IMPOSTOS EM SÃO PAULO

sábado, 30 de janeiro de 2016

JURAMENTO DE PARIS : POR UM PODER CIDADÃO

Poema para começar o ano em sintonia com o destino da Terra
Carlos Brandão, antropólogo e educador, incentivador da economia solidária e de uma civilização mais amorosa, inspirou-se no Juramento de Paris por um poder cidadão (assine no 
https://fsm2016.org/es/
) e fez o belo poema abaixo:


CIDADÃS E CIDADÃOS DO POVO DA TERRA:
VAMOS CRIAR NOSSO PRÓPRIO PODER!

1.  
O POVO DA TERRA somos nós.
Somos as pessoas como você e eu,
e mais os gestos solidários que nos tornam um entre-nós.
E também é um agricultor do Nordeste do Brasil
e algum menino no Tibete, que nunca vimos e veremos.
E são o POVO DA TERRA todos os Seres Vivos
que vivem nela como nós vivemos,
cada um a seu modo e segundo a vocação de sua espécie
e que compartem conosco o milagre da Vida.
Nós, que sendo entre os humanos uma só espécie
somos diferentes povos, etnias, comunidades e culturas.
2. Eu nasci no Brasil
mas minha Pátria é o Planeta.
A minha Nação é a Terra,
e o meu lar é o Universo.
De nada somos senhores
nem donos de coisa alguma.
Somos seres que chegam e partem,
e somos eternos porque somos
apenas elos da Teia da Vida.
Somos a rede, a teia, a raiz,
e antes de sermos senhores do Mundo
somos irmãs e irmãos do Universo.
3. Chegamos a um “novo milênio”
mas chegamos a bem mais do que isto.
A Nave-Terra em que viajamos
atingiu o rumo de um momento
de uma Grande Transição
Mas ela é também um imenso dilema.
A nave em que navegamos há milhões de anos
pode seguir sua viagem pelo mar do Cosmos
com a gente ou sem ninguém de nós.
E, como foi no começo de tudo,
pode navegar com a Vida ou também sem ela.
E o destino da nossa Nave-Terra,
e o destino da Vida que há nela
mas do que nunca antes
dependem de nós, os Humanos.
4. Depois de anos e anos de espera
sabemos que dos senhores do poder
muito pouco podemos esperar.
De um lado e do outro do Mundo
e também entre as sociedades e culturas da Terra
eles estão bem mais preocupados
com os ilusórios ganhos de agora
do que com a felicidade da Vida... agora e sempre.
E vemos que os que “podem”, podem pouco,
quando é preciso não só “criar o sustentável”
entre cálculos, teorias e técnicas,
mas sustentar um outro modo de vida.
Uma vida fundada na consciência
e no sentimento compartido
de que para venha a Grande Transição
é preciso brotar dentro de nós
entre nós e através de nós
uma Grande Transformação.
5. Nós, cidadãs e cidadãos do Mundo
somos a mais legítima fonte de poder na Terra
porque aspiramos ser a mais sensível fonte de amor.
E também porque sabemos que somos juntos
a fonte de consciência crítica e criativa do que há
e do que precisa ser transformado
para que o que existe exista ainda,
mais vivo, mais verde, mais fecundo e feliz!
Somos, os povos originários de todo o Mundo
entre floretas, savanas, desertos, mares e montanhas,
e mais as mulheres e os homens do campo e das cidades:
artistas, professoras, cientistas, mães e marinheiros
pessoas de pensamento, sentimento e ação,
de princípios e práticas, poesias e preces.
6. Somos nós, os Humanos
e se são os Seres da Vida
aqueles a quem as ações dos poderes
deveriam ser dirigidas,
e não ao ganho, à posse e à reprodução do poder.
Empoderados pelos nossos conhecimentos e culturas
sabemos hoje que a despeito de nossas críticas
e a despeito de nossas previsões e pedidos,
tudo o que entre os senhores do poder e do capital
tem sido decidido, decretado e realizado
é menos do que uma pequena parte
de tudo o que por todo o Mundo
deveria estar sendo pensado, planejado e realizado.
7. Os mares e as geleiras, as florestas e as savanas
os rios, os lagos, a terra em que se planta
a Vida enfim que dá Vida à Vida da Terra
não podem mais esperar que dos senhores do poder
venha a surgir qualquer passo rumo a uma outra opção.
Toda a força e a energia que poderiam
estar sendo dirigidas a tornar mais viva a Vida,
estão por toda a parte sendo empregadas
para transformar a Terra e a Vida
em mercadorias ou em suportes de mercadorias.
8. É tempo de aprendermos a buscar em nós:
na unidade de cada pessoa
e na pluralidade diferenciada de todas e todos nós,
a Comunidade Planetária daqueles/as
que se dispõem a tomar em suas mãos
a bússola e o leme, a vela e o remo
para desviarem para sempre a nossa Nave-Casa
do rumo da Grande Predação da Natureza
para o rumo da Grande Transição da Humanidade e da Vida.
9. Pensemos em Nós e na Vida de que somos parte e partilha.
Pensemos nas pessoas de agora e do futuro.
Lembremos que vivemos em um planeta que bem poderia abrigar
e alimentar todas as pessoas que aqui vivem,
sem degradar a natureza e sem privar de pão e alegria
a imensa maioria dos que vivem “à margem”.
Sem deixar de estarmos atentos ao que pensam e fazem
os senhores do poder, da empresa e do capital
saibamos nos unir, cada pessoa, cada par,
cada pequeno grupo, cada fração de uma rede,
cada comunidade, cada Povo da Terra,
para criarmos as redes de “nós mesmos”,
e para construirmos uma ação coletiva, local e global
capaz de re-sentir e re-pensar a Vida da Terra
enquanto outros pensam no lucro da terra.
Sejamos capazes de lutar pelo dom da Vida
quando outros fazem dela uma fonte de ganhos.
Sejamos capazes de trabalhar em nome dos que virão,
quando alguns fazem os outros trabalharem
para gerarem no imediato do agora os seus ganhos.
10. Se somarmos o que até aqui fizeram
todas as pessoas ativas de todos os Povos da Terra
Veremos que muito foi feito de tudo o que falta.
E o que resta agora talvez seja o passo mais essencial!
Eis que é chegada a hora de darmos juntas/os
mais um passo na capacidade de nossa família humana
para garantir o seu destino comum,
iniciando nossas ações por nos contrapormos
a todas as ações que ameaçam tudo e todos no Planeta,
destruindo a Mãe Natureza que nutre a vida.
Chegou a hora de pensarmos em instaurar
um Processo Constituinte.
Um documento criado e assinado por nós,
Comprometendo Cidadãs e Cidadãos do Mundo.
Todas as pessoas que se reconhecem
Corresponsáveis pelo Destino da Terra e da Vida na Terra.
Um documento que vá além
da Declaração Universal dos Direitos Humanos
e estenda estes direitos à Natureza
e a tudo o que nela é Vivo e realiza a própria Vida.
11. É chegado o momento de reconhecermos e assumirmos
que os direitos e deveres de uma Cidadania Planetária
não podem mais ser a iniciativa e o poder
de estados, de governos e de empresas
cujo interesse primordial é a competição,
e é o interesse, o lucro e a acumulação do capital.
12. 
Saibamos tomar na mãos o leme da Nave
E construir enfim um Poder Cidadão
que em nosso nome e em nome da Vida
traga para o domínio da sociedade civil
de todos os povos da terra
o que até aqui esteve atrelado ao poder
dos interesses do mundo dos negócios.
Saibamos recolocar o equilíbrio das relações
no seu lugar certo e justo.
Que a base da vida social sejamos nós,
As Pessoas, as Comunidades, os Povos e a Vida
a quem todo o poder de estado deve servir,
e a quem, mais ainda, devem servir todas as empresas
que se apossam dos saberes das ciências
e dos poderes da tecnologia para gerarem mais lucro e mais ganhos em troca de mais desertos e menos Vida.
13. Em nome da Mãe Terra, em nome da Vida
e em nosso próprio nome
ousemos nos comprometer a buscarmos juntos/as
todas as formas de organização e expressão
de um novo Poder Cidadão.
Nos grandes fóruns internacionais, assim como nos mais locais,
ousemos fazer ser ouvida a nossa própria voz.
Estejamos presentes e, mais ainda:
ativos, ativistas, militantes, críticos, criativos.
14. Em nome desta urgência e do valor desta proposta
nós nos comprometemos juntos a pôr em prática
este juramento solene:
“Dedicaremos todas as nossas capacidades, toda a nossa criatividade, a nossa experiência intelectual, emocional, artística, material e imaterial, à aceleração imediata da Grande Transição para energia renovável e limpa, abandono de combustíveis fósseis e padrões destrutivos de produção e consumo para os seres humanos e o planeta, construção em todos os lugares e em todas as escalas, nossas famílias, nossas aldeias e nossas cidades, nossas regiões e nações, de uma nova economia baseada na igualdade e na solidariedade, respeitosa da vida, da saúde, do bem-estar humano, bem como da biodiversidade e do equilíbrio de todos ecossistemas terrestres e submarinos dos quais depende a sobrevivência da humanidade”.
15. Este propósito decidido e assinado
pelas pessoas que se reuniram em Paris
implica o projeto de perseverarmos no que aqui se propõe:
manter unida ativa e crescente
uma rede mundial de homens e mulheres
de todos os povos da Terra;
fortalecer todas as raízes,
redes e teias de pensamento, ação e intercomunicação;
estar sempre presentes quando em algum lugar algo essencial
esteja sendo posto em questão;
pressionar, como cidadãos e cidadãs livres e conscientes,
todos os poderes em qualquer um de seus níveis;
fortalecer os laços de companheirismo,
de generosa solidariedade e de um crescente compromisso
em nome de uma Cidadania Mundial,
em direção a uma Grande Transformação nossa
e daquelas e daqueles que aderirem a estes propósitos
em nome da realização da Grande Transição
que não apenas nos espera adiante
mas que nós Cidadãs e Cidadãos do Mundo
devemos tomar nas mãos e realizar.
16. E nos comprometemos a tornar tudo isto real
expandindo a rede global de cidadãs e cidadãos da Terra empenhados de corpo e alma nesta missão, atores da emergência de uma sociedade cívica mundial,
portadores de um novo Contrato Social e Ecológico Planetário,
garantidores deste juramento e deste compromisso
em nosso nome e para a proteção das gerações vindouras.
Todos e cada um dos cidadãos do Povo da Terra,
aqui em Paris e em todo o mundo,
confirmarão por sua assinatura esta inabalável resolução.
LEIA TAMBÉM:
http://brasileiros.com.br/2016/01/papa-francisco-fala-sobre-meio-ambiente-com-leonardo-di-caprio/ 

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

DOS CONSULTORES E TÉCNICOS DA BARRAGEM DE MARIANA - "FIZERAM, DA BARRAGEM, UM ATERRO ! "

FIZERAM DA BARRAGEM UM  ATERRO  Engenheiro Pimenta de Ávila informou proporção em depoimento à PF. Trecho diz que aumento de lama poderia comprometer estabilidade.
Do G1 MG 22/01/2016
Distrito de Bento Rodrigues após o desastre ambiental de Mariana
 (Foto: Flávia Mantovani/G1)
O engenheiro Joaquim Pimenta de Ávila afirmou, em depoimento à Polícia Federal, que a quantidade de lama depositada na barragem de Fundão era maior do que a informada pela Samarco, cujas donas são a Vale e a BHP Billinton. “A Samarco informava que a proporção de lama para rejeito arenoso era de 30% de lama para 70% de arenoso, mas na prática sempre foi 40% de lama para 60% de arenoso, isso sem considerar a Vale”, diz o trecho do depoimento, de dezembro de 2015.
  • MPF diz que a Vale jogava mais rejeito em barragem de MG do que declarou
  • A informação foi publicada nesta sexta-feira (22) pelo jornal Folha de S. Paulo. A TV Globo Minas teve acesso a parte do depoimento. De acordo com o relato do engenheiro, responsável pelo projeto de construção da estrutura, o aumento de percentual de lama poderia comprometer a estabilidade da barragem. Mas isso, se não for prevista uma acomodação adequada dos rejeitos no reservatório. Ainda de acordo com o engenheiro, a barragem de rejeito arenoso tem que ter a água constantemente controlada, “pois se não começa a aparecer situações de risco”. 
DESASTRE AMBIENTAL:AS PRIMEIRAS HORA




http://g1.globo.com/minas-gerais/desastre-ambiental-em-mariana/index.html
 ·        rompimento
·        fotos
·        cobertura em tempo real
·        relatos de moradores
·        perguntas e respostas
·        infográfico
·        mortos e desaparecidos
·        antes e depois
·        a tragédia em números
·        como ajudar
·        a vida após a lama
Questionado pelo G1 sobre o teor do depoimento, Pimenta afirmou que a proporção informada por ele se referia ao período anterior a 2010. Ele disse não ter conhecimento do percentual na data do rompimento. Em 2012, o profissional deixou de prestar serviço para a Samarco. A barragem de Fundão se rompeu no dia 5 de novembro de 2015, provocando o despejo de mais de 30 milhões de metros cúbicos de rejeito de minério e água, segundo a Samarco. O rompimento destruiu o distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, afetando Águas Claras, Ponte do Gama, Paracatu e Pedras, além das cidades de Barra Longa e Rio Doce. Os rejeitos também atingiram mais de 40 cidades na Região Leste de Minas Gerais e no Espírito Santo. O desastre ambiental, considerado o maior e sem precedentes no Brasil, deixou 17 pessoas mortas e duas desaparecidas.
Segundo a Samarco, nas barragens da mineradora são depositados dois tipos de rejeitos, um mais grosso, chamado de rejeito arenoso, e outro mais fino, a lama. Ainda conforme a empresa, ambos os rejeitos são transportados e dispostos em forma de polpa, ou seja, uma mistura de sólidos e água. 
Em nota, a mineradora afirma que pode ter havido variação na proporção dos rejeitos na barragem de Fundão e que isso não comprometeu a segurança. “Não obstante a proporção 30% lama e 70% arenoso, licenciada para barragem do Fundão, é possível que, no curso da operação ocorram variações próximas de 35% lama e 65% arenoso. Respeitadas premissas do manual de operação, essa distorção não traz impacto para a segurança da barragem”. A empresa afirma que o monitoramento de segurança é constante. “A Samarco realizava, e continua realizando, o monitoramento por meio de drones, acompanhamento de piezômetros, indicadores de nível de água, marcos superficiais, inspeções visuais, além das verificações diárias 24 horas por dia, 7 dias por semana”.
Distrito de Paracatu foi tomado por lama. Marca em Igreja mostra que ela quase foi totalmente coberta (Foto: Raquel Freitas/G1)
Contudo, uma especialista em barragens ouvida pelo G1 diz que a variação é significativa. “A variação de 10% é significativa porque você está falando em milhões de metros cúbicos. Isso pode deixar o projeto vulnerável”, afirma a engenheira civil Rafaela Baldi Fernandes. Ela ressalta que, quando há mudança na composição em relação ao que está no projeto, é necessário uma reavaliação do projeto e das condições de estabilidade da estrutura. Rafaela explica que um dos pontos mais relevantes na estabilidade de uma barragem é a quantidade de água. “O rejeito arenoso sedimenta, indo para o fundo. A água infiltra no maciço [estrutura de contenção], desestabilizando e levando a uma condição de ruptura”, disse. Em relação à acomodação dos rejeitos no reservatório de uma barragem, a especialista diz que, em termos gerais, deve se preservar 200 metros, que é uma distância aceitável de separação do rejeito fino com água do maciço da barragem para que não haja infiltração. 
Indiciamento
No dia 13 de janeiro, a Polícia Federal indiciou o então diretor-presidente da Samarco, Ricardo Vescovi, e Kleber Terra, que ocupava o cargo de diretor de operações, além de outros cinco executivos e técnicos. A empresa, a Vale e a VogBR também foram indiciadas. De acordo com a Polícia Federal, a suspeita é que eles causaram poluição em níveis que “resultem ou possam resultar em danos à saúde humana, ou que provoquem a mortandade de animais ou a destruição significativa da flora”, como previsto no artigo 54 da Lei de Crimes Ambientais. Na última quarta-feira (20), Vescovi e Terra se afastaram de suas funções na companhia. Segundo a nota divulgada pela empresa, “os executivos acreditam que o licenciamento temporário é importante para que possam se dedicar às suas defesas”.
Alerta sobre trincas
No último sábado (16), o engenheiro Joaquim Pimenta de Ávila disse à reportagem da TV Globo que alertou à mineradora Samarco sobre um princípio de ruptura na margem esquerda da barragem de Fundão. O aviso, segundo ele, foi dado em 2014 quando ele prestou consultoria para a mineradora. A informação também consta no depoimento do engenheiro na Polícia Federal, em dezembro do ano passado. 
O engenheiro afirma que uma trinca apareceu em um recuo feito na barragem e que não estava no projeto feito por ele. A recomendação do especialista na época foi que fosse feito o redimensionamento do reforço na estrutura e a instalação de ao menos nove piezômetros – instrumentos para medir a pressão da água no solo e o acompanhamento diário da posição do nível da água. Mas ele disse à PF que não sabe se as orientações foram seguidas pela mineradora. 
Você poderá ler também:
http://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2016/01/22/interna_gerais,727384/governo-anuncia-fundacao-financiada-por-mineradoras-para-recuperar-rio.shtml  

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Governo previa impacto menor para despejo de rejeitos na foz do RIO DOCE

foto Ministério Meio Ambiente BR-2015
Nem poder público nem Samarco sabem direito o que aconteceu em MG; também não há consenso a respeito dos riscos das barragens remanescentes
Ainda não existem números que mostrem as reais consequências do rompimento da barragem da Samarco em Mariana (MG), no último dia 5. No entanto, algumas declarações de representantes do governo federal revelam que os responsáveis por tomar providências após a tragédia ainda não têm dimensão do que ocorreu nos últimos dias. Os dados preliminares de dispersão indicam que a pluma de lama chegará até 3 km ao norte e 6 km para o sul, porque as correntes marinhas ali seguem para o sul. A declaração é da ministra Izabella Teixeira (Meio Ambiente), que, na última quinta-feira (19), baseava-se em estudo da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) para prever se o arquipélago de Abrolhos (BA, 250 km ao norte da foz do rio Doce) e os manguezais de Vitória (ES, 120 km ao sul) seriam afetados.
Segundo o governo do ES, entretanto, a lama, já no primeiro dia, atingiu 3 km mar adentro e 10 km ao longo costa. Para esta terça-feira (24), até a última atualização desta reportagem, o município e o Estado do Espírito Santo ainda não haviam atualizado esses números. O governo federal estima que serão necessários mais 120 dias para continuar monitorando e, então, obter a real dimensão do desastre.
Já a Samarco opera com idas e vindas e, na semana passada, afirmou que apenas uma barragem se rompeu em MG — e não duas, como inicialmente havia dito. Segundo a empresa, a barragem do Fundão foi afetada, mas a de Santarém, não. O problema é que a segunda, conforme informou, não foi capaz de conter os rejeitos liberados pelo rompimento da primeira. Em comunicado, a Samarco afirma que a barragem de Santarém tem fator de segurança de índice 1,37, "o que significa que ele está 37% acima do ponto mínimo de equilíbrio". "A norma NBR 13028 prevê que, em uma condição normal de operação, o fator de segurança deve ser igual ou superior a 1,5, ou seja, com 50% acima do equilíbrio limite", diz a empresa.
Aos Fatos já mostrou que outras quatro estruturas têm potencial alto de destruição no caso de um novo desastre. A de Germano, sob responsabilidade da Samarco, apresenta danos estruturais. Na nota, a empresa diz que o fator atual de segurança do dique de Selinha, do complexo de Germano, é de 1,22 — o que significa que ele está 22% acima do equilíbrio mínimo, que é de 1,00
Responsabilidades
Por se tratar de jurisdição federal, o rio Doce deve ser monitorado e fiscalizado pela União. Amparo de vítimas, obras de recuperação e demais ações locais são de responsabilidade dos governos estadual e municipal, que também devem ser acionados pelo governo federal para tomar providências caso haja irregularidades.
Além disso, a Samarco está sujeita à lei nº 9.433, que estipula multa proporcional à gravidade de sua infração, de R$ 100 a R$ 10 mil. Impõe ainda que "sempre que da infração cometida resultar prejuízo a serviço público de abastecimento de água, riscos à saúde ou à vida, perecimento de bens ou animais, ou prejuízos de qualquer natureza a terceiros, a multa a ser aplicada nunca será inferior à metade do valor máximo cominado em abstrato". Uma semana depois do desastre, a presidente Dilma Rousseff anunciou que multará em R$ 250 milhões a empresa de forma preliminar.
Aos Fatos revelou neste mês que 29 barragens de rejeitos de mineração têm estrutura muito mais precária do que a que se rompeu em Mariana. Dessas, 18 possuem selo de alto dano potencial associado — ou seja, caso rompidas, poderão ter impacto semelhante ou maior do que o desastre ambiental gerado pela Samarco.

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

MAIOR IMPACTO AMBIENTAL INDUSTRIAL DA HISTÓRIA DO MUNDO OCORRE NO ESPIRITO SANTO - ANO DE 2015


ANDRÉ RUSCHI·DOMINGO, 15 DE NOVEMBRO DE 2015
https://www.facebook.com/Barragens-de-Pedreira-e-Duas-Pontes-o-povo-diz-n%C3%A3o-308558439330648/

 Esta sopa de lama tóxica que desce no rio Doce e descerá por alguns anos toda vez que houver chuvas fortes e irá para a região litorânea do ES, espalhando-se por uns 3.000 km2 no litoral norte e uns 7000 km2 no litoral ao sul, atingindo três UCs marinhas – Comboios, APA Costa das Algas e RVS de Santa Cruz, que juntos somam uns 200.000 ha no mar.
Os minerais mais tóxicos e que estão em pequenas quantidades na massa total da lama, aparecerão concentrados na cadeia alimentar por muitos anos, talvez uns 100 anos.
RVS de Santa Cruz é um dos mais importantes criadouros marinhos do Oceano Atlântico.
1 hectare de criadouro marinho equivale a 100 ha de floresta tropical primária.
Isto significa que o impacto no mar equivale a uma descarga tóxica que contaminaria uma área terrestre de de 20.000.000 de hectares ou 200.000 km2 de floresta tropical primária.
E a mata ciliar também tem valor em dobro.
Considerando as duas margens são 1.500 km lineares x 2 = 3.000 km2 ou 300.000 ha de floresta tropical primária.
Voces não fazem ideia.
O fluxo de nutrientes de toda a cadeia alimentar de 1/3 da região sudeste e o eixo de ½ do Oceano Atlântico Sul está comprometido e pouco funcional por no mínimo 100 anos!
Conclusão: esta empresa tem que fechar.
Além de pagar pelo assassinato da 5ª maior bacia hidrográfica brasileira.
Eles debocharam da prevenção e são reincidentes em diversos casos.
Demonstram incapacidade de operação crassa e com consequências trágicas e incomensuráveis.
Como não fechar?
Representam perigo para a segurança da nação!
O que restava de biodiversidade castigada pela seca agora terminou de ir.
Quem sobreviverá?
Quais espécies de peixes, anfíbios, moluscos, anelídeos, insetos aquáticos jamais serão vistas novamente?
A lista de espécies desaparecidas foram quantas?
Se alguém tiver informações, ajudariam a pensar.
Barragens e lagoas de contenção de dejetos necessitam ter barragens de emergência e plano de contingência.
Como licenciar o projeto sem estes quesitos cumpridos?
Qual a legalidade da licença para operação sem a garantia de segurança para a sociedade e o meio ambiente?
Mar de lama... mas não seria melhor evitar que a lama chegasse ao mar?
Quem teve a brilhante ideia de abrir as comportas das barragens rio abaixo em vez de fechá-las para conter a lama e depois retirar a lama da calha do rio?
Temos uma cordilheira submarina que faz barreira nas correntes submarinas em frente ao local, formando um giro de 70 km de diâmetro que fará a contenção destes sedimentos nesta área específica que dimensionei.
É claro que os sedimentos chegarão aí sim, como têm chegado por mais de 120 milhões de anos.
Se o geólogo diz que não, o ecólogo diz que sim e sem dúvida!!!
Não sou leigo. Os fundamentos de convicção do geólogo são frágeis e pior, incompletos pois desconsideram a existência do oásis marinho que é a foz do Rio Doce e não deve saber dos efeitos que a cordilheira Vitória-Trindade têm no meio ambiente do oceano Atlântico e do continente da América do Sul..
E quanto às listas de espécies do rio agora extintas?
Não fala nada?
A caracterização físico-química dos sedimentos deveria estar descrita no EIA/RIMA de licenciamento do empreendimento.
Aqui no ES, sedimentos relacionados a pellets de minério de ferro têm revelado composição de cromo, cádmio, arsênio e mercúrio, sim.
Inclusive em lagoa da SAMARCO, lagoa de Maimbá entre Guarapari e Anchieta, já detectamos mercúrio. E o pellets da SAMARCO vem de MG pelo mineroduto.
E não se pode desvincular a responsabilidade da VALE.
Os metais pesados são cumulativos e persistentes na cadeia alimentar.
Portanto, no local de origem da maior cadeia alimentar do oceano atlântico é de se imaginar que o efeito cumulativo chegará no topo da cadeia alimentar.
É importante ter uma ideia do dimensionamento das coisas no tempo.
Pois este é o tempo de monitoramento e controle necessários.
Quem ainda pensa que o mar tem o poder de diluição da poluição?
Isto é um retrocesso da ciência de mais de 1 século!!!!!
Sendo Rio Federal a juridição é do governo federal portanto os encaminhamentos devem serem feitos ao MPF.
Fica a advertência para os olheiros das empresas: se essa coisa chegar ao mar o caso entra para juridição internacional. Lá tem prisão perpétua, pena de morte, sequestro de bens internacionais, etc.
André Ruschi


Estação Biologia Marinha Augusto Ruschi
Aracruz, Santa Cruz, ES 

sábado, 7 de novembro de 2015

O PROJETO "CONTINUM 2015" _ C.C.LOUIS BRAILLE_UMA GRANDE EXPERIÊNCIA I




Texto Odila Fonseca
Porque estou dizendo isso?
Foi lembrando nossa primeira experiência nas oficinas de argila com  o artista e ceramista Afrânio Montemurro que percebi que um dos participante, bem jovem, fotografava com seu celular. Essa imagem me fez lembrar o tempo que estudava cinema. Na pesquisa, entre outros me deparei com a produção da “ARTE FOTOGRÁFICA DE EVGEN BAVCAR”
o fotógrafo cego .  
Audiodecrição: Autoretrato de Evgen Bavcar com o artista e filósofo ao fundo. Usa óculos e chapéu de abas. Suas mãos aparecem segurando uma câmera e dá idéia de muitos clicks em frente um espelho. A foto é em preto e branco no centro e azul escuro nas laterais.

Então é aqui que começo meu desafio em coordenar a Oficina de Literatura no Centro Cultural Louis Braille depois de termos passado momentos intensos com outros artistas na produção dos sentidos e do AUTORETRATO através da arte. Manoel de Barros sempre esteve comigo toda vez que tive que conversar em público. Agora não é diferente. Então vou dialogar com ele aqui. 
“(...) A expressão reta não sonha.
Não use o traço acostumado.
A força de um artista vem de suas derrotas.
Só a alma atormentada pode trazer para a voz um formato de pássaro.
Arte não tem pensamento:
O olho vê, a lembrança revê, e a imaginação transvê.
É preciso transver o mundo. (...).”Manoel de Barros
ESCUTE “AUTORETRATO” POR DE MANOEL DE BARROS


A vida do filósofo e  fotógrafo cego Evgen Bavcar, inspirou esta fotografia, que numa cumplicidade entre eu e o jornalista Fernando de Santis nos desencadeou a possibilidade dos participantes do Projeto CONTINUM 2015, vivenciarem e nos levar a vivenciar também situações inusitadas gerando possibilidades de PERFORMATAR o que é considerado uma crença da impossibilidade.
   
Audiodescrição: Câmera subjetiva registra um jovem branco e cego de cabelos curtos e negros. Ele mantém uma câmera fotográfica profissional nas mãos e olha através da objetiva. Aparenta fotografar um objeto. Atrás, um homem claro, de óculos, barba e bigode, observa em posição atenta o ato de fotografar do jovem. A coloração da foto é sépia. O jovem chama-se Walyson Silva Pereira.

POR ONDE PASSEARAM NOSSOS PENSAMENTOS E LEITURAS
Que figura é essa? O VIOLEIRO 1899



Óleo sobre tela de Almeida Junior. Caipira cantando e tocando viola para uma moça.
A obra o “Violeiro” é destaque na Pinacoteca do Estado de SP. Nesta obra o artista nos mostra uma cena cotidiana do interior paulista tendo como cenário uma janela de madeira de uma casa de pau-a-pique. Observamos na tela uma figura de um caipira sentado do lado esquerdo no batente da janela. Veste camisa xadrez, calça clara, um chapéu e toca uma viola. Junto dele há uma mulher encostada do lado direito na parte de fora da casa. Essa mulher trajada da mesma forma simples que o homem, traz no pescoço um lenço vermelho e branco, que segura pelas pontas com as duas mãos, contrastando com sua blusa vermelha de bolinhas brancas. Ao mesmo tempo que escuta a moda de viola a mulher parece cantar com o violeiro, sugerindo uma cena descontraída do cotidiano destas pessoas.
A direita o mesmo quadro  na Pinacoteca do Estado de S.Paulo tem uma cena de  uma educadora mostrando detalhes do quadro para um grupo de pessoas.
CEM ANOS DEPOIS!
Assim como Almeida Junior foi importante artista que retratou a visão rural , Ivan Vilela, músico cantador e violeiro professor, dizem que é um último retardatário do que aconteceu na Semana de Arte Moderna de 1922 , através da viola e as sonoridades que consegue de sua viola e inseparável companheira quase 100 anos depois. Diz José de Souza Martins que a Semana de Arte Moderna deixou um débito para com a viola, violeiros e o dialeto caipira(s)., como o nheengatu do português sertanejo, catiras e cateretês.

RADIO IVAN VILELA
Ivan Vilela - Ouvir Música
“fim de tarde
ave maria tocando na igreja
carro de boi cantando
que mais precisa
pra falar a voz de dentro”

“balança burrinho
levando o jacá
se doer minha saudade
não se esqueça:
-volte já!”

“na festa
o som é festa
e o som que
faz a festa
se esvai e leva a festa”

“De que me adianta viver na cidade
Se a felicidade não me acompanhar
Adeus paulistinha do meu coração
Lá pro meu sertão eu quero voltar
Ver a madrugada quando a passarada
Fazendo a alvorada começa a cantar
Com satisfação, eu arreio o burrão
Cortando o estradão, eu saio a galopar
E vou escutando o galo berrando
Sabiá cantando no jequitibá”

"...elas trazem ou levam consigo
emoções fortes, angústias, anseios,
paixões,etc; principalmente etc."
“Gabi
Gabriela
Cabriela
Cabriolinha”

“num forró de pé-de-serra
alpercatas se arrastando
morena, triângulo, sorriso
meu coração de alegria

zabumba o baião”


Óleo sobre tela de Almeida Junior. Estudo de caipira cortando fumo. Contrapõe o confronto entre o homem do campo e da cidade,onde homens engenheiros e empreendedores apontam para um futuro inevitável enquanto os camponeses na sua cultura genuína estão fadados ao desaparecimento embora simbolizem a força e a bravura






O MESTIÇO - Obra de Candido Portinari  1934 - tátil-  destaca a figura de um homem forte mestiço que mostra a mistura das etinias do Brasil. O homem é robusto de braços cruzados, com ar séro,teve suas mãos ampliadas em relação ao resto do corpo. Ao fundo vemos o céu euma paisagem rural estruturada por linhas geométricas que dividem o espaço, onde é possível perceber uma montanha, uma casa e algumas plantações de bananeiras ao lado direito do observador da obra.

Duas mãos “veem” o quadro O MESTIÇO de Portinari, durante a oficina de literatura. O material está em Braille e as fotos dos quadros estão convertidas em material tátil. Abaixo mais uma figura do material educativo da Pinacoteca. Duas mãos negras estão sobre o quadro fazendo a leitura da escultura da Moema .
Outro tema que abordamos além das histórias cantadas e contadas como a do livro de Ivan Vilela  “CANTANDO MINHA HISTÓRIA” e o premiado de ficçãoque aborda a história da menina Marie-Laure que vive em Paris  e fica cega aos seis anos, quando seu pai constrói uma maquete do bairro que moram, para que ela memorize seus caminhos. O cenários se dá durante a segunda guerra mundial. Uma história de amor e bondades entre ela e o jovem órfão Werner que atua no front. Seu talento era montar rádios e descobrir fontes de transmissão. 

Foi assim que, Debora Cristina de Carvalho, cria sua ficção durante sua participação na oficina de literatura com o título “ONDE FOI QUE COLOQUEI O MEU CHAPÉU?” apresentado já em brille para concorrer ao prêmio literatura na Fundação Brille de Blumenau - SCFundação Cultural de Blumenau,  Concurso “Dedos que Leem”
Rua: XV de Novembro, nº 161
Bairro: Centro – CEP: 89010-001
Blumenau – Santa Catarina – Brasil

MÃOS QUE LEEM Audiodescrição: texto em brille ocupa uma página,conténdo o conto da ficção “ ONDE COLOQUEI MEU CHAPÉU?”  de autoria de Débora Cristina de Carvalho

Audiodescrição: Mão de idosa branca passa o dedo indicador sobre a folha de papel do livro da Pinacoteca do Estado de SP, PEPE, onde,em alto relevo, está a escultura de Moema. Tres mãos  aparecem seguindo os gestos. Duas mãos são de mulheres negras e a outra de mulher branca orientando as mãos negras.

AUTORETRATO na “Oficina de Argila”
Trabalhos feitos pelos participantes do Projeto CONTINUM 2015 
Oficina de Argila coordenada por Afrânio Montemurro 
Centro Cultural Louis Braille e Secretaria da Pessoa com Deficiência 
Prefeitura de Campinas  

terça-feira, 3 de novembro de 2015

BETINHO - A ESPERANÇA EQUILIBRISTA - HOJE TERIA 80 ANOS

Betinho
O filme, "Betinho - A Esperança Equilibrista", já reservou muitas boas notícias para a Documenta Filmes e o Diretor Victor Lopes, mas a emoção da apresentação do filme para os que participam dos Comitês da Ação da Cidadania que existem até hoje, certamente superou todas as outras emoções! Daniel Souza e Victor Lopes falaram com a plateia sobre o filme e a realidade de até hoje os Comitês da Ação da Cidadania serem ativos, provando que a ideia original de Betinho, que misturou solidariedade e protagonismo, deixou sementes que continuam florescendo! Convidaram ao palco D. Terezinha, uma das entrevistadas do filme, que entendeu a mensagem de Betinho de braços abertos, cercado de cestas básicas, dizendo: “Agora é com vocês!”. Ela nos conta que quando ouviu essa frase de Betinho teve a certeza de que a AIDs, que já havia levado seus dois irmãos, estava fechando o ciclo com esse cidadão que ela tinha aprendido a amar e admirar. Entre tantos momentos de emoção que Victor Lopes foi capaz de revelar com seus entrevistados, o suspiro de D. Terezinha nos inspira, nos leva a sair do cinema carregados da capacidade de ser solidário, de poder se colocar no lugar de cada um e assim no lugar de todos. O brinde, para os que estiveram no Odeon nessa exibição especial do filme, foi uma máscara de Betinho. O Odeon ficou com cara de “anônimos” mas, para quem conheceu Betinho, de fato eram “sinônimos” de um personagem da nossa história recente, que faz falta nos conturbados dias de hoje. Foi um encontro que, além dos Comitês, reuniu colaboradores de hoje e de todos os tempos do Ibase, ONG fundada por Betinho, da ABIA Associação Brasileira contra AIDS que nos levou a ser referência no mundo para o tratamento da AIDS, da Ação da Cidadania e colaboradores da campanha numa sinfonia de saudade. De uma torcida para que a democracia brasileira avance, com lideranças de verdade, transparentes, corajosas, nunca prisioneiras dos problemas, mas que ao contrário, que carregam uma capacidade de dar um salto por cima deles e descobrir novos caminhos para trabalhar a justiça social. Afinal, sobrou para nós, continuar essa história.
(*) Nádia Rebouças é Colunista de Plurale, colaborando com artigos sobre Sustentabilidade. É Coordenadora do Comitê de comunicação da Ação da Cidadania e consultora de comunicação para transformação.