

Texto Odila Fonseca
Porque estou dizendo isso?
Foi lembrando nossa primeira experiência nas
oficinas de argila com o artista e
ceramista Afrânio Montemurro que percebi que um dos participante, bem jovem,
fotografava com seu celular. Essa imagem me fez lembrar o tempo que estudava
cinema. Na pesquisa, entre outros me deparei com a produção da “ARTE
FOTOGRÁFICA DE EVGEN BAVCAR”
o fotógrafo cego .
Audiodecrição:
Autoretrato de Evgen Bavcar com o artista e filósofo ao fundo. Usa óculos e
chapéu de abas. Suas mãos aparecem segurando uma câmera e dá idéia de muitos
clicks em frente um espelho. A foto é em preto e branco no centro e azul escuro
nas laterais.
Então é aqui que começo meu desafio em coordenar a
Oficina de Literatura no Centro Cultural Louis Braille depois de termos passado
momentos intensos com outros artistas na produção dos sentidos e do AUTORETRATO
através da arte. Manoel de Barros sempre esteve comigo toda vez que tive que
conversar em público. Agora não é diferente. Então vou dialogar com ele aqui.
“(...) A expressão reta não sonha.
Não use o traço acostumado.
A força de um artista vem de suas derrotas.
Só a alma atormentada pode trazer para a voz um formato de pássaro.
Arte não tem pensamento:
O olho vê, a lembrança revê, e a imaginação transvê.
É preciso transver o mundo. (...).”Manoel de Barros
ESCUTE “AUTORETRATO” POR DE MANOEL DE BARROS
A vida do filósofo e
fotógrafo cego Evgen Bavcar, inspirou esta fotografia, que numa
cumplicidade entre eu e o jornalista Fernando de Santis nos desencadeou a
possibilidade dos participantes do Projeto CONTINUM 2015, vivenciarem e nos
levar a vivenciar também situações inusitadas gerando possibilidades de
PERFORMATAR o que é considerado uma crença da impossibilidade.
Audiodescrição:
Câmera subjetiva registra um jovem branco e cego de cabelos curtos e negros.
Ele mantém uma câmera fotográfica profissional nas mãos e olha através da
objetiva. Aparenta fotografar um objeto. Atrás, um homem claro, de óculos,
barba e bigode, observa em posição atenta o ato de fotografar do jovem. A
coloração da foto é sépia. O jovem chama-se Walyson Silva Pereira.
POR ONDE PASSEARAM NOSSOS PENSAMENTOS E LEITURAS
Que figura é essa? O VIOLEIRO 1899
Óleo sobre
tela de Almeida Junior. Caipira cantando e tocando viola para uma moça.
A obra o “Violeiro” é destaque na Pinacoteca do
Estado de SP. Nesta obra o artista nos mostra uma cena cotidiana do interior
paulista tendo como cenário uma janela de madeira de uma casa de pau-a-pique. Observamos
na tela uma figura de um caipira sentado do lado esquerdo no batente da janela.
Veste camisa xadrez, calça clara, um chapéu e toca uma viola. Junto dele há uma
mulher encostada do lado direito na parte de fora da casa. Essa mulher trajada
da mesma forma simples que o homem, traz no pescoço um lenço vermelho e branco,
que segura pelas pontas com as duas mãos, contrastando com sua blusa vermelha
de bolinhas brancas. Ao mesmo tempo que escuta a moda de viola a mulher parece
cantar com o violeiro, sugerindo uma cena descontraída do cotidiano destas
pessoas.
A direita o mesmo quadro na Pinacoteca do Estado de S.Paulo tem uma
cena de uma educadora mostrando detalhes
do quadro para um grupo de pessoas.
CEM ANOS DEPOIS!
Assim como Almeida Junior foi importante artista que
retratou a visão rural , Ivan Vilela, músico cantador e violeiro professor,
dizem que é um último retardatário do que aconteceu na Semana de Arte Moderna
de 1922 , através da viola e as sonoridades que consegue de sua viola e inseparável
companheira quase 100 anos depois. Diz José de Souza Martins que a Semana de
Arte Moderna deixou um débito para com a viola, violeiros e o dialeto caipira(s).,
como o nheengatu do português sertanejo, catiras e cateretês.
RADIO IVAN VILELA
Ivan Vilela - Ouvir Música
“fim de tarde
ave maria tocando na igreja
carro de boi cantando
que mais precisa
pra falar a voz de dentro”
ave maria tocando na igreja
carro de boi cantando
que mais precisa
pra falar a voz de dentro”
https://ouvirmusica.com.br/ivan-vilela/1221602/ calma roceira
“balança burrinho
levando o jacá
se doer minha saudade
não se esqueça:
-volte já!”
levando o jacá
se doer minha saudade
não se esqueça:
-volte já!”
https://ouvirmusica.com.br/ivan-vilela/1221607/ No balanço da Jaca
“na festa
o som é festa
e o som que
faz a festa
se esvai e leva a festa”
o som é festa
e o som que
faz a festa
se esvai e leva a festa”
https://ouvirmusica.com.br/ivan-vilela/1221606/ cururu pra s.joão
“De que me adianta viver na cidade
Se a felicidade não me acompanhar
Adeus paulistinha do meu coração
Lá pro meu sertão eu quero voltar
Ver a madrugada quando a passarada
Fazendo a alvorada começa a cantar
Com satisfação, eu arreio o burrão
Cortando o estradão, eu saio a galopar
E vou escutando o galo berrando
Sabiá cantando no jequitibá”
Se a felicidade não me acompanhar
Adeus paulistinha do meu coração
Lá pro meu sertão eu quero voltar
Ver a madrugada quando a passarada
Fazendo a alvorada começa a cantar
Com satisfação, eu arreio o burrão
Cortando o estradão, eu saio a galopar
E vou escutando o galo berrando
Sabiá cantando no jequitibá”
https://ouvirmusica.com.br/ivan-vilela/1000745/ saudade da minha terra
"...elas trazem ou levam
consigo
emoções fortes, angústias, anseios,
paixões,etc; principalmente etc."
emoções fortes, angústias, anseios,
paixões,etc; principalmente etc."
“Gabi
Gabriela
Cabriela
Cabriolinha”
Gabriela
Cabriela
Cabriolinha”
https://ouvirmusica.com.br/ivan-vilela/1221605/ cabriolinha
“num forró de pé-de-serra
alpercatas se arrastando
morena, triângulo, sorriso
meu coração de alegria
zabumba o baião”
alpercatas se arrastando
morena, triângulo, sorriso
meu coração de alegria
zabumba o baião”
https://ouvirmusica.com.br/ivan-vilela/1221621/
Baiãozim Gaucho
Óleo sobre
tela de Almeida Junior. Estudo de caipira cortando fumo. Contrapõe o confronto
entre o homem do campo e da cidade,onde homens engenheiros e empreendedores
apontam para um futuro inevitável enquanto os camponeses na sua cultura genuína
estão fadados ao desaparecimento embora simbolizem a força e a bravura
Duas mãos “veem” o quadro O MESTIÇO de Portinari,
durante a oficina de literatura. O material está em Braille e as fotos dos
quadros estão convertidas em material tátil. Abaixo mais uma figura do material
educativo da Pinacoteca. Duas mãos negras estão sobre o quadro fazendo a leitura
da escultura da Moema .
Outro tema que abordamos além das histórias cantadas e
contadas como a do livro de Ivan Vilela
“CANTANDO MINHA HISTÓRIA” e o premiado de ficçãoque aborda a história da
menina Marie-Laure que vive em Paris e
fica cega aos seis anos, quando seu pai constrói uma maquete do bairro que
moram, para que ela memorize seus caminhos. O cenários se dá durante a segunda
guerra mundial. Uma história de amor e bondades entre ela e o jovem órfão
Werner que atua no front. Seu talento era montar rádios e descobrir fontes de
transmissão.

Rua: XV de Novembro, nº 161
Bairro: Centro – CEP: 89010-001
Blumenau – Santa Catarina – Brasil
MÃOS QUE LEEM Audiodescrição: texto em brille ocupa uma
página,conténdo o conto da ficção “ ONDE COLOQUEI MEU CHAPÉU?” de autoria de Débora Cristina de Carvalho
Audiodescrição:
Mão de idosa branca passa o dedo indicador sobre a folha de papel do livro da
Pinacoteca do Estado de SP, PEPE, onde,em alto relevo, está a escultura de
Moema. Tres mãos aparecem seguindo os
gestos. Duas mãos são de mulheres negras e a outra de mulher branca orientando
as mãos negras.
AUTORETRATO na “Oficina de Argila”
Oficina de Argila coordenada por Afrânio Montemurro
Centro Cultural Louis Braille e Secretaria da Pessoa com Deficiência
Prefeitura de Campinas
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