IMPOSTOS EM SÃO PAULO

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

UMA REFLEXÃO NO DIA DE NATAL! NOSSOS DESEJOS PARA 2013


Berçario de Estrelas
Gente amiga de perto e de longe,

            Hoje é o dia 21 de dezembro. Como já é tarde da noite e no céu do Solstício de Verão não há sinal estranho algum, começo a crer que o “fim do mundo” não deverá acontecer agora. E, escrevendo a vocês aguardo o que irá acontecer. Ou não.
            Ficarei feliz se o Mundo não acabar agora. Em parte porque estaremos junt@s por mais algum tempo. Em parte porque devo confessar que continuo acreditando que haverá ainda Planeta Terra, e Vida no Planeta Terra, e Seres Humanos na Vida no Planeta Terra no ano 2013. No ano 20.130 também. No ano 200.013 também. E, quem sabe? No ano 2.000.013 também.
            Claro, pode ser que alguém considere estas contagens esperançosamente exageradas. No entanto, esta seria uma boa hora para lembrar  que nossos primeiros ancestrais possivelmente já estariam aqui - preparando o caminho que desaguou em nós - há 3.500.000 anos atrás. Segundo alguns paleontólogos, provavelmente há alguns milhões de anos ainda mais atrás, em direção ao nosso primeiro passado.
            E esta é também uma boa ocasião para pensarmos se não estaríamos ainda “saindo da pré-história”, como querem alguns estudiosos. Eu penso que em parte sim. Gosto de pensar que nós estamos ainda na aurora da história da Vida Humana e humanamente consciente aqui nesta Nave Casa em que viajamos pelo Universo a uma velocidade tão grande... que sequer a sentimos. E, não esqueçamos que outros seres da Vida na Terra também possuem a sua forma própria de consciência. E é bastante provável que o próprio Planeta Terra seja uma forma consciente e viva de Vida, e não apenas de acolhida da Vida.           
            Algumas pessoas sustentam a idéia de que a Espécie Humana teria levado milhões de anos para aprender a falar coloquialmente como falamos agora (às vezes demais, como eu!). E tardamos mais outros milhares de anos para chegar à palavra escrita. Ora, pensem bem. Se nos forem dados mais milhares, ou mais alguns poucos milhões de anos de existência aqui na Terra, nós, os Humanos, poderemos atingir formas e dimensões de um Vida hiper-consciente, trans-amorosa, pluri-transcendente, e espiritualmente iluminada, pela qual vale a pena não apenas esperar, mas fazer tudo o que pudermos, aqui e agora, para entregar viva esta esperança às gerações que haverão de nos suceder. Chegamos até aqui, e podemos ainda seguir tanto caminho para a frente e para cima!
            Podemos acreditar que assim como "nos alçamos" ao símbolo, à palavra, à consciência reflexiva, à cultura enfim, assim também poderemos, se nos estendermos na Terra por mais apenas alguns milhões de anos, atingir com nossas vidas interativas, nossas mente e nossos corações, uma Humanidade bastante mais iluminada e luminosa do que aquela que nos é mostrada em alguns filmes de futuro. Bastante mais humanamente  realizada  do que aquela que talvez exista hoje, profeticamente,  na Vida e na Consciência de alguns poucos seres que ao longo da história nos acostumamos a chamar de: mestres, sábio, gurus, guias, profetas, santos, médiuns, e assim por diante.
            Bom, já que o "Mundo-não-acabou-de-novo" (porque esta história vem de longe!) e já que um ano está por terminar e outro por começar (em apenas um dos inúmeros calendários culturais da humanidade, não esquecer!) quero retomar nesta carta que envio a pessoas amigas a vários anos, a narrativa breve de alguns acontecimentos e a confissão de algumas esperanças.
            Comecei o ano de 2012 vivendo uma vez mais o que me acompanha há décadas. E, como sempre, nunca a sós, mas na companhia de várias pessoas amigas e companheiras. Comecei um vez mais entre as aulas, orientações de pós-graduandas, e a partilha de pesquisas junto à "Geografia da Universidade Federal de Uberlândia". Encerramos mais um projeto de pesquisas de campo, depois da inesquecível longa viagem  da Barca Tainá pelo "Rio São Francisco Mineiro", entre Pirapora e Manga, no ano passado.
            Conseguimos publicar um  primeiro livro resultante de nossas pesquisas coletivas: Cerrado, Gerais, Sertão. E logramos aprovar junto à EDUFU mais outros dois: Viver em Ilhas e Etnocartografias do Rio São Francisco. Eles já estão editados e deverão sair no primeiro semestre de 2013. Mais um pequeno motivo para o mundo não acabar daqui a pouco.
            Estamos encerrando mais um projeto de pesquisas: Beira Vida, Beira Rio. E  mesmo havendo anunciado a Deus e ao Mundo que a partir de 1 de dezembro e até 1º de março eu estaria em "tempo sabático", tudo indica que vou "virar o ano" às voltas com o "relatório final" de mais este projeto. Que seja!
            E nestes anos de "outono da vida de professor", de fato uma das mais fecundas e festejantes alegrias tem sido a partilha de trabalhos de pesquisas junto a comunidades tradicionais nos sertões de Minas Gerais, com nossas mesmas e novas equipes de estudantes e de professoras(es). O projeto: Travessias - Museu da Pessoa do Sertão está em pleno e feliz andamento!
            Do "outro lado da vida" (mas nunca tão distante do "lado docente" assim)) vivi de novo com outras gentes a partilha de incontáveis trabalhos e momentos de encontros ao redor da Educação Popular e das ações sociais junto a educadores e a movimentos sociais populares. Com alguns destes companheiros de décadas de vida e ação social, participei de celebrações de fecunda longevidade. Os 90 anos de D. Tomás Baldoino e de Jether Pereira Ramalho. a véspera dos 80 anos de Osmar Fávero. Pessoas guias de minha vida e "companheiros de caminhada" como Paulo Freire e Vera Jaccoud que nos deixaram e seguem à frente, Rubem Alves, Joel Pimentel Ulhoa,  e tantas e tantos outros que agora beiram, um pouco adiante de mim, as oito décadas de vida. Todas e todos de pé... e a caminho!
            Pensei muito em encerrar logo no começo desta década tanto a "vida de professor", quanto a de "militante da educação popular". Não consegui fazer isto até agora, e me alegro em saber que por certo também não conseguirei nos anos próximos.       
            Entre um número quase incontáveis de viagens de encontros e de trbalços em todos os cantos do Brasil, uma vez mais revivi a mesma experiência de tantos anos atrás. O conviver momentos da vida e seguir aprendendo com as gentes do povo a quem sonhamos dedicar ao longo destes anos todos o melhor de nossas vidas. Agora, bem mais velho, reconheço sem qualquer dúvida que é destes homens e mulheres que me chegam as lições mais essenciais de nossas vidas. E é deles que uma vez mais nos chega a força para seguir em frente.
            Vivi de novo isto, tanto entre os povoadores de ilhas e barrancas do rio São Francisco, como em outras pelo menos quatro ocasiões que desejo relatar aqui. A primeira foi no Encontro com educadoras e pessoas de comunidades da "Região do Brejo" na Paraíba, junto à Escola do Carmelo, em Bananeiras. A segunda de novo na Paraíba, no mesmo "Semi-Árido Paraibano" (e debaixo de um tempo de seca arrasadora), em um encontro entre educadores, agentes de ação popular e mulheres e homens agricultores orgânicos em Lagoa Seca. A terceira foi aqui em casa, em Campinas, no re-encontro com José Moreira Coelho, lavrador e militante, artista e  compositor de Goiás. Eu o conheci em um 1964, e renovo uma esperançosa energia cada vez que o reencontro ao longo destes anos todos. A quarta foi no inesquecível encontro na Cidade de Goiás para a celebração dos 90 anos de D. Tomás Baldoino. Nele, como em tantos outros momentos ao longo destes tempos, foram as mulheres e homens dos assentamentos e acampamentos da reforma agrária, espalhados ao redor da Cidade de Goiás, as pessoas que não só trouxeram a música que cantamos, mas que deram o tom do que vivemos.
            A ROSA DOS VENTOS cumpre 18 anos de partilha e acolhida neste carnaval de 2013.
           Alguns espaços novos foram recriados por lá, para podermos abrigar encontros maiores e com mais pessoas. Foi uma alegria inesperada terminar o ano com um Encontro do MOVA-BRASIL.
            Estamos reativando o nosso Grupo de Estudos do Tao. Irene, Sandra, Alessandra e outras pessoas ativam o Rosa Zen, e fecundas reuniões, encontros e momentos de vivências de Constelação Familiar foram vividas neste 2012. Estaremos reativando também o Centro Mutirão de Economia Solidária e Educação Popular,  e já  sonhamos com o retorno e mais um Curso voluntário de formação de educadoras(es) de Caldas.
            Teremos Natal com casa cheia, e a Passagem do ano com a Rosa dos Ventos lotada. Quem ainda quiser vir e não reservou lugar, que traga barraca e colchonete. Depois dos "Festejos de Santos Reis", ou seja, depois de 6 de janeiro, retomaremos os nossos mutirões de "Harmonia da Rosa". Há uma proposta de ecologizar todos os espaços, da porteira até a "Casa da Mata".
E também em janeiro-fevereiro estaremos "tocando em frente" o Leilão das Araras Grandes, em nome de Josino, Márcia e Ana Terra. Contamos com a ajuda toda a gente de perto e de longe.
            Dércio nos deixou, e sua partida foi a grande tristeza de nós todas e todos. Por toda a parte convivemos com a sua lembrança e o som das músicas, que em boa medida sempre foram alguns dentre os sons mais queridos na Rosa dos Ventos.
            Sem sequer um raio e um trovão, uma suave chuva silenciosa cai sobres as árvores, casas e pedras de Campinas. Passa um pouco de meia-noite. Espio a noite e posso garantir que nem o Mundo terminou, e nem coisa alguma de inesperado aconteceu, a não ser a chegada desta mais do que esperada chuva que marca o Solstício do Verão.
            Já que "o mundo não acabou", o que vocês acham de terminarmos o ano nos unindo para acabar com algumas coisas no mundo?  Deixo com vocês algumas sugestões. E ao invés de sugerir aqui algumas grandes causas, prefiro lembrar alguns "acabamentos" que podem começar dentro de nós, entre nós e através de nós.
            Se "o mundo não acabou", o que é que nós podemos começar a fazer acabar em nós, entre nós e... no Mundo?
1º. Podemos começar a acabar com o medo, em favor da coragem de ser, de partilhar a vida e de viver.
2º. Podemos começar a acabar com a desesperança, em nome da esperança em que de nós próprios, de nossas mentes e corações, de nossos atos de luta por "um outro Mundo possível" e de nossos gestos solidários, daria  para começar a acreditar            não tanto em "mim mesmo" (estamos afogados em falsos endeusamentos do Ego), mas em Nós. Melhor ainda, em círculos amorosos e  ativos de "Entre-Nós".
3º. Podemos começar a acabar com a inércia, em nome de um "sair de si" e - de um modo ou de outro - saber unir-se a outros,            e seguir em frente. E tomar em e entre nossas mãos pessoais e coletivas os nossos próprios destinos, e o destino de nosso próprio Mundo.
4º. Podemos acabar com o desconhecimento (muita informação, pouco saber e tão rara sabedoria!), em nome de um esforço crescente de busca de saber genuíno, de consciência, de clarividência mesmo, num enfrentamento diário e solidário contra o trabalho insidioso deu ma multi-midia, que a cada        dias mais ameaça colonizar tudo o que temos para aprender a pensar, a agir, a construir e a ser, afinal.
5º. Podemos acabar com o individualismo, que sob os mais sedutores e perversos disfarces  nos ameaça colocar sutilmente uns contra os outros, quando poderíamos estar a todo o momento e em todas as situações de cada dia reaprendendo que a nossa vocação humana é a reciprocidade, a gratuidade, a generosidade, a partilha, o sair-de-si em busca do outro. O amor, enfim!
6º. Podemos acabar com o competitivismo produtivista e  consumista que constituem o chão e o telhado do sistema capitalista neo-liberal que nos é imposto, que nos desumaniza em todas as dimensões de nossas vidas e que, ele sim, e seus desdobramentos, poderão nos levar a um inevitável "fim do mundo". Pelo menos o fim de um esperançoso e fraterno "mundo humano".
            Nos primeiros dias deste dezembro eu estive na Argentina. Estava em um encontro entre jovens estudantes e pesquisadores da Universidade de Buenos Aires. Uma de nossas reuniões finais foi no anfiteatro da Facultad de Letras y Filosofia. Na grande parede oposta ao lugar onde eu estava, havia uma quantidade enorme de fotografias com alguns dizeres sob cada uma. Em um intervalo eu me levantei e percorri lentamente a parede, do começo ao final. Ali estavam os rostos de jovens, moças e rapazes, assassinados ou desaparecidos durante a ditadura militar. Seus rostos, suas idades, seus cursos universitários e  data real ou presumível de suas mortes. Eram mais de quatrocentos rostos. Mais de quatrocentas vidas!
            Dias mais tarde, eu estaria na Cidade de Goiás. E lá, entre os festejos dos 90 anos de D. Tomás Baldoino, nós iríamos também lembrar os rostos e os nomes de nossos mortos. Em um painel bem menor, mas igualmente doloroso, lá estavam os rostos de outras pessoas que um dia souberam oferecer nada menos do que suas vidas, em nome de alguma coisa em que acreditavam.       
            Na parede em frente à dos nomes e retratos em Buenos Aires, havia um painel com um trecho de um escrito de Eduardo Galeano. Em um ano em que alguns amigos queridos partiram e outros festejaram suas mais do que oito décadas de vidas e de bons combates, eu gostaria que as palavras escritas a mão numa parede concluíssem esta carta, já longa demais.

            Temos um excelente passado pela frente.

          Para os navegantes com sede de vento

          a memória é um porto de partida.

            Tenhamos um Natal feliz e partilhado.

            Saibamos fazer juntas e juntos de 2013 o ano feliz e fecundo que esperamos viver!

            abraço vocês com ternura, Carlos Rodrigues Brandão

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

AGRAVAMENTO DA SITUAÇÃO DE CONFLITO ENTRE EMPRESÁRIOS E INDIGENAS - S.FELIX DO ARAGUAIA.


O bispo Pedro Casaldáliga tem de deixar sua residência em São Félix do Araguaia por sofrer ameaças


 
D. Pedro Casaldáliga durante entrevista exclusiva ao QTMD? Foto: Ana Helena Tavares

O religioso, de 84 anos e que sofre de Parkinson, vem há 40 anos lutando pelos direitos dos povo indígenas Xavante no Brasil
Matéria do jornal “La Vanguardia”, de Barcelona, publicada em 08/12/2012 
Tradução livre do original em língua castelhana para língua portuguesa feita por Rafael Oliveira do Prado para  o site “Quem tem medo de democracia?
Barcelona (da Agência Catalã de Notícias – ACN). – O bispo Pedro Casaldáliga, de 84 anos, se viu obrigado a deixar sua residência em São Félix do Araguaia e se refugiar a mais de mil quilômetros de distância por recomendação da Polícia Federal brasileira. O motivo foi a intensificação das ameaças de morte feitas contra Dom Pedro Casaldáliga nos últimos dias, as quais recebe em função do seu trabalho de mais de 40 anos em defesa dos direitos do povo Xavante.A produtora “Minoria Absoluta”, que trabalha em uma minissérie sobre o religioso, foi uma das que denunciaram a situação. O fato de que o governo brasileiro tenha decidido tomar as terras (sic) dos “fazendeiros” (aspas no original) para devolvê-las aos indígenas, legítimos proprietários, agravou o conflito.De fato, a produtora afirmou que a equipe que rodava a minissérie teve que modificar seu plano de trabalho. Concretamente, e por recomendação do governo brasileiro, a equipe teve que atravessar a floresta e fazer um trajeto de 48 horas de duração para evitar a zona de conflito. Casaldáliga se converteu em um alvo para os “invasores” (aspas no original) que se apropriaram fraudulentamente da Terra Indígena (T.I.) Marâiwatsédé do povo Xavante. O bispo, de 84 anos e que sofre de Parkinson, trabalha há anos pelos povos indígenas e seus direitos fundamentais na prelazia de São Félix e se transformou na imagem internacional dessa causa.Os latifundiários e os colonos que ocuparam fraudulentamente e mediante violência as terras (indígenas), serão despejados em pouco tempo segundo uma Ordem Ministerial que está por ser executada há mais de 20 anos. Segundo a Associação Araguaia com Casaldáliga informou em uma carta, o bispo se vê obrigado a pegar um avião escoltado pela polícia, e atualmente se encontra na casa de um amigo, o qual tem sua identidade e endereço mantidos em segredo por razões de segurança.“Sentimo-nos plenamente identificados com a defesa da causa indígenas sempre levada adiante pelo bispo Pedro e pela Prelazia de São Félix” (aspas no original), disse a nota da Associação, que exorta à comunidade internacional a velar pela segurança de Casaldáliga e os direitos do povo Xavante. Através do Twitter circulou o comunicado de apoio do Conselho Indígena Missionário (CIMI) – organismo vinculado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) –, assinado por associações e entidades vinculadas à luta dos povos indígenas e aos direitos humanos.

domingo, 9 de dezembro de 2012

DISINTRUSÃO DAS TERRAS INDÍGENAS, A REDE DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL E A CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA


Completo 71 anos esta semana . Mas quero contar uma passagem de minha vida. No final da década de 1970, participei de atividades em S.Felix do Araguaia. Quando desci do pequeno bi-motor nestas terras, índios nos esperavam e helicópteros de guerra sobrevoavam.  Conheci Dom Pedro Casaldaglia nesta ocasião, como Bispo da Prelazia de S.Felix. Morava em casa bem pobre, como seus habitantes. Andei pela região onde o estado de guerra era evidente. A causa era claro: Primeiro a Guerrilha do Araguaia,hoje já bem conhecida com a chamada COMISSÃO DA VERDADE. Lá, naquele dia encontrei um clima extremamente tenso, nervoso e o bispo D.Pedro Casaldaglia resistindo a invasão das terras dos índios e dos pobres. Sempre ao lado deles. O medo tomou conta de mim, mas ao mesmo tempo senti que era o que precisava fazer naquele momento. Havia deixado meus e filhos,minha casa e meu marido para esta tomada de posição. Até hoje sinto a dor da hora da partida rumo ao Araguaia. Depois de minha volta, ficou claro para mim que esta ação foi importante para mim e para a sociedade brasileira. Por tanto nunca me arrependi. Hoje, passados mais de 40 anos, volto a mesma solidariedade a este velho Bispo Emérito e a mesma SOLIDARIEDADE A CAUSA ÍNDIGENA EM DEZEMBRO DE 2012. Peço que leiam com atenção a história contada na carta abaixo e vinda de várias entidades.
Abraços Odila Fonseca


Nota de solidariedade a Dom Pedro Casaldáliga
Ao se aproximar a desintrusão da Terra Indígena Marãiwatsèdè, após mais de 20 anos de invasão, quando os não indígenas estão para ser retirados desta área, multiplicam-se as manifestações de fazendeiros,políticos e dos próprios meios de comunicação contra a ação da justiça.Neste momento de desespero, uma das pessoas mais visadas pelos invasores e pelos que os defendem é Dom Pedro Casaldáliga, bispo emérito de São Félix do Araguaia, a quem estão querendo, irresponsável e inescrupulosamente, imputar a responsabilidade pela demarcação da área Xavante nas terras do Posto da Mata. As entidades que assinam esta nota querem externar sua mais irrestrita solidariedade a Dom Pedro. Desde o momento em que pisou este chão do Araguaia e mais precisamente, desde a hora em que foi sagrado bispo da Prelazia de São Félix do Araguaia, sua ação sempre se pautou na defesa dos interesses dos mais pobres, os povos indígenas, os posseiros e os peões. Todos sabem que Dom Pedro e a Prelazia sempre deram apoio a todas as ocupações de terra pelos posseiros e sem terra e como estas ocupações foram o suporte que possibilitou a criação da maior parte dos municípios da região.
Em relação à terra indígena Marãiwatsèdè, dos Xavante, os primeiros moradores da região nas décadas de 1930, 40 e 50 são testemunhas da presença dos indígenas na região e como eles perambulavam por toda ela.  Foi com a chegada das empresas agropecuárias, na década de 1960, com apoio do governo militar, que a Suiá Missu se estabeleceu nas proximidades de uma das aldeias e  até mesmo conseguiu o apoio do Serviço de Proteção ao Indio para se ver livre  da presença dos indígenas.
A imprensa nacional noticiou a retirada de 289 xavante da região os quais foram transportados em aviões da FAB, em 1966, para a aldeia de São Marcos, no município de Barra do Garças.
Em 1992, a AGIP, empresa italiana que tinha comprado a Suiá Missu das mãos da família Ometto, quis se desfazer destas terras. Por ocasião da ECO-92, sob pressão inclusive internacional, a empresa destinou 165.000 hectares para os Xavante que, durante todo este tempo, sonhavam em voltar à terra de onde tinham sido arrancados. Imediatamente  fazendeiros e políticos da região fizeram uma grande campanha para ocupar a área que fora reservada aos Xavante, precisamente para impedir que os mesmos retornassem. Já no dia 20 de junho de 1992, algumas áreas tinham sido ocupadas e foi feita uma reunião no Posto da Mata, da qual participaram políticos de São Félix do Araguaia e de Alto Boa Vista e também havia repórteres. A reunião foi toda gravada. As falas deixam mais do que claro que a invasão da área era  exatamente para impedir a volta dos  Xavante. “Se a população achou por bem tomar conta dessa terra em vez de dá-la para os índios, nós temos que dar esse respaldo para o povo” (José Antônio de Almeida – Bau, prefeito de São Félix do Araguaia).  “A finalidade dessa reunião é tentarmos organizar mais os posseiros que estão dentro da área... Se for colocar índio no seu habitat natural, tem que mandar índio lá para Jacareacanga, ou Amazonas, ou Pará...” (Osmar Kalil – Mazim, candidato a prefeito do Alto Boa Vista). “Nós ajudamos até todos os posseiros daqui serem localizados... Chegou a um ponto, ou nós ou eles (os Xavante) porque nós temos o direito... Dizer que aqui tem muito índio? Aqueles que estão preocupados com os índios que tem que assentar. Tem um monte de país que não tem índio. Pode levar a metade... Na Itália tem índio? Não, não tem! Leva! Leva pra lá! Carrega pra lá! Agora, não vem jogar em nós, não... ( Filemon Costa Limoeiro, à época funcionário do Fórum de São Félix do Araguaia)
A área reservada aos Xavante foi toda ocupada por fazendeiros, políticos e comerciantes. Muitos pequenos foram incentivados e apoiados a ocupar algumas pequenas áreas para dar cobertura aos grandes. O governo da República, porém estava agindo e logo,  em 1993, declarou a área como Terra Indígena que foi demarcada e, em 1998 homologada pelo presidente FHC.  Só agora é que a justiça está reconhecendo de maneira definitiva o direito maior dos índios.  O que D. Pedro sempre pediu, em relação a esta terra, foi que os pequenos que entraram enganados, fossem assentados em outras terras da Reformas Agrária. Mas o que se vê é que, ontem como hoje, os pequenos continuam sendo massa de manobra nas mãos dos grandes e dos políticos na tentativa de não se garantir aos povos indígenas um direito que lhes é reconhecido pela Constituição Brasileira. Mais uma vez, queremos manifestar nossa solidariedade a Dom Pedro e denunciar mais esta mentira de parte daqueles que tentam eximir-se da sua responsabilidade sobre a situação de sofrimento, tensão e ameaça de violência que eles mesmos criaram, jogando esta responsabilidade sobre os ombros de nosso bispo emérito. 5 de dezembro de 2012
Conselho Indigenista Missionário – CIMI - Brasilia
Comissão Pastoral da Terra – CPT - Goiânia
Escritório de Direitos Humanos da Prelazia de São Félix do Araguaia – São Félix do Araguaia
Associação de Educação e Assistência Social Nossa Senhora da Assunção – ANSA –
São Félix do Araguaia
Instituto Humana Raça Fêmina – Inhurafe – São Félix do Araguaia
Associação Terra Viva – Porto Alegre do Norte
Associação Alvorada – Vila Rica
Associação de Artesanato Arte Nossa – São Félix do Araguaia
Grupo de Pesquisa Movimentos Sociais e Educação - GPMSE - Cuiabá
Associação Brasileira de Homeopatia Popular – ABHP - Cuiabá
Fórum de Direitos Humanos e da Terra de Mato Grosso - FDHT - Cuiabá
Centro Burnier Fé e Justiça – CBFJ - Cuiabá
Fórum Matogrossense de Meio Ambiente e Desenvolvimento – FORMAD - Cuiabá
Instituto Caracol – ICARACOL - Cuiabá
Rede de Educação Ambiental de Mato Grosso – REMTEA - Cuiabá



 

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

VISITA INESPERADA: LEONARDO BOFF E IONARA U. MOURA

Saber que evento foi este é grande pergunta deste BLOG!
   Com certeza tem muito a ver com a nossa proposta. Sei que este evento foi em S.Paulo.
Enquanto aguardamos um breve relato de nossa parceira Ionara U.Moura, convido a vermos este programa sobre ENERGIA SOLAR!
http://g1.globo.com/globo-news/cidades-e-solucoes/videos/t/programas/v/capital-do-marrocos-possui-a-maior-usina-solar-do-mundo/2125356/

Continuando:

        Rosimeri Kulka disse:
"Hoje nos encontramos numa fase nova na humanidade. Todos estamos regressando à Casa Comum, à Terra: os povos, as sociedades, as culturas e as religiões. Todos trocamos experiências e valores. Todos nos enriquecemos e nos completamos mutuamente. (...)" (...) Vamos rir, chorar e aprender. Aprender especialmente como casar Céu e Terra, vale dizer, como combinar o cotidiano com o surpreendente, a imanência opaca dos dias com a transcendência radiosa do espírito, a vida na plena liberdade com a morte simbolizada como um unir-se com os ancestrais, a felicidade discreta nesse mundo com a grande promessa na eternidade. E, ao final, teremos descoberto mil razões para viver mais e melhor, todos juntos, como uma grande família, na mesma Aldeia Comum, generosa e bela, o planeta Terra."
Leonardo Boff


Leonardo Boff e equipe do PROJETO "BICHO DO MATO"
CONHEÇA MAIS ACESSANDO:
https://www.facebook.com/rosimeri.kulka#!/pages/Projeto-Bicho-do-Mato/201783903235642

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

VALEU OSCAR NIEMEYER !

 
Incrivelmente acompanhei suas obras desde 1950 - os anos dourados do Brasil _
Isso foi companheirismo!!!! Não parou até na hoje!!!! Com certeza sua genialidade ficará em cada canto onde suas imponentes obras estiverem - hoje patrimonio da humanidade!  - e também em nossas mentes e corações! OSCAR, GRANDE EMOÇÃO TER SUBIDO ESTA RAMPA DO MUSEU DE ARTE MODERNA DO RIO DE JANEIRO! UM TAPETE VERMELHO CONTINUARÁ NOS ESPERANDO SEMPRE ALI. Esta foi a concepção de acolher o público para entrar nesta maravilhosa obra! Sua luz segue para o universo onde estão todas as brilhantes estrelas! Esta é a homenagem de nosso BLOG!
                                                                                                            Odila Fonseca

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

AS CONTRIBUIÇÕES DO NOSSO BLOG

Lucas Sawaris deixou um novo comentário sobre a sua postagem
"Amazonia:Estudo sobre a Fragmentação da Floresta":

Realmente, grandioso o trabalho dessa equipe neste projeto. Este tipo de projeto é essencial como base para novos trabalhos. Eu estou no final da minha graduação e o tema da minha monografia também foi fragmentação florestal, particularmente os efeitos sobre assembléias de besouros rola-bosta...
Muito bom o artigo.


Obrigada Lucas Sawaris. Muito bom saber que você chega ao final de sua graduação tão focado neste tema das "fragmentações das florestas". Quando tiver concluido, se quiser nos repassar para divulgá-la, vamos ter um grande prazer. Abraços Odila Fonseca 

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

JAVY´A PORÃ - PAZ NO CORAÇÃO DE VOCÊS

MENSAGEM EMOCIONANTE!

      A jornalista, escritora e documentarista Eliane Brum inicia a conversa lendo trechos de duas reportagens que compõem o livro "O olho da rua", comentando, durante a leitura, a literatura que ela ouve de seus personagens e transmite para o leitor na reportagem. A entrevista conta com a participação do escritor Sergio Vilas-Boas. Entrevista concedida ao jornalista Claudiney Ferreira, para o programa Jogo de Ideias, gravado em agosto de 2010, na Casa da Cultura, em Paraty/RJ, durante a 8ª Feira Literária de Paraty (FLIP).
           ELIANA BRUM MUITO OBRIGADA PELA MARAVILHOSA MATÉRIA.Odila

             http://youtu.be/rln0WqI6tI8

             http://semioticas1.blogspot.com.br/2012/07/genesis-por-sebastiao-salgado.html

domingo, 28 de outubro de 2012

A SOMBRA DO DELÍRIO VERDE - UM DOCUMENTÁRIO ANTIGO MAS ATUAL!

Os índios Guarani Kaiowá, do Mato Grosso Sul, denunciam que estão sendo obrigados a deixar a terra que sempre ocuparam. Ao todo, são mais de 40 mil deles ameaçados pela monocultura de cana-de-açúcar, que devido ao alto lucro, se espalha rapidamente na região. Mesmo os territórios já reconhecidos como de propriedade indígena no Estado estão sendo desocupados.

Veja matéria no site http://gritasaopaulo.com.br/agencia/?p=2807
ASSISTA AQUI O DOCUMENTÁRIO " A CAMINHO DA COPA"
 http://vimeo.com/44195105

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

UMA CARTA PARA SER LIDA! DIA 8 DE OUTUBRO 2012 AO CONSELHO ATY GUASU-Assembléia dos Guaranis-Caiovás


Prezad@s, esta é uma carta que precisa ser lida. PARTE I

A declaração de morte coletiva feita por um grupo de Guaranis Caiovás demonstra a incompetência do Estado brasileiro para cumprir a Constituição de 1988 e mostra que somos todos cúmplices de genocídio – uma parte de nós por ação, outra por omissão!

"Pedimos ao Governo e à Justiça Federal para não decretar a ordem de despejo/expulsão, mas decretar nossa morte coletiva e enterrar nós todos aqui. Pedimos, de uma vez por todas, para decretar nossa extinção/dizimação total, além de enviar vários tratores para cavar um grande buraco para jogar e enterrar nossos corpos. Este é o nosso pedido aos juízes federais."

 

        O trecho pertence à carta de um grupo de 170 indígenas que vivem à beira de um rio no município de Iguatemi, no Mato Grosso do Sul, cercados por pistoleiros. As palavras foram ditadas em 8 de outubro ao conselho Aty Guasu (assembleia dos Guaranis Caiovás), após receberem a notícia de que a Justiça Federal decretou sua expulsão da terra. São 50 homens, 50 mulheres e 70 crianças. Decidiram ficar. E morrer como ato de resistência – morrer com tudo o que são, na terra que lhes pertence.Há cartas, como a de Pero Vaz de Caminha, de 1º de maio de 1500, que são documentos de fundação do Brasil: fundam uma nação, ainda sequer imaginada, a partir do olhar estrangeiro do colonizador sobre a terra e sobre os habitantes que nela vivem. E há cartas, como a dos Guaranis Caiovás, escritas mais de 500 anos depois, que são documentos de falência. Não só no sentido da incapacidade do Estado-nação constituído nos últimos séculos de cumprir a lei estabelecida na Constituição hoje em vigor, mas também dos princípios mais elementares que forjaram nosso ideal de humanidade na formação do que se convencionou chamar de “o povo brasileiro”. A partir da carta dos Guaranis Caiovás, tornamo-nos cúmplices de genocídio. Sempre fomos, mas tornar-se é saber que se é.
Os Guaranis Caiovás avisam-nos por carta que, depois de tantas décadas de luta para viver, descobriram que agora só lhes resta morrer. Avisam a todos nós que morrerão como viveram: coletivamente, conjugados no plural. Nos trechos mais pungentes de sua carta de morte, os indígenas afirmam:

- Queremos deixar evidente ao Governo e à Justiça Federal que, por fim, já perdemos a esperança de sobreviver dignamente e sem violência em nosso território antigo. Não acreditamos mais na Justiça Brasileira. A quem vamos denunciar as violências praticadas contra nossas vidas? Para qual Justiça do Brasil? Se a própria Justiça Federal está gerando e alimentando violências contra nós. Nós já avaliamos a nossa situação atual e concluímos que vamos morrer todos, mesmo, em pouco tempo. Não temos e nem teremos perspectiva de vida digna e justa tanto aqui na margem do rio quanto longe daqui. Estamos aqui acampados a 50 metros do rio Hovy, onde já ocorreram 4 mortes, sendo que 2 morreram por meio de suicídio, 2 em decorrência de espancamento e tortura de pistoleiros das fazendas. Moramos na margem deste rio Hovy há mais de um ano. Estamos sem assistência nenhuma, isolados, cercados de pistoleiros e resistimos até hoje. Comemos comida uma vez por dia. Tudo isso passamos dia a dia para recuperar o nosso território antigo Pyleito Kue/Mbarakay. De fato, sabemos muito bem que no centro desse nosso território antigo estão enterrados vários de nossos avôs e avós, bisavôs e bisavós, ali está o cemitérios de todos os nossos antepassados. Cientes desse fato histórico, nós já vamos e queremos ser mortos e enterrados junto aos nossos antepassados aqui mesmo onde estamos hoje. (…) Não temos outra opção, esta é a nossa última decisão unânime diante do despacho da Justiça Federal de Navirai-MS.( CONTINUA)

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

VERGONHA,BRASIL !!!!!!!


   Assinem a petição pública:
https://secure.avaaz.org/po/petition/Salvemos_os_indios_GuaraniKaiowa_URGENTE/?aIYWidb&external

A Justiça Federal decretou a expulsão de 170 índios da terra em que vivem atualmente. Isso no município de Iguatemi...

A TRAGÉDIA INDIGENA NO BRASIL


Regis Estevão
Parece que as pessoas estão começando a se dar conta da problemática indígena neste país. Também, não é à toa. Depois das lideranças Guarani-Kaiowá enviarem uma carta ao governo e à justiça onde revelam a situação em que vivem e a intenção de cometerem suicídio coletivo por causa das ações praticadas por fazendeiros, pistoleiros e falta de atitude do governo Federal parece finalmente, que as pessoas entenderam que não se trata de mais um caso sem importância, que acontece lá, longe do alcance dos nossos olhos e da nossa culpa. No entanto são muitas as questões que precisam ser observadas nesse contexto. A história dos índios do Brasil sempre foi crítica. Não é só o problema da terra, muito mais do que isso, e talvez o mais grave, seja a perda de sua história, o desvio antropológico de um povo que se vê cercado por paredes culturais remanescentes da colonização e não estou aqui falando da colonização do Brasil pelos portugueses, mas da colonização pragmática à sua vontade, que lhes impõem dogmas e conceitos que não são verdadeiramente seus. O trabalho de grupos religiosos que pregam uma religiosidade muito contrária, na verdade, aos ensinamentos mais clássicos do verdadeiro cristianismo disseminando um proselitismo religioso brutal, onde se substituí Tupã ou Nhanderú, por um Cristo e uma cruz que não lhes pertence. As igrejas evangélicas em especial são as mais ardentes na luta ferrenha para aniquilar uma crença milenar que, verdadeiramente, se sobrepõe aos ensinamentos e as práticas pregadas. Essa luta é injusta e talvez seja a pior delas porque os índios simplesmente não podem argumentar sobre algo que desconhecem. Está em seu espírito e formação a religiosidade ritualística, o entendimento que as ações de Tupã se apresentam nas matas, nos rios e no ar. Como podem trocar seu Deus por outro que sequer lhe fez algum bem através de seus “enviados” que, por sinal, desrespeitam, ameaçam, punem. O deus Tupã ou Nhanderú não é punitivo assim.
De outro lado, falta ao governo entender que índios não são fazendeiros, não criam ou não deveriam criar gado, vivem basicamente e historicamente, da caça, da pesca, da coleta nas matas nativas daquilo que precisam para a sobrevivência da aldeia. Índio não tem despensa, não tem armário de cozinha e nem a cozinha. Crê fielmente que Tupã lhes proverá no dia seguinte e que o alimento não faltará, pois está ali, solto e livre como os próprios índios mas o homem branco está acabando com a fonte natural de recursos.
Não se coloca índios dentro de uma área demarcada esperando que eles consigam sobreviver da agricultura e ainda pior, não se retira aldeias e tribos de uma região para outra porque ali vai inundar por causa de uma usina hidrelétrica, vide Belo Monte, Jirau, Santo Antônio e tantas outras ou porque aquela terra está em disputa e é necessário aguardar a Justiça. Que Justiça?
Indios Guaranis - SC
Em 2007 fiz um documentário sobre o trabalho de alguns missionários na região oeste de Santa Catarina onde o povo guarani estava sob forte pressão de alguns políticos, sem lugar para viver, sem sequer uma expectativa de vida adequada. Viviam em uma área emprestada pelos povos kaigang, guerreiros, e se banhavam nas águas de um rio que continha imenso volume de dejetos de suínos, jogados por criadores que vendem sua produção para os grandes frigoríficos da região. Noventa por cento da aldeia tinha hepatite e o pior, um olhar perdido, procurando sem saber o quê e sem saber aonde. A cidade de Chapecó inteira está dentro de uma área indígena e os verdadeiros donos da terra vivem nas periferias rurais, em pequenas áreas demarcadas, tomando tiro quando alguma área lhes é devolvida. Produtos utilizados em rituais sagrados são vendidos pelos próprios índios como peças de artesanato, o alcoolismo tem índices altíssimos e consomem a dignidade do ser humano, seja ele indígena ou não, e a expectativa de vida praticamente não existe tamanho número de ameaças e assassinatos.
Os indígenas estão perdendo sua condição essencial para poder sobreviver a todos os problemas que estão vivendo, a fé em sua própria verdade histórica, a sua identidade. Eles não estão sendo massacrados apenas pelos fazendeiros, mas também pela falta de ação do governo, pelas instituições religiosas e por eles mesmos ao se desencontrarem de si mesmos. Infelizmente hoje existem também algumas aldeias ricas, com pick-ups, celulares, computadores. Há também a barganha, a troca que já existia na época dos Villas Boas, só que hoje custam bem mais caro do que os espelhos e arcos e flechas. As terras em troca de escolas, carros, um Deus por outro. Trocas de verdades que jamais serão assumidas e troca de condição de vida pela inevitável acomodação em futuras favelas. E a pior de todas elas, a troca da vergonha pela falta dela, provocada pela falta de dignidade levada pelo descaso de pessoas comuns como eu e você que está lendo esse artigo.
Régis Estevez é editor executivo do site Eco Reserva e produtor de documentários sobre o meio ambiente e questões sociais. 




quarta-feira, 10 de outubro de 2012

RUA DA AURORA,RECIFE... ALI MORA O POETA

Grande poeta inspirador da minha geração, num diálogo mental com Carlos...presumo que seja Carlos Drumond de Andrade! João Cabral,como te entendi neste poema... funcionários e funcionárias des-amorosa-mente!!!!! Sento-me ao seu lado e reflito com você! Obrigada Odila


Foto: João Cabral de Melo Neto, falecido em 9 de outubro de 99 e imortalizado na rua da Aurora, em Recife:

Difícil ser funcionário
Nesta segunda-feira.
Eu te telefono, Carlos
Pedindo conselho.

Não é lá fora o dia
Que me deixa assim,
Cinemas, avenidas,
E outros não-fazeres.

É a dor das coisas,
O luto desta mesa;
É o regimento proibindo
Assovios, versos, flores.

Eu nunca suspeitara
Tanta roupa preta;
Tão pouco essas palavras —
Funcionárias, sem amor.

Carlos, há uma máquina
Que nunca escreve cartas;
Há uma garrafa de tinta
Que nunca bebeu álcool.

E os arquivos, Carlos,
As caixas de papéis:
Túmulos para todos
Os tamanhos de meu corpo.

Não me sinto correto
De gravata de cor,
E na cabeça uma moça
Em forma de lembrança

Não encontro a palavra
Que diga a esses móveis.
Se os pudesse encarar…
Fazer seu nojo meu…

Carlos, dessa náusea
Como colher a flor?
Eu te telefono, Carlos,
Pedindo conselho.

João Cabral de Melo Neto, falecido em 9 de outubro de 99 e imortalizado na rua da Aurora, em Recife:

Difícil ser funcionário
Nesta segunda-feira.
Eu te telefono, Carlos
Pedindo conselho.
...
 Não é lá fora o dia
Que me deixa assim,
Cinemas, avenidas,
E outros não-fazeres.

É a dor das coisas,
O luto desta mesa;
É o regimento proibindo
Assovios, versos, flores.

Eu nunca suspeitara
Tanta roupa preta;
Tão pouco essas palavras —
Funcionárias, sem amor.

Carlos, há uma máquina
Que nunca escreve cartas;
Há uma garrafa de tinta
Que nunca bebeu álcool.

E os arquivos, Carlos,
As caixas de papéis:
Túmulos para todos
Os tamanhos de meu corpo.

Não me sinto correto
De gravata de cor,
E na cabeça uma moça
Em forma de lembrança

Não encontro a palavra
Que diga a esses móveis.
Se os pudesse encarar…
Fazer seu nojo meu…

Carlos, dessa náusea
Como colher a flor?
Eu te telefono, Carlos,
Pedindo conselho.



 

domingo, 30 de setembro de 2012

MESA DE CONTROVÉRSIAS SOBRE AGROTÓXICOS...



O Consea torna disponíveis, em seu endereço eletrônico, todos as apresentações e documentos relacionados à “Mesa de Controvérsias sobre Agrotóxicos”. Estão à disposição os seguintes materiais:  Apresentações: são 14 apresentações, sendo  7 do 1º dia e 7 do 2º dia.    
  Cartilha: espécie de “documento-base” do evento, por trazer um histórico sobre o assunto e os posicionamentos do Consea.
  Programação do evento.
 Livro “Agrotóxicos no Brasil – um guia para ação em defesa da vida”, de Flavia Londres.
 Dossiê Abrasco 1
 Dossiê Abrasco 2
 Cordel sobre agrotóxicos
 Matérias diversas publicadas na imprensa

Aproveitamos a oportunidade para enfatizar que praticamente todos os documentos e apresentações referentes a plenárias e eventos do Consea estão disponíveis no site (resoluções, recomendações, Exposições de Motivos, encaminhamentos etc), em cumprimento ao princípio da transparência e à diretriz de “socializar” informações e conhecimento. O site do Consea é uma “biblioteca virtual”, em cujo acervo estão documentos, publicações, notícias, artigos e diversos produtos de interesse do público.     

Apresentações e documentos da Mesa de Controvérsias Agrotóxicos:
http://www4.planalto.gov.br/consea/destaque/consea-disponibiliza-documentos-e-apresentacoes-da-mesa-de-controversias

Documentos de todas as plenárias [2003 a 2012], clique em
http://www4.planalto.gov.br/consea/plenarias

Todas as Exposições de Motivos [2003 a 2012]
http://www4.planalto.gov.br/consea/exposicao-de-motivos

Agenda Geral do Consea
http://www4.planalto.gov.br/consea/eventos

Desejamos a todos(as) uma excelente leitura/pesquisa, colocamo-nos à inteira disposição para qualquer necessidade no âmbito da comunicação e aproveitamos para apresentar nossas cordiais saudações.

Marcelo Torres
Coordenador Ascom/Consea
Palácio do Planalto, Anexo I-C2 – (61) 3411 3349
Presidência da República – Braasília (DF)
www.presidencia.gov.br/consea
 
 
 
 
 
 
COMENTÁRIOS_
Prof.Dr.Heleno Corrêa
Já que bebemos e comemos, por ano,
2,5 litros de agrotóxicos em nossa água e alimento,per capita, é bom saber de onde isso vem.(Gentileza de Odila )
 Abraços Heleno

sábado, 29 de setembro de 2012

ASAS DE DEUS






Depois de um incêndio florestal no Parque Nacional de Yellowstone, guardas florestais começaram a sua caminhada até uma montanha para avaliar os danos do inferno e Umranger encontrou um pássaro literalmente petrificado em cinzas,empoleirado statuesquely no chão na base de uma árvore. Um pouco enojado com a visão misteriosa, ele derrubou o pássaro com uma vara. Quando ele bateu nela delicadamente, três filhotes minúsculos correram sob as asas de sua mãe morta. A mãe amorosa,em plena consciência do desastre iminente, tinha levado seus filhos para a base da árvore e reuniu-os debaixo das asas, instintivamente sabendo que a fumaça tóxica subiria. Ela poderia ter voado para a segurança, mas se recusou a abandonar seus bebês. Em seguida, o incêndio chegou e o calor tinha queimado seu corpo pequeno, a mãe havia permanecido firme ... porque ela tinha se disposto a morrer, assim que aqueles sob a cobertura de suas asas viveriam. "Ele te cobrirá com as suas penas, e debaixo das suas asas você encontrará refúgio". (Salmo 91)