta e cebola.Quitute bem feito. Panela de barro. Taipa de lenha.Cozinha antigatoda pretinha. Bem cacheada de picumã.Pedra pontuda.Cumbuco de coco. Pisando alho-sal.
Vive dentro de mim a mulher do povo. Bem proletária. Bem linguaruda, desabusada,sem preconceitos,de casca-grossa,de chinelinha, e filharada. Vive dentro de mim a mulher roceira. -Enxerto de terra,Trabalhadeira. Madrugadeira. Analfabeta. De pé no chão.Bem parideira.Bem criadeira.Seus doze filhos, Seus vinte netos.
Vive dentro de mim a mulher da vida. Minha irmãzinha... tão desprezada, tão murmurada...Fingindo ser alegre seu triste fado. Todas as vidas dentro de mim: 

Na minha vida - a vida mera das obscuras!
NEGRINHA ( CONTO DE MONTEIRO LOBATO)
Negrinha é um conto de Monteiro Lobato, escrito pela primeira vez em 1920, cuja temática é, ainda, atual. O conto retrata, através da visão do autor, as vicissitudes da vida de uma órfã negra. Nascida na senzala, de mãe escravizada. A personagem passa pelas agruras de viver seus primeiros anos de vida em cantos escuros, sobre velha esteira e trapos imundos. Era escondida porque a patroa não gostava de crianças. A patroa é uma senhora viuva, sem filhos, de virtudes cristãs, envolvida com questões comezinhas e a desopilar sua ira sobre a criança  que não tinha.  Não perdoava o choro da criança. Saia com impropérios impublicaveis longo que o ouvia. Negrinha cresceu sem infância, magra, atrofiada. Sempre assustada. Apanhava de todos(as) e por qualquer motivo. Não brincava, vivia sentada em um canto. Sua única diversão era ouvir o relógio cuco bater as horas. Sem palavras de carinho, era achincalhada com termos como: Pestinha, diabo, coruja, barata descascada, mosca morta, sujeira, cachorrinha, coisa ruim, lixo, etc. Até de bubônica fora apelidada. Contudo, tendo gostado de tal epíteto suprimiram-no. Não lhe era dado nem esse gosto. Inácia, a patroa, era mestra na arte de maltratar. Aplica em Negrinha beliscões e cróques como derivativo para amainar sua revolta contra o que entendia como usurpação: o direito de continuar a ter pessoas escravizadas sobre seu jugo – devido a abolição.  Via-se como uma benfeitora por criar Negrinha - órfã. No entanto, tortura Negrinha com ovo quente na boca. Negrinha, não tinha nome era negrinha. Não brincava, logo não conhecia boneca. Certa vez Inácia recebeu a visita de duas sobrinhas que mostraram a aturdida criança uma boneca de cabelos amarelos, que falava e dormia. Extasiada, Negrinha, esquecendo dos possíveis castigos procurou compartilhar daquele momento mágico – sem, contudo toca-la.Apiedando-se Inácia permite que ela compartilhe com as hospedes. A partir deste momento Negrinha começa a perceber o significado do que é brincar. Descobre-se como ser humano. Deixa de ser coisa. Entristece e morre delirando com bonecas, todas louras, de olhos azuis
.Crítica
Monteiro Lobato é considerado um dos maiores escritores de literatura infantil e Infanto-Juvenil tendo suas obras traduzidas em várias línguas. Um de seus clássicos é o Sítio do Pica-pau Amarelo. Entretanto, para a população negra e ou afro-brasileira, suas obras prestam um desastroso desserviço para assunção da identidade étnico-racial[i], assim como, por conseqüência, para a auto-estima[ii] desse povo – particularmente, para as crianças negras.
Heloisa Pires Lima, enfatiza que “a literatura infanto-juvenil apresenta-se como um filão de uma linguagem a ser conhecida, pois nela reconhecemos um lugar favorável ao desenvolvimento do conhecimento social e à construção de conceitos” (2005, p. 101). Mesmo tendo em consideração o momento na história em que foram concebidas tais obras, elas não deixam expressar “crenças e valores embutidos na nossa cultura literária a respeito da população negra”.(LIMA, 2005, p. 104).
Conseqüentemente, neste sentido, as obras de Monteiro Lobato retratam aquilo que as classes dominantes percebem, dentro de sua visão étno-eurocêntrica e judaíco-cristã, acerca da população negra. David Brookshaw, literato inglês, em seu livro Raça e Cor na Literatura Brasileira ratifica tal preocupação quando aponta, em estudo sobre as obras de Monteiro Lobato, o que se segue:O ataque duplamente cortante dirigido ao negro considerando-o de um lado um animal selvagem e, de outro, possuidor de certas qualidades infinita e convenientemente resignadas, não subversivas, é muito perceptível nos escritos do paulista sincero Monteiro Lobato. Em seu conto Bocatorta tem-se a descrição de um negro “fantasma” e ladrão de sepulturas em termos satânicos, ao passo que em O jardineiro Timóteo, o velho jardineiro simboliza a sensibilidade e, na verdade, os velhos valores coloniais do tempo do império (BROOKSHAW, 1983, p. 68).
Em outro momento, Brookshaw, alerta que:
A própria negrofobia de Monteiro Lobato deve ser atribuída, pelo menos em parte, ao fato de que era de São Paulo, uma cidade onde negros [...] eram minoria, e onde o racismo nos anos posteriores à Abolição era mais manifesto do que em qualquer outro lugar (1983 p. 69).
Enfatiza, que Monteiro Lobato: 
Simpatizava com o negro contanto que fosse selvagem, pois somente deste modo era autêntico. Em O Presidente Negro, descreve um imaginário líder negro americano, Jim Roy, como um pitoresco e levemente selvagem demagogo (1983, p. 71).
Finaliza, afirmando que: 
E por último, mas não menos importante, são as histórias para crianças de Monteiro Lobato, inspiradas no folclore afro-brasileiro, que retratam muito da vida nas velhas fazendas. Não se pode duvidar, embora quão charmosas essas histórias possam ser, que a visão do mundo antilógico da criança, contribuiu e reforçou, por gerações a fora, o estereótipo do negro como uma criatura fundamentalmente ilógica, para não ser levada a sério no mundo real do adulto (BROOKSHAW, 1983, p. 71).
Ana Célia da Silva, educadora, e militante do movimento negro, no seu livro Desconstruindo a Discriminação do Negro no Livro Didático, assevera que:
Uma ilustração da “Tia Nastácia” de perfil, assemelhada à ilustração do porco Rabicó, personagens de Monteiro Lobato (Ciranda do Saber, 2º série, p. 58) foi corrigida sugerindo-seque a expressão fisionômica da “Tia Nastácia” fosse humanizada, dissociando-a da figura do porco Rabicó (SILVA, 2003, p. 36-37).
Em Negrinha, observa-se desde a apresentação do livro um descuidado no trato com a questão racial que começa ao não se conseguir relacionar “expressões jocosas quando se referem a pessoas negras” ao preconceito racial. Há uma aparente boa vontade, contudo, o arremedo não vai além da visão obtusa permeada pela ideologia da “democracia racial” brasileira. O conto, por si só, ratifica todas as observações asseveradas através de inúmeros(as) críticos(as) da literatura de Monteiro Lobato e, para tanto, ressaltamos as que se seguem:
-          A personagem negra não tem nome;
-          Simboliza passividade/resignação doentia;
-          É repositório de epítetos e estereótipos negativos;
-          O ponto positivo de referência é etnocêntrico quando relacionado às crianças brancas; e,
-          O conto denota uma visão judaico-cristã;
-          O conto faz conexão ao significado da brincadeira[iii] , porém, dentro da visão etnocêntrica.
O conto Negrinha pode ser de grande utilidade para análise antropológica, pois contribui para a percepção dos etnocentrismos e suas ideologias subjacentes, assim como, revela um determinado contexto. 
REFERÊNCIA:
BROOKSHAW, David. Raça e Cor na literatura brasileira.  Porto Alegre: Mercado Aberto, 1983.
BROUGÉRE, Gilles. Os brinquedos e a socialização da criança. In. ______. Brinquedo e cultura. 4. ed. São Paulo: Cortez, 2001, p. 61. (Coleção Questões da Nossa Época; v. 43)
LOBATO, Monteiro. Negrinha. Bauru, SP: EDUSC, 2000.
LIMA, Heloisa Pires. Personagens negros: um breve perfil na literatura infanto-juvenil. In. MUNAGA, Kabengele.(Org.) Superando o Racismo na Escola. 2. ed. rev. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade, 2005, 101-115. 
      OGUNBIYI, Adomair O. Castelo e São Cristóvão: Comunidades Remanescentes de  Quilombo e suas respectivas Diásporas – uma experiência em identidade étnico-racial e   resiliência, no Maranhão. Apresentado no III Congresso de Pesquisadores Negros.  
UFMA, APN: São Luís, 2004, p. 10-12.                                                                                                                                          
SILVA, Ana Célia da. Desconstruindo a discriminação do negro no livro didático.  Salvador: EDUFBA, 2003.
Bi Olorun ba fe!
Adomair O. Ogunbiyi
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Quem paga a música escolhe a dança?
Marisa Lajolo [1]
“Caçadas de Pedrinho”, de Monteiro Lobato, está em pauta e é bom que esteja, pois é um livro maravilhoso . Narra as aventuras da turma do sítio de Dona Benta primeiro às voltas com a bicharada da floresta próxima  e, depois, com uma comissão do governo encarregada de caçar um rinoceronte fugido de um circo. Nos dois episódios prevalecem o respeito ao leitor, a visão crítica da realidade, o humor fino e inteligente.    Na primeira narrativa, a da caçada da onça, as armas das crianças são improvisadas e na hora agá  não funcionam. É apenas graças à esperteza e inventividade dos meninos que eles conseguem matar a onça e arrastá-la até a casa do sítio. A morte da onça provoca revolta nos bichos da floresta e eles planejam vingança numa assembléia muito divertida : felinos ferozes invadem o sítio e –de novo- é apenas graças à inventividade e esperteza das crianças ( particularmente de Emília) que as pessoas escapam de virar comida de onça.  Na segunda narrativa, a fuga de um rinoceronte de um circo e seu refúgio no sítio de dona Benta leva para lá a Comissão que o governo encarregou de lidar com a questão. Os moradores do sítio desmascaram a corrupção e o corpo mole da comissão, aliam-se ao animal cioso da liberdade conquistada e espantam seus proprietários. E, batizado Quindim, o  rinoceronte fica para sempre incorporado às aventuras dos picapauzinhos. Estas histórias constituem o enredo do livro que parecer recente do Conselho Nacional de Educação (CNE), a partir de denúncia recebida,   quer proibir de integrar  acervos com os quais programas governamentais compram livros para bibliotecas escolares . O CNE  acredita que o livro veicula conteúdo racista e preconceituoso e que os professores não têm competência para lidar com tais questões. Os argumentos que fundamentam as acusações de racismo e preconceito são  expressões pelas quais  Tia Nastácia é referida no livro, bem como a menção à África como lugar de origem de animais ferozes.
Sabe-se hoje que diferentes leitores interpretam um mesmo texto de maneiras diferentes. Uns podem morrer de medo de uma cena que outros acham engraçada. Alguns  podem sentir-se profundamente tocados por passagens que deixam outros impassíveis.  Para ficar num exemplo brasileiro já clássico, uns acham que Capitu ( D. Casmurro, Machado de Assis, 1900)   traiu mesmo o marido, e outros acham que não traiu, que o adultério foi fruto da mente de Bentinho.  Outros ainda acham que Bentinho é que namorou Escobar .. !
É um grande avanço nos estudos literários esta noção mais aberta do que se passa na cabeça do leitor quando seus olhos estão num livro. Ela se fundamenta no pressuposto segundo o qual, dependendo da vida que teve e que tem, daquilo em que acredita ou desacredita, da situação na qual lê o que lê, cada um entende uma história de um jeito.  Mas essa liberdade do leitor vive sofrendo atropelamentos. De vez em quando, educadores de todas as instâncias – da sala de aula ao Ministério de Educação-   manifestam desconfiança da capacidade de os leitores se posicionarem de forma correta  face ao que lêem .
Infelizmente, estamos vivendo um desses momentos.
Como os antigos diziam  que quem paga a música escolhe a dança, talvez se acredite hoje ser correto que  quem paga o livro escolha  a leitura que dele se vai fazer. A situação atual tem sua (triste) caricatura no lobo de Chapeuzinho Vermelho que não é mais abatido pelos caçadores, e pela dona Chica-ca que não mais atira um pau no gato-to. Muda-se o final da história e re-escreve-se a letra da música porque se  acredita que leitores e ouvintes sairão dos livros e das canções abatendo lobos e caindo de pau em bichanos . Trata-se de uma idéia pobre,  precária e incorreta que além de considerar as crianças como  tontas, desconsidera a função simbólica da cultura. Para ficar em um exemplo clássico, a psicanálise e os estudos literários ensinam que  a madrasta malvada de contos de fada não desenvolve hostilidade conta a nova mulher do papai, mas – ao contrário-  pode ajudar a criança a não se sentir muito culpada nos momentos em que odeia a mamãe, verdadeira ou adotiva...
Não deixa de ser curioso notar que esta pasteurização pretendida para os livros infantis e juvenis  coincide com o lamento geral  – de novo, da sala de aula ao Ministério da Educação—pela precariedade da leitura praticada na sociedade brasileira.    Mas, como quem tem caneta de assinar cheques e de encaminhar leis tem o poder de veto, ao invés de refletir e discutir,  a autoridade veta . E veta porque, no melhor dos casos e muitas vezes com a melhor das intenções,  estende suas reações a certos livros a um numeroso e anônimo universo de leitores  . . 
No caso deste veto a “Caçadas de Pedrinho”  ,   a Conselheira Relatora Nilma Lino Gomes  acolhe denúncia de Antonio Gomes da Costa Neto que entende como manifestação de preconceito e intolerância  de maneira mais específica a personagem feminina e negra Tia Anastácia e as referências aos personagens animais tais como urubu, macaco e feras africanas ;  (...) aponta menção revestida de estereotipia ao negro e ao universo africano , que se repete em vários trechos do livro analisado   e exige da editora responsável pela publicação a inserção no texto de apresentação de uma nota explicativa e de esclarecimentos ao leitor sobre os estudos atuais e críticos que discutam a presença de estereótipos na literatura. Independentemente do imenso  equívoco em que, de meu ponto de vista, incorrem o denunciante e o CNE que aprova por unanimidade o parecer da relatora, o episódio torna-se assustador pelo que endossa, anuncia e recomenda de patrulhamento da leitura na escola brasileira. A nota exigida  transforma livros em produtos de botica, que devem circular  acompanhados de bula com instruções de uso.  O que a nota exigida  deve explicar ?  o que significa esclarecer ao leitor sobre os estudos atuais e críticos que discutam a presença de estereótipos na literatura  ? A quem deve a editora encomendar  a nota explicativa ?  Qual seria o conteúdo da nota solicitada ? A nota deve fazer uma auto-crítica ( autoral, editorial ? ) , assumindo que o livro contém estereótipos ? a nota deve informar ao leitor que “Caçadas de Pedrinho” é  um livro racista ?  Quem decidirá se a nota explicativa cumpre efetivamente o esclarecimento exigido pelo MEC? 
As questões poderiam se multiplicar. Mas não vale a pena. O panorama que a multiplicação das questões delineia é por demais sinistro .  Como fecho destas melancólicas maltraçadas aponte-se que qualquer nota no sentido solicitado – independente da denominação que venha a receber, do estilo em que seja redigida, e da autoria que assumir- será um desastre. Dará sinal verde para uma literatura autoritariamente auto-amordaçada.  E este modelito   da mordaça de agora talvez seja  mais pernicioso  do que a ostensiva queima de livros em praça  pública, número medonho mas que de vez em quando entra em cartaz na história desta nossa  Pátria amada idolatrada salve salve.  E salve-se quem puder ... pois desta vez  a censura não quer determinar apenas  o que se pode ou não se pode ler, mas é mais sutil, determinando como  se deve ler o que se lê  !

[1] Prof. Titular (aposentada) da UNICAMP; Prof. da Universidade Presbiteriana Mackenzie;  Pequisadora Senior do CNPq.; Organizadora ( com João Luís Ceccantini)  do livro  de Monteiro Lobato livro a livro (obra infantil) , obra que recebeu o Prêmio Jabuti 2010 como melhor livro de Não Ficção.   

  • João Toledo Não é muito perigoso admitir a hipótese de q alguém possa censurar um autor porque não gosta da fala de um personagem? Ai não é deixar a burrice se tornar ditadora, afinal o melhor texto contra o racismo ja escrito no Brasil é negrinha do Monteriro Lobato.

  • Maria Sylvia Toledo
    APRENDI MUITO COM AS FALAS DA EMÍLIA E OS BONDOSOS ENSINAMENTOS DA DONA BENTA, POIS ELA NOS FAZIA AMAR MUITO A TIA NASTÁCIA, SEU AMOR PELAS CRIANÇAS E SEUS DELICIOSOS BOLINHOS. ALÉM DA HUMANIDADE. MONTEIRO LOBATO NOS PASSAVA O CONHECIMENTO ...DOS VERDADEIROS PRINCÍPIOS E INFLUIU MUITO POSITIVAMENTE EM MINHA FORMAÇÃO.LUIZ FERNANDO VERÍSSIMO, JÔ SOARES, E A MAIORIA DOS INTELECTUAIS DESTE PAÍS, RELATAM A IMPORTÂNCIA DE LOBATO EM SUAS VIDAS. NÃO ME PARECEM QUE ELES SE TORNARAM PRECONCEITUOSOS E RACISTAS, BEM AO CONTRÁRIO. SENHORES MEMBROS DO CONSELHO DE EDUCAÇÃO, AS CRIANÇAS QUE LEÊM LOBATO NÃO SÃO BURRAS....
    Ruth Souza Saleme Odila, o medo gera tantas coisas....será que ainda é mais fácil apagar a memória?Bjs
LENDAS NEGRAS PARA CRIANÇAS
http://companhiadashistorias.blogspot.com/2010/11/temporada-lendas-negras-para-criancas.html


2 comentários:

Movimento Negro Unificado - MNU disse...

Muitas crianças negras aprenderam com as história de Monteiro Lobato a não gostarem de suas origens. Adultos negras(os) carregam seus recalques até os dias atuais. A resiliência demonstra o estrago secular que este tipo de literatura etnocentrica pode causar para negras(os) e brancas(os) e demais os etnias, numa sociedade multicultural e pluruétnica. Censura é a existência de uma literatura que é racista.

Movimento Negro Unificado - MNU disse...

Muitas crianças negras aprenderam com as história de Monteiro Lobato a não gostarem de suas origens. Adultos negras(os) carregam seus recalques até os dias atuais. A resiliência demonstra o estrago secular que este tipo de literatura etnocentrica pode causar para negras(os) e brancas(os) e demais os etnias, numa sociedade multicultural e pluruétnica. Censura é a existência de uma literatura que é racista.