Caros amigos,
A Chevron, gigante do petróleo poderá perder um processo histórico por despejar lixo tóxico na Amazônia -- vamos ajudar o povo da floresta a vencer nos tribunais da opinião pública e da lei. Ajude a pressionar o novo CEO da Chevron a reparar os danos ambientais causados e acabar com o lobby sujo: Uma longa batalha judicial entre a Chevron e o corajoso povo indígena da Amazônia Equatoriana está quase chegando ao fim. Os indígenas vem tentando conseguir uma resposta da multinacional em relação aos bilhões de galões de substâncias tóxicas despejadas na floresta. Se a Chevron for obrigada a pagar bilhões em danos, o caso irá sinalizar o fim da impunidade para empresas poluidoras do mundo todo. Com uma perda iminente, a Chevron lançou uma agressiva campanha de lobby para abafar o processo . O novo CEO da Chevron, John Watson, sabe que a marca da empresa está ameaçada – então vamos fazer a nossa parte! Assine a petição pedindo para o Watson e a Chevron limparem a sujeira que deixaram no Equador. A petição será entregue a eles, aos acionistas a à mídia americana – clique no link abaixo para agir agora:
http://www.avaaz.org/po/chevron_toxic_legacy/?vl
Nos últimos anos, processos civis como este têm ajudado a mudar as políticas de algumas das maiores corporações do mundo. No entanto, a maior parte das multinacionais de petróleo gasta milhões de dólares todo ano em lobby e relações públicas para mudar leis ambientais e negar suas responsabilidades ambientais e de direitos humanos – e a Chevron é uma das piores. De 1964 a 1990, a Texaco, pertencente à Chevron, despejou bilhões de galões de lixo tóxico na Amazônia Equatoriana e depois foi embora. Encarando uma derrota nos tribunais, a Chevron tem feito uso de seu poderoso lobby e departamento de relações públicas para intimidar seus críticos a ficarem em silêncio e se esquivar da culpa pelo enorme desastre ambiental e humano causado pela empresa. A Chevron disse várias vezes que se recusa a pagar pela limpeza da região, mesmo obrigados pelo tribunal, dizendo que lutarão até o fim. A sua última estratégia: pressionar o governo dos Estados Unidos a obrigar o governo equatoriano a abandonar o caso. Nós não podemos permitir que a Chevron esculache a justiça – vamos gerar um apoio em massa aos povos da floresta , ajudando-os a ganhar esta batalha. Clique aqui para assinar a petição e ajudar a entregar pessoalmente esta mensagem ensurdecedora ao novo chefe executivo da Chevron:
http://www.avaaz.org/po/chevron_toxic_legacy/?vl
Cidadãos do Equador e ao redor do mundo estão se unindo contra uma das empresas mais sujas do mundo. Se ganharmos, isso será mais um passo para um futuro de responsabilidade corporativa, de direitos humanos e ambientais. Vamos juntar nossas vozes e divulgar essa campanha!
Com esperança e determinação,
Luisa, Paula, Benjamin, Pascal, Paul, Alice, Ricken, Graziela e toda a equipe Avaaz
P.S. Essa campanha faz parte de uma iniciativa maior liderada pela Amazon Watch, Rainforest Network e outros aliados de direito ambiental e de direitos humanos ao redor do mundo. Saiba mais: http://www.texacotoxico.org/
Ferramenta criada para a disciplina “Tópicos Avançados em Ambiente e Sociedade I”oferecida pelo Nepam - Núcleo de Estudos e Pesquisas Ambientais da Unicamp com o objetivo de propor discussões sobre educação, ambiente e sociedade a partir de materiais provenientes de diferentes áreas, incentivando e permitindo o encontro com a diversidade do pensamento.
IMPOSTOS EM SÃO PAULO
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
ENTRE A ACADEMIA E A RUA:Victor Vincent Valla (1937-2009)
Desde a experiência inicial em Angicos, nos primeiros meses de 1963 (Lyra, 1997), a educação popular formulada por Paulo Freire consistiu num método de educação de adultos como parte de um programa mais amplo de mobilização popular. Este método de construção de uma nova consciência social implicava solidariamente educadores e educandos num processo educativo e político, de tal modo que o homem do povo pudesse assumir-se enquanto sujeito da transformação de sua vida e, portanto, da sociedade que, em parte, a determinava. Mas, no Brasil, depois do golpe militar e do exílio do autor, em virtude da repressão dos movimentos de educação popular, substituídos pela ditadura com o Movimento Brasileiro de Alfabetização (Mobral), a "[...] educação popular mudou de um trabalho político junto ao povo, através da alfabetização, para um trabalho político com o povo, sem a alfabetização" (Brandão, 2006, p.90).
Essa mudança se deu na segunda metade dos anos 1970, nas cidades e no campo, com a emergência das primeiras manifestações de oposição popular à ditadura militar. As próprias instituições acadêmicas abriram-se para se pensarem essas manifestações e abrigaram intelectuais e pesquisadores de oposição. É nesse contexto que Victor Vincent Valla, então um recém doutor em História Social, ingressou na Universidade Federal Fluminense. Isso aconteceu em 1975. Dois anos depois, transformava a educação popular denominada "não-formal e extra-escolar" em objeto de pesquisa no Instituto Estudos Avançados em Educação da Fundação Getúlio Vargas (IESAE-FGV), "dentro de uma perspectiva histórica" e reconhecendo que lidava com as formas de educação para ou com as "camadas populares", conforme suas próprias palavras (Valla, 1986, p.11). Estabelece-se nesse momento o elo vital entre a academia e a rua, que iria caracterizar a trajetória desse professor e pesquisador de origem americana, aportado em terras brasileiras imediatamente após o golpe de 1964. Isso porque, em 1977, ao lado de seu trabalho como pesquisador do IESAE, Valla atuava como professor de ensino supletivo numa favela em Santa Teresa e colaborador da reconstrução da Federação de Associações de Favelas do Estado do Rio de Janeiro - FAFERJ.
Para ele, a educação popular numa perspectiva de transformação social, como o método de Paulo Freire, era uma contraproposta inserida "num campo previamente delimitado pela expansão e consolidação do capitalismo" (Valla, 1986, p.18). Em outros termos, Valla acentuava a importância tanto das determinações estruturais, como das tentativas de superá-las. A influência do marxismo, recebida de seus próprios alunos de língua inglesa no Instituto Tecnológico da Aeronáutica, em São José dos Campos, onde trabalhou entre 1967 e 1973, e a formação como historiador nos cursos de mestrado e doutorado em História Social da USP (Especial Victor Valla, 2006), na qual se destaca a leitura de Edward Carr (O que é História?), o conduziram ao permanente exame das práticas sociais nos contextos sociais em certo momento histórico. É notável, em tais análises, a perspectiva de cientistas sociais como José Álvaro Moisés e Lucio Kowarick, preocupados em entender o papel das políticas públicas na dinâmica do desenvolvimento capitalista e na reprodução da força de trabalho em países periféricos como o Brasil. A primeira sistematização desse estudo em Educação e favela já contém o leitmotiv de sua pesquisa. É interessante neste sentido assinalar que Valla parafraseou o urbanista inglês John Turner, quando de sua visita a conjuntos habitacionais e a favelas cariocas, em 1968. Naquela ocasião, disse: "Mostraram-me soluções que são problemas e problemas que são soluções" (Silva, Tângari, 2003). Para Valla, favela era uma solução de um problema. A pobreza, sim, era (e continua a ser) o problema.
A abordagem da pobreza se deu por meio da Educação e Saúde, um campo interdisciplinar no qual se manteve até o final da vida, na qualidade de professor e pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP). A opção de Valla nos processos de intervenção social foi a de entender a educação como "finalidade" e a saúde como "meio", uma diferença importante identificada por Antonio Ivo de Carvalho e que Estrella Bohadana classificava em duas vertentes: uma caracterizada pelos projetos autônomos, orientados para a mobilização e organização das comunidades, apoiados pelas comunidades eclesiais de base; e a segunda, por privilegiar a extensão da assistência médica, sobretudo sob a influência do Partido Comunista Brasileiro, dava maior peso ao papel do Estado. A escolha de uma ou outra forma de intervenção trazia "implícita a problemática da manutenção ou da mudança social" (Stotz, 2005, p.15-6).
A vinculação à primeira vertente era anterior ao ingresso de Valla na ENSP, em 1984. Contudo, na interlocução com os colegas da ENSP, ao se debater com a importância atribuída ao papel do estado no combate da doença, dado o tecnicismo e autoritarismo entranhados na cultura e práticas institucionais do setor saúde, viu-se na contingência de reelaborar a concepção anterior. Como não podia deixar de ser, por representar o resultado de uma aprendizagem na intervenção social, a abordagem da educação popular elaborada por Valla no setor da saúde acompanhou as possibilidades e limites desse processo do ponto de vista conjuntural e institucional.
Carvalho, Acioli e Stotz (2001) denominam esta abordagem de construção compartilhada de conhecimento em saúde, uma metodologia que tem uma "história" cujo sentido geral é, no seu entendimento, o de incorporar a experiência e o saber das classes populares em suas demandas junto ao Estado, de modo a favorecer-lhes maior poder e intervenção sobre as condições de suas vidas.
É importante destacar o caráter coletivo da construção desta abordagem, com a criação do Núcleo de Educação, Saúde e Cidadania (NESC) da ENSP (1986-2004), estruturado em torno do projeto de título homônimo e, sobretudo, do Centro de Estudos e Pesquisas da Leopoldina (CEPEL), entidade não governamental com atuação nas favelas da Penha (1988-2006) que teve como presidente Vitor Valla e uma grande equipe de pesquisadores oriundos dos cursos de pós-graduação nos quais Valla atuava como orientador acadêmico. Eram pesquisadores comprometidos, de diferentes formas, com os movimentos populares e a luta contra a opressão social (Valla, Stotz, 1993).
O projeto Educação, Saúde e Cidadania tinha um objetivo especificamente político, a saber: buscava oferecer subsídios tanto às organizações civis de caráter popular, para dar consistência técnica às suas reivindicações, como aos planejadores do setor saúde, de modo a promover a adequação dos serviços ao atendimento das necessidades da população e a "implementação de propostas oriundas do movimento social" (Carvalho, Acioli, Stotz, 2001, p.105).
O CEPEL materializou o elo da academia (NESC) com a rua por meio de um instrumento periódico, o boletim trimestral "Se liga no sinal". O boletim surgiu como uma decorrência do movimento "Se liga Leopoldina, o dengue está aí", defesa civil popular em resposta à negativa das autoridades sanitárias em admitirem e enfrentarem a epidemia de dengue na região, especialmente nas favelas da Leopoldina, no final de 1990. É interessante lembrar que o boletim apropriou-se da ideia do jornal como um "organizador coletivo", formulada por Lênin para dar ao Iskra ("A Centelha"), o primeiro periódico político marxista ilegal de toda a Rússia, a tarefa de unificar, entre 1900 e 1903, os círculos operários mediante a recepção de denúncias e sua análise pelo grupo redator. De fato, a pauta do boletim era discutida, pela equipe do CEPEL, com participantes de entidades populares, sobretudo das mulheres do grupo Sementinha, que faziam a distribuição do jornal nas favelas e captavam os sinais das dificuldades da vida e de sua lida pelas classes populares. De seu lado, elas também avaliavam a recepção do boletim, contribuindo para adequá-lo à experiência do mundo daquelas classes.
A metodologia da construção compartilhada do conhecimento de que a elaboração do boletim foi uma expressão amadurecida ao longo de vários anos supunha a possibilidade de reduzir a hierarquia dos saberes cientifico-técnico e popular ao mínimo, mas nunca teve a pretensão de superar a desigualdade vigente na sociedade, reverberada no interior, até mesmo, de uma organização como o CEPEL. Pode-se dizer que o agravamento da pobreza no contexto do desemprego e da violência generalizada nas favelas da região da Leopoldina, onde esta entidade atuava, ao longo dos anos 90, ao trazer à tona o fenômeno do crescimento do pentecostalismo, obrigou a criar novos procedimentos metodológicos. A necessidade advinha da tentativa de responder a pergunta: "por que os pobres vão à Igreja?" - com o que já se admitia a religiosidade como um caminho para resolver problemas sociais apontados, particularmente desorganizadores em situações de pobreza, com o sofrimento difuso daí decorrente (Lima, Valla, 2003).
Sem deixar de identificar os determinantes mais amplos dessa situação de pobreza e o impacto das políticas neoliberais no Brasil (Valla, 1995), ele pressupôs que, para entender em profundidade o significado do fenômeno, seria necessário dispor de uma observação participativa no fenômeno, com a invenção de novos métodos. A proposta e o funcionamento da Rede de Solidariedade da Leopoldina, sustentada do ponto de vista organizativo pelo CEPEL e pelo Núcleo de Estudos Locais em Saúde (ELOS) da ENSP, a partir de 2000, acabou por tomar forma no projeto "Vigilância civil da saúde: uma proposta de Ouvidoria Coletiva", experiência que inclusive recebeu o Prêmio Antonio Sérgio Arouca de gestão participativa (Guimarães et al., 2008; Lima, Stotz, 2009). Aliás, a Ouvidoria Coletiva foi a proposta de Valla para a Rede de Educação Popular e Saúde quando esta organização se dispôs, em março de 2003, a apoiar o novo Ministério da Saúde no primeiro governo de Luis Inácio (Lula) da Silva.
A separação entre a sociedade civil e as práticas populares - notável no esvaziamento das associações de moradores como consequência da nova conjuntura, também percebida por Valla e o grupo de pesquisadores nucleados em torno do novo projeto - foi interpretada nos termos de uma "crise de compreensão" entre profissionais dos serviços públicos de educação e saúde e as pessoas das classes populares. O ponto central dessa crise era a incapacidade de os profissionais relativizarem seu ponto de vista prévio ao admitirem que essas pessoas fossem capazes de construir um conhecimento e, pois, de entenderem e agirem sobre sua própria realidade, inclusive no tocante ao processo de adoecimento e cura.
A sistematização dessas reflexões e iniciativas deu origem ao livro "Para compreender a pobreza no Brasil", o primeiro de uma coleção denominada "A academia e a rua". A pobreza nunca foi vista exclusivamente como uma situação ou condição decorrente do desenvolvimento capitalista periférico no Brasil. A situação de pobreza era entendida como ponto de partida de uma "lida" que, numa conjuntura de mobilização popular, favorecera a ação coletiva e a ampliação da sociedade civil de caráter popular, noutra, de descenso e de fragmentação, reconduzira ao estreito caminho por onde historicamente as pessoas comuns do povo sempre passaram: o mundo da religiosidade, da fé baseada na solidariedade e na resistência, ainda que nos limites do campo religioso.
Todo esse processo sempre foi visto em sua dimensão educativa, como um modo de ensino e de aprendizagem não-formal e, portanto, como uma forma de conhecimento social. Pois uma "lida" requer necessariamente saber, e sua aplicação e/ou revisão nas circunstâncias tem de contemplar de alguma forma uma visão sobre a sociedade e seu funcionamento, para se identificarem as possibilidades de se superar a pobreza e de se aprenderem os sentidos das tentativas bem ou malsucedidas.
Valla esclareceu que a opção de estudar o pentecostalismo era necessário defender-se das incompreensões, sobretudo de que estaria interessado, do ponto de vista acadêmico, na espiritualidade advinha do "entendimento de que é nesse movimento religioso que a centralidade da pobreza se dá de forma mais radical", de onde decorria também a importância atribuída ao termo "conversão" (Vasconcelos, Algebaile, Valla, 2008, p.331). Sua análise, baseada em Cesar e Shaull (1999), o conduziu a compreender a conversão pentecostal de pessoas, em sua maioria anteriormente católicas ou participantes de cultos afrobrasileiros, como parte do enfrentamento da questão da pobreza. A contribuição trazida pelo teólogo Richard Schaull para o equacionamento desta questão no âmbito da Educação Popular consistia na "idéia de que a conversão é um movimento de descentramento", válido principalmente para as classes médias, "habituadas a entender, sua experiência como central, e a deduzir disso, de um lado, sua autoridade e capacidade de dispor sobre os problemas do mundo, e, de outro, a permanente minoridade política e cultural das classes populares para disporem sobre as questões que afetam suas vidas" (Vasconcelos, Algebaile, Valla, 2008, p.332).
Para fortalecer seu ponto de vista, incorporou tanto a reflexão de Milton Santos (1996) "sobre o conjunto de saberes práticos e valores produzidos às margens dos padrões de vida das classes médias, pelos imensos segmentos da população submetidos à experiência da escassez" (Vasconcelos, Algebaile, Valla, 2008, p332), como a de Simone Weil, ao trazer a fadiga e, pois, o trabalho, como um tema central para se entender o comportamento das classes populares (Valla, 1995). Ficava em aberto, como um limite da teoria dada pela realidade brasileira em que ainda vivemos, o problema da politização dessa nova experiência humana para além dos limites da dominação burguesa e das tentativas de conciliação de classes.
A problematização do termo 'conversão' a partir do campo religioso não foi o último texto escrito em vida, no meio da esperançosa luta e ilusão fecunda por retomar os movimentos do corpo atingido pelo acidente vascular cerebral em 2001. Dedicava-se, inclusive, a finalizar uma coletânea de seus trabalhos com o apoio de Eveline Algebaile, quando faleceu, no dia 7 de setembro de 2009. O título provisório desta publicação póstuma define o sentido da vida de Victor Vincent Valla: "Para compreender as classes populares no Brasil".
Artigo de Eduardo Stotz- Revista SCIELO 2010
Referências
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CARR, E.H. O que é história. 6.ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1989. [ Links ]
CARVALHO, M.A.P.; ACIOLI, S.; STOTZ, E.N. O processo de construção compartilhada do conhecimento: uma experiência de investigação científica do ponto de vista popular. In: VASCONCELOS, E.M. (Org.). A saúde nas palavras e nos gestos: reflexões da Rede de Educação popular e Saúde. São Paulo: Hucitec, 2001. p.101-14. [ Links ]
CESAR, W.; SHAULL, R. Pentecostalismo e futuro das igrejas cristãs: promessas e desafios. Petrópolis: Vozes, 1999. [ Links ]
ESPECIAL VICTOR VALLA: uma vida dedicada a entender os pobres. Entrevista concedida a Ricardo Valverde, março de 2006. Disponível em: <http://www.fiocruz.br/ccs>. Acesso em: 14 set. 2009. [ Links ]
GUIMARÃES, M.B. et al. Os impasses da pobreza absoluta: a experiência da ouvidoria Coletiva na região da Leopoldina. Cienc. Saude Colet. (online), v.1, p.514, 2008. [ Links ]
LIMA, C.M.P.; VALLA, V.V. (Org.). Conhecendo a região da Leopoldina: religiosidade popular e saúde. Rio de Janeiro: ENSP, 2003. [ Links ]
LIMA, C.M.P.; STOTZ, E.N. Ouvidoria Coletiva: uma proposta de participação e diálogo. Tecnologias de Educação e Saúde (no prelo), 2009. [ Links ]
LYRA, C. As quarenta horas de Angico. Educ. Soc., v.28, n.59, p.389-93, 1997. [ Links ]
SANTOS, M. O espaço do cidadão. São Paulo: Studio Nobel, 1996. [ Links ]
SILVA, J.M.P.; TÂNGARI, V.R. Ensinar os cegos a "ver": a crise urbana no Brasil. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE ARQUITETOS/IAB/RJ, 17., 2003, Rio de Janeiro. Anais... Rio de Janeiro, 2003. Disponível em: <http://www.fau.ufrj.br/prolugar/arq_pdf/diversos/artigos_vera%20tangari/CBA-2003-Magalhaes-Tangari.pdf>. Acesso em: 19 out. 2009. [ Links ]
STOTZ, E.N. A educação popular nos movimentos sociais da saúde: uma análise de experiências nas décadas de 1970 e 1980. Trabalho, Educ. Saude, v.3 n.1, p.9-30, 2005. [ Links ]
VALLA, V.V. Participação popular e informação numa conjuntura de nova ordem mundial. In: MARTÍNEZ, F.J.M.; SILVA, L.R. (Orgs.). La medicina al final del milenio. México: Universidade de Guadalajara, 1995. p.181-99. [ Links ]
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VALLA, V.V.; STOTZ, E.N. (Orgs.). Participação popular, educação e saúde: teoria e prática. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 1993. [ Links ]
VALLA, V.V.; STOTZ, E.N.; ALGEBAILE, E. (Orgs.). Para compreender a pobreza no Brasil. Rio de Janeiro: Contraponto/Escola de Governo em Saúde-ENSP, 2005. [ Links ]
VASCONCELOS, E.M.; ALGEBAILE, E.; VALLA, V.V. Victor Vincent Valla: pioneiro da pesquisa e formação acadêmica no campo da educação popular e saúde. Rev. Atenção Primária à Saúde, v.11, n.3, p.326-33, 2008. [ Links ]
COMENTÁRIOS:
Odila,
Veja o pensamento do Kleber a respeito do Valla. Achei legal, é isso mesmo meu companheiro Mr. K. bjs aos 2. Terencio
VALHA ME VALLA
Te,( Terencio Hill) Não sei expressar o sentimento ou sentimentos ao saber dessas coisas do Valla.Imprimi pois é um evangelho desconhecido que quero mostrar para algumas pessoas. Somos rastilhos de pólvora prontos para nos incendiarmos. O Valla se deixou permear pela revolução que sobrevive mesmo sem ele respirar.Há muitos Che Guevaras ocultos atrás das folhas das bananeiras ou folhas de livros. Brotam sem anunciar. Aparecem e se impoem sem pedir permissão.São obras da própria natureza... não se represa a revolução.Minha felicidade é reconhecer que as malhas do capital são grandes de tal forma que os pequenos escapam, sobrevivem, e quando são esmagados se multiplicam em muitos mais. Vai Zilda, vai Valla, fica Rham, continua Hill,e milhares incógnitos pelos MSTs da vida , fundos de fábricas,varandas de clínicas psiquiátricas anunciam, pela própria existência, que é possível se rebelar.Vi uma senhora simples na rua que talvez não soubesse traduzir o que estava escrito na sua camiseta surrada:
Kleber de Albuquerque Pinheiro kapinheiro@trt15.jus.br
COMENTÁRIOS:
Odila,
Veja o pensamento do Kleber a respeito do Valla. Achei legal, é isso mesmo meu companheiro Mr. K. bjs aos 2. Terencio
VALHA ME VALLA
Te,( Terencio Hill) Não sei expressar o sentimento ou sentimentos ao saber dessas coisas do Valla.Imprimi pois é um evangelho desconhecido que quero mostrar para algumas pessoas. Somos rastilhos de pólvora prontos para nos incendiarmos. O Valla se deixou permear pela revolução que sobrevive mesmo sem ele respirar.Há muitos Che Guevaras ocultos atrás das folhas das bananeiras ou folhas de livros. Brotam sem anunciar. Aparecem e se impoem sem pedir permissão.São obras da própria natureza... não se represa a revolução.Minha felicidade é reconhecer que as malhas do capital são grandes de tal forma que os pequenos escapam, sobrevivem, e quando são esmagados se multiplicam em muitos mais. Vai Zilda, vai Valla, fica Rham, continua Hill,e milhares incógnitos pelos MSTs da vida , fundos de fábricas,varandas de clínicas psiquiátricas anunciam, pela própria existência, que é possível se rebelar.Vi uma senhora simples na rua que talvez não soubesse traduzir o que estava escrito na sua camiseta surrada:
"Wild flowers smeels like me".
É só.Obrigado por lembrar que
o Valla sempre me atingiu.beijos.kKleber de Albuquerque Pinheiro kapinheiro@trt15.jus.br
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
O VOSSO DESENVOLVIMENTO É NOSSO MASSACRE:Delegação indígena denuncia a Transposição na Europa
Na Itália, o primeiro país do giro pela Europa, a delegação Nordestina denunciou os impactos nefastos da transposição do rio São Francisco e as violações dos direitos humanos na preparação e execução do projeto. A delegação indígena leva um grito de alarme para os governos e a sociedade civil dos países europeus: o rio São Francisco já sofreu tantas agressões, como a construção de sete barragens hidrelétricas e desmatamento, que não tem condições para suportar outro projeto de exploração intensiva das suas águas. Os danos ambientais serão irreparáveis e levarão à morte do rio que, em vez de outro projeto de engenharia, precisa na verdade de uma revitalização.
Desenvolvimento: não a todo custo
Em Roma, Itália, a delegação participou de várias atividades públicas. No dia 25 de janeiro, houve uma conferência publica na Sala da Paz da Província. No dia seguinte, a delegação participou de um encontro público no Centro Italiano pela Paz (Cipax). Pretinha Truká, Uilton Tuxá e Saulo Feitosa também foram recebidos pelo deputado nacional italiano Domenico Scilipoti, que faz parte da "Comissão Meio ambiente, Território e Obras Públicas", e que luta contra a privatização da água na Itália.
“A transposição acaba com os nossos povos e nosso estilo de vida”. Essa foi a mensagem que os membros da delegação passaram às diferentes platéias. Pretinha, liderança do povo Truká, foi enfática sobre o projeto que o governo apresenta como um grande passo de desenvolvimento: "O vosso desenvolvimento é o nosso massacre!", afirmou
Uilton dos Santos, cacique do povo Tuxá e coordenador geral da Articulação dos Povos Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (APOINME), deixou claro que a oposição ao projeto da Transposição não é uma mera oposição dos povos indígenas ao desenvolvimento em si, mas à forma de alcançá-lo. "Desenvolvimento sim, mas não a todo custo. A economia passa por cima da vida e por cima dos direitos humanos dos povos indígenas e das comunidades tradicionais”, ressaltou.
Acesso à água para todos
Uilton salientou ainda que a transposição transformará o rio São Francisco no maior mercado hidrográfico do mundo, o que se contrapõe totalmente à concepção indígena: “Para os índios, a água é um bem comum da humanidade, não é mercadoria”.Ele também afirmou que, segundo dados do próprio governo, a água da transposição somente beneficiará o agronegócio e empresas metalúrgicas, dentre outras indústrias, sem beneficiar os povos carentes da região. Estes não terão acesso à água dos canais, contrariamente ao anúncio do governo, de que o grande lema da transposição seria ‘levar água para o povo sedento’ do semi-árido. “Ao mesmo tempo, o próprio governo elaborou um plano alternativo de gestão hídrica para o Nordeste, o famoso Atlas”, continuou Uilton “que, com a metade dos custos, pode beneficiar um número muito maior de pessoas e resolver o problema da distribuição de água no Nordeste, com impacto ambiental menor e democratização do acesso à água para os pobres da região”.
Etnocídio O terceiro membro da delegação, Saulo Feitosa, secretário adjunto do CIMI, colocou a transposição no contexto mais abrangente das ameaças que o PAC representa para os povos indígenas. "Tem 450 obras dos programas do governo Lula que afetam Terras Indígenas. Segundo nossos dados e pesquisas, por exemplo, tem pelo menos 21 projetos que afetam povos indígenas não contatados, que estão em risco de extinção. Temos experiências anteriores, esses encontros são fatais para estes povos. Nesse sentido, a gente fala de etnocídio”.
ONU: Depois dos encontros na Itália, a delegação segue para Genebra, na Suíça, a fim de encontrar-se com representantes da Organização das Nações Unidas. Os contatos confirmados são com a Alta Comissária para os Direitos Humanos da ONU, o relator especial sobre os Direitos Indígenas, a relatora especial sobre o direito à Água e a Ogganização Internacional do Trabalho (OIT), que emitiu observações para o Governo brasileiro sobre o descumprimento da Convenção 169 no caso do projeto da transposição do rio São Francisco. Em seguida, a delegação viajará para Bruxelas (Bélgica) e Berlim (Alemanha).
Mais informações:
Acompanhe pelo BLOG:
http://baixosaofrancisco.blogspot.com/2010/01/campanha-opara-povos-indigenas-em.html
CIMI 55/61/2106 1666 Paul
CIMI Europa 39/3336348279 Martina
CPP / NE 55/75/8835 3113 Alzeni Tomáz
Via Campesina 55/82/9950 0227 Hélio
Povo Truká 55/87/ 9606 6065 Cacique Neguinho
Povo Tumbalalá 55/87/ 9131 0008 Cacique Cícero
NECTAS/UNEB 55/87/ 88 56 0622 Juracy Marques
Maíra Heinen
(61) 2106 - 1670 / 9979-6912www.cimi.org.br
http://twitter.com/CimiNacional Foto João Zinclar - 2008
O projeto, marcado por desavenças entre o Ministério do Meio Ambiente e o de Minas e Energia, está previsto para ficar pronto em 2015, no Pará.
2-LER TAMBÉM :BELO MONTE BELO MONSTRO EM:
http://www.correioc idadania. com.br:80/ content/view/ 4280/9/
MEMÓRIAS DO BLOG :
Manifestantes saem às ruas de Belém contra Belo Monte
quinta-feira 10 de dezembro de 2009
O ato público acontece no momento em que o governo federal acelera o processo de licenciamento da Hidrelétrica, ignorando as falhas técnicas do projeto apontadas pelo Painel de Especialistas da UFPA
Vanessa Silva
Manifestantes saem às ruas de Belém nesta sexta, 11, para protestar contra a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte. O protesto está previsto para começar às 9 horas, quando os manifestantes sairão em caminhada do Terminal de ônibus da UFPA em direção à Eletronorte, na Avenida Perimetral, no bairro da Terra Firme.A manifestação é uma promoção do Comitê Xingu Vivo para Sempre e do Diretório Central dos Estudantes da UFPA (DCE) e contará com a presença de indígenas, de lideranças da região da Transamazônica, do irmão da missionária Dorothy Stang - David Stang - e do bispo da Prelazia do Xingu, Dom Erwin Krautler, entre outros ativistas sociais.O ato público acontece no momento em que o governo federal acelera o processo de licenciamento da Hidrelétrica de Belo Monte, ignorando as falhas técnicas do projeto apontadas pelo Painel de Especialistas da UFPA.As pressões para que o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) conceda a licença ambiental são tantas, que na semana passada, toda a cúpula do órgão, responsável pelo setor de licenciamento, pediu exoneração dos cargos. Durante o protesto, os manifestantes pretendem dar visibilidade à luta histórica dos povos do Xingu contra a construção de barragens e denunciar os impactos ambientais que serão causados, caso a hidrelétrica seja construída. “A população precisa tomar conhecimento sobre os reais interesses por trás da construção da usina, pois as barragens vão atingir diretamente a saúde, a vida, a moradia e o sustento de comunidades ribeirinhas e indígenas, além de destruir a biodiversidade da floresta”, afirma Anderson Castro, coordenador-geral do DCE da UFPA. De acordo com as entidades que organizam a manifestação, o projeto da Usina de Belo Monte contém diversas irregularidades, pois o Estudo de Impacto Ambiental do empreendimento sequer aponta a quantidade de famílias que serão atingidas pela Hidrelétrica. “Este projeto é maléfico para a região, pois não temos necessidade de energia. A construção da Hidrelétrica vem beneficiar apenas as multinacionais e as gigantes do ramo da construção civil, como a Odebrecht e a Camargo Correa.Enquanto isso, a navegação de parte do Xingu será interrompida e a vida dos trabalhadores da região e a biodiversidade da floresta serão destruídas”, explica Anderson Castro. Segundo ele, ao final da manifestação, uma carta será entregue por uma comissão à direção da Eletronorte. No documento, as entidades exigem que o projeto de construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte seja paralisado e que sejam realizadas novas audiências públicas com as comunidades envolvidas. Os manifestantes defendem, ainda, um novo modelo de desenvolvimento para a Amazônia, que preserve os recursos naturais e garanta uma vida digna à classe trabalhadora.
Desenvolvimento: não a todo custo
Em Roma, Itália, a delegação participou de várias atividades públicas. No dia 25 de janeiro, houve uma conferência publica na Sala da Paz da Província. No dia seguinte, a delegação participou de um encontro público no Centro Italiano pela Paz (Cipax). Pretinha Truká, Uilton Tuxá e Saulo Feitosa também foram recebidos pelo deputado nacional italiano Domenico Scilipoti, que faz parte da "Comissão Meio ambiente, Território e Obras Públicas", e que luta contra a privatização da água na Itália.
“A transposição acaba com os nossos povos e nosso estilo de vida”. Essa foi a mensagem que os membros da delegação passaram às diferentes platéias. Pretinha, liderança do povo Truká, foi enfática sobre o projeto que o governo apresenta como um grande passo de desenvolvimento: "O vosso desenvolvimento é o nosso massacre!", afirmou
Uilton dos Santos, cacique do povo Tuxá e coordenador geral da Articulação dos Povos Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (APOINME), deixou claro que a oposição ao projeto da Transposição não é uma mera oposição dos povos indígenas ao desenvolvimento em si, mas à forma de alcançá-lo. "Desenvolvimento sim, mas não a todo custo. A economia passa por cima da vida e por cima dos direitos humanos dos povos indígenas e das comunidades tradicionais”, ressaltou.
Acesso à água para todos
Uilton salientou ainda que a transposição transformará o rio São Francisco no maior mercado hidrográfico do mundo, o que se contrapõe totalmente à concepção indígena: “Para os índios, a água é um bem comum da humanidade, não é mercadoria”.Ele também afirmou que, segundo dados do próprio governo, a água da transposição somente beneficiará o agronegócio e empresas metalúrgicas, dentre outras indústrias, sem beneficiar os povos carentes da região. Estes não terão acesso à água dos canais, contrariamente ao anúncio do governo, de que o grande lema da transposição seria ‘levar água para o povo sedento’ do semi-árido. “Ao mesmo tempo, o próprio governo elaborou um plano alternativo de gestão hídrica para o Nordeste, o famoso Atlas”, continuou Uilton “que, com a metade dos custos, pode beneficiar um número muito maior de pessoas e resolver o problema da distribuição de água no Nordeste, com impacto ambiental menor e democratização do acesso à água para os pobres da região”.
Etnocídio O terceiro membro da delegação, Saulo Feitosa, secretário adjunto do CIMI, colocou a transposição no contexto mais abrangente das ameaças que o PAC representa para os povos indígenas. "Tem 450 obras dos programas do governo Lula que afetam Terras Indígenas. Segundo nossos dados e pesquisas, por exemplo, tem pelo menos 21 projetos que afetam povos indígenas não contatados, que estão em risco de extinção. Temos experiências anteriores, esses encontros são fatais para estes povos. Nesse sentido, a gente fala de etnocídio”.
ONU: Depois dos encontros na Itália, a delegação segue para Genebra, na Suíça, a fim de encontrar-se com representantes da Organização das Nações Unidas. Os contatos confirmados são com a Alta Comissária para os Direitos Humanos da ONU, o relator especial sobre os Direitos Indígenas, a relatora especial sobre o direito à Água e a Ogganização Internacional do Trabalho (OIT), que emitiu observações para o Governo brasileiro sobre o descumprimento da Convenção 169 no caso do projeto da transposição do rio São Francisco. Em seguida, a delegação viajará para Bruxelas (Bélgica) e Berlim (Alemanha).
Mais informações:
Acompanhe pelo BLOG:
http://baixosaofrancisco.blogspot.com/2010/01/campanha-opara-povos-indigenas-em.html
CIMI 55/61/2106 1666 Paul
CIMI Europa 39/3336348279 Martina
CPP / NE 55/75/8835 3113 Alzeni Tomáz
Via Campesina 55/82/9950 0227 Hélio
Povo Truká 55/87/ 9606 6065 Cacique Neguinho
Povo Tumbalalá 55/87/ 9131 0008 Cacique Cícero
NECTAS/UNEB 55/87/ 88 56 0622 Juracy Marques
Maíra Heinen
(61) 2106 - 1670 / 9979-6912www.cimi.org.br
http://twitter.com/CimiNacional Foto João Zinclar - 2008
1-ENQUANTO ISSO, HOJE,2 DE FEVEREIRO DE 2010:
Leilão para construir usina no Pará é autorizadoJornal Floripa- 02 Fev 2010O projeto, marcado por desavenças entre o Ministério do Meio Ambiente e o de Minas e Energia, está previsto para ficar pronto em 2015, no Pará.
2-LER TAMBÉM :BELO MONTE BELO MONSTRO EM:
http://www.correioc
MEMÓRIAS DO BLOG :
Manifestantes saem às ruas de Belém contra Belo Monte
quinta-feira 10 de dezembro de 2009
O ato público acontece no momento em que o governo federal acelera o processo de licenciamento da Hidrelétrica, ignorando as falhas técnicas do projeto apontadas pelo Painel de Especialistas da UFPA
Vanessa Silva
Manifestantes saem às ruas de Belém nesta sexta, 11, para protestar contra a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte. O protesto está previsto para começar às 9 horas, quando os manifestantes sairão em caminhada do Terminal de ônibus da UFPA em direção à Eletronorte, na Avenida Perimetral, no bairro da Terra Firme.A manifestação é uma promoção do Comitê Xingu Vivo para Sempre e do Diretório Central dos Estudantes da UFPA (DCE) e contará com a presença de indígenas, de lideranças da região da Transamazônica, do irmão da missionária Dorothy Stang - David Stang - e do bispo da Prelazia do Xingu, Dom Erwin Krautler, entre outros ativistas sociais.O ato público acontece no momento em que o governo federal acelera o processo de licenciamento da Hidrelétrica de Belo Monte, ignorando as falhas técnicas do projeto apontadas pelo Painel de Especialistas da UFPA.As pressões para que o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) conceda a licença ambiental são tantas, que na semana passada, toda a cúpula do órgão, responsável pelo setor de licenciamento, pediu exoneração dos cargos. Durante o protesto, os manifestantes pretendem dar visibilidade à luta histórica dos povos do Xingu contra a construção de barragens e denunciar os impactos ambientais que serão causados, caso a hidrelétrica seja construída. “A população precisa tomar conhecimento sobre os reais interesses por trás da construção da usina, pois as barragens vão atingir diretamente a saúde, a vida, a moradia e o sustento de comunidades ribeirinhas e indígenas, além de destruir a biodiversidade da floresta”, afirma Anderson Castro, coordenador-geral do DCE da UFPA. De acordo com as entidades que organizam a manifestação, o projeto da Usina de Belo Monte contém diversas irregularidades, pois o Estudo de Impacto Ambiental do empreendimento sequer aponta a quantidade de famílias que serão atingidas pela Hidrelétrica. “Este projeto é maléfico para a região, pois não temos necessidade de energia. A construção da Hidrelétrica vem beneficiar apenas as multinacionais e as gigantes do ramo da construção civil, como a Odebrecht e a Camargo Correa.Enquanto isso, a navegação de parte do Xingu será interrompida e a vida dos trabalhadores da região e a biodiversidade da floresta serão destruídas”, explica Anderson Castro. Segundo ele, ao final da manifestação, uma carta será entregue por uma comissão à direção da Eletronorte. No documento, as entidades exigem que o projeto de construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte seja paralisado e que sejam realizadas novas audiências públicas com as comunidades envolvidas. Os manifestantes defendem, ainda, um novo modelo de desenvolvimento para a Amazônia, que preserve os recursos naturais e garanta uma vida digna à classe trabalhadora.
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
NOVOS PARÂMETROS PARA O DESENVOLVIMENTO:Tanto o capitalismo quanto o socialismo destruíram a biodiversidade
O professor de economia Boaventura Santos e a senadora e ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva participaram nessa tarde de quinta-feira (28) do debate sobre Novos Paramêtros para o Desenvolvimento. O auditório praticamente lotado ouviu com atenção, apesar do forte calor, os palestrantes concordarem que novos modelos são fundamentais.Para Boaventura Santos é preciso criar um novo conceito para substituir a palavra desenvolvimento. “A palavra tem história e temos que pensar no conceito de viver bem, de felicidade”. Os próprios índices deveriam medir a “felicidade”. O professor explicou que para os índios é impossível mensurar o desenvolvimento nos termos tradicionais aplicados pelas teorias econômicas. “O conceito indígena de desenvolvimento é de viver bem, em harmonia. E não são utopias, esses conceitos estão hoje na Constituição da Bolívia e do Equador”. Boaventura citou o caso da Finlândia, em que a população tem acesso ao bem viver, mas, paradoxalmente, apresenta os maiores números de suicídio. O professor não apresentou sua teoria para o exemplo.Outro exemplo, porém, que mostrou o ponto de vista do cátedro da Universidade de Coimbra sobre a necessidade de se mudar os paramêtros foi de uma aluna indígena que chorou na aula da universidade por que outro professor ignorou os conceitos plurais de economia solidária e coletiva. Além desse, Boaventura citou exemplos do Canadá, onde organizações de economia solidária substituiram serviços de atendimento aos idosos, de Porto Alegre mesmo, onde o Orçamento Participativo levou o controle dos recursos para a mão dos cidadãos, entre outros. Ele também falou da importância da mudança de visão da periferia para o centro. “O Fórum nasceu nas periferias. Com um olhar que não está no centro, podemos ver melhor os vários lados da cidade.”Para a senadora Marina Silva os novos paramêtros de desenvolvimento estão surgindo em experiências embrionárias no Brasil o que é uma dinâmica nova. A ex-ministra do Meio Ambiente não pode deixar de abordar o tema do aquecimento global. “É o que eu chamo de Armagedon Ambiental, alguns indicadores mostram que se houver um aumento de 1,5° C vamos inviabilizar a vida no planeta”. Marina citou o fotógrafo Sebastião Salgado para ilustrar seu conceito de Armagedon.
“20% da população fez uma uma fuga para o futuro e 80% estão sendo deixadas para trás.”Além disso, Marina lembrou que a economia de um país depende 50% de sua biodiversidade, plataforma que defende em sua pré canditatura a Presidente do Brasil.Apesar de saber que seus ideais são difíceis de serem alcançados, a senadora não aceita que os termos idealista e sonhador sejam deturpados. “O conceito foi deturpado. Se você quer xingar alguém chama o de utópico. Eu não sou daqueles que se intimida facilmente” afirmou. Ao ser aplaudida, Marina Silva lembrou o exemplo de Mandella e da sua insistência.Outro momento de admiração do público presente na sua apresentação foi quando a ex-ministra admitiu a falência tanto do modelo econômico capitalista quanto socialista. “As experiências socialistas não deixaram um legado diferente do modelo perverso capitalista” explicou ela sobre a destruição da biodiversidade em ambos os casos. Por Natacha Marins, Fórum Social Mundial
FSM2010/EcoAgência
sábado, 23 de janeiro de 2010
A poluição marinha por plásticos é um problema global crescente
Patrocínios chave adicionais são fornecidos por Ecousable, Quiksilver
Foundation, Surfrider Foundation, Keen Footwear, Patagonia e Aquapac.Download fotografias de Eriksen e Cummins a bordo do Sea
Dragon, partículas de plásticos retiradas do estômago de peixes e da viagem de
2008 no JUNKraft.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
O REI E O MENINO – O HAITI, Sta CATARINA E A HISTORIADORA
Para Didier Dominique e o povo do Haiti(e para meu pai,Roland Klueger,que faria 88 anos hoje)
Urda Alice Klueger _ Escritora e historiadora
Era uma vez um rei e um menino.
Fico pensando se há alguma palavra que signifique, ao mesmo tempo, exaustão, terror, desespero e desesperança, tudo isto somado e elevado a décima potência, mas não encontro tal palavra. Só que era bem assim que estava o menino: tinha dois anos, encolhia-se de olhos catatônicos no vazio de uma calçada logo depois do terremoto do Haiti, e apareceu na televisão. Eram tantos em desespero em torno dele, eram tantos... Eram tantos os mortos em torno dele, eram tantos... Quem conseguiria prestar atenção em mais aquele menino dentro de tanta desgraça, a não ser aquele olho malicioso de uma televisão, que pegou o menino e o jogou no meu colo, sem que eu soubesse o que fazer com ele?
Era uma vez um rei e um menino. O rei era pura saúde, garbo e fidalguia: vestido com trajes tribais, tinha no rosto e no corpo os mesmo desenhos em branco, preto e vermelho que também estavam no escudo de couro que segurava na mão esquerda, pois na direita segurava a lança segura e certeira que o tornara rei tamanha a sua perícia ao caçar o leão. Ele era grande e espadaúdo, mas maior ainda era a sua fama, pois não só ao leão enfrentava: quando seu povo tinha fome, ele afrontava até os grandes elefantes, e todos viviam felizes no seu reino, bem alimentados e saudáveis, e o rei era feliz também.Certo do poder da sua felicidade e da sua lança, o rei nunca entendeu como lhe caíra em cima aquela rede que o despojara do seu escudo, da sua lança, da sua força e da sua liberdade – como tantos outros da sua terra, teve que se curvar à chibata do traficante, aceitar a gargantilha e as algemas de ferro, resistir à longa caminhada da coleante corrente feita de gente e de ferros, viver a aviltância do navio negreiro. A saúde antiga deu-lhe forças para chegar vivo àquela terra de degredo, de escravidão, e cruéis homens brancos de outra fala, à força de chicote, subjugaram-no e ele teve que se curvar, sem lança, sem pintura, sem escudo, e cultivar a cana que produzia o açúcar, o rum e a riqueza daqueles usurpadores da sua liberdade. Nunca mais ele foi feliz; nunca mais soube do seu povo e seu povo nunca mais soube dele, e só o que havia de belo era o mar daquela terra, todo verde, azul e transparente. Houve, também, uma mulher que reconheceu nele a fidalguia conspurcada, e antes de morrer prematuramente, o rei teve um filho, negro e lindo como ele, e que na verdade era um príncipe – mas foi um príncipe que nunca teve uma lança e que não conheceu os desenhos e as cores tribais – ao invés de leões, só houve para ele o látego do algoz.
Outros príncipes foram gerados na descendência do rei, naquela terra que parecia incrustada num mar de turmalinas, e todos tiveram a vida miserável de escravo, enquanto seus senhores tinham as vidas nababescas dos poderosos.Um dia, já não dava mais de suportar. Eles eram mais de 500.000 negros, e os senhores eram 32.000, certos que a força do látego manteria aquela situação indefinidamente. E junto com os demais escravos os descendentes do rei lutaram e lutaram e venceram – desde 1791 a 1803 – nesse último ano venceram até o exército que Napoleão Bonaparte mandara da França. E conquistaram a liberdade!
O Haiti foi o primeiro país da América dita Latina a ser livre, a fazer a independência, isto lá em 1804, antes de todos os demais. É de se imaginar o frio que correu na espinha de tantos outros colonizadores brancos: uma república, e de negros? E se a coisa pega? Olha que escravo está tudo cheio por esta América de meu Deus! Que se faz, ai ai ai?De modo geral, o que se podia fazer eram independências rápidas, feitas por brancos (e elas aconteceram uma depois da outra) e muita matança de negros, para evitar que a coisa trágica se repetisse e sujasse o bom nome da dita civilização européia! Sei bem como foi tal matança no Brasil: foi na guerra do Paraguai, foi na revolução Farroupilha... – não estou inteirada de como foi nos outros países, mas que a matança foi grande, lá isso foi. E a “civilização” branca quase pode respirar, aliviada – só que havia aquele pequeno país, aquele maldito pequeno país lá incrustado naquele mar de ametista, o tal do Haiti, que era um país de negros – e nunca que a tal “civilização” branca poderia deixar aquilo lá florescer de verdade – era afronta demasiada.
Não deixo de louvar as tantas e tantas equipes de tantos e tantos países que lá estão, realmente levando ajuda humanitária para aquele povo quase que nas vascas da agonia – mas a semvergonhice do Capital está lá, também, sorrindo de felicidade com sua cara de caveira.
E então o olho de uma televisão espia lá aquele menino de dois anos arrasado pela exaustão, pelo terror e pelo desespero, encolhido num vazio de uma calçada, e o joga brutalmente no meu colo – e quando tento acalmá-lo acolhendo-o junto do meu coração, ele me conta do rei, seu antepassado – aquele menino moído pelo Capital e pelo terremoto é nada mais nada menos que um príncipe, e seu antepassado que foi rei e livre caçava leões e elefantes e alimentava um povo – o menino sabia, a família sempre contara adiante o seu segredo.
Céus, céus, o que fizeram com as gentes livres da África, que quiseram apenas continuar vivendo com dignidade naquela ilha de onde já não podiam sair? Quem vai cuidar daquele menino antes que ele retorne à condição de escravo de onde seus antepassados tanto tentaram sair? Eu choro, Haiti, choro por ti, e por teu menino, e por aquele rei. Não sei fazer outra coisa além de chorar.
Urda Alice Klueger _ Escritora e historiadora
Era uma vez um rei e um menino.
Fico pensando se há alguma palavra que signifique, ao mesmo tempo, exaustão, terror, desespero e desesperança, tudo isto somado e elevado a décima potência, mas não encontro tal palavra. Só que era bem assim que estava o menino: tinha dois anos, encolhia-se de olhos catatônicos no vazio de uma calçada logo depois do terremoto do Haiti, e apareceu na televisão. Eram tantos em desespero em torno dele, eram tantos... Eram tantos os mortos em torno dele, eram tantos... Quem conseguiria prestar atenção em mais aquele menino dentro de tanta desgraça, a não ser aquele olho malicioso de uma televisão, que pegou o menino e o jogou no meu colo, sem que eu soubesse o que fazer com ele?
Era uma vez um rei e um menino. O rei era pura saúde, garbo e fidalguia: vestido com trajes tribais, tinha no rosto e no corpo os mesmo desenhos em branco, preto e vermelho que também estavam no escudo de couro que segurava na mão esquerda, pois na direita segurava a lança segura e certeira que o tornara rei tamanha a sua perícia ao caçar o leão. Ele era grande e espadaúdo, mas maior ainda era a sua fama, pois não só ao leão enfrentava: quando seu povo tinha fome, ele afrontava até os grandes elefantes, e todos viviam felizes no seu reino, bem alimentados e saudáveis, e o rei era feliz também.Certo do poder da sua felicidade e da sua lança, o rei nunca entendeu como lhe caíra em cima aquela rede que o despojara do seu escudo, da sua lança, da sua força e da sua liberdade – como tantos outros da sua terra, teve que se curvar à chibata do traficante, aceitar a gargantilha e as algemas de ferro, resistir à longa caminhada da coleante corrente feita de gente e de ferros, viver a aviltância do navio negreiro. A saúde antiga deu-lhe forças para chegar vivo àquela terra de degredo, de escravidão, e cruéis homens brancos de outra fala, à força de chicote, subjugaram-no e ele teve que se curvar, sem lança, sem pintura, sem escudo, e cultivar a cana que produzia o açúcar, o rum e a riqueza daqueles usurpadores da sua liberdade. Nunca mais ele foi feliz; nunca mais soube do seu povo e seu povo nunca mais soube dele, e só o que havia de belo era o mar daquela terra, todo verde, azul e transparente. Houve, também, uma mulher que reconheceu nele a fidalguia conspurcada, e antes de morrer prematuramente, o rei teve um filho, negro e lindo como ele, e que na verdade era um príncipe – mas foi um príncipe que nunca teve uma lança e que não conheceu os desenhos e as cores tribais – ao invés de leões, só houve para ele o látego do algoz.
Outros príncipes foram gerados na descendência do rei, naquela terra que parecia incrustada num mar de turmalinas, e todos tiveram a vida miserável de escravo, enquanto seus senhores tinham as vidas nababescas dos poderosos.Um dia, já não dava mais de suportar. Eles eram mais de 500.000 negros, e os senhores eram 32.000, certos que a força do látego manteria aquela situação indefinidamente. E junto com os demais escravos os descendentes do rei lutaram e lutaram e venceram – desde 1791 a 1803 – nesse último ano venceram até o exército que Napoleão Bonaparte mandara da França. E conquistaram a liberdade!
O Haiti foi o primeiro país da América dita Latina a ser livre, a fazer a independência, isto lá em 1804, antes de todos os demais. É de se imaginar o frio que correu na espinha de tantos outros colonizadores brancos: uma república, e de negros? E se a coisa pega? Olha que escravo está tudo cheio por esta América de meu Deus! Que se faz, ai ai ai?De modo geral, o que se podia fazer eram independências rápidas, feitas por brancos (e elas aconteceram uma depois da outra) e muita matança de negros, para evitar que a coisa trágica se repetisse e sujasse o bom nome da dita civilização européia! Sei bem como foi tal matança no Brasil: foi na guerra do Paraguai, foi na revolução Farroupilha... – não estou inteirada de como foi nos outros países, mas que a matança foi grande, lá isso foi. E a “civilização” branca quase pode respirar, aliviada – só que havia aquele pequeno país, aquele maldito pequeno país lá incrustado naquele mar de ametista, o tal do Haiti, que era um país de negros – e nunca que a tal “civilização” branca poderia deixar aquilo lá florescer de verdade – era afronta demasiada.
E nos dois últimos séculos o Haiti sofreu tudo o que é possível sofrer-se para que sua crista se quebrasse: invasões, ditaduras, golpes de Estado, o bedelho dos brancos sempre indo lá e tentando botar tudo a perder, mas a valentia daquele povo parecia indomável, e o Haiti, mesmo não conseguindo florescer como deveria, era exportador de café, de arroz, era o maior produtor de açúcar do mundo, era um país que tinha seus filhos bem alimentados a arroz, a banana, os porcos abundavam e produziam pratos deliciosos, acompanhados de banana frita, iguaria tão caribenha...Foi agora, agorinha, no tempo da violência do neoliberalismo, o que nos leva a 1980, que o complô dos brancos resolveu que já não dava mais, que era muito absurdo em plena América ver um país de negros sobrevivendo e sobrevivendo impunemente... Então foi programada a tomada definitiva do Haiti. Foi daquelas coisas mais malévolas que as mentes doentias podem programar visando lucro: aos poucos, introduziram-se as pragas necessárias na ilha incrustada num mar de safira, e morreram todos os porcos, e depois todo o arroz, e depois toda a banana, e depois veio a praga do café.. . Aqueles negros corajosos não sobreviveriam, ah! La isso não poderia acontecer! Viveriam apenas para voltar à condição de escravos, e igualzinho como os europeus, em 1885, no Tratado de Berlim, dividiram o mapa da África à régua, causando as milhares de desgraças que estão acontecendo até hoje, os brancos do neoliberalismo pegaram o território do Haiti e o dividiram em 18 futuras zonas francas onde não haveria lei, onde o Capital imperaria, e onde, as pessoas tão famintas que estavam assando biscoitos de argila para poderem ter algo no estômago trabalhariam, de novo, em regime de escravidão. Pode parecer que tal coisa é distante de nós, mas não é.
O próprio vice-presidente do Brasil, José Alencar, é alguém tão interessado no assunto que até mandou seu filho para lá para cuidar dos seus futuros interesses imperialistas.
E o execrável outro dia ainda saiu do hospital, depois de mais algumas cirurgias, sorrindo para as câmaras das televisões e declarando que poderia perder tudo na vida, menos a honra. Que honra pode ter um homem assim?(Não consigo me furtar de contar de que forma a nefanda honra do vice-presidente atingiu diretamente minha família, recentemente. Numa só tarde, uma das empresas dele, aqui na minha cidade de Blumenau/SC/Brasil, a Coteminas, demitiu 600 empregados, assim sem mais nem menos. Três primos meus, lutadores pais de famílias, perderam o emprego sem entenderem muito bem por quê – o porquê é fácil: nas novas fábricas que o “honrado” vice-presidente anda montando lá nas zonas francas do Haiti, os novos empregados trabalharão pela décima parte do salário que os meus primos ganhavam – e o salário dos meus primos já não era grande coisa.)Bem, então tínhamos um Haiti em petição de miséria, e daí veio o terremoto. Que poderia ter acontecido de melhor para o Capitalismo e o Imperialismo dos EUA? Até o palácio presidencial do governo títere ruiu – daqui para a frente é apenas tomar posse – já não há barreiras. Ao invés de ajuda humanitária (que eles não deram nem aos flagelados do furacão Katrina, em seu próprio território) os Estados Unidos estão, descaradamente, diante de todo o mundo, fazendo a ocupação militar do Haiti com o seu exército, e tudo parece bonitinho, com a Hilary indo lá para ver como é que estão ajudando... ajudando uma ova! Alguém já viu os Estados Unidos ajudar alguém de verdade?
O próprio vice-presidente do Brasil, José Alencar, é alguém tão interessado no assunto que até mandou seu filho para lá para cuidar dos seus futuros interesses imperialistas.
E o execrável outro dia ainda saiu do hospital, depois de mais algumas cirurgias, sorrindo para as câmaras das televisões e declarando que poderia perder tudo na vida, menos a honra. Que honra pode ter um homem assim?(Não consigo me furtar de contar de que forma a nefanda honra do vice-presidente atingiu diretamente minha família, recentemente. Numa só tarde, uma das empresas dele, aqui na minha cidade de Blumenau/SC/Brasil, a Coteminas, demitiu 600 empregados, assim sem mais nem menos. Três primos meus, lutadores pais de famílias, perderam o emprego sem entenderem muito bem por quê – o porquê é fácil: nas novas fábricas que o “honrado” vice-presidente anda montando lá nas zonas francas do Haiti, os novos empregados trabalharão pela décima parte do salário que os meus primos ganhavam – e o salário dos meus primos já não era grande coisa.)Bem, então tínhamos um Haiti em petição de miséria, e daí veio o terremoto. Que poderia ter acontecido de melhor para o Capitalismo e o Imperialismo dos EUA? Até o palácio presidencial do governo títere ruiu – daqui para a frente é apenas tomar posse – já não há barreiras. Ao invés de ajuda humanitária (que eles não deram nem aos flagelados do furacão Katrina, em seu próprio território) os Estados Unidos estão, descaradamente, diante de todo o mundo, fazendo a ocupação militar do Haiti com o seu exército, e tudo parece bonitinho, com a Hilary indo lá para ver como é que estão ajudando... ajudando uma ova! Alguém já viu os Estados Unidos ajudar alguém de verdade?
E então o olho de uma televisão espia lá aquele menino de dois anos arrasado pela exaustão, pelo terror e pelo desespero, encolhido num vazio de uma calçada, e o joga brutalmente no meu colo – e quando tento acalmá-lo acolhendo-o junto do meu coração, ele me conta do rei, seu antepassado – aquele menino moído pelo Capital e pelo terremoto é nada mais nada menos que um príncipe, e seu antepassado que foi rei e livre caçava leões e elefantes e alimentava um povo – o menino sabia, a família sempre contara adiante o seu segredo.
Céus, céus, o que fizeram com as gentes livres da África, que quiseram apenas continuar vivendo com dignidade naquela ilha de onde já não podiam sair? Quem vai cuidar daquele menino antes que ele retorne à condição de escravo de onde seus antepassados tanto tentaram sair? Eu choro, Haiti, choro por ti, e por teu menino, e por aquele rei. Não sei fazer outra coisa além de chorar.
Blumenau, 17 de janeiro de 2010.
Urda Alice Klueger _ Escritora e historiadora
VALE A PENA ESCUTAR:
VALE A PENA ESCUTAR:
sábado, 16 de janeiro de 2010
SOLIDARIEDADE OU OPORTUNIDADE DE NEGÓCIOS?
O terremoto que atingiu o Haiti no dia 12 de janeiro já deixou 50.000 mortos e pelo menos 3 milhões de pessoas estão desabrigadas, segundo estimativas da Cruz Vermelha. Em Porto Princípe, capital do país, prédios estão em ruínas e as pessoas tem dormido nas ruas, estão sem água potável, comida, remédios e muitas pessoas ainda estão debaixo dos escombros. A população do país que já era conhecido como o país "mais pobre do ocidente" está agora em uma situação ainda mais precária, o que ainda pode piorar.
A estadunidense Fundação Heritage, um dos principais defensores da exploração de desastres para empurrar impopulares políticas pró-corporações e neoliberais, publicou uma nota contendo o que deve ser feito pelos Estados Unidos diante do terremoto no Haiti. Na nota eles afirmam: "A resposta do governo dos EUA deve ser ousada e decisiva. É preciso mobilizar recursos civis e militares para resgate e socorro, a curto prazo, e recuperação e reformas a longo prazo" - certamente reformas que preveem mais liberdade para grandes empresas privadas, privatização de empresas públicas e recursos naturais, e outras medidas que acentuam as políticas que há décadas tem deixado o país miserável. A nota chama atenção como o "frágil ambiente político da região" deve ser levado em conta na "ajuda humanitária". E, por fim, pede que os militares norte-americanos vigiem a costa, impedindo um provável grande movimento de haitianos tentando entrar ilegalmente nos EUA pelo mar "em embarcações frágeis e perigosas".Mas, como se não bastasse, o próprio Cônsul geral do Haiti no Brasil, Gerge Samuel Antoine, também quer tirar proveito da tragédia. Em entrevista num programa de televisão na quarta-feira, afirmou que o terremoto pode ser bom, pois torna o trabalho dele conhecido. Gerge Samuel Antoine, revelando seu racismo, ainda responsabilizou a religião dos/as haitianos/as pelo desastre: "Acho que de, tanto mexer com macumba, não sei o que é aquilo... O africano em si tem maldição. Todo lugar que tem africano lá tá f..."; o mesmo que fez um tele-evangelista dos EUA, quando disse que escravos haitianos fizeram um pacto com o diabo para se libertar dos franceses no século XVIII e por isso são atingidos por tragédias. É esse racismo o responsável pela tragédia haitiana.
A estadunidense Fundação Heritage, um dos principais defensores da exploração de desastres para empurrar impopulares políticas pró-corporações e neoliberais, publicou uma nota contendo o que deve ser feito pelos Estados Unidos diante do terremoto no Haiti. Na nota eles afirmam: "A resposta do governo dos EUA deve ser ousada e decisiva. É preciso mobilizar recursos civis e militares para resgate e socorro, a curto prazo, e recuperação e reformas a longo prazo" - certamente reformas que preveem mais liberdade para grandes empresas privadas, privatização de empresas públicas e recursos naturais, e outras medidas que acentuam as políticas que há décadas tem deixado o país miserável. A nota chama atenção como o "frágil ambiente político da região" deve ser levado em conta na "ajuda humanitária". E, por fim, pede que os militares norte-americanos vigiem a costa, impedindo um provável grande movimento de haitianos tentando entrar ilegalmente nos EUA pelo mar "em embarcações frágeis e perigosas".Mas, como se não bastasse, o próprio Cônsul geral do Haiti no Brasil, Gerge Samuel Antoine, também quer tirar proveito da tragédia. Em entrevista num programa de televisão na quarta-feira, afirmou que o terremoto pode ser bom, pois torna o trabalho dele conhecido. Gerge Samuel Antoine, revelando seu racismo, ainda responsabilizou a religião dos/as haitianos/as pelo desastre: "Acho que de, tanto mexer com macumba, não sei o que é aquilo... O africano em si tem maldição. Todo lugar que tem africano lá tá f..."; o mesmo que fez um tele-evangelista dos EUA, quando disse que escravos haitianos fizeram um pacto com o diabo para se libertar dos franceses no século XVIII e por isso são atingidos por tragédias. É esse racismo o responsável pela tragédia haitiana.
Links:: Nosso papel no transe haitiano
Desastre no Haiti Alerta Capitalista: Pare-os antes que eles choquem de novo
Haiti: estamos abandonados
EUA: Pregador debocha da Tragédia Haitiana
Até Deus treme ao ver a tragédia no Haiti
Blog de estudantes da Unicamp que estão no Haiti
Solidariedade: Reunião do Comitê pró-Haiti
Todos os países agora se apressam em dizer que oferecem ajuda humanitária, com comida, água, remédios ou equipes de resgates - todos elementos fundamentais e muito necessários num momento de extrema precariedade no Haiti. Entretanto, com a ocupação militar das tropas da ONU, lideradas pelo Brasil, a comunidade internacional tem governado efetivamente o Haiti desde o golpe em 2004. Os mesmos países que agora fazem alarde com o envio de ajuda de emergência ao Haiti votaram consistentemente, durante os últimos 5 anos, contra qualquer extensão da missão da ONU para além de seus objetivos estritamente militares. Propostas para realocar parte destes "investimentos" em programas para a redução da pobreza ou o desenvolvimento agrário foram bloqueadas.De qualquer forma, nestes primeiros dias, a principal ajuda da ONU e da "comunidade internacional" está em remover os escombros do Hotel Montana, hotel de alta classe, onde poderiam estar hospedados personalidades da ONU, militares e empresários estrangeiros. A ONU gasta meio bilhão de dólares por ano para manter a ocupação militar (MINUSTAH) no Haiti. O Haiti é hoje um país onde cerca de 75% da população vive com menos de 2 dólares por dia e 56% - quatro milhões e meio de pessoas - com menos de 1 dólar por dia. Décadas de "ajuste" neoliberal e intervenção neoimperial tiraram do país e de seu povo a capacidade de gerir sua própria economia. Condições desfavoráveis de comércio e financiamento internacional garantem a permanência, em um futuro previsível, dessa indigência e impotência como fatos estruturais da vida haitiana. E agora, um terremoto pode ser mais um motivo para políticas que aprofundem essa situação no Haiti. A possibilidade de reconstrução do país não está nessa "modernização" e liberalização econômica, mas em políticas que favoreçam a auto-determinação e o fim da exploração e opressão do povo haitiano, para que inicie a reconstrução do país com a solidariedade internacional. E então os países ricos começarem a pagar pela destruição que causaram por tantas décadas.
Ver também: http://infoativodefnet.blogspot.com/2010/01/as-massas-e-os-sobreviventes-terra.html
Ver também: http://infoativodefnet.blogspot.com/2010/01/as-massas-e-os-sobreviventes-terra.html
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
SER ZILDA...UMA HOMENAGEM DOS EDUCADORES POPULARES NA SAÚDE
Multimistura da essência do SER
Ser mulher Ser solidária Ser gênero
Ser mulher Ser solidária Ser gênero
De ser pra ser
Ser Criança
Ser Criança
Ensinar e emprender
Na esperança Que luta sem ódio
E sem medo
Nos caminhos do universo
Revelando a potência
De aprender Brincar Crescer
Que deve fazer parte
Da infância de todo ser
Zilda multimistura da vidaAlimento de ternura e promoção
Que marca os passos teus
Aqui entre nós humanos
E agora junto de Deus
Elias J. Silva - SMSE - Cirandas da Vida
Poeta e Educador Popular
Escute as músicas da CIRANDAS DA VIDA
www.palcomp3.com/cirandasdavida
2-Querida Zilda,tantos anos acreditando...que nos fez acreditar...vocês médicos e médicas,daqueles que vão lá...até lá...e sobretudo acreditando que dependem de nós educadores populares na Saúde... Lembro meu pai,médico que percorreu estes tantos caminhos.Lembro minha mãe que hoje faria 104 anos...Valeu Zilda. Odila Fonseca
COMENTÁRIOS
Bianca disse...
Bela homenagem!
14 de janeiro de 2010 10:32
Escute as músicas da CIRANDAS DA VIDA
www.palcomp3.com/cirandasdavida
2-Querida Zilda,tantos anos acreditando...que nos fez acreditar...vocês médicos e médicas,daqueles que vão lá...até lá...e sobretudo acreditando que dependem de nós educadores populares na Saúde... Lembro meu pai,médico que percorreu estes tantos caminhos.Lembro minha mãe que hoje faria 104 anos...Valeu Zilda. Odila Fonseca
COMENTÁRIOS
Bianca disse...
Bela homenagem!
14 de janeiro de 2010 10:32
UM GRITO NO ESCURO - PARTE III (DESDE 2008)
QUERIDOS AMIGOS,ESTOU PEDINDO A AJUDA DE VOCÊS PARA DIVULGAR ESSES VIDEOS. VEJAM E DIVULGUEM!
São vídeos produzidos por pessoas próximas e que tenho conhecimento próprio dos fatos mostrados, inclusive eu também estou produzindo um documentário sobre o assunto.
(A gente divulga e repassa tanta bobagem, tanta piadinha e coisas fúteis apenas por diversão, mas quando o assunto é SÉRIO E REALMENTE IMPORTANTE, a gente tem vergonha ou não dá importância...)
Não se trata apenas de um apelo em favor de uma comunidade local, de um lugar que provavelmente muitos de vcs nunca ouviram falar, mas é um apelo pro bem comum, do seu bem também. Muitos podem achar uma bobagem, ou não dar importância, mas o que fizermos com a água e o ecossistema aqui em Minas, no coração da Serra do Espinhaço, pode ter certeza que afetará sua vida aí, onde estiver, seja em BH, SP, RIO e etc um dia. Como sabemos, água potável é algo cada vez mais escasso e que está ameaçado de acabar um dia.E não é só com a Amazônia por exemplo que temos que nos preocupar, mas com o Cerrado, com seu ecossistema delicado e único no mundo e os mananciais hidricos que eles guardam.
E estamos lutando aqui, tentando mobilizar opinião pública e órgãos governamentais, contra o poder dessas grandes empresas MMX, ANGLOAMERICA e VALE, que estão acabando com esses lugares sagrados, na SERRA DO ESPINHAÇO. Estão garimpando sem permissão ambiental, poluindo a água, expulsando moradores abrindo verdadeiros "vulcões" na Serra, para mineração e construção de um gigantesco minerioduto de mais de 15km.E a gente muitas vezes está comprando e vendendo Ações dessas empresas, para lucrar com isso e não sabemos às custas de quê e o que essas empresas estão fazendo por aqui para para gerar esses lucros...
PENSE NISSO.Vamos divulgar e nos mobilizar para que cada vez mais pessoas saibam disso, para que o governo tome medidas para parar isso. Porque mais importante do que os PAPÉIS NA BOLSA, O OURO, O MINÉRIO DE FERRO, OS DIAMANTES OU A MADEIRA DE EUCALIPTO, é um bem que, sem ele não vivemos... A ÁGUA.
Espero contar com a ajuda de todos.forte abraço,Danilo Siqueira.
MEMÓRIA DO BLOG_SEQUENCIA DE VÍDEOS:
http://www.youtube.com/watch?v=L7ydWrOP2KM&feature=player_embedded
http://www.youtube.com/watch?v=Q9vl4rHrbfs&feature=player_embedded
http://www.youtube.com/watch?v=X7-LIimAVg8&feature=player_embedded
http://www.youtube.com/watch?v=QrinVdAB2OA&feature=player_embedded
http://www.youtube.com/watch?v=YskU9TeRozE&feature=player_embedded
http://www.youtube.com/watch?v=CAE274gY6HQ&feature=player_embedded
MEMÓRIA DO BLOG (2008)
http://educomambiental.blogspot.com/2008/04/do-por-que-bolivia-viro...
1-quarta-feira, 9 de abril de 2008
DO POR QUE A BOLIVIA VIROU DUAS E A SERRA DO ESPINHAÇO-MG VAI SE ACABAR
A OCUPAÇÃO DA AMÉRICA LATINA NO SÉCULO XXI E COMO GARANTIR A EDUCAÇÃO AMBIENTAL?
2-quarta-feira, 9 de abril de 2008
http://educomambiental.blogspot.com/2008/04/um-grito-no-escuro-patr...
UM GRITO NO ESCURO? Patrimonio Ambiental destruido
http://educomambiental.blogspot.com/2008/04/um-grito-no-escuro-patr...
3-terça-feira, 22 de abril de 2008
UM GRITO NO ESCURO? Patrimonio Ambiental destruido-PARTE II
http://educomambiental.blogspot.com/
São vídeos produzidos por pessoas próximas e que tenho conhecimento próprio dos fatos mostrados, inclusive eu também estou produzindo um documentário sobre o assunto.
(A gente divulga e repassa tanta bobagem, tanta piadinha e coisas fúteis apenas por diversão, mas quando o assunto é SÉRIO E REALMENTE IMPORTANTE, a gente tem vergonha ou não dá importância...)
Não se trata apenas de um apelo em favor de uma comunidade local, de um lugar que provavelmente muitos de vcs nunca ouviram falar, mas é um apelo pro bem comum, do seu bem também. Muitos podem achar uma bobagem, ou não dar importância, mas o que fizermos com a água e o ecossistema aqui em Minas, no coração da Serra do Espinhaço, pode ter certeza que afetará sua vida aí, onde estiver, seja em BH, SP, RIO e etc um dia. Como sabemos, água potável é algo cada vez mais escasso e que está ameaçado de acabar um dia.E não é só com a Amazônia por exemplo que temos que nos preocupar, mas com o Cerrado, com seu ecossistema delicado e único no mundo e os mananciais hidricos que eles guardam.
E estamos lutando aqui, tentando mobilizar opinião pública e órgãos governamentais, contra o poder dessas grandes empresas MMX, ANGLOAMERICA e VALE, que estão acabando com esses lugares sagrados, na SERRA DO ESPINHAÇO. Estão garimpando sem permissão ambiental, poluindo a água, expulsando moradores abrindo verdadeiros "vulcões" na Serra, para mineração e construção de um gigantesco minerioduto de mais de 15km.E a gente muitas vezes está comprando e vendendo Ações dessas empresas, para lucrar com isso e não sabemos às custas de quê e o que essas empresas estão fazendo por aqui para para gerar esses lucros...
PENSE NISSO.Vamos divulgar e nos mobilizar para que cada vez mais pessoas saibam disso, para que o governo tome medidas para parar isso. Porque mais importante do que os PAPÉIS NA BOLSA, O OURO, O MINÉRIO DE FERRO, OS DIAMANTES OU A MADEIRA DE EUCALIPTO, é um bem que, sem ele não vivemos... A ÁGUA.
Espero contar com a ajuda de todos.forte abraço,Danilo Siqueira.
MEMÓRIA DO BLOG_SEQUENCIA DE VÍDEOS:
http://www.youtube.com/watch?v=L7ydWrOP2KM&feature=player_embedded
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MEMÓRIA DO BLOG (2008)
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1-quarta-feira, 9 de abril de 2008
DO POR QUE A BOLIVIA VIROU DUAS E A SERRA DO ESPINHAÇO-MG VAI SE ACABAR
A OCUPAÇÃO DA AMÉRICA LATINA NO SÉCULO XXI E COMO GARANTIR A EDUCAÇÃO AMBIENTAL?
2-quarta-feira, 9 de abril de 2008
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UM GRITO NO ESCURO? Patrimonio Ambiental destruido
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3-terça-feira, 22 de abril de 2008
UM GRITO NO ESCURO? Patrimonio Ambiental destruido-PARTE II
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sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
SOBRE AS QUESTÕES DA TERRA
Neste ano de 2010 completa se uma longa caminhada pelo direito a TERRA.Assistimos toda esta catástrofe neste inicio de década. A ocupação incentivada ora pelas imobiliárias nos grandes condomínios...em áreas de preservação e sustentabildade do planeta O cinismo corrupto ( Governador Arruda em Brasília) a insistencia de J.Sarney com a farra das passagens aereas para os familiares dos Senadores.Enquanto estes passam impunes pela história do Brasil,homens, mulheres e crianças em Minas Gerais,no vale do Jequitinhonha, aguardam neste rincão de pobreza e grandes riquezas,POR JUSTIÇA desde 2004.Assista ao filme sobre o massacre de SEM TERRAS http://www.blip.tv/file/2791848?file_type=flv Leonardo Boff fala sobre os rumos do planeta terra e do ser humano
As mobilizações sociais e os alardes sobre os prejuízos que a ação humana vem causando ao meio ambiente não foram suficientes para garantir o fechamento de acordos eficazes durante a 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-15), concluída sexta-feira (18) em Copenhague, na Dinamarca.
Os líderes mundiais demonstraram mais uma vez preferência pelo desenvolvimento do capital em detrimento da vida. Ainda assim, a postura de desdém para com os problemas climáticos do planeta não está engessando as ações da população na luta por pequenas mudanças. A evidência dada à causa ambiental tem servido para gerar consciência e, aos poucos, mudar maus hábitos de consumo. "O lugar mais imediato é começar com cada um", acredita Leonardo Boff.
Em entrevista à ADITAL, o teólogo, filósofo e escritor fala sobre a necessidade de começarmos as mudanças que irão beneficiar a Terra por nós. "Cada um em seu lugar, cada comunidade, cada entidade, enfim, todos devem começar a fazer alguma coisa para dar um outro rumo à nossa presença neste planeta". Para Boff, não devemos depositar nossas esperanças nas decisões que vêm de cima.
Adital - O senhor acredita na vontade política dos grandes líderes mundiais em reverter a situação climática em que se encontra nosso planeta?
Leonardo Boff - Não acredito. Os grandes não possuem nenhuma preocupação que vá além de seus interesses materiais. Todas as políticas até agora pensadas e projetadas pelo G-20 visam salvar o sistema econômico-financeiro, com correções e regulações (que até agora não foram feitas) para que tudo volte ao que era antes. Antes reinava a especulação a mais desbragada que se possa imaginar. Basta pensar que o capital produtivo, aquele que se encontra nas fábricas e no processo de geração de bens soma 60 trilhões de dólares. O capital especulativo, baseado em papéis, alcançava a cifra de 500 trilhões. Ele circulava nas bolsas especulativas do mundo inteiro, gerenciado por verdadeiros ladrões e falsários. A verdadeira alternativa só pode ser: salvar a vida e a Terra e colocar a economia a serviço destas duas prioridades. Há uma tendência autosuicidária do capitalismo: prefere morrer ou fazer morrer do que renunciar aos seus benefícios.
Adital - Muito esperada a COP 15, que acontece em Copenhague, Dinamarca, parece não apontar para resultados eficazes e em comprometimentos mais sérios. Qual deve ser o papel da sociedade civil caso os resultados não sejam os esperados?
Leonardo Boff - Chegamos a um ponto em que todos seremos afetados pelas mudanças climáticas. Todos corremos riscos, inclusive de grande parte da humanidade ter que desaparecer por não conseguir se adaptar nem mitigar os efeitos maléficos do aquecimento global. Não podemos confiar nosso destino a representantes políticos que, na verdade, não representam seus povos mas os capitais com seus interesses presentes em seus povos. Precisamos nós mesmos assumir uma tarefa salvadora. Cada um em seu lugar, cada comunidade, cada entidade, enfim, todos devem começar a fazer alguma coisa para dar um outro rumo à nossa presença neste planeta. Se não podemos mudar o mundo, podemos mudar este pedaço do mundo que somos cada um de nós.Sabemos pela nova biologia e pela física das energias que toda atividade positiva, que vai na direção da lógica da vida, produz uma ressonância morfogenética, como se diz. Em outras palavras, o bem que fazemos não fica reduzido ao nosso espaço pessoal. Ele se ressoa longe, irradia e entra nas redes de energia que ligam todos com todos e reforçam o sentido profundo da vida. Daí podem ocorrer emergências surpreendentes que apontam para um novo modo de habitar o planeta e novas relações pessoais e sociais mais inclusivas, solidárias e compassivas. Efetivamente, se nota por todas as partes que a humanidade não está parada nem enrijecida pelas perplexidades. Milhares de movimentos estão buscando formas novas de produção e alternativas que respondem aos desafios.
Somente em ONG existem mais de um milhão no mundo inteiro. É da base e não da cúpula que sempre irrompem as mudanças.
Adital - Nunca as questões ambientais estiveram tão em evidência como nos últimos anos. Termos como aquecimento global, mudanças climáticas apesar de vários alertas feitos há bem mais tempo, hoje fazem parte do cotidiano de muita gente em todo o planeta. Nessa "crise civilizatória" ainda há tempo para se fazer algo? De onde poderá vir essa "salvação"?
Leonardo Boff - Se trabalharmos com os parâmetros da física clássica, aquela inaugurada por Newton, Galileo Galilei e Francis Bacon, orientada pela relação causa-efeito, estamos perdidos. Não temos tempo suficiente para introduzir mudanças, nem sabedoria para aplicá-las. Iríamos fatalmente ao encontro do pior. Mas se trocarmos de registro e pensarmos em termos do processo evolucionário, cuja lógica vem descrita pela física quântica que já não trabalha com matéria mas com energia (a matéria, pela fórmula de Einstein, é energia altamente condensada) aí o cenário muda de figura.
Do caos nasce uma nova ordem. As turbulências atuais prenunciam uma emergência nova, vinda daquele transfundo de Energia que subjaz ao universo e a cada ser (chamada também de Vazio Quântico ou Fonte Originária de todo ser). As emergências introduzem uma ruptura e inauguram algo novo ainda não ensaiado. Assim não seria de se admirar se, de repente, os seres humanos caiam em si e pensem numa articulação central da humanidade para atender as demandas de todos com os recursos da Terra que, quando racionalmente gerenciados, são suficientes para nós humanos e para toda a comunidade de vida (animais,plantas e outros seres vivos).Possivelmente, chegaríamos a isso face um perigo iminente ou após um desastre de grandes proporções. Bem dizia Hegel: o ser humano aprende da história que não aprende nada da história, mas aprende tudo do sofrimento. Prefiro Santo Agostinho que nas Confissões ponderava: o ser humano aprende a partir de duas fontes de experiência: o sofrimento e o amor. O sofrimento pela Mãe Terra e por seus filhos e filhas e o amor por nossa própria vida e sobrevivência irão ainda nos salvar.
Então não estaríamos face a um cenário de tragédia cujo fim é fatal mas de uma crise que nos acrisola e purifica e nos cria a chance de um salto rumo a um novo ensaio civilizatório, este sim, caracterizado pelo cuidado e pela responsabilidade coletiva pela única Casa Comum e por todos os seus habitantes.
Adital - Há varias demandas para que a Corte Penal Internacional reconheça os crimes ambientais como crime de lesa humanidade. O senhor acha que seria uma alternativa?
Leonardo Boff - As leis somente têm sentido e funcionam quando previamente se tenha criado uma nova consciência com os valores ligados ao respeito e ao cuidado pela vida e pela Terra, tida como nossa Mãe, pois nos fornece tudo o que precisamos para viver. Havendo essa consciência, ela pode se materializar em leis, tribunais e cortes que fazem justiça à vida, à Humanidade e à Terra com punições exemplares. Caso contrário, os tribunais possuem um caráter legalista, de difícil aplicação, sem sua necessária aura moral que lhe confere legitimidade e reconhecimento por todos.
Então devemos primeiro trabalhar na criação dessa nova consciência. Eu mesmo estou trabalhando com um pequeno grupo, a pedido da Presidência da Assembléia da ONU, numa Declaração Universal do Bem Comum da Terra e da Humanidade. Ela deverá entrar por todos os meios de comunicação, especialmente, pela Internet para favorecer a criação desta nova consciência da humanidade. A nova centralidade não é mais o desenvolvimento sustentável, mas a vida, a humanidade e a Terra, entendida como Gaia, um superorganismo vivo.
Adital - Por outro lado não se cogita nada do tipo voltado para o consumo, por exemplo, que tem interferência direta no caos em que se tornou a Terra. Poderia falar um pouco sobre isso?
Leonardo Boff - O propósito de todo o projeto da modernidade, nascido já no século XVI, está assentado sobre a vontade de poder que se traduz pela vontade de enriquecimento que pressupõe a dominação e exploração ilimitada dos recursos e serviços da Terra. Em nome desta intenção se construiu o projeto-mundo, primeiro pelas potências ibéricas, depois pelas centro-europeias e por fim pela hegemonia norte-americana. No início não havia condições de se perceber as consequências funestas desta empreitada, pois incluía entender a Terra como um simples baú de recursos, algo sem espírito que poderia ser tratada como quiséssemos. Surgiu o grande instrumento da tecno-ciência que facilitou a concretização deste projeto. Transformou o mundo, surgiu a sociedade industrial e hoje a sociedade da informação e da automação.
Toda esta civilização oferece aos seres humanos, como felicidade, a capacidade de consumo sem entraves, seja dos bens naturais seja dos bens industriais. Chegamos a um ponto em que consumimos 30% a mais do que aquilo que a Terra pode reproduzir. Ela está perdendo mais e mais sustentabilidade e sua biocapacidade. Ela simplesmente não aguenta mais o nível excessivo de consumo por parte dos donos do poder e dos controladores do processo da modernidade. Os 20% mais ricos consomem 82,4% de toda a riqueza da Terra, enquanto os 20% mais pobres têm que se contentar com apenas 1,6% da riqueza total. Agora nos damos conta de que uma Terra limitada não suporta um projeto ilimitado. Se quiséssemos universalizar o nível de consumo dos países ricos para toda a Humanidade, cálculos já foram feitos - precisaríamos de pelo menos 3 Terras iguais a esta, o que se revela como uma impossibilidade. Temos que mudar, caso quisermos superar esta injustiça social e ecológica universal e termos um mínimo de equidade entre todos.
Adital - Até que ponto o senhor acredita que a sociedade civil organizada pode ser agente de uma nova prática de consumo?
Leonardo Boff - Deve-se começar em algum lugar. O lugar mais imediato é começar com cada um. O desafio, face ao problema universal, é convencer-se de que podemos ser mais com menos. Importa fazer uma opção por uma simplicidade voluntária e por um consumo compassivo e solidário pensando em todos os demais irmãos e irmãs e demais seres vivos da natureza que passam fome e estão sofrendo todo tipo de carência. Mas para isso, devemos realizar a experiência radicalmente humana de que de fato somos todos irmãos e irmãs e que somos ecointerdependentes e que formamos a comunidade de vida.
A economia se orientará para produzir o que realmente precisamos para a vida e não para a acumulação e para o supérfluo, uma economia do suficiente e do decente para todos, respeitando os limites ecológicos de cada ecossistema e obedecendo aos ritmos da natureza. Isso é possível. Mas precisamos de uma "metanoia" bíblica, de uma transformação de nossos hábitos, de nossa mente e de nossos corações. Essa transformação constitui a espiritualidade. Ela não é facultativa, é necessária. Cada um é como a gota de chuva. Uma molha pouco. Mas milhões e milhões de gotas fazem uma tempestade, agora um tsunami do bem.
Adital - O Brasil, por conta da Floresta Amazônica e outra matas nativas, deveria ter um papel fundamental na questão ambiental. Como o senhor avalia a postura do governo brasileiro em relação ao tema?
Leonardo Boff - O governo brasileiro não acumulou ainda suficiente massa crítica nem consciência da importância da floresta amazônica para os equilíbrios climáticos da Terra inteira. Se o problema é o excesso de dióxido de carbono na atmosfera, então são as florestas as grandes sequestradoras deste gás que produz o efeito estufa e, em conseqüência, o aquecimento global.
Elas absorvem os gases poluentes pela fotossíntese e os transforma em biomassa, liberando oxigênio. Ao invés de estabelecer a meta de desmatamento 0 e ai ser rígido e implacável, por amor à humanidade e à Terra, o governo estabelece que até 2020 vai reduzir o desmatamento até 15%. E há políticas contraditórias, pois de um lado o Ministério do Meio Ambiente combate o desmatamento, por outro o BNDS financia projetos de expansão da soja e da pecuária que avançam sobre a floresta. Por detrás estão grandes interesses do agronegócio que pressionam o governo a manter uma política flexível e danosa para o equilíbrio da Terra.
Adital - Todavia percebe-se grande atuação de movimentos sociais e entidades em defesa da natureza e cobrando mais de seus governos em âmbitos internacionais. Acredita que haja, no momento, mais empoderamento?
Leonardo Boff - Acredito que a Cúpula de Copenhague terá função semelhante que teve a Eco-92 no Rio de Janeiro. Depois da Eco-92 surgiu no mundo inteiro a questão da sustentabilidade e da crítica ao sistema do capital visto como essencialmente anti-ecológico, pois ele implica uma produção ilimitada à custa da extração ilimitada dos recursos e serviços da natureza. Creio que a partir de agora a Humanidade tomará consciência de que ou ela, a partir da sociedade civil mundial, dos movimentos, organizações, instituições, religiões e igrejas, muda de rumo ou então terá que aceitar a dizimação da biodiversidade e o risco do extermínio de milhões e milhões de seres humanos, não excluída a eventualidade do desaparecimento da própria espécie humana.
Essa consciência vai encontrar os meios para pressionar as empresas, os grandes empreendimentos e os Estados para encontrarem uma nova relação para com a Terra. O problema não é a Terra, mas nossa relação para com ela, relação de agressão e de exploração implacável. Precisamos estabelecer um acordo Terra e Humanidade para que ambos possam conviver interdependentes, com sinergia e espírito de reciprocidade. Sem isso não teremos futuro. O futuro virá a partir da força da semente, quer dizer, das práticas humanas pessoais e comunitárias que criam redes, ganham força e conseguem impor um novo arranjo que garantirá um novo tipo de história.
Rogéria Araújo * Jornalista da Adital
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