IMPOSTOS EM SÃO PAULO

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

COMO TODO ANO CARLOS RODRIGUES BRANDÃO NOS ESCREVE : HOJE É A "CARTA 2011"

Carlos Brandão
A toda a gente amiga de perto e de longe,(quem tiver muito tempo leia tudo e responda; quem tiver tempo leia tudo; quem tiver pressa leia apenas o que está em azul; quem tiver muita pressa leia só que estiver em preto). Como sempre, nestes dias a cada ano chegam mensagens de pessoas amigas. Pessoas de antigos, de velhos, de médios e de e de novos tempos. Algumas são breves e preciosas mensagens de “Feliz Natal e Próspero Ano Novo”. Outras, um pouco mais longas, trazem notícias da pessoa, da família ou mesmo de alguma comunidade de vida e de destino. Outras, maiores e mais longas, recapitulam o que foi o ano que se vai, e confessam as esperas e esperanças para o ano que vem chegando. As minhas cartas há anos são deste terceiro tipo. Até quando? Das muitas cartas, quero lembrar agora a de Pedro Casaldáliga, a de Sinésio Bachetto, a de Osmar Fávero, a de Marcos Arruda. Lembro estas cartas-memórias-mensagens, porque neste ano, mais do que em outros, elas me evocam pessoas, amizades e caminhos de vida e de “engajamento” (uma velha e querida palavra dos “anos sessenta”) vividos desde longa data em comum. Elas me remetem há cinqüenta, há quarenta e oito, a trinta e dois anos atrás.
Pois em uma manhã de março de 1961 eu subia com algumas e alguns recém-conhecidos “companheiras(os)” até o último andar do então único prédio da PUC do Rio de Janeiro, para uma reunião de uma recém-formada “equipe de filosofia da JUC/PUC” - a Juventude Universitária Católica.Tantos anos depois, há menos de dois meses eu estava na cidade de Bananeiras, na região do Brejo, nos altos da Serra da Borborema, na Paraíba. E ali ouvia relatos de estudantes de graduação de cursos de um campus avançado da UFPb. E escutava relatos de experiências narrados por uma líder sindical de movimentos de camponeses da região. E ouvia um estudante cantando emboladas sobre a dura vida da “gente do povo daqui”. E depois dialogava com elas e eles, misturando os seus relatos com o que havia ouvido nos muitos outros encontros que neste ano (como em todos os outros) me levaram do Rio Grande do Sul ao Pará. E lembro que num momento de pausa entre os relatos em Bananeiras eu me ouvi pensando comigo mesmo: “cinqüenta anos... eu tinha vinte quando tudo isso começou; tenho setenta e um agora e parece que mudou tanta coisa... e parece que o que mudou está quase igual a como sempre foi”.
Ora, 2011 é para nós (os/as “dos anos sessenta”) um ano de “datas redondas”. Comemoramos os cinqüenta anos do começo do que foram os “movimentos de cultura popular”, com os seus desdobramentos que nos/me acompanham sem pausas, até hoje: a cultura popular, a educação popular, os movimentos populares, a pesquisa participante, a teologia da libertação e tudo o mais.
Comemoramos também os “cinqüenta anos do Movimento de Educação de Base – MEB, onde comecei minha vida de “educador popular”. Osmar Fávero foi, junto com Vera Jaccoud, meu coordenador, e tantos anos depois seguimos juntos “nessa empreitada”. E lembramos os noventa anos de Paulo Freire, se ele estivesse ainda entre nós. E não está?Não sei se dizer que “este foi um ano como os outros” seria algo bom ou ruim. Sejamos otimistas! Cheguei ao que em termos de “décadas de vida” costuma chama-se de um “septuagenário” (o que, de resto, parece mais um título do que uma contagem de décadas), e me vejo, como lembrei acima e como se diz em Goiás “metido ainda nessa toada”. O mesmo que me acompanha entre muitas cartas de vários outros anos passados, vale também para este ano. A mesma vida dividida entre aulas, orientações e pesquisas na/através da universidade. E, de outro lado – mas não um lado oposto – a mesma antiga e sempre renovada presença – mais indireta agora do que direta agora - junto a movimentos, grupos e comunidades populares. Continuo na UNICAMP, mas hoje apenas orientando o que imagino serem minhas últimas doutorandas de Antropologia. E, depois da fecunda experiência na UNIMONTES, no Norte de Minas, sigo na Universidade Federal de Uberlândia, vinculado agora ao “Campus do Pontal” (do Triângulo Mineiro), em Ituiutaba. Convivo com uma equipe de orientandas de mestrado e doutorado em Geografia. Continuo envolvido com a nossa persistente e fecunda equipe de pesquisas entre o Norte de Minas e o rio São Francisco. E entrevejo um horizonte de possíveis trabalhos de educação popular em acampamentos e assentamentos da reforma agrária, no mesmo Pontal do Triângulo, através de um ainda sonhado e esboçado “projeto PRONERA/INCRA”Uma viagem de 11 dias, São-Francisco-rio-abaixo, entre Pirapora e Pau Preto, em Manga, na quase divisa com a Bahia, relembrou a inesquecível “viagem da Barca Manga”, de 1999. Navegamos na Barca Tainá, entre professores e estudantes, visitando comunidades vazanteiras e ilheiras das duas margens do São Francisco. Convivemos de passagem com pessoas e famílias envolvidas, ainda e sempre, com duras lutas de resistência, seja com secas e enchentes, seja contra a perversa e crescente invasão do agronegócio, que destrói depressa o Cerrado e espalha desertos de soja e eucaliptos por toda a parte. No Pau Preto presenciamos uma comunidade quilombola realizando rituais de auto-demarcação de suas terras. Que esta iniciativa se espalhe por todo o Brasil. Em 2012 continuaremos juntas trabalhando agora na proposta de criação do TRAVESSIAS – MUSEU DA PESSOA DO SERTÃO.Isto me lembra que em 2011 criamos, sediado na ROSA DOS VENTOS, um novo (e já bastante ativo) MUTIRÃO – CENTRO DE EDUCAÇÃO POPULAR E ECONOMIA SOLIDÁRIA. Várias pessoas de Minas Gerais e de outros recantos do Sudeste participaram de nossos cursos e encontros. Novas presenças e adesões serão bem-vindas. Em janeiro iremos estabelecer o calendário da ROSA DOS VENTOS e do MUTIRÃO para todo o 2012. Quem quiser cópias avise e receberá. A ROSA DOS VENTOS foi um pouco ampliada agora, e temos casas e lugares para abrigar até 45 pessoas (ou 60 estudantes). Em 2012 terminaremos as obras pesadas, e começaremos desde janeiro a dar um sempre adiado “toque feminino” nas casas e nos entornos de natureza. Seguimos empenhados em reunir pessoas, viver experiências e dialogar alternativas de uma economia, ou, mais ainda, de busca de uma inteira (e difícil) “vida solidária”. Isto a que eu gosto de associar ao nome: “socialismo do cotidiano”, que algumas pessoas, como Agnes Heller, cunharam bem antes de mim.Muitos artigos e esboços de livros foram escritos e compartido. E uma alegria de um professor há 45 anos, é ver agora o seu nome ao lado do de suas alunas, em artigos e capítulos de livros, como resultado de trabalhos coletivos de pesquisa. Um livro derivado da pesquisa anterior de nossa equipe, a do Projeto OPARÁ, está na editora e deverá sair no começo de 2012. Seu nome é O LUGAR DA VIDA, e é um livro sobre a comunidade tradicional popular. Mais importante ainda será o livro-coletânea com os escritos de pesquisas nos “sertões roseanos” e ao longo do São Francisco (sempre ele) em Minas. Preparamos - uma outra equipe de gente de beira-rio e beira-mar - um outro livro que sairá em 2102. Chama-se: VIVER EM ILHAS, e é sobre pequenas comunidades insulares de rio e de mar. Meu capítulo foi escrito a partir de uma entrevista com minha mãe, Solange, e suas lembranças de menina-e-moça em São José do Norte, que apesar no nome fica no extremo Sul do Brasil, lá onde a Lagoa dos Patos chega ao Oceano Atlântico. Há livros de poemas para crianças e jovens em editoras. E prometi solenemente às “irmãs bordadeiras de Pirapora” que em 2012, finalmente termino os livros que elas escreveram com bordados e que eu desenharei com palavras. Quase ao final do ano, uma alegria grande foi receber exemplares de JOÃO BRAÇO – imagens palavras sobre um homem chamado João. É um livro com fotos minhas de um garimpeiro do Mendanha, em Diamantina, beiras do Jequitinhonha, fruto de uma breve pesquisa de mais de vinte anos atrás. Eu rascunhei uma introdução e Elaine Lemos escreveu os textos principais. Uma outra alegria grande foi a criação do CD com músicas dos poemas de FURUNDUM. Josino Medina (Josino do Norte) musicou os poemas e um bando de gente amiga, e mais crianças do Vale do Jequitinhonha, cantaram com ele as músicas-poema. Devemos à “madrinha Dete” boa parte de tudo o que aconteceu. Um grupo de amigos de Campinas e de perto se une para criarmos juntos na CASA DA SERRA, uma chácara semi-abandonada em Itatiba, aqui perto, um recanto zen de silêncio, estudo e meditação. Que ela floresça como as cerejeiras do Japão.As viagens pra todo lado foram muitas. Foram um quase exagero. E estiveram, como sempre, divididas entre as de “compromisso acadêmico” e as de “vocação militante”. Pela nona vez anunciei às pessoas do Sul de Minas que: “a partir do ano que vem deixo tudo, paro de viajar e venho morar na ROSA DOS VENTOS pro resto de minha vida”. Pela nona vez ninguém acreditou. Nem eu.
Em 2012 ainda “não vou parar”. Descobrimos, os que restamos, que somos cada vez menos as pessoas da “memória dos anos sessenta”, como no título da coletânea de Osmar Fávero. Muitos se foram. Outros disseram: “pra mim chega”, e ficamos bem poucos. Diante da invasão desbragada do“data-show”, às vezes gosto de lembrar para remanescentes “de outros tempos”como eu, como Miguel Arroyo, Moacyr Gadotti, Osmar Fávero, Marcos Arruda e Rubem Alves, que somos agora os poucos sobreviventes de uma “comunidade da palavra”. Em alguns momentos entre um raro dia livre e uma banca de tese (lugar ideal para isto) sigo escrevendo os meus poemas. Andei soltando ao léu, para que voem livres, pelo menos eletronicamente, algumas FOLHAS AO VENTO com poemas meus, e, mais ainda, com poemas traduzidos. Em 2011 a presença do Oriente foi forte. Aguardem as FOLHAS de 2012.Paro por aqui. Já é tempo. Escrevi demais como sempre, e ao reler esta mensagem vou achar que ficou faltando quase tudo. De algum modo seguimos juntas e juntos ao longo de 2011. Nada vale o que isto vale! Em janeiro de 2012 estaremos outra vez gritando pelas ruas ao lado do rio Guaíba (que não é rio), em Porto Alegre, que... “um outro mundo é possível”. Que esta sonora gritaria não seja apenas isto. Que ela desça de nossos brados de uma tarde de passeata às nossas mentes, aos nossos corações, aos nossos atos e gestos. Á nossa vida, enfim!
Estivemos junt@s!
Estamos junt@s!
ESTEJAMOS JUNT@S!
Tenhamos todas e todos um tempo feliz e fecundo de Natal, Ano Novo e Festas de Santos Reis
Abraço vocês com carinho, Carlos Rodrigues Brandão
Ps1. Entre 31 de dezembro e 6 de janeiro estarei “girando entre folias e foliões de Santos Reis”. Nos outros dias de janeiro estarei na ROSA DOS VENTOS, entre mutirões na casa e nas trilhas da mata, e trabalhos com a Equipe do Norte de Minas. Quem vier de perto ou de longe estar conosco “lá na ROSA” será acolhido como “o povo da folia” em casa “do povo da roça”. É só vir e chegar!É tempo de lembrar algo entre a lenda e a crença. Deixo com vocês um antigo poema que relembra viajeiros, bem mais do que eu (mas não mais do que Marcos Arruda).
Os Reis Magos
Viemos viajando do Oriente
em busca de um menino
e de uma lenda.
Montados em camelos e cansaços,
trouxemos três perguntas e um presente.
Uma estrela veio à nossa frente
e como nós – errantes:
às vezes brilha,
às vezes cala,
às vezes sente.
PS2. Ânimo! O mundo não vai acabar apocalíticamente em 2012. Os maias tinham um outro calendário e não conseguiram prever nem a própria ruína, quanto mais a nossa. É melhor acreditar em Pierre Teilhard de Chardin, um paleontólogo, e em Mary Douglas, uma antropóloga. Cada um/uma disse algum dia a seu modo: “mal estamos emergindo da pré-história; o ser humano mal começou a sua trajetória na Terra.” E, como eu gosto sempre de lembrar, depende de nós, os humanos (muito mais do que de ETs ou outros), o sermos, o convivermos, o agirmos, o construirmos e o pensarmos com esperança em uma humanidade que se festeja – temerosa – o ano de 2.012, e que um dia festejará – iluminada – o ano de 200.012
COMENTÁRIOS:
Caro amigo Brandão! Esta tua carta me anima !!!!! Ontem a noite vendo a GLOBO no programa do Fantástico lembrei me de você e em tudo que acompanhei na sua vida de antropólogo,educador e poeta. Andei com você ( e tu nem sabes o quanto!) por vários momentos relendo livros seus e que há muito pouco tempo me trouxeram outra luz!!!! O programa cita o velho antropólogo da América do Norte.Leio sua carta e vejo que do dia que prometeste parar até hoje, deixará no chinelo o "americano do norte". Completei 70 anos, querido amigo!!!! Te encontrarei por Goiás ou às margens do R.S.Francisco ou quem sabe na nossa "CASA DA SERRA" aqui em Campinas.Estive lá dia 22 de outubro. Não encontrei ninguém. Ficará para um próximo encontro... quero ir lá e ver a lua nascer! Por enquanto fico nas tuas "cartas-memórias" dos anos 70, do MEIO GRITO,da sabedoria pesquisada dia dia da nossa Goiás,do Paulo do Movimento Popular da Saúde.. e morto tão cedo carregado pela epidemia que começava a alastrar se no Brasil! Em dia de REIS vou andar pelas FOLIAS...abraços Odila Fonseca
MARIA INES DUTRA DISSE:
Querida Odila,Adorei a carta da Brandão, cheguei a fazer um comentário , mas acho que não foi. ainda sou analfabeta digital , tem várias coisas que não sei fazer. Por exemplo postar mensagem.Querida, fiquei feliz com sua festa de aniversário. Que linda vc está. Desejo a vc toda felicidade. Que Deus lhe de saúde pra vc continuar fazendo aquilo que gosta e distribuir conhecimentos e sorrisos entre nós. Tenho muita saudades da nossa convivencia. Gostaria de estar mais com você, aproveitar e desfrutar de sua amável companhia. Mas sei que ainda não é possivel , pois ainda temos tantas tarefas... Mas quando eu estiver com setenta anos , talves vc tenha desacelerado este ritmo e eu também. Ai quem sabe possamos tomar chá ou outra coisa em algumas tardes, sorrir e ler poemas de preferencia do Brandão que são maravilhosos. Amiga, vc é um dos grandes presentes que a vida me deu, te amo muito apesar de estarmos tão distante já há tanto tempo.Um beijos no coração. Desejo a vc e aos seus filhos um 2012 maravilhoso. Inês
Blog do Crispiniano deixou um novo comentário sobre a sua postagem

Meu caro professor Carlos Rodrigues Brandão, aqui escreve CRISPINIANO NETO, de Mossoró, das Semanas de Filosofia do início dos Anos 80. Tem uns versinhos meus no seu livro O QUE É MÉTODO PAULO FREIRE. Tenho ido a São Paulo e pergunto por você. Todo mundo sabe de quem se trata, mas não sabe como encontrá-lo. Agora encontro-lhe aqui nesta coisa fantástica que é a internet. E ainda mais lhe encontro falando de Bananeiras, terra dos meus avós.
Teria muito para lhe dizer, pois seu fã. Como não sei do seu tempo, envio-lhe uns versinhos que fiz sobre o mestre Paulo Freire num dia em que fui dar uma palestra na universidade: Paulo Freire
Aprendi na Cartilha do ABC
Que um “L” e um “A” é Lê-a-Lá;
Ele fez Lê-U-LU e Tê-A-TÁ
E este grito de LUTA hoje se vê
Nas cartilhas da história onde se lê
As bonitas lições da liberdade
Que compõem todos livros da verdade
Dando luz pra quem era analfabeto
PAULO FREIRE, O PROFETA DO ALFABETO
O MESSIAS DO MUNDO DA IGUALDADE!
Vinte e cinco milhões de analfabetos,
Trinta e seis os milhões de excluídos, Essa massa ignara de oprimidos
Vai ficando de fora dos projetos;
Cidadãos semi-tudo, incompletos;
São Sem-terra, Sem-casa e Sem-cidade
Com fartura somente de saudade
De alguém que lhes deu luz e afeto
PAULO FREIRE, O PROFETA DO ALFABETO
O MESSIAS DO MUNDO DA IGUALDADE! ...
Mossoró-RN, 08 de setembro de 1997.
....Continue lendo clicando em "COMENTÁRIOS" no final desta postagem( é longo!)
  Um grande abraço. E se tiver como, gostaria de lhe encontrar quando for a São Paulo. A próxima previsão é o carnaval, pois a GAVIÕES DA FIEL inspirou-se, entre outras fontes, no meu livro LULA NA LITERATURA DE CORDEL para definir o enredo e estou convidado. Meu email é: crispinianoneto@gmail.com 
PS:.3 Homenagem  ao Brandão em 2010 na UNICAMP!!!! Neste dia alguém te chamou de "Extra Terrestre"numa metalinguagem : De que mundo é este homem que não perde nunca a FÉ!!!! Encontre Brandão aqui: 
http://www.sitiodarosadosventos.com.br/
PS:4 Para quem quiser ver uma diferente prática em antropologia:
http://fantastico.globo.com/Jornalismo/FANT/0,,MUL1677601-15605,00ANTROPOLOGO+DOS+EUA+VIVE+ENTRE+INDIOS+MARANHENSES+HA+MAIS+DE+ANOS.html

3 comentários:

Blog do Crispiniano disse...

Meu caro professor Carlos Rodrigues Brandão, aqui escreve CRISPINIANO NETO, de Mossoró, das Semanas de Filosofia do início dos Anos 80. Tem uns versinhos meus no seu livro O QUE É MÉTODO PAULO FREIRE. Tenho ido a São Paulo e pergunto por você. Todo mundo sabe de quem se trata, mas não sabe como encontrá-lo. Agora encontro-lhe aqui nesta coisa fantástica que é a internet. E ainda mais lhe encontro falando de Bananeiras, terra dos meus avós.
Teria muito para lhe dizer, pois seu fã. Como não sei do seu tempo, envio-lhe uns versinhos que fiz sobre o mestre Paulo Freire num dia em que fui dar uma palestra na universidade:
Paulo Freire
Aprendi na Cartilha do ABC
Que um “L” e um “A” é Lê-a-Lá;
Ele fez Lê-U-LU e Tê-A-TÁ
E este grito de LUTA hoje se vê
Nas cartilhas da história onde se lê
As bonitas lições da liberdade
Que compõem todos livros da verdade
Dando luz pra quem era analfabeto
PAULO FREIRE, O PROFETA DO ALFABETO
O MESSIAS DO MUNDO DA IGUALDADE!

Vinte e cinco milhões de analfabetos,
Trinta e seis os milhões de excluídos,
Essa massa ignara de oprimidos
Vai ficando de fora dos projetos;
Cidadãos semi-tudo, incompletos;
São Sem-terra, Sem-casa e Sem-cidade
Com fartura somente de saudade
De alguém que lhes deu luz e afeto
PAULO FREIRE, O PROFETA DO ALFABETO
O MESSIAS DO MUNDO DA IGUALDADE!

Paulo Freire queria simplesmente
Que esse povo aprendesse a aprender
E aprendendo a leitura fosse ler
O que está por detrás da dor da gente...
Na leitura ficasse consciente
De que a vida não pode ser metade;
Que prisão não existe só na grade
E que muro não tem só de concreto
PAULO FREIRE, O PROFETA DO ALFABETO
O MESSIAS DO MUNDO DA IGUALDADE!

Nasceu junto do mangue, em Pernambuco,
Vendo os homens na lama, qual siris.
E pensou que pra o homem ser feliz
Só vencendo essa lama e o trabuco
Aprendeu liberdade com Nabuco,
Entendeu com Voltaire, fraternidade;
Marx disse-lhe o que é realidade
E com Cristo aprendeu ser inquieto
PAULO FREIRE, O PROFETA DO ALFABETO
O MESSIAS DO MUNDO DA IGUALDADE!

O seu método testado em Angicos
Se expandiu pela pátria como teia,
As cartilhas pararam na cadeia
E o mestre nas grades dos milicos;
Que o saber para o povo, espanta os ricos
Que se assombram com a força da verdade,
Pois com lápis, saber, força e vontade
Quem produz não quer mais ser objeto
PAULO FREIRE, O PROFETA DO ALFABETO
O MESSIAS DO MUNDO DA IGUALDADE!

Viajou pelo mundo, deportado
Empurrado por loucas baionetas
Peles brancas, nisseis, vermelhas, pretas
Conheceram seu belo soletrado;
Andarilho de rastro iluminado;
Evangelho em pessoa, ateu e frade;
Era o globo, mas foi comunidade
Soube ser o tijolo e o arquiteto
PAULO FREIRE, O PROFETA DO ALFABETO
O MESSIAS DO MUNDO DA IGUALDADE!

No combate do ler, foi um Guevara
Um Da Vinci do giz, riscando traço;
No desenho da letra, era um Picasso,
Na canção libertária, um Vitor Jara;
Chico Mendes da flora e fauna rara;
Foi um Cristo na lida da verdade;
Foi um Gandhi na paz e na bondade;
Nos conceitos da fé, era um Frei Betto
PAULO FREIRE, O PROFETA DO ALFABETO
O MESSIAS DO MUNDO DA IGUALDADE!

Sem ter medo jamais de ser feliz
Paulo Freire, sem força, foi poder
Nos mostrando a beleza do que é ser
Sempre mestre e eterno aprendiz;
Seu saber foi pra nós, risco de giz
Que riscou na lousa da eternidade
Um destino de luz pra humanidade
Projetar o AMOR foi seu projeto
PAULO FREIRE, O PROFETA DO ALFABETO
O MESSIAS DO MUNDO DA IGUALDADE!


Mossoró-RN, 08 de setembro de 1997.


Um grande abraço. E se tiver como, gostaria de lhe encontrar quando for a São Paulo. A próxima previsão é o carnaval, pois a GAVIÕES DA FIEL inspirou-se, entre outras fontes, no meu livro LULA NA LITERATURA DE CORDEL para definir o enredo e estou convidado. Meu email é: crispinianoneto@gmail.com

Educomunicação Ambiental disse...

Caro Crispiniano, farei chegar sua mensagem junto ao Carlos Brandão! Mas você poderá encontará lo por e-mail carlosrbrandao@yahoo.com.br OU
sitiodarosadosventos@yahoogrupos.com.br Um grabde abraço e obrigada! Odila Fonseca

luciana Ricardo torezani disse...

Nossa!!! Fiquei de tal amneira "apaixonada" pelas cartas trocadas entre vocês. São tão lindas, profundas e parecem ter vida. Quero um dia ser igual a vocês.

Lucina, 47, estudante de Pedagogia. Cariacica, ES.