IMPOSTOS EM SÃO PAULO

terça-feira, 6 de junho de 2017

ENTENDENDO A OBRA DE SIMONE KESTELMAN - DAS CURVAS DE NIEMAYER ÀS TRANSFORMAÇÕES


Bilhete fixado no seu SK Studio.
Para não deixar de pensar sua motivação
Conheço Simone Kestelman ,pelas suas obras , há pouco tempo. 
Sei que  fez uma trajetória de grandes mudanças.  Do Studio em São Paulo,
para Nova York. O que me faz  escrever hoje, no meu Blog é  a questão desta multidimensionalidade dos conceitos socioambientais. Nestes últimos
anos foi uma das melhores coisas que aconteceu comigo. 
Entrar na sua viagem,  na sua construção de sonhos, na arte e
conhecer suas relações , seus valores...  despertou em mim a construção 
de um tempo de minha vida muito vivida.   Mas foi em 2012 ,quando eu fazia 
curso de Audiodescrição,  que tive contato com sua proposta .
Foi uma das artistas pioneiras brasileiras que trouxe a acessibilidade para 
compor sua obra.  Fica aqui minha profunda gratidão pela generosidade
da sua alma. Ela florece e as  pessoas florecem junto.  Odila Fonseca

Studio,uma antiga Fábrica de Armas em NY transforma-se numa obra de arte -arquitetônica- e conceitual
A emoção de "enxergar"
Mãos de Simone guiam um Cego sobre a obra
que representa o Palácio do Planalto - Brasilia

Cantigas

EXPOSIÇÃO “MARAVILHAS” 2014 "Artista plástica Simone Kestelman inaugura exposição Maravilhas, com peças sensoriais que recriam pontos turísticos do país – entre eles obras arquitetônicas como o MASP de Lina Bo Bardi"




 www.campinas.sp.gov.br 


Numa mistura de toque, sensações e imaginação que promove a inclusã
 de deficientes visuais,a artista plástica carioca Simone Kestelman
inaugura a exposição “Maravilhas”, em Campinas (SP).
Até 26 de fevereiro, a mostra apresenta 11 peças sensoriais que r
ecriam pontos turísticos do país  – entre eles obras arquitetônicas
como o MASP de Lina Bo Bardi e o edifício Copan do mestre Oscar Niemeyer. As esculturas tridimensionais de vidro, que variam de 50 centímetros  a 1,2 metros de extensão, podem ser experimentadas com as mãos e vêm acompanhadas de uma audiodescriçao. “A ideia é facilitar a percepção por meio do toque e de experiências
multissensoriais,  um dos poderes da arte contemporânea”, afirma Kestelman. Para levar o espectador a uma dimensão que permite tocar o intocável, as obras também representam a Oca e o Auditório do Ibirapuera (São Paulo); o Pão de Açúcar (Rio de Janeiro); o Teatro Popular de Niterói
e o Memorial Roberto Silveira (Niterói, RJ); o Museu Oscar Niemeyer (Curitiba); os Lençóis Maranhenses; 
a Igreja da Pampulha (Belo Horizonte)e o Palácio da Alvorada (Brasília)."


Crédito: Fernanda Sunega

www.campinas.sp.gov.brhttps://www.facebook.com/skstudio.sui  http://www.midiace.com.br/index.php/noticia/mon-realiza-encontro-para-discutir-acessibilidade-e-inclusao-aos-museus-/680


                                                    "RELACIONAMENTO" 

Um dia perguntei para a Simone ,como se dá o Processo Criativo?
- Processo criativo do vidro?
Por Simone Kestelman
"O negro é simples, são lâminas de vidro fundidas no forno e lapidadas
posteriormente a mão. Vale lembrar que neste caso o preto tem um
acabamento mate para diferenciá-lo na textura do acabamento colorido 
que é brilhante. Ambos dá para sentir  no toque. A colorida é uma fusão mas 
 neste caso é feito  um sanduiche com  laminas coloridas intercalando e  
sobrepondo de maneira que possa ter cores diferentes alem da paleta original. 
 Após sobrepostas , são adicionadas 3 camadas na parte inferior e duas na 
superior de vidro transparente  totalizando  8 laminas (24mm). Na estapa seguinte  
as peças depois de lixadas nas bordas para dar acabamento, são colocadas em
 uma forma para  pegarem a forma curva.  Este processo é chamado slumping . 
Após sairem do forno já na forma, começa o processo de finalização onde aspeças serão lixadas com cerca de 8 variações de lixas diferentes que vão  da 100 ate a 1500.Posteriormente na colorida é feita mais 2 acabamentos para obter o brilho.

P.S: Ufa , Nem parece mas da trabalho

Chamei de "relacionamento" para expressar as relações de uma forma geral. Para uns é o lado negativo e o positivo de uma relação, para outros as partes de uma relação. Não necessariamente é um casal homem/mulher (aqui o pessoal é muito aberto)  https://www.scarsdale.com/  2017   


Sobre Simone Kestelman: Economista de formação, Simone começou ainda criança sua incursão pelo mundo das artes. Expôs seus trabalhos na Academia Brasileira de Arte, Cultura e Historia (SP), na Galeria Lavarello (SP) e no Artslant de NY, durante o qual recebeu a medalha de ouro pela escultura Memorial Roberto Silveira. Em sua carreira, destacam-se cursos na Urban Glass School (Nova York), naPilchuck Glass School (Washington), na Northwest Art Glass (Seattle) e na Eugene Glass Schoo (Oregon). A vitrificação da cerâmica a levou ao vidro, sua paixão hoje. Suas peças são o resultado de um trabalho único e original no país. Sobre a 25ª Casa Cor: Maior evento de arquitetura e decoração das Américas, e o segundo maior do mundo, a Casa Cor propicia aos visitantes a chance de desfrutar um leque de novidades em arquitetura, decoração, paisagismo, design, materiais e equipamentos de alto nível, além de inúmeras opções de lazer, restaurantes, cafés e programações exclusivas que atraem diferentes públicos.www.casacor.com.br/saopaulo/ Joalheria Conceito 
 Projeto de Adriana Scartaris e Samira Jarouche  
Artista plástica convidada: Simone Kestelman  

http://www.simonekestelman.com/  
 https://www.scarsdale.com/2017 


terça-feira, 9 de maio de 2017

"APRENDER DA PEDRA" um olhar de Moacir dos Anjos às obras de Marcelo Moscheta




Aprender da Pedra texto de Moacir dos Anjos. Curadoria 
Ter no deslocamento frequente no espaço e na observação dos lugares por onde passa aspectos centrais de sua prática filia Marcelo Moscheta a uma tradição artística que inclui e ata Situacionistas, praticantes da land art e demais criadores peripatéticos. Faz de sua atuação, assim como as desses outros, algo próximo daquela que é própria dos cartógrafos. Faz dele, como de seus pares, um descritor de espaços pelos quais se sente de alguma forma próximo. E consequentemente faz, de seus trabalhos, espécies de mapas. Afinal, o que tanto esses artistas quanto os cartógrafos de profissão praticam é percorrer um território e anotar aquilo que mais chama sua atenção no trajeto, valendo-se, para isso, de ferramentas próprias a seus ofícios. Não é à toa que com tanta frequência apareça, nos trabalhos de Marcelo Moscheta, a ideia de traduzir, em meios que são próprios ao domínio da arte, o interesse em apreender os lugares que com seu corpo atravessa. O interesse em medir, com a dimensão humana de seu corpo e com os instrumentos criativos de que dispõe, espaços que são da escala da paisagem. 


É próprio de qualquer processo cartográfico, contudo, que eleições e exclusões de características do ambiente atravessado sejam feitas, posto que mapas não se confundem com os territórios neles descritos, sendo antes modelos para conhecer-se um pouco deles. Mapas são abstrações de espaços que geram conhecimento empírico ou simbólico sobre esses espaços, formas de apreensão de algo que sempre escapa a intenções de total tradução ou captura. Nisso, mapas e criações artísticas se assemelham: uns e outras partilham a incompletude de sua natureza. Diferenciam-se, no entanto, em um crucial aspecto. A despeito da impossibilidade de totalizar seu objeto de investigação, é próprio dos mapas ocultar tais limites, apresentando-se, no mais das vezes, como representação plena e imparcial de um território. Trabalhos de arte, por sua vez, usualmente revelam a natureza fragmentada e singular da experiência de deixar-se afetar por um lugar, recusando ser sua tradução inteira. Há um certo silêncio na arte, uma recusa à fala escorreita; condição que é traço de ambição e também de recato, sugestão de uma forma de conhecimento que somente a experiência estética oferta. Como mapeadores, artistas escolhem sinalizadores de seu deambular, marcos que assinalem os interesses que surgem de seus embates com os variados territórios que percorrem. Na trajetória de Marcelo Moscheta, são pedras que mais e mais surgem como elementos que assinalam sua passagem por esses lugares. Pedras que são, ao mesmo tempo, parte e resumo de paisagens encontradas; coisas concretas e metáforas inventadas.

São vários os trabalhos do artista em que pedras assumem esse lugar central de pesquisa e exibição, de procura e partilha, de trajeto e paragem. Um dos mais sintéticos em sua clareza muda talvez seja o chamado Deslocando territórios: Projeto para a fronteira Brasil/Uruguay. Ocupando larga extensão de piso e o rebatimento na parede contígua de área semelhante, o trabalho exibe, postas sobre o chão, cinco dezenas de pedras que Marcelo Moscheta recolheu em viagens feitas ao longo da divisa entre os dois países. Arrumadas em colunas e linhas imaginárias sobre o piso, trazem etiquetas que identificam a localização exata onde foram achadas, de acordo com o aparelho de GPS que o artista então usava. Não existe a pretensão, contudo, de reproduzirem ali seu ordenamento original no espaço, aproximando pedras que estavam distribuídas em países distintos e afastando outras que eram antes avizinhadas. Ao deslocar as pedras de seus lugares de origem e mudar com tal gesto, minimamente que seja, os territórios onde elas antes se encontravam, Marcelo Moscheta embaralha demarcações que são menos naturais do que arbitrárias. Mistura de lugares que é ainda reforçada pelos desenhos de grafite sobre PVC arranjados também em grade sobre a parede, como se fossem rebatimento bidimensional das pedras dispostas sobre o chão. Um olhar menos ligeiro revela, porém, que não existe uma correspondência unívoca entre uns e outras, parecendo sugerir que, deste arranjo novo e sem nexos claros, outros territórios – mais acidentados e fluidos – possam ser imaginados.

Outra coleta de pedras, incluindo fragmentos de derivados seus produzidos pelo homem – concreto, paralelepípedo, asfalto – foi feita pelo artista ao longo de caminhadas percorrendo toda a extensão do rio Tietê, de sua nascente à sua foz, no estado de São Paulo. Percurso que foi também aquele feito pelos Bandeirantes mais de dois séculos antes, desbravando terras e escravizando ou matando povos indígenas em nome da geração de riqueza para poucos libertos e brancos. Investigação cartográfica que é, portanto, natural e política, de agora e do passado, e que tem nos minerais achados e escolhidos marcos possíveis para narrar esses fatos. Individualmente identificados com a localização exata de onde foram encontrados, esses fragmentos foram expostos, como artefatos arqueológicos, em duas grandes estantes, postas de um lado e de outro de um grande desenho, também feito em grafite sobre PVC, de uma queda d’água que dia existiu no Tietê, evocando as margens direita e esquerda do rio paulista. Cachoeira que há tempos não existe mais, extinta que foi pela acomodação da água represada do rio necessária à geração de energia. Uma lembrança de que há muito, e por motivos vários, o Tietê gradualmente morre. O nome Arrasto, que dá título ao trabalho, ecoa não somente o movimento forte e fluido das águas, mas a destruição incessante do leito por onde o líquido corre, comprometido por sujeira e mau uso.
Nesses do
is trabalhos, escolhidos em meio a outros aparentados, parece haver a clareza da vontade de extrair um tipo que conhecimento que só existe na matéria dura das pedras. A intenção, mesmo que não claramente formulada, de aprender com elas, tomando, da matéria mineral, lições sobre as formas humanas de organizar-se. Intenção de identificar formas de conhecer o mundo político no que está disposto na paisagem cartografada, aproximando-se daquilo que João Cabral de Melo Neto propunha em seu poema “A educação pela pedra”:


para aprender da pedra, frequentá-la;
captar sua voz inenfática, impessoal
(pela de dicção ela começa as aulas).
A lição de moral, sua resistência fria
ao que flui e a fluir, a ser maleada;
a de poética, sua carnadura concreta;
a de economia, seu adensar-se compacta:
lições de pedra (de fora para dentro,
cartilha muda), para quem soletrá-la.

Outra educação pela pedra: no Sertão
(de dentro para fora, e pré-didática).
No Sertão a pedra não sabe lecionar,
e se lecionasse não ensinaria nada;
lá não se aprende a pedra: lá a pedra,
uma pedra de nascença, entranha a alma.


Traço central do poema, e também dos trabalhos de Marcelo Moscheta, é o fato de não existir transparência dos significados que o contato com a pedra gera, e sim, ao contrário, opacidade. A pedra como metáfora, talvez, da própria arte. Afinal, é no embate pessoal com as palavras e com a produção artística que cada um pode, no uso de suas capacidades, desejos e memórias, formular sentidos próprios do mundo que são irredutíveis a outras formas. Porque se fosse possível traduzi-los em outros modos, se fosse possível explicar com clareza sobre o que tratam essas expressões escritas ou visuais e como elas atuam sobre cada um que entra em atrito com elas, não haveria nem mesmo a necessidade de existirem assim organizadas. A educação pela pedra, diz o poeta, “é pré-didática”. Como os trabalhos de Marcelo Moscheta mais mostram que provam, a arte que realmente conta é uma que frustre e desafie um conhecimento que se pensava já ter. É aquela que instala uma pedagogia do desaprender. Uma arte que importa é aquela que, paradoxalmente, deseduca, ensinando a quem ela afeta a olhar de novo o entorno que se julgava ser já sabido. É aquela que provoca erosão, que constrói destruindo, que aposta no encontro inesperado entre coisas e corpos. Que deseja o que está por vir, o que pouco ainda se sabe.
abril 2017

 O que é Erosão diferencial. Desgaste desigual dos corpos rochosos devido a um forte contraste de resistência, seja ao intemperismo.

terça-feira, 4 de abril de 2017

AMAZONIA, DESMATAMENTO AMPLIA O DESASTRE AMBIENTAL


10 JAN2017
A Amazônia perdeu 7.989 quilômetros quadrados (km²) de floresta, a maior taxa desde 2008, segundo levantamento do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) a partir de dados oficiais divulgados pelo governo federal no fim do ano passado.


Desmatamento de 2016 na Amazônia é o maior desde 2008, segundo levantamento do Ipam
Foto: Agência Brasil
O desmatamento no período equivale à derrubada de 128 campos de futebol por hora de floresta, segundo a entidade. O perfil fundiário dos responsáveis pela devastação teve pouca variação em relação aos últimos anos: a maior derrubada ocorreu nas propriedades privadas (35,4%), seguida de assentamentos (28,6%), terras públicas não destinadas e áreas sem informação cadastral (24%), e pelas unidades de conservação, que registraram 12% de todo o desmatamento verificado nos 12 meses analisados.
De acordo com o Panorama do desmatamento da Amazônia 2016,Os Estados que registraram maior aumento da taxa de desmatamento foram Amazonas, Acre e Pará, com incremento de 54%, 47% e 41%, respectivamente. Em números absolutos, o Estado que mais desmatou foi o Pará, 3.025 km² de floresta a menos; seguido de Mato Grosso, que perdeu de 1.508 km² de vegetação nativa; e Rondônia, com 1.394 km² de derrubadas. Os três estados respondem por 75% do total desmatado em 2016.
Segundo o levantamento do Ipam, o ranking de dez municípios que lideram o desmatamento na Amazônia permanece praticamente inalterado nos últimos anos. Cinco municípios da lista são do Pará: Altamira, São Feliz do Xingu, Novo Repartimento, Portel e Novo Progresso. O ranking também tem dois municípios amazonenses: Lábrea e Apuí; dois de Rondônia: Porto Velho e Nova Mamoré; e um de Mato Grosso: Colniza, que lidera o desmatamento no estado há, pelo menos, quatro anos.
O estudo aponta a necessidade de envolvimento da sociedade no controle do desmatamento "com uma nova estruturação de ações de comando e controle, criação de uma agenda positiva de incentivos à eficiência da produção em áreas já desmatadas e mais apoio para quem mantém seu ativo florestal, bem com participação do mercado e do sistema bancário no controle do desmatamento".
Histórico
Desde 2004, o desmatamento na Amazônia foi reduzido em mais de 70%, após o segundo pico mais alto da história do monitoramento do bioma, com 27.772 km². De 2009 a 2015, o ritmo da derrubada manteve-se estagnado em um patamar médio de 6.080 km² por ano. Em 2012, foi registrada a taxa de desmatamento mais baixa dos últimos 20 anos na Amazônia, com 4.571 km². No entanto, após essa data, o cenário de desmatamento apresentou sucessivos aumentos e pequenos recuos.

Os dados analisados pelo Ipam são do Projeto de Monitoramento do Desflorestamento na Amazônia Legal (Prodes).
SAIBA MAIS
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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

GOVERNO TEMER: REDUÇÃO DAS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO AMAZONICA . MINISTÉRIO DE MEIO AMBIENTE ESTÁ FORA DOS ESTUDOS

quarta-feira, 08 de Fevereiro de 2017
Esta notícia está associada ao Programa: 
MMA diz desconhecer proposta de reduzir em 65% conjunto de cinco áreas que fecham cinturão de contenção do desmatamento no sul do Amazonas
O governo Michel Temer pretende encaminhar ao Congresso uma proposta para extinguir uma Unidade de Conservação (UC) e reduzir drasticamente outras quatro, todas criadas pela ex-presidente Dilma Rousseff na região de Apuí, no sul do Amazonas (saiba mais). A iniciativa depende ainda do aval do Ministério de Minas e Energia (MME). A princípio, a ideia é apresentar um Projeto de Lei (PL), mas não está descartada a edição de uma Medida Provisória. As informações são da assessoria da Casa Civil.
A decisão de encaminhar a proposta foi tomada numa reunião entre o ministro Eliseu Padilha, parlamentares federais e representantes de produtores rurais, numa reunião no Planalto, ontem (7/2). A assessoria informou que Padilha não se manifestaria e que não seria possível ter acesso ao projeto.
O ISA obteve um esboço do PL por meio do gabinete do senador Omar Azis (PSD-AM), mas a proposta teria partido do governo, ainda segundo a assessoria da Casa Civil. Ela não soube esclarecer se o projeto foi elaborado apenas pela pasta ou com a participação de outras.
Em nota, o Ministério de Meio Ambiente (MMA) afirmou que desconhecia as negociações, mas que “tão logo seja informado oficialmente irá se pronunciar”. O texto diz ainda que “qualquer alteração de área em Unidades de Conservação depende de análise técnica do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Por hora, este Ministério dedica esforços ao combate ao desmatamento”. Há poucos dias, o MMA anunciou que uma de suas prioridades para 2017 seria o aumento do número de UCs no país (leia aqui).
Área perdida para conservação
A pretensão é extinguir a Área de Proteção Ambiental (APA) de Campos de Manicoré, diminuir o Parque Nacional (Parna) de Acari, a Reserva Biológica (Rebio) de Manicoré, as Florestas Nacionais (Flonas) de Urupadi e Aripuanã. A área protegida total cairia de 2,6 milhões de hectares para 1,6 milhão de hectares, um decréscimo de 65%. O território perdido para a conservação, de 1 milhão de hectares, equivale à metade do estado de Sergipe (veja tabela abaixo).
As unidades que o governo pretende retalhar têm função estratégica. Elas fecham o cinturão de áreas protegidas, ao longo do sul do Pará e do Amazonas, que impede o avanço do desmatamento em direção ao centro da floresta amazônica. Também pretendem impedir a disseminação da grilagem e do desmatamento frente à pavimentação da rodovia BR-319 (Manaus-Porto Velho), ao norte da região. O sul do Amazonas abriga uma das frentes de desmatamento mais dinâmicas da Amazônia. Por outro lado, a capacidade das UCs de conter o desflorestamento é reconhecida há anos. 
O asfaltamento da BR-319 é defendido por políticos e fazendeiros. A preocupação dos ambientalistas é que, ao estimular novas frentes de desmatamento, ele consolide a fragmentação da floresta, com consequências nefastas (veja abaixo vídeo da coordenadora adjunta de Política e Direito do ISA, Nurit Bensusan).
“A fragmentação de um ambiente natural, nesse caso de uma extensão de florestas contínuas bem preservadas, compromete seus processos ecológicos e dinâmica de espécies", alerta a assessora do ISA Sílvia Futada. "Esse processo causa mudanças drásticas que alteram o microclima local, a qualidade da água, a luminosidade e, por conseguinte, altera a dinâmica, composição, estrutura e interações das comunidades naturais", completa.
“Não temos nada contra se demarcar e manter áreas ambientalmente protegidas, mas é preciso que se tenha cuidado com milhares de pessoas que vivem naquela região, que produzem, tiram sua renda dali”, diz Omar Azis. “São produtores, pequenos empresários, milhares de pessoas que seriam, literalmente, colocadas para fora. Isso não pode acontecer, não houve a discussão necessária para resolver este problema”, defende.
O ICMBio contesta e diz que promoveu reuniões e consultas sobre a criação das UCs em vários municípios do sul do Amazonas.
Redução de UCs e aumento do desmatamento
O plano de reduzir as áreas no sul do Amazonas é divulgado após a edição de duas MPs pelo governo Temer, em dezembro, que alteram os limites de outras UCs no sul do Pará, igualmente para acomodar os interesses de produtores rurais (leia mais). As duas MPs devem ser analisadas pelo Congresso em breve. 
A alteração de UCs vem sendo criticada duramente por ambientalistas e pesquisadores. Eles avaliam que, ao sinalizar fragilidade e contradição da ação do Estado, ela estimula o desmatamento e a grilagem.
A nova proposta de redução de UCs também vem a público poucos meses depois da informação de que o desmatamento voltou a disparar na Amazônia. Entre agosto de 2015 e julho de 2016, foram derrubados quase 8 mil quilômetros quadrados de florestas na região, um aumento cerca de 30% em relação aos 6,2 mil quilômetros quadrados registrados entre 2014 e 2015 (saiba mais).
Região abriga rica biodiversidade
Segundo estudo do ICMBio que subsidiou a criação das Ucs no sul do Amazonas, elas visam “proteger a rica biodiversidade da Floresta Amazônica, na região entre os rios Madeira e Tapajós, que já sofre com a pressão humana e abriga imensa variedade de espécies de plantas e animais – alguns endêmicos e raros; outros ameaçados de extinção ou recém-descobertos pela ciência. Na região ocorrem pelo menos 13 espécies de primatas, sendo três delas endêmicas e descritas recentemente. Entre os primatas, há ainda nove espécies consideradas vulneráveis à extinção e estima-se que existam na área cerca de 800 espécies de aves”. Espécies endêmicas são aquelas que só ocorrem naquele local.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

PARQUE ESTADUAL DO RIO DOCE- sítio Ramsar desde 2010


O Parque Estadual do Rio Doce está localizado no sudoeste de Minas Gerais, a 248 km de Belo Horizonte, numa área metropolitana do Vale do Aço composta pelos municípios de Timóteo, Marliéria e Dionísio. Até antes da colonização portuguesa, a região era habitada pelos indígenas Botocudos. No início da década de 1930, o então arcebispo de Mariana, Dom Helvécio Gomes de Oliveira, durante viagem a Marliéria, conheceu a beleza das florestas e lagoas da região, pelas quais decidiu empenhar-se em preservar, começando pela criação de uma reserva florestal, o que conseguiu fazer em 14 de julho de 1944.Durante muito tempo, a administração do Parque ficou a cargo da Secretaria de Estado da Agricultura de Minas Gerais. Em 1962, foi criado o Instituto Estadual de Florestas (IEF), que passou a geri-lo, logo abrindo-o ao turismo. Alguns anos depois, durante a época da seca, uma fogueira deixada por um turista provocou um incêndio que se alastrou por cerca de 9 mil hectares de florestas, causando 11 mortes. Após sete anos de reformas, o parque foi reaberto para visitação, mas até hoje a parte afetada pelo incêndio encontra-se em regeneração.
Mariana

Vegetação, fauna e flora

Com área total de 35.976 hectares, e a 300 m de altitude, é a maior área contínua de Mata Atlântica preservada em Minas Gerais, formando com o Pantanal Matogrossense e o sistema Amazônico os três maiores sistemas de lagos do País. O Parque Estadual recebe a denominação de depressão interplanáltica do Rio Doce, e é constituído por cerca de 42 lagoas, sendo a maior destas, com 6,7 Km² e 32 m de profundidade, a Lagoa Dom Helvécio, mais conhecida como Lagoa do Bispo, em homenagem ao idealizador do Parque. A vegetação é marcada por árvores raras e centenárias, tais como a garapa, o vinhático, a sapucaia, a canela sassafrás, o jacarandá-da-baía e o jequitibá, este podendo viver até mil anos. Também há, listadas, 1129 espécies vegetais, além de 10 mil espécies compondo a flora local, estabelecendo uma significativa e incomum diversidade a essa área úmida. Quanto à fauna, o parque abriga um total de 1.383 espécies de mamíferos, anfíbios e aves. Dentre tantos outros, há o macaco-prego, a anta, capivara, paca, sauá, cotia e o jacaré-de-papo-amarelo, além de espécies ameaçadas de extinção, como o macuco, a onça pintada e o mono-carvoeiro, maior macaco dos continentes americanos. Dentre os peixes, grandes populações de cumbaca, piabinha, traíra, lambari, bagre, manjuba, cará, piranha e tucunaré, e, da avifauna, destaque para o beija-flor, jacu-açu, anumará, besourinho, chauá e saíra.
Objetivos Assim como as demais unidades de conservação, o Parque Estadual do Rio Doce tem como objetivos prioritários de manejo a preservação, o desenvolvimento de pesquisas científicas, a recreação e educação ambiental. No que se refere à preservação ambiental, no caso do PERD, a prioridade é a parte local da Mata Atlântica e suas espécies – apenas por um exemplo, o parque mantém um viveiro com produção anual de até 500 mil mudas, inclusive de plantas medicinais.
Sítios Ramsar O Parque Estadual do Rio Doce tornou-se Sítio Ramsar em fevereiro de 2010, correspondendo à diretriz do governo brasileiro, cumprida desde sua adesão à Convenção de Ramsar, de indicar para a Lista deste tratado internacional somente Áreas Úmidas que sejam unidades de conservação, assim favorecendo a adoção de medidas necessárias à implementação dos compromissos assumidos pelo País perante a Convenção. Além do Parque Estadual do Rio Doce, o Brasil tem outras 11 Áreas Úmidas na Lista de Ramsar.
Fonte:
Ministério do Meio ambiente


RIO DOCE "VIRA ESTRADA DE TERRA" Linhares e Colatina no ES

RIO DOCE entre Linhares e Colatina

Chuva que começou a cair no estado não é suficiente para reverter seca.
Outros rios do Espírito Santo também estão com níveis abaixo do normal.
A chuva que começou a cair nesta quinta-feira (5) e a previsão para os próximos dias não são suficientes para reduzir os efeitos da seca no Espírito Santo, segundo apontaram especialistas. Os rios que abastecem o estado estão com os níveis abaixo do normal, o que levou o governo a declarar a existência de "cenário de alerta". O maior do estado, o Rio Doce, também vêm sofrendo com a estiagem. No trecho entre Colatina e Linhares, a água deu lugar a longas faixas de areia. Especialistas apontam que o déficit de chuva de 2014, acumulado com o do início deste ano, não terá como ser compensado de forma tão rápida. A tendência é que a crise seja uma realidade para todo o ano de 2015. No ano de 2014 a média do déficit de chuvas foi de 400 milímetros. Choveu cerca de 67% do esperado. Em alguns pontos do estado, como a Região Metropolitana, esse total chegou a 600 milímetros. Este ano, em janeiro, na maior parte do Espírito Santo choveu cerca de 30 milímetros. O esperado para o período era de 200 milímetros. O meteorologista do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), Hugo Ramos, explicou que esse período é a reta final do período chuvoso. O mês de fevereiro é o que tradicionalmente menos chove. “Teríamos que ter um novo ciclo de chuva, completo, para resolver o problema”, disse. A situação se agrava porque a falta de chuva não permitiu uma boa reserva de água no solo. É ela que dá sustentação aos rios e é de onde as plantas tiram a água de que necessitam. “Uma infiltração de água que depende muito do tipo de solo, de chuva, da inclinação do terreno e até da cobertura vegetal”, afirmou Aureliano Nogueira, engenheiro agrônomo e doutor em solo e nutrição de plantas. Segundo o engenheiro, cerca de 60% a 65% do que chove é armazenado no solo, no lençol freático. Mas para isso, é preciso que não haja chuva com intensidade, para permitir que o solo a absorva. “O déficit hídrico do solo vem se agravando e não teremos como repor”, completou.
*Com colaboração de Vilmara Fernandes, de A Gazeta.