O CASE:
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Odila Fonseca |
1- O vergonhoso histórico da Apple Em meados de 2013, a norte-americana Apple
lançou um comercial chamado Nossa
Assinatura ,onde se vê pessoas usando
produtos da empresa; seja ouvindo música, tirando fotos, enviando mensagens –
enquanto ao fundo, junto de uma melodia suave, ouve-se “Isso é o que importa: a
experiência de um produto [...] Ele irá tornar a vida melhor?”.O contraste das
cenas de felizes consumidores da Apple no comercial de 1 minuto com as
declarações dos trabalhadores chineses no curta de 09h31min é tão claro que, se
não fosse pelo histórico da empresa norte-americana em suas relações sociais,
econômicas e ambientais – que muito lembram as do século 19 -, poderia até ser
argumentado que ela não tem culpa. No final do ano passado, o jornalista
britânico George Monbiot descreveu o impacto da Apple e de outras empresas do
setor, na ilha de Bangka, na Indonésia, onde o estanho – metal indispensável
para a soldagem interna de smartphones – era extraído como se ali fosse “uma
orgia de mineração sem regras”; devastando não apenas o frágil ecossistema
local, como também utilizando crianças no trabalho, além de contabilizar a
morte de um ao menos um mineiro a cada semana por acidente de trabalho. Outro
caso notável de desprezo das empresas pelas condições na linha de produção de
seus produtos, foi na ultra-exploração
do trabalho humano da Foxconn , sediada em Taiwan, onde trabalhadores
cumpriam jornadas excessivas, de pelo menos 10 horas diárias, que se
transformam facilmente em 15 ou 16 devido às horas-extras que acabam cumprindo.
No expediente, era proibido conversar e os trabalhadores tinham direito a pausa
de 10 minutos para ir ao banheiro a cada duas horas. Quando a Foxconn teve, por
exemplo, de responder aos exíguos prazos impostos pelo departamento comercial
da Apple, as jornadas se estenderam, até compulsoriamente. “A demanda pelo
primeiro iPad foi tão intensa que os trabalhadores afirmam que tiveram que
trabalhar 7 dias por semana durante o pico de produção”, publicou o jornal
britânico The Guardian.
2- Um outro caminho é possível
Nem os cineastas do documentário, nem
George Monbiot, nem qualquer outra pessoa que tenha denunciado o desprezo pelas
condições de trabalho e impactos ambientais na produção de eletroeletrônicos ao
redor do planeta, querem dizer que tais aparelhos devam ser banidos e não mais
utilizados. As denúncias servem para informar aos consumidores sobre as
condições desumanas e exploratórias às quais uma ponta da cadeia produtiva está
submetida para que todos gozem dessas inovações tecnológicas e que, os
consumidores – como a outra ponta da cadeia – exijam uma maior responsabilidade
das empresas em suas produções. O Secretariado Químico Internacional, uma organização
sem fins lucrativos, baseada na Suécia, fornece às companhias, substitutos para
químicos tóxicos em sua lista Substitua Agora – como o ciclohexano e o
heptano, no lugar da benzina. Além de enumerar 626 compostos químicos perigosos
para a saúde humana. Especialistas toxicológicos estimaram que as empresas de
smartphones poderiam trocar a benzina com solventes mais seguros ao custo de 1
dólar por telefone.
Um número extremamente irrisório para a proteção da vida de
trabalhadores perto dos 37 bilhões em lucro da
Apple , apenas em 2013. Outras
alternativas poderiam ser naquele que foi chamado um smartphone sem culpa , o
Fairphone – no qual um instituto holandês lançou um smartphone cuja produção
não envolve não envolveria a extração predatória de materiais essenciais para
os aparelhos em diversas partes do mundo, seja na ilha de Bangka, seja em
Taiwan, seja no leste da República Democrática do Congo – região conflituosa
clássica na mineração, onde a atuação de milícias armadas e exércitos
estrangeiros controlam a retirada desses minérios. Por fim, as empresas de
eletrônicos devem assumir a responsabilidade pelas suas fábricas fornecedoras –
não importa onde estejam no mundo – e cabe aos consumidores exigir que elas o
façam.Assine aqui a petição para a Apple acabar com o envenenamento de seus
trabalhadores