IMPOSTOS EM SÃO PAULO

segunda-feira, 11 de março de 2013

A NATUREZA DA PRESERVAÇÃO



CÉLULAS DA PRESERVAÇÃO - AS MÃES
Agência FAPESP – Na natureza há diversas espécies (além da humana) que realizam ações altruístas para garantir a sobrevivência de suas proles. Alguns exemplos extremos são os ursos polares fêmeas – que ganham até 200 quilos durante a gestação e passam por um jejum nos oito primeiros meses de vida de seus filhotes, de modo a prover um leite rico em gordura. Ou as “mamães” aranhas, da espécie Stegodyphus, que permitem que seus rebentos a matem para lhes servir de alimento. Um estudo publicado na revista Science, realizado por um grupo internacional de pesquisadores, do qual participaram dois brasileiros, revelou que as menores porções de matéria viva – as células – também fazem sacrifícios para assegurar a continuidade de suas futuras gerações. Os pesquisadores constataram que durante o processo de divisão celular (mitose) – pelo qual uma célula “mãe” se divide para dar origem a uma célula “filha” – a célula “materna” fornece muito mais mitocôndrias (estruturas internas essenciais para a sobrevivência de qualquer vida celular) para sua “cria” do que se esperaria pela razão entre os volumes delas – a célula filha é menor do que a célula mãe. A descoberta sugere a hipótese de que, tal como na natureza, as células mães se sacrificariam para aumentar as chances de sobrevivência de suas filhas. “Essa constatação é inédita e contraria a intuição de que as mitocôndrias são divididas de forma proporcional à densidade [volume] das células mães e das células filhas. Elas quebram essa regra”, disse Luciano da Fontoura Costa, professor do Departamento de Física e Informática do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP), campus de São Carlos, e um dos autores do estudo. Costa é um dos pesquisadores principais de um Projeto Temático, realizado com apoio da FAPESP, coordenado pelo professor Roberto Marcondes Cesar Junior, do Departamento de Ciência da Computação do Instituto de Matemática e Estatística (IME) da USP, e realiza um projeto de pesquisa no âmbito do acordo da FAPESP com a Universidade de York, do Reino Unido. O pesquisador foi orientador da iniciação científica, do doutorado e do pós-doutorado – todos realizados com Bolsa da FAPESP – de Matheus Palhares Viana, o segundo pesquisador brasileiro participante do estudo. Viana atualmente faz pós-doutorado na Universidade da Califórnia em Irvine no grupo da pesquisadora Susanne Rafelski – a primeira autora do trabalho, com o professor Wallace Marshall, da Universidade da Califórnia em São Francisco (UCSF), nos Estados Unidos. O estudo também contou com a participação de pesquisadores da Universidade de Pequim, na China. Para estudar o processo de transferência de mitocôndrias entre as células, os pesquisadores usaram leveduras Saccharomyces cerevisiae – comumente utilizadas na produção de pão e de cerveja. Por meio de sofisticadas técnicas de microscopia, a equipe internacional – liderada por Marshall e Rafelski – captou imagens das células das leveduras em um microscópio confocal (fluorescência) e promoveu um processo de fatiamento óptico das mitocôndrias presentes nelas, nas quais as estruturas são fragmentadas em diversos pedaços, como peças de um quebra-cabeça. Por meio de métodos de computação específicos para o processamento de imagens – desenvolvidos inicialmente durante outro Projeto Temático, realizado com apoio da FAPESP, do qual Costa também participou –, o pesquisador e Viana juntaram as “fatias” das mitocôndrias, fizeram a reconstrução tridimensional (em 3D) das estruturas e a representaram na forma de redes (grafos). Dessa forma, conseguiram reproduzir em detalhes e medir o tamanho físico das redes mitocondriais – que tendem a diminuir continuamente ao longo das gerações sucessivas das células. Os pesquisadores observaram que, no caso das células de levedura, no entanto, o tamanho da rede mitocondrial aumentava com o crescimento das células, e que essa relação de escala ocorria, principalmente, pela raiz. “Se as mitocôndrias fossem divididas aleatoriamente e a densidade das células fosse mantida constante, esperava-se encontrar menos mitocôndrias nas células filhas do que nas células mães. O que se descobriu nesse trabalho é que a célula mãe dá mais mitocôndrias do que se esperava para a célula filha”, disse Costa à Agência FAPESP. De acordo com os pesquisadores, em vez de as leveduras “mães” fornecerem quantidade suficiente de mitocôndrias para seus descendentes, de forma a garantir sua própria sobrevivência, elas transferiam muito mais organelas do que o necessário, mesmo à custa de suas vidas. A maioria delas começou a morrer passadas dez gerações. Já formas mutantes de leveduras, muito mais “avarentas” para fornecer suas mitocôndrias às futuras gerações, viveram por muito mais tempo.

Abordagem complementar
Segundo Costa, a descoberta desses mecanismos de divisão poderá ser estendida para outros organismos e tecidos. As células-tronco humanas e algumas células cancerosas, por exemplo, muitas vezes se dividem em duas células que se parecem e se comportam de forma muito diferente. Em função disso, na opinião do pesquisador, estudos de biologia de sistemas como o que realizaram – que usam abordagens de ciências exatas, como métodos quantitativos de matemática, física e computação, e vão além da análise molecular – complementam a pesquisa em genética. De acordo com Costa, as pesquisas sobre o genoma – hoje feitas em maior escala do que os estudos de biologia molecular – são insuficientes para entender um organismo como um todo porque diversos genes não são expressos, por exemplo.
“Os genes, em princípio, indicam como construir uma proteína, por exemplo. Mas o fato de se ter um gene não significa dizer que o organismo vai ter esta determinada proteína expressa”, disse.

“Existe todo um controle na maquinaria celular que determina se essa proteína será expressa ou não. E esse controle, inclusive, depende da geometria do embrião e se já foram formados certos tecidos e estruturas anatômicas que são usados como sinalização para expressão de genes e servem como andaimes para construir o resto de um organismo”, disse Costa. O artigo Mitochondrial network size scalling in building yeast (doi:10.1126/science.1225720), de Luciano da Fontoura Costa e outros, pode ser lido em www.sciencemag.org/content/338/6108/822.full.




11/03/2013 Por Elton Alisson

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

OBESIDADE INFANTIL É PRODUZIDA PELA INDUSTRIA DE ALIMENTO

Obesidade infantil: a conexão criminosa entre indústria, publicidade e mídia

Após assistir ao documentário “Muito Além do Peso”, que mostra epidemia de obesidade infantil no Brasil e no mundo, fica difícil fugir da sensação de que o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, está incorrendo em uma prática criminosa ao vetar o projeto que restringe a publicidade de alimentos não saudáveis para crianças.

Marco Aurélio Weissheimer é editor-chefe da Carta Maior (correio eletrônico: gamarra@hotmail.com)

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Que tipo de Papa a Igreja precisa? As tensões internas da Igreja atual

O problema central do mundo não é a Igreja, mas o futuro da Mãe Terra, da vida e da nossa civilização. Como a Igreja ajuda nessa travessia? Só dialogando e somando forças com todos
14/02/2013
Leonardo Boff
Não me proponho a apresentar um balanço do pontificado de Bento XVI, coisa que foi feita com competência por outros. Para os leitores talvez seja mais interessante conhecer melhor uma tensão sempre viva dentro da Igreja e que marca o perfil de cada Papa. A questão central é esta: qual a posição e a missão da Igreja no mundo?
Antecipamos dizendo que uma concepção equilibrada deve assentar-se sobre duas pilastras fundamentais: o Reino e o mundo. O Reino é a mensagem central de Jesus, sua utopia de uma revolução absoluta que reconcilia a criação consigo mesma e com Deus. O mundo é o lugar onde a Igreja realiza seu serviço ao Reino e onde ela mesma se constrói. Se pensarmos a Igreja demasiadamente ligada ao Reino, corre-se o risco de espiritualização e de idealismo. Se demasiadamente próxima do mudo, incorre-se na tentação da mundanização e da politização. Importa saber articular Reino-mundo-Igreja. Ela pertence ao Reino e também ao mundo. Possui uma dimensão histórica com suas contradições e outra transcendente.
Como viver esta tensão dentro do mundo e da história? Apresentam-se dois modelos diferentes e, por vezes, conflitantes: o do testemunho e o do diálogo.
O modelo do testemunho afirma com convicção: temos o depósito da fé, dentro do qual estão todas as verdades necessárias para a salvação; temos o sacramentos que comunicam graça; temos uma moral bem definida; temos a certeza de que a Igreja Católica é a Igreja de Cristo, a única verdadeira; temos o Papa que goza de infalibilidade em questões de fé e moral; temos uma hierarquia que governa o povo fiel; e temos a promessa de assistência permanente do Espírito Santo. Isto tem que ser testemunhado face a um mundo que não sabe para onde vai e que por si mesmo jamais alcançará a salvação. Ele terá que passar pela mediação da Igreja, sem a qual não há salvação.
Os cristãos deste modelo, desde Papas até os simples fiéis, se sentem imbuídos de uma missão salvadora única. Nisso são fundamentalistas e pouco dados ao diálogo. Para que dialogar? Já temos tudo. O diálogo é para facilitar a conversão e é um gesto de civilidade.
O modelo do diálogo parte de outros pressupostos: o Reino é maior que a Igreja e conhece também uma realização secular, sempre onde há verdade, amor e justiça; o Cristo ressuscitado possui dimensões cósmicas e empurra a evolução para um fim bom; o Espírito está sempre presente na história e nas pessoas do bem; Ele chega antes do missionário, pois estava nos povos na forma de solidariedade, amor e compaixão. Deus nunca abandonou os seus e a todos oferece a chance de salvação, pois os tirou de seu coração para um dia viverem felizes no Reino dos libertos. A missão da Igreja é ser sinal desta história de Deus dentro da história humana e também um instrumento de sua implementação junto com outros caminhos espirituais. Se a realidade, tanto religiosa quanto secular, está empapada de Deus devemos todos dialogar: trocar, aprender uns dos outros e tornar a caminhada humana rumo à promessa feliz, mais fácil e mais segura.
O primeiro modelo do testemunho é da Igreja da tradição, que promoveu as missões na África, na Ásia e na América Latina, sendo até cúmplice em nome do testemunho da dizimação e dominação de muitos povos originários, africanos e asiáticos. Era o modelo do Papa João Paulo II, que corria o mundo empunhando a cruz como testemunho de que ai vinha a salvação. Era o modelo, mais radicalizado ainda, de Bento XVI, que negou o título de “Igreja” às igrejas evangélicas, ofendendo-as duramente; atacou diretamente a modernidade, pois a via negativamente como relativista e secularista. Logicamente, não lhe negou todos os valores, mas via neles como fonte a fé cristã. Reduziu a Igreja a uma ilha isolada ou a uma fortaleza, cercada de inimigos por todos os lados contra os quais importa se defender.
O modelo do diálogo é do Concílio Vaticano II, de Paulo VI e de Medellin, e de Puebla na América Latina. Viam o cristianismo não como um depósito, sistema fechado com o risco de ficar fossilizado, mas como uma fonte de águas vivas e cristalinas que podem ser canalizadas por muitos condutos culturais, um lugar de aprendizado mútuo, porque todos são portadores do Espírito Criador e da essência do sonho de Jesus.
O primeiro modelo, do testemunho, assustou a muitos cristãos que se sentiam infantilizados e desvalorizados em seus saberes profissionais; não sentiam mais a Igreja como um lar espiritual e, desconsolados, se afastavam da instituição, mas não do Cristianismo como valor e utopia generosa de Jesus.
O segundo modelo, do diálogo, aproximou a muitos, pois se sentiam em casa, ajudando a construir uma Igreja aprendiz e aberta ao diálogo com todos. O efeito era o sentimento de liberdade e de criatividade. Assim vale a pena ser cristão.
Esse modelo do diálogo se faz urgente caso a instituição-Igreja queira sair da crise em que se meteu e que atingiu seu ponto de honra: a moralidade (os pedófilos), a espiritualidade, a falta de transparência (roubo de documentos secretos e outros problemas graves no Banco do Vaticano), e a perda de fiéis, sobretudo entre a juventude.
Devemos discernir com inteligência o que, atualmente, melhor serve à mensagem cristã no interior de uma crise ecológica e social de gravíssimas consequências. O problema central do mundo não é a Igreja (cada vez mais europeia e branca), mas o futuro da Mãe Terra, da vida e da nossa civilização. Como a Igreja ajuda nessa travessia? Só dialogando e somando forças com todos.
Que tipo de Papa a Igreja precisa? As tensões internas da Igreja atual
Leonardo Boff é teólogo, filósofo e autor de “Igreja: carisma e poder”, livro ajuizado pelo então Cardeal Joseph Ratzinger.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

OURIÇOS DO MAR PODEM CAPTURAR CO² : UM MODELO

Ouriço do Mar pode servir de modelo para absorção de gás carbônico, dizem cientistas
A capacidade natural dos ouriços-do-mar de absorver gás carbônico pode ser um modelo para a captura e armazenagem efetivas do
CO2, dizem pesquisadores britânicos.
Uma equipe de cientistas da Newcastle University, em Newcastle, Inglaterra, descobriu por acaso que os ouriços usam o metal níquel para transformar dióxido de carbono (CO 2) em carbonato de cálcio, um elemento que faz parte da constituição de conchas.
 
Eles dizem que a técnica pode ser usada para transformar emissões de usinas de energia em carbonato de cálcio, uma substância inofensiva.
Seu estudo foi publicado na revista científica Catalysis Science and Technology.
Muitas criaturas marinhas convertem o CO 2 presente na água em carbonato de cálcio.
Espécies como mariscos, ostras e corais usam o cálcio para fazer suas conchas e esqueletos.
Acaso
Quando a equipe da Newcastle University observou as larvas dos ouriços-do-mar, descobriu que havia altas concentrações de níquel em seus esqueletos externos.
Trabalhando com partículas minúsculas do metal, os pesquisadores descobriram que quando adicionavam níquel a uma solução contendo CO 2 e água, o níquel removia completamente o CO2.
- "É um sistema simples", disse Lidija Siller, uma das integrantes da equipe responsável pelo estudo. "Você injeta bolhas de CO 2 na água onde você tem as nanopartículas de níquel e você está capturando muito mais carbono do que você normalmente faria - e depois você pode facilmente transformá-lo em carbonato de cálcio". "Parece bom demais para ser verdade, mas funciona", ela acrescentou.
No momento, a maioria das propostas para captura e armazenagem de carbono (em inglês Carbon Capture and Storage, ou CCS) se baseiam em torno da ideia de capturar CO 2 de usinas elétricas ou químicas e bombear o gás para o subsolo, onde ficaria armazenado em antigos poços de petróleo ou formações rochosas.
Mas ainda há dúvidas quanto à possibilidade de que o carbono armazenado vaze para a atmosfera novamente.
Os pesquisadores de Newcastle dizem que uma abordagem alternativa seria "trancar" o CO 2 em outra substância, como o carbonato de cálcio ou carbonato de magnésio.
Isso já pode ser feito usando-se uma enzima chamada anidrase carbônica, mas é o método é muito caro. Falando à BBC, o pesquisador Gaurav Bhaduri, principal autor do estudo da Newcastle University, explicou que usar o níquel seria uma opção muito mais econômica.
- "A beleza do catalizador níquel é que ele continua trabalhando independentemente do pH e, por conta de suas propriedades magnéticas, pode ser capturado novamente e reutilizado várias vezes", ele explicou.
- "Também é muito barato, mil vezes mais barato do que a anidrase carbônica. E o subproduto - o carbonato - é útil e não causa danos ao meio ambiente".
Calcula-se que o carbonato de cálcio constitua 4% da crosta terrestre.

Leia também:

 1- Emissões globais de CO 2 atingem recorde em 2011, diz AIE
O volume cresceu a uma média de 2 ppm nos últimos dez anos.
Os combustíveis fósseis são a fonte principal de cerca de 375 bilhões de toneladas de carbono liberados na atmosfera desde o início da era industrial, em 1750, afirmou a organização.
O secretário-geral da entidade, Michel Jarraud, disse que bilhões de toneladas de dióxido de carbono extra iriam permanecer por séculos na atmosfera, provocando mais aquecimento no planeta.             
2- Entenda: Como ocorre o aquecimento global?
"Já temos visto que os oceanos estão ficando mais ácidos, com repercussões potenciais para a cadeia alimentar subaquática e os recifes de coral", disse ele em um comunicado.            
3-  Veja quem são os maiores emissores de dióxido de carbono do mundo
Níveis de metano, outro gás do efeito estufa que permanece por muito tempo na atmosfera, aumentaram com consistência nos últimos três anos depois de terem ficado estabilizados por cerca de sete anos. Os motivos para essa estabilização ainda não estão claros.


segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

DIÁLOGOS MÉDICOS SOBRE ENVENENAMENTO: NOSSA PERGUNTA É:GRANDES CORPORAÇÕES PAGAM PELO CRIME?

doce raridade marinha
doce camarão das profundesas

 

Belezas marinhas e alimentos






SAÚDE DA COMUNIDADE
ALERTA TOXOCOLÓGICO -ASCAREL

Dra VERA BRIDI:

- O vazamento de 12 toneladas de oleo contendo ascarel no Ribeirão da Ilha exigem imediata interdição não apenas no consumo de moluscos e peixes das baías, de maneira irreversível, como a proibição de banhos. Cancerígeno, teratogênico, e enlouquecedor, a substancia desenvolvida pelos cientistas americanos na segunda-guerra e armazenado de forma irregular, no antigo Centro de Treinamento da Celesc, estava apresentando vazamento detectado em novembro e até o momento a população não foi alertada para os perigos reais da intoxicação por parte por trilhão e continua sendo condenada pela ameaça invisível (para leigos).
A quem compete alertar a população?
A Vigilância Ambiental e Sanitária fazem parte das atividades rotineiras da Saúde?
As equipes da Estratégia Saúde da Família poderiam alertar a população da Tapera da Base e do Ribeirão?
A Fatma e Ibama poderiam? ........
Solicito apoio dos colegas para tentar evitar que a catástrofe continue a avançar silenciosamente....
--
Dr JOÃO PAULO
O fato descrito pela Vera é muito pior do que a informação divulgada, a ponto de justificar um estudo de coorte com a população local.
O Ascarel apresenta TLV (thereshold limit value) de 5ppm, e a síndrome por sua contaminação foi descrita após o incidente de Yusho em 1968:
d) Em 1968, na cidade de Yusho, capital da ilha de Kyusho, no Japão, ocorreu
o superaquecimento de um dos trocadores de calor usados na refrigeração de
óleo de farelo de arroz para fins alimentícios. O líquido refrigerante deste
trocador de calor era à base de PCBs e foi acidentalmente misturado ao óleo
comestível que foi embalado e comercializado entre a população local.
A população de Yusho passou a apresentar um conjunto de sintomas
patológicos, denominados então de "Mal de Yusho", que incluíam cloroacne,
hiperqueratose, bronquite, edema e entorpecimento dos membros, entre
outros. Estas ocorrências foram atribuídas à ingestão das PCBs misturadas ao
óleo comestível.
e) Aproximadamente na mesma época, em um grupamento habitacional
construído sobre um antigo aterro químico já encerrado, pertencente à
Westinghouse Electric corporation, chamado de Love Canal, no estado de
Nova Iorque, EUA, foram detectadas PCBs no solo e lençol freático. Vários dos
sintomas atribuídos ao “Mal de Yusho” foram observados entre a população
local.
f) Em 1971 a Monsanto, maior produtor mundial de especialidades químicas à
base de PCBs (A Monsanto, grande ameaça para o futuro da humanidade, para variar), restringiu voluntariamente as utilizações dos seus produtos, pressionada pela repercussão dos acidentes junto à opinião pública.
O vazamento em Florianópolis ocorreu durante 6 a 8 semanas (mínimo) para vala de drenagem do local, fluindo sem obstáculos impulsionada pelas chuvas, num total estimado de 11 000 litros. A quantidade removida agora, em janeiro, diz respeito à uma parcela que estagnou, misturada com muita água. Como o local estava em transferência de posse entre celesc e ufsc, ambas as as instituições estão trabalhando no sentido de subestimar os efeitos da cagada. Do ministério da pesca ao governo do estado, secretaria de turismo e empresários locais -com todo apoio midiático atrelado- estão esforçando-se para "tranquilizar" a população, compradores de marisco, moradores e visitantes, apesar da inconsistência das informações técnicas emitidas.
Dada a natureza do poluente, a magnitude do derrame e a dinâmica ecossistêmica da baía sul, as medidas de descontaminação são paliativas e devem ser entendidas como redução de danos.
Mesmo com toda a parafernália e as ações divulgadas oficialmente a contaminação é grave e irreversível:
As PCBs (Bifenilas Policloradas) apresentam ainda características alergenas acentuadas podendo provocar reações significativas nos sistemas respiratório e epitelial. É muito importante observar ainda que o óleo isolante ASCAREL, contém o TCB como constituinte da mistura. Os TCBs são substâncias classificadas como tóxicas (classe 6.1 ONU), cujo TLV é de 5 ppm (partes por milhão) de pico máximo de exposição. Assim, quando são avaliadas as características biológicas dos “Ascaréis”, deve-se levar em conta os dois componentes da mistura.
1.6) ASPECTOS AMBIENTAIS:
Devido às suas características de não biodegradabilidade, bacteriostaticidade e bioacumulação, as PCBs são classificadas internacionalmente como “Poluentes Orgânicos Persistentes” (POPs). a) A sua não biodegradabilidade, significa que as PCBs não são processadas por nenhum microrganismo da natureza e, como possuem também elevada estabilidade química, permanecem no meio ambiente por períodos de tempo
extremamente longos. Por serem substâncias bio acumulativas, tendem a acumular-se nas células dos seres vivos, constituindo sério risco para a estabilidade do ecossistema terrestre e para a saúde dos seres humanos.
b) A bioacumulação do produto atinge a cadeia alimentar humana. Em termos práticos, isto significa que ao se contaminar o meio ambiente, cada ser vivo em contacto com o meio irá concentrar as PCBs sucessivamente em seu organismo, fazendo com que o grau de contaminação seja maior nos organismos em posição superior na cadeia alimentar. A presença das PCBs já foi detectada em espécies da fauna marinha dispersa por todo o globo terrestre, regiões polares, em aves migratórias e na flora das regiões de maior contaminação.
Para os profissionais da área médica atuando nestas áreas (CS TAPERA, CS ALTO RIBEIRÃO, CS CARIANOS, CS RIBEIRÃO), vale destacar como efeitos conhecidos:
1. Alteração das funções reprodutivas dos organismos, distúrbios na maturação sexual (testes em cobaias);
Nos seres humanos as conseqüências de contaminação por PCBs observadas são cloracne, hepatomegalia, atrofia do timo, imunosupressão, neurotoxicidade, toxicidade dérmica, hiperpigmentação, problemas oculares, além da elevação do índice de mortalidade por câncer no fígado e vesícula biliar;
Os sintomas apresentados por vítimas dos acidentes no Japão e no Taiwan foram: fadiga, dor de cabeça, dores com inchaço, inibição do crescimento da dentição, anemia, problemas sangüíneos, redução da condução nervosa, erupção na pele, despigmentação, dor nos olhos, entre outros; linfopenia, abcessos pleurais, diarréia grave, dermatites, cloroacne. Infecções crônicas das vias aéreas, persistentes por vários anos.

Para o pessoal das vigilâncias, consta na mídia que as amostras de água e do óleo foram recolhidas pela FATMA, e que um "laboratório da USP" estaria analisando moluscos colhidos na área interditada.
Uma literatura em anexo serve de referência.
As correntes da baía sul espalharão ascarel da celesc florianópolis por todo litoral sul.

Os efeitos toxicológicos serão percebidos ao longo dos anos.

As populações que se alimentam da pesca artesanal correm os maiores riscos.
À disposição
Respeitosamente,
João Paulo
MFC - CS Saco Grande

AOS ESTUDANTES DE Sta MARIA-RIO GRANDE DO SUL


Sobre o dificil momento que passamos no Brasil! Uma tristeza muito grande. Nossa solidariedade aos cida.aos e cidadãs deSanta Maria . HOJE NO BRASIL
VALE A PENA LER:
1- http://www.ihu.unisinos.br/noticias/517225-frases-do-dia-28-01-2013

Aqui no Blog coloquei há tempos FRASES do nosso querido PROFETA GENTILEZA um sobrevivente do incendio num CIRCO em Niterói e que deixou mais de 500 mortos.
José Datrino, Profeta de Gentileza  

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

O FRASQUINHO DA NASCENTE DO RIO S.FRANCISCO


Não fora pelas grandes mudanças climáticas que acontecem no mundo, numa velocidade que o ser humano consegue acelerar, eu diria que poderíamos estar pensando novas formas de viver o mundo.
Ontem enterramos um amigo!
Eu o chamava de O FOTÓGRAFO DO RIO S.FRANCISCO. Na comoção da despedida final - a SOLIDÃO TOMOU NOSSAS ALMAS. Voltando para casa, levamos João no coração.

Vitória,a filha e Eliser o amigo até o último momento
Manoel de Barros,no dia do enterro de Bernardo, seu amigo desde sempre disse:    _  "Deixei Bernardo no cemitério pela manhã.
       Ao anoitecer a solidão tomou conta de minh´alma".
Inspirei-me neste velhinho de 98 anos.

       Ruben Siqueira,da CPT, chegou no momento final da despedida. Sem coragem de acreditar que o João tinha mesmo ido encontrar-se com outros amigos (como o Dércio Marques por exemplo) pediu para falar:
      _ Eu e João há pouco tempo atrás estavamos colhendo amostra nas águas do Velho Chico...então trouxe a última para ele.Com as mãos tremendo e chorando muito mostrou o frasquinho com as águas da NASCENTE DO RIO S.FRANCISCO - SERRA DA CANASTRA - chegou a tempo de abençoar este FILHO DA TERRA.

                    Naquele momento pensei nos rituais de passagem. Talvez as cinzas dele estivessem melhor no Rio. Mas foi bonito o rito. Um violino tocou a INTERNACIONAL enquanto em outros lugares cantos eram cantados.
                  Tomei nas mão estas águas que sempre desejei conhecer misturando as águas do meu choro com a emoção de tomar nas minhas mãos o RIO S.FRANCISCO
                  Quis deixar este momento registrado aqui. Um Abraço Odila Fonseca

PS: A aridez do Cemitério dos Amarais em Campinas-SP é de doer a alma.

sábado, 19 de janeiro de 2013

A PERDA DE UM GRANDE COMPANHEIRO. NOSSA HOMENAGEM A JÕAO ZINCLAR

JOÃO, MEU QUERIDO AMIGO, COMPANHEIRO SOLIDÁRIO COM QUEM APRENDI MUITO! INACEITÁVEL O OCORRIDO. ESTE BLOG ACOMPANHOU SUAS JORNADAS PELO RIO S.FRANCISCO E A DOCUMENTAÇÃO DE TODO O CONFLITO SOBRE A TRANSPOSIÇÃO.
João Zinclar presente! Uma singela homenagem a esse grande fotográfo e companheiro de luta que se foi hoje em um acidente de carro no RJ.Algumas fotos do companheiro João Zinclar publicadas no livro "O Rio São Francisco e as Águas no Sertão":http://desinformemonos.org/2011/03/transposicion-del-rio-san-francisco/
1- http://showfranciscodacidade.blogspot.com.br/2013/01/fotografo-morre-em-colisao-entre.html
2- http://www.ururau.com.br/cidades26575_Fot%C3%B3grafo-morre-em-colis%C3%A3o-entre-caminh%C3%A3o-e-%C3%B4nibus-na-BR-101

VER OUTRAS POSTAGENS DO NOSSO BLOG NESTAS PÁGINAS:
  1. educomambiental: VIAGEM AO RIO S.FRANCISCO III

    educomambiental.blogspot.com/.../o-risco-final-que-at...
    11/02/2008 – Barra do Gaicuí-MG-Médio FOTO:João Zinclar Pensamentos: "O risco final é que, atravessando acidentes geográficos consideráveis, como a ...
  2. educomambiental: VIAGEM AO RIO S.FRANCISCO

    educomambiental.blogspot.com/.../via-gem-ao-rio-sfra...
    07/02/2008 – A idéia é que possamos fazer esta viagem pelo Rio S.Francisco e construirmos pequenos textos.Vendo esta foto do Rio das Velhas - MG.
  3. educomambiental: VIAGEM AO RIO S.FRANCISCO IV

    educomambiental.blogspot.com/.../iv-viagema-ao-sfra...
    14/02/2008 – Foto João Zinclar Este é o sub médio S.Francisco na região de "Floresta" Pernambuco. Hoje teve sessão no Senado.Artistas solicitaram o ...

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

UMA REFLEXÃO NO DIA DE NATAL! NOSSOS DESEJOS PARA 2013


Berçario de Estrelas
Gente amiga de perto e de longe,

            Hoje é o dia 21 de dezembro. Como já é tarde da noite e no céu do Solstício de Verão não há sinal estranho algum, começo a crer que o “fim do mundo” não deverá acontecer agora. E, escrevendo a vocês aguardo o que irá acontecer. Ou não.
            Ficarei feliz se o Mundo não acabar agora. Em parte porque estaremos junt@s por mais algum tempo. Em parte porque devo confessar que continuo acreditando que haverá ainda Planeta Terra, e Vida no Planeta Terra, e Seres Humanos na Vida no Planeta Terra no ano 2013. No ano 20.130 também. No ano 200.013 também. E, quem sabe? No ano 2.000.013 também.
            Claro, pode ser que alguém considere estas contagens esperançosamente exageradas. No entanto, esta seria uma boa hora para lembrar  que nossos primeiros ancestrais possivelmente já estariam aqui - preparando o caminho que desaguou em nós - há 3.500.000 anos atrás. Segundo alguns paleontólogos, provavelmente há alguns milhões de anos ainda mais atrás, em direção ao nosso primeiro passado.
            E esta é também uma boa ocasião para pensarmos se não estaríamos ainda “saindo da pré-história”, como querem alguns estudiosos. Eu penso que em parte sim. Gosto de pensar que nós estamos ainda na aurora da história da Vida Humana e humanamente consciente aqui nesta Nave Casa em que viajamos pelo Universo a uma velocidade tão grande... que sequer a sentimos. E, não esqueçamos que outros seres da Vida na Terra também possuem a sua forma própria de consciência. E é bastante provável que o próprio Planeta Terra seja uma forma consciente e viva de Vida, e não apenas de acolhida da Vida.           
            Algumas pessoas sustentam a idéia de que a Espécie Humana teria levado milhões de anos para aprender a falar coloquialmente como falamos agora (às vezes demais, como eu!). E tardamos mais outros milhares de anos para chegar à palavra escrita. Ora, pensem bem. Se nos forem dados mais milhares, ou mais alguns poucos milhões de anos de existência aqui na Terra, nós, os Humanos, poderemos atingir formas e dimensões de um Vida hiper-consciente, trans-amorosa, pluri-transcendente, e espiritualmente iluminada, pela qual vale a pena não apenas esperar, mas fazer tudo o que pudermos, aqui e agora, para entregar viva esta esperança às gerações que haverão de nos suceder. Chegamos até aqui, e podemos ainda seguir tanto caminho para a frente e para cima!
            Podemos acreditar que assim como "nos alçamos" ao símbolo, à palavra, à consciência reflexiva, à cultura enfim, assim também poderemos, se nos estendermos na Terra por mais apenas alguns milhões de anos, atingir com nossas vidas interativas, nossas mente e nossos corações, uma Humanidade bastante mais iluminada e luminosa do que aquela que nos é mostrada em alguns filmes de futuro. Bastante mais humanamente  realizada  do que aquela que talvez exista hoje, profeticamente,  na Vida e na Consciência de alguns poucos seres que ao longo da história nos acostumamos a chamar de: mestres, sábio, gurus, guias, profetas, santos, médiuns, e assim por diante.
            Bom, já que o "Mundo-não-acabou-de-novo" (porque esta história vem de longe!) e já que um ano está por terminar e outro por começar (em apenas um dos inúmeros calendários culturais da humanidade, não esquecer!) quero retomar nesta carta que envio a pessoas amigas a vários anos, a narrativa breve de alguns acontecimentos e a confissão de algumas esperanças.
            Comecei o ano de 2012 vivendo uma vez mais o que me acompanha há décadas. E, como sempre, nunca a sós, mas na companhia de várias pessoas amigas e companheiras. Comecei um vez mais entre as aulas, orientações de pós-graduandas, e a partilha de pesquisas junto à "Geografia da Universidade Federal de Uberlândia". Encerramos mais um projeto de pesquisas de campo, depois da inesquecível longa viagem  da Barca Tainá pelo "Rio São Francisco Mineiro", entre Pirapora e Manga, no ano passado.
            Conseguimos publicar um  primeiro livro resultante de nossas pesquisas coletivas: Cerrado, Gerais, Sertão. E logramos aprovar junto à EDUFU mais outros dois: Viver em Ilhas e Etnocartografias do Rio São Francisco. Eles já estão editados e deverão sair no primeiro semestre de 2013. Mais um pequeno motivo para o mundo não acabar daqui a pouco.
            Estamos encerrando mais um projeto de pesquisas: Beira Vida, Beira Rio. E  mesmo havendo anunciado a Deus e ao Mundo que a partir de 1 de dezembro e até 1º de março eu estaria em "tempo sabático", tudo indica que vou "virar o ano" às voltas com o "relatório final" de mais este projeto. Que seja!
            E nestes anos de "outono da vida de professor", de fato uma das mais fecundas e festejantes alegrias tem sido a partilha de trabalhos de pesquisas junto a comunidades tradicionais nos sertões de Minas Gerais, com nossas mesmas e novas equipes de estudantes e de professoras(es). O projeto: Travessias - Museu da Pessoa do Sertão está em pleno e feliz andamento!
            Do "outro lado da vida" (mas nunca tão distante do "lado docente" assim)) vivi de novo com outras gentes a partilha de incontáveis trabalhos e momentos de encontros ao redor da Educação Popular e das ações sociais junto a educadores e a movimentos sociais populares. Com alguns destes companheiros de décadas de vida e ação social, participei de celebrações de fecunda longevidade. Os 90 anos de D. Tomás Baldoino e de Jether Pereira Ramalho. a véspera dos 80 anos de Osmar Fávero. Pessoas guias de minha vida e "companheiros de caminhada" como Paulo Freire e Vera Jaccoud que nos deixaram e seguem à frente, Rubem Alves, Joel Pimentel Ulhoa,  e tantas e tantos outros que agora beiram, um pouco adiante de mim, as oito décadas de vida. Todas e todos de pé... e a caminho!
            Pensei muito em encerrar logo no começo desta década tanto a "vida de professor", quanto a de "militante da educação popular". Não consegui fazer isto até agora, e me alegro em saber que por certo também não conseguirei nos anos próximos.       
            Entre um número quase incontáveis de viagens de encontros e de trbalços em todos os cantos do Brasil, uma vez mais revivi a mesma experiência de tantos anos atrás. O conviver momentos da vida e seguir aprendendo com as gentes do povo a quem sonhamos dedicar ao longo destes anos todos o melhor de nossas vidas. Agora, bem mais velho, reconheço sem qualquer dúvida que é destes homens e mulheres que me chegam as lições mais essenciais de nossas vidas. E é deles que uma vez mais nos chega a força para seguir em frente.
            Vivi de novo isto, tanto entre os povoadores de ilhas e barrancas do rio São Francisco, como em outras pelo menos quatro ocasiões que desejo relatar aqui. A primeira foi no Encontro com educadoras e pessoas de comunidades da "Região do Brejo" na Paraíba, junto à Escola do Carmelo, em Bananeiras. A segunda de novo na Paraíba, no mesmo "Semi-Árido Paraibano" (e debaixo de um tempo de seca arrasadora), em um encontro entre educadores, agentes de ação popular e mulheres e homens agricultores orgânicos em Lagoa Seca. A terceira foi aqui em casa, em Campinas, no re-encontro com José Moreira Coelho, lavrador e militante, artista e  compositor de Goiás. Eu o conheci em um 1964, e renovo uma esperançosa energia cada vez que o reencontro ao longo destes anos todos. A quarta foi no inesquecível encontro na Cidade de Goiás para a celebração dos 90 anos de D. Tomás Baldoino. Nele, como em tantos outros momentos ao longo destes tempos, foram as mulheres e homens dos assentamentos e acampamentos da reforma agrária, espalhados ao redor da Cidade de Goiás, as pessoas que não só trouxeram a música que cantamos, mas que deram o tom do que vivemos.
            A ROSA DOS VENTOS cumpre 18 anos de partilha e acolhida neste carnaval de 2013.
           Alguns espaços novos foram recriados por lá, para podermos abrigar encontros maiores e com mais pessoas. Foi uma alegria inesperada terminar o ano com um Encontro do MOVA-BRASIL.
            Estamos reativando o nosso Grupo de Estudos do Tao. Irene, Sandra, Alessandra e outras pessoas ativam o Rosa Zen, e fecundas reuniões, encontros e momentos de vivências de Constelação Familiar foram vividas neste 2012. Estaremos reativando também o Centro Mutirão de Economia Solidária e Educação Popular,  e já  sonhamos com o retorno e mais um Curso voluntário de formação de educadoras(es) de Caldas.
            Teremos Natal com casa cheia, e a Passagem do ano com a Rosa dos Ventos lotada. Quem ainda quiser vir e não reservou lugar, que traga barraca e colchonete. Depois dos "Festejos de Santos Reis", ou seja, depois de 6 de janeiro, retomaremos os nossos mutirões de "Harmonia da Rosa". Há uma proposta de ecologizar todos os espaços, da porteira até a "Casa da Mata".
E também em janeiro-fevereiro estaremos "tocando em frente" o Leilão das Araras Grandes, em nome de Josino, Márcia e Ana Terra. Contamos com a ajuda toda a gente de perto e de longe.
            Dércio nos deixou, e sua partida foi a grande tristeza de nós todas e todos. Por toda a parte convivemos com a sua lembrança e o som das músicas, que em boa medida sempre foram alguns dentre os sons mais queridos na Rosa dos Ventos.
            Sem sequer um raio e um trovão, uma suave chuva silenciosa cai sobres as árvores, casas e pedras de Campinas. Passa um pouco de meia-noite. Espio a noite e posso garantir que nem o Mundo terminou, e nem coisa alguma de inesperado aconteceu, a não ser a chegada desta mais do que esperada chuva que marca o Solstício do Verão.
            Já que "o mundo não acabou", o que vocês acham de terminarmos o ano nos unindo para acabar com algumas coisas no mundo?  Deixo com vocês algumas sugestões. E ao invés de sugerir aqui algumas grandes causas, prefiro lembrar alguns "acabamentos" que podem começar dentro de nós, entre nós e através de nós.
            Se "o mundo não acabou", o que é que nós podemos começar a fazer acabar em nós, entre nós e... no Mundo?
1º. Podemos começar a acabar com o medo, em favor da coragem de ser, de partilhar a vida e de viver.
2º. Podemos começar a acabar com a desesperança, em nome da esperança em que de nós próprios, de nossas mentes e corações, de nossos atos de luta por "um outro Mundo possível" e de nossos gestos solidários, daria  para começar a acreditar            não tanto em "mim mesmo" (estamos afogados em falsos endeusamentos do Ego), mas em Nós. Melhor ainda, em círculos amorosos e  ativos de "Entre-Nós".
3º. Podemos começar a acabar com a inércia, em nome de um "sair de si" e - de um modo ou de outro - saber unir-se a outros,            e seguir em frente. E tomar em e entre nossas mãos pessoais e coletivas os nossos próprios destinos, e o destino de nosso próprio Mundo.
4º. Podemos acabar com o desconhecimento (muita informação, pouco saber e tão rara sabedoria!), em nome de um esforço crescente de busca de saber genuíno, de consciência, de clarividência mesmo, num enfrentamento diário e solidário contra o trabalho insidioso deu ma multi-midia, que a cada        dias mais ameaça colonizar tudo o que temos para aprender a pensar, a agir, a construir e a ser, afinal.
5º. Podemos acabar com o individualismo, que sob os mais sedutores e perversos disfarces  nos ameaça colocar sutilmente uns contra os outros, quando poderíamos estar a todo o momento e em todas as situações de cada dia reaprendendo que a nossa vocação humana é a reciprocidade, a gratuidade, a generosidade, a partilha, o sair-de-si em busca do outro. O amor, enfim!
6º. Podemos acabar com o competitivismo produtivista e  consumista que constituem o chão e o telhado do sistema capitalista neo-liberal que nos é imposto, que nos desumaniza em todas as dimensões de nossas vidas e que, ele sim, e seus desdobramentos, poderão nos levar a um inevitável "fim do mundo". Pelo menos o fim de um esperançoso e fraterno "mundo humano".
            Nos primeiros dias deste dezembro eu estive na Argentina. Estava em um encontro entre jovens estudantes e pesquisadores da Universidade de Buenos Aires. Uma de nossas reuniões finais foi no anfiteatro da Facultad de Letras y Filosofia. Na grande parede oposta ao lugar onde eu estava, havia uma quantidade enorme de fotografias com alguns dizeres sob cada uma. Em um intervalo eu me levantei e percorri lentamente a parede, do começo ao final. Ali estavam os rostos de jovens, moças e rapazes, assassinados ou desaparecidos durante a ditadura militar. Seus rostos, suas idades, seus cursos universitários e  data real ou presumível de suas mortes. Eram mais de quatrocentos rostos. Mais de quatrocentas vidas!
            Dias mais tarde, eu estaria na Cidade de Goiás. E lá, entre os festejos dos 90 anos de D. Tomás Baldoino, nós iríamos também lembrar os rostos e os nomes de nossos mortos. Em um painel bem menor, mas igualmente doloroso, lá estavam os rostos de outras pessoas que um dia souberam oferecer nada menos do que suas vidas, em nome de alguma coisa em que acreditavam.       
            Na parede em frente à dos nomes e retratos em Buenos Aires, havia um painel com um trecho de um escrito de Eduardo Galeano. Em um ano em que alguns amigos queridos partiram e outros festejaram suas mais do que oito décadas de vidas e de bons combates, eu gostaria que as palavras escritas a mão numa parede concluíssem esta carta, já longa demais.

            Temos um excelente passado pela frente.

          Para os navegantes com sede de vento

          a memória é um porto de partida.

            Tenhamos um Natal feliz e partilhado.

            Saibamos fazer juntas e juntos de 2013 o ano feliz e fecundo que esperamos viver!

            abraço vocês com ternura, Carlos Rodrigues Brandão