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Prof.Marcos Arruda |
Marcos Arruda – PACS
Duas clivagens dividem hoje a humanidade: entre a classe dos donos
do capital e as classes que só possuem sua força de trabalho; e entre o bloco
dos que professam a fé na acumulação ilimitada de riqueza material, ignorando
que os recursos do planeta são finitos, e o bloco dos que já praticam uma
socioeconomia fundada na sobriedade feliz, conscientes de que podemos ser
felizes consumindo menos bens materiais e vivendo em solidária harmonia entre
humanos e com os outros seres da Terra.
Apesar dos compromissos voluntários assumidos pelas elites nas
Cúpulas oficiais (Rio92 e Rio+20), os indicadores de “desenvolvimento
sustentável” dos últimos 20 anos são estarrecedores: PIB global, +75%; emissões
de carbono,+36%; degelo da banquisa do Ártico, +35%; ritmo anual de degelo das
geleiras, +100%; população mundial, +26%; produção de alimentos, +45%; 1/3
deste total (1,3 bilhões de toneladas) é desperdiçado; desnutridos: mais de 1
bilhão, obesos: mais de 1 bilhão; agricultura usa 70% da água consumida;
crescente desigualdade de renda como fator de geração de pobreza: renda mundial
detida pelos 20% mais ricos passou de 82,7% para 91,5%; a fração dos 20% mais
pobres caiu 20 vezes, de 1,4% para 0,07%; crescente desigualdade de expectativa
de vida: para os 20% mais ricos, de 77 para 79 anos; para os 20% mais pobres,
de 46 para 44 anos de vida (PNUD).
Estes indicadores comprovam o fracasso do “Desenvolvimento
Sustentável”. Mas a avaliação dos resultados de 20 anos de tratados
internacionais sobre pobreza, clima, gênero, biodiversidade, desmatamento e
desertificação, água, emissões de gases-estufa, acidificação dos oceanos,
degelo das calotas e geleiras foi retirada da agenda da Rio+20. Por que? “Não
devemos olhar para trás. É tempo de construir o futuro.” Para disfarçar esse fracasso
as grandes empresas lançaram a Economia Verde, não só para evitar a avaliação
dos 20 anos de promessas vazias, mas para pintar de verde a economia ‘de
mercado’, apresentada como ‘o novo caminho’ de salvação da vida e do planeta.
Soluções efetivas além da retórica estão ausentes no documento
oficial, O Futuro que Queremos. A Declaração da Cúpula dos Povos na Rio+20 é
incisiva: “As instituições financeiras multilaterais, as coalizões a serviço do
sistema financeiro, como o G8/G20, a captura corporativa da ONU e a maioria dos
governos demonstraram irresponsabilidade com o futuro da humanidade e do
planeta e promoveram os interesses das corporações na conferência oficial. Em
contraste, a vitalidade e a força das mobilizações e dos debates na Cúpula dos Povos
fortaleceram a nossa convicção de que só o povo organizado e mobilizado pode
libertar o mundo do controle das corporações e do capital financeiro.”
As elites globais presentes na Cúpula oficial identificam o
“desenvolvimento sustentável” com “o crescimento econômico sustentado”. No
mundo atual, quase 90% do consumo global é atribuído aos 20% mais ricos. Sem
reduzir este consumo excessivo e planejar o crescimento econômico em prol dos
necessitados não há solução para a crise social e ambiental. Sem compartilhar a
riqueza, o saber e o poder a humanidade não sobreviverá. Só uma nova
consciência e um novo paradigma de desenvolvimento podem responder a este
desafio.
MARCOS ARRUDA é economista, educador e associado do Instituto
Transnacional.
O Globo, 9.7.2012 - http://oglobo.globo.com/opiniao/o-futuro-que-nao-queremos-5412313
Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/opiniao/o-futuro-que-nao-queremos-5412313#ixzz208Q9Dned
© 1996 - 2012. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.
1- PARA SABER MAIS:
http://xa.yimg.com/kq/groups/4093686/348930015/name/Livro_proibicao_retrocesso_ambiental_Rollemberg_2012.pdf
2- COMENTÁRIOS:
Teca (Teresa Vignoli) disse...
Lúcido, o Marcos Arruda... Que possam crescer pra valer os movimentos autênticos pela sustentabilidade com mais justiça social.
Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/opiniao/o-futuro-que-nao-queremos-5412313#ixzz208Q9Dned
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1- PARA SABER MAIS:
http://xa.yimg.com/kq/groups/4093686/348930015/name/Livro_proibicao_retrocesso_ambiental_Rollemberg_2012.pdf
2- COMENTÁRIOS:
Teca (Teresa Vignoli) disse...