IMPOSTOS EM SÃO PAULO

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segunda-feira, 19 de março de 2012

CULTURA SUSTENTÁVEL E SUAS CONEXÕES

É com imenso prazer que convidamos você a participar ativamente da transição para uma cultura sustentável, não violenta e com distribuição dos recursos, de humanidade e conexão com a natureza dos seres. Seja um co-criad@r do Gaia Paraná contribuindo com nosso projeto de Financiamento Coletivo.

O que é o Financiamento Coletivo, ou CROWDFUNDING?
É um modelo inovador de viabilização de projetos nas diversas areas: captar recursos financeiros por meio da ação coletiva. Qualquer pessoa pode ajudar a realizar projetos significativos de pessoas e organizações diferentes. O Financiamento Coletivo conecta as redes sociais, amigos e família e grupos para contribuir com valores possiveis para cada um (a partir de 10,00) que somadas transformam  sonhos em realidades possiveis. A grande revolução é que apostamos no enorme potencial de pessoas conectadas e movidas por objetivos comuns povitivos.  Objetivo do Projeto: O valor arrecadado será usado para reduzir o investimento de cada um dos participantes do Gaia 2012 e possibilitar a inclusão de lideranças comunitárias e integrantes de diversos movimentos sociais. Sua contribuição é fundamental! Participe e divulgue para o máximo de pessoas possível.  Para conhecer e contribuir acesse o link -
Inscrições e outras informações sobre o Gaia Paraná acesse http://www.institutonhandecy.wordpress.com.
Estamos a disposição.Gratidão! Edite Faganello Querer Coordenação Gaia Paraná
Instituto Nhandecy
(41) 9927 3534 (TIM)

domingo, 18 de março de 2012

SERPENTÁRIO POLÍTICO: UMA POESIA DE CASTRO ALVES DEDICADO A PRESIDENTA DILMA


O VIDENTE
I Ó Mãe do cativo! Que alegre balanças. A rede que ataste nos galhos da selva! Melhor tu farias se à pobre criança
Cavasses a cova por baixo da relva
Ó Mãe do cativo! Que fias à noite
As roupas do filho na choça de palha!
Melhor tu farias se ao pobre pequeno
Tecesses o pano da branca mortalha.
Misérrima! E ensinas ao triste menino,
Que existem virtudes e crimes no mundo,
E ensinas ao filho que seja brioso,
Que evite dos vícios o abismo profundo...
E louca, sacodes nesta alma, inda em trevas,
O raio da esp'rança...Cruel ironia!
E ao pássaro mandas voar no infinito,
Enquanto que o prende cadeia sombria!...

Castro Alves auto retrato
II
Ó Mãe! Não despertes est'alma que dorme,
Com o verbo sublime do Mártir da Cruz!
O pobre que rola no abismo sem termo
P'ra qu'há de sondá-lo...Que morra sem luz.
Não vês no futuro seu negro fadário,
Ó cega divina que cegas de amor?!
Ensina a teu filho - desonra, misérias,
A vida nos crimes - a morte na dor.
Que seja covarde... que marche encurvado...
Que de homem se torne sombril reptil.
Nem core de pejo, nem trema de raiva
Se a face lhe cortam com o látego vil.
Arranca-o do leito...seu corpo habitue-se
Ao frio das noites, aos raios de sol.
Na vida - só cabe-lhe a tanga rasgada!
Na morte - só cabe-lhe o roto lençol.
Ensina-o que morda... mas pérfido oculte-se
Bem como a serpente por baixo da chã
Que impávido veja seus pais desonrados.
Que veja sorrindo mancharem-lhe a irmã.
Ensina-lhe as dores de um fero trabalho...
Trabalho que pagam com pútrido pão.
Depois que os amigos açoite no tronco...
Depois que adormeça co'o sono de um cão.
Criança - não trema dos transes de um mártir!
Mancebo - não sonhe delírios de amor!
Marido - que a esposa conduza sorrindo
Ao leito devasso do próprio senhor!...
São estes os cantos que deves na terra
Ao mísero escravo somente ensinar.
Ó Mãe que balanças a rede selvagem
Que ataste nos troncos do vasto palmar.
III
Ó mãe do cativo, que fias à noite
À luz da candeia na choça de palha!
Embala teu filho com essas cantigas...
Ou tece-lhe o pano da branca mortalha.

São Paulo, 24 de junho de 1868
P.S.: Vou ficando por aqui, nesta semana em que ficamos em dúvida se Dilma está refém de um modo antigo de fazer política, ou se vai conseguir se libertar do serpentário que a cerca. paralelas. Marcia de Almeida Editora www.emdiacomacidadania.com.br

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Um círculo vicioso mortal

Estamos todos sentados em cima de paradigmas civilizacionais e econômicos falidos. É o que nos revela a atual crise global com suas várias vertebrações. Nada de consistente se apresenta como alternativa viável a curto e a médio prazo. Somos passageiros de um avião em vôo cego. O que se oferece, é fazer correções e controles à la Keynes, que, no fundo, são mudanças no sistema mas não do sistema. Mas é este sistema que comparece como insustentável, incapaz de oferecer um horizonte promissor para a humanidade. Por isso, a demanda é por um outro sistema e um outro paradigma de habitar este pequeno, velho, devastado e superpovoado planeta. É urgente porque o tempo do relógio corre contra nós e temos pouca sabedoria e parco sentido de cooperação. Em razão dos interesses dos poderosos que não fazem o necessário para evitar o fatal, as soluções implementadas mundo afora vão na linha de “mais do mesmo”. Mas isso é absolutamente irracional pois foi esse “mesmo” que levou à crise que poderá evoluir para uma tragédia completa. Estamos, pois, enredados num círculo vicioso letal. Dois impasses estão à vista, gostem ou não os economistas, “os salvadores” do mundo: um humanitário e outro ecológico. O primeiro é de natureza ética: a consciência planetária, surgida à deriva da globalização, suscita a pergunta: quanto de inumanidade e de crueldade aguenta o espírito humano ao verificar que 20% das pessoas consome 80% de toda a riqueza da Terra, condenando o resto à cruz do desespero, encurralada nos limites da sobrevivência? Esta aceitará o veredito de morte sobre ela? Ela resiste, se indigna e, por fim, se rebelará por instinto de sobrevivência O ideal capitalista de crescimento ilimitado num planeta limitado parece não ser mais proponível ou só sob grande violência. O segundo é o limite ecológico. O capitalismo criou a cultura do consumo e do desperdício cujo protótipo é a sociedade norte-americana. Generalizar esta cultura – cálculos foram já feitos – precisar-se-iam de duas ou mais Terras semelhantes à nossa, o que torna o propósito irrealizável. Por outra parte, encostamos nos limites dos recursos e serviços da Terra e os ultrapassamos em 40%. Todas as energias alternativas à fóssil, mantido o atual consumo, atenderia somente 30% da demanda global. Como se depreende, dentro do mesmo modelo, somos um sapo sendo lentamente cozido sem chances de saltar da panela. Há três propostas criativas: a da economia solidária que não mais se guia pelo objetivo capitalista da maximização do lucro e de sua apropriação individual. A do escambo com as moedas regionais. A terceira é a da biocivilização e da Terra da Boa Esperança, do economista polonês que dirige um centro de pesquisa sobre o Brasil em Paris: Ignacy Sachs. Ela confere centralidade à vida e à natureza, tendo o Brasil como o lugar de sua antecipação. As três são possíveis mas não acumularam ainda força suficiente para ganhar a hegemonia. Talvez elas nos poderiam salvar. Mas teremos tempo hábil? Bem dizia Gramsci: “o velho não acaba de morrer e o novo custa em nascer”. Não se desmonta uma cultura de um dia para outro. Quem está acostumado a comer bife de filé dificilmente se resignará a comer ovo. Meu sentimento do mundo diz que vamos ao encontro de uma formidável crise generalizada que nos colocará nos limites da sobrevivência. Chegando a água ao nariz, faremos tudo para nos salvar. Possivelmente seremos todos socialistas, não por ideologia mas por necessidade: os parcos recursos naturais serão repartidos equanimemente entre os humanos e os demais viventes da comunidade de vida. Santo Agostinho sabiamente ensinou que dois fatores ocasionam em nós grandes transformações: o sofrimento e o amor. Devemos aprender já agora a amar e a sofrer por esta única Casa Comum a fim de que possa ser uma grande Arca de Noé que albergue a todos.
Então será, sim, a Terra da Boa Esperança, um sinal de um Jardim do Éden ainda por vir.
Leonardo Boff é autor de Comer e beber juntos e viver em paz. Vozes 2008.