“ENTRE. A OBRA ESTÁ ABERTA” - Texto Odila Fonseca
Quando a Europa mergulhava na 2ª
Guerra Mundial Amélia Toledo volta para o Brasil e vai estudar na Escola alemã “Olinda
Shule” que por questões políticas da guerra passou a chamar-se Visconde de
Porto Seguro. Embora tenha frequentado vários ateliers de artistas de
relevância na época o determinante para a criação de uma das suas maiores obras,
o “Parque
das Cores do Escuro” foi o diagnóstico de que ficaria cega. A perspectiva
da CEGUEIRA desencadeou um processo criativo tão intenso que gerou o tema:
PARQUE DAS CORES DO ESCURO. E é a partir
daí que projeta o Parque na Vila Maria e no Ibirapuera e outros.
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Vila Maria |
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Parque Ibirapuera-SP |
Patricia Ribeiro***, artista e professora, especializou-se em semiótica psicanalítica CLÍNICA DA CULTURA na PUC -Ba, toma como referencia esse trabalho de Amélia Toledo para desenvolver seu pensamento: |
“Sabemos,
também que, em todo o indivíduo que, por qualquer motivo, o sentido falhe, seu
corpo, espontaneamente, potencializa seus outros veículos de mediação com o
mundo. No “Parque das Cores do Escuro”, Amélia Toledo exercita sua imaginação
de modo a encontrar nova maneira de elaborar as cores na ausência de luz.”
... ...
... ... ...
...
“
Para dialogarmos com as obras de Amélia Toledo, nos apoiaremos no modelo
tetra elementar proposto pelo filósofo francês, Gaston Bachelard, e a imaginação das
matérias - raiz do conceito de Imaginação Material por ele desenvolvido,
que reconhece no fogo, na terra, na água e no ar, as principais
fontes poéticas do imaginário comum, que, por sua
vez, é capaz de dividir em muitas outras imagens poéticas através das
experiências individuais no mundo”.
Em “A poética dos livros de ouro: Amélia
Toledo, generosidade e gratidão” o psicanalista João Frayze Professor de artes
na USP, pesquisa o impacto da obra de arte desta artista nos sentimentos e na
alma dos visitantes que adentraram, tocaram e deixaram suas impressões nos mais
de 32 livros de ouro na primeira grande retrospectiva de suas obras, expostas
no SESI, em 1999.
Na busca por alguma obra de Amélia
Toledo antes do evento que eu iria participar, a vendedora ofereceu-me,
folheando o livro “Das Viagens de Juca pela Natureza”, dizendo:
_ Nossa! E eu que sempre quis fazer geologia!
Pensei comigo, como seria bom que ela
acreditasse no seu sonho e seguisse o roteiro do gato Juca de Amélia Toledo.
Mas eu tinha um objetivo naquele momento e entrei no auditório levando comigo esta
conversa e mais este impacto da obra de Amélia.
Concluo com
este texto pensando ser possível a existência do diálogo entre a experiência
tátil e o desenvolvimento da imaginação poética... em qualquer pessoa como é
possível “ver” nos jardins de Amélia Toledo ou na literatura de Manoel de
Barros