IMPOSTOS EM SÃO PAULO

domingo, 27 de março de 2016

AINDA SOBRE LUAS, CHEIAS OU NÃO !

Sobre carecimentos radicais e a distinção entre “radicalismo de direita e radicalismo de esquerda”
EPITÁCIO MACÁRIO*
“Não se iludam / Não me iludo / Tudo agora mesmo  pode estar por um segundo” (Tempo Rei – Gilberto Gil).
A modernidade capitalista, diz Agnes Heller, produziu carecimentos aos quais não pode responder. Por isto a filósofa húngara os chama de carecimentos radicais. O avanço das forças produtivas engendrou as possibilidades de saciar as necessidades básicas de alimentação, habitação, educação e bem-estar da população, mas forjou também relações sociais e de poder que negam estes benefícios para amplas parcelas da população. A modernidade arrancou o homem de seus localismos restringentes e o lançou num intrincado mundo de relações universais, ao mesmo tempo em que lhes tirou – das pessoas – quaisquer capacidades de intervir de modo consequente na própria comunidade ou nas estruturas sociais que põem suas condições de existência. O modo de vida da modernidade capitalista fez emergir um tipo de homem, afirma Leandro Konder, que perambula num mundo de coisas, sem conexões conscientes com os outros e com a comunidade. Trata-se de um tipo de homem que vive a anomia e a indeterminação dos fugazes momentos como expressão da liberdade. Este mesmo homem que se embriaga saltitante nos interstícios da vida moderna não tem nenhum controle efetivo sobre o que ele mesmo experimenta ou sobre as funções vitais da sociedade ou da cidade.O tipo de homem moderno experimenta contradições que, às vezes, dilaceram sua personalidade: ele sente o carecimento de trabalhar menos e usufruir mais, mas é constrangido a jornadas laborais cada vez maiores, mais intensas e, em muitos casos, em atividades mutiladoras do espírito e do corpo. Ele vive como carência o encontro, a abertura para o outro, num mundo que lhe constrange a olhar somente para si mesmo e ver o outro como meio de conseguir algum benefício. Ele deseja cultivar o espírito como fim em si mesmo no usufruto das artes, dos conhecimentos de todos os povos e em todas as línguas, mas é encantoado em afazeres alienadores cujo objetivo é unicamente acumular capital para a glória da classe burguesa… E mesmo quando frequenta a universidade, o homem moderno é instado a formar-se o mais rápido possível, tornando-se um eficiente funcionário do mister de fazer dinheiro. Pulsa nele o carecimento de abrir as portas de casa para a rua e caminhar por ela à noite, de preferência às noites de segunda-feira, colhendo seus cheiros, brisas e encontros… Mas é limitado pelas paredes dos barracos ou grades de condomínio; pelas vielas estreitas e escuras ou pelo medo dos donos da rua – os carros em disparada, os tiros da polícia e das classes perigosas, a vigilância armada ou as câmeras sempre focadas na transgressão. As contradições da modernidade capitalista interpelam em profundo os sentimentos e a razão do tipo humano moderno, impondo ingentes desafios para os que almejam algum equilíbrio em face das dilacerações que vivenciam. O pensamento capaz de responder satisfatoriamente a estas contradições é aquele que as assume como constituidoras do real, as problematiza em profundidade, procurando explicitá-las e conquistar um horizonte de sentido para sua ação no mundo. Nessa busca, há de haver sínteses entre os motivos pessoais – a busca da felicidade, por exemplo – e o engajamento na práxis social para transformar o mundo na pátria da humanidade. Esta é a filosofia radical, pois capaz de ir aos fundamentos das contradições e oferecer horizontes para a resolução positiva daquilo que obstaculiza a realização dos carecimentos radicais. Os indivíduos capazes de assumir as contradições sociais e os dilemas pessoais que os dilaceram e orientar sua conduta para a realização positiva destas contradições e dilemas é o homem radical de esquerda. Ele não se furta de assumir a transformação das condições estruturais da sociedade como experiência pessoal a ser vivida apaixonadamente. Ele aprende a lidar com as dissintonias de sua vida privada e os requerimentos de sua militância com coragem e é capaz de encontrar os momentos (mediações) em que uma dimensão se transforma na outra. Ele é capaz de interiorizar as dores da humanidade e transformá-las em motivo de engajamento sem deixar de cuidar de si e dos seus amados. Ele sabe que a superação positiva das contradições que dilaceram a sociedade é uma função da luta coletiva, mas está ciente, também, que precisa cultivar seu espírito e seus afetos. O radicalismo de esquerda, diz Heller, prima sempre pelo esclarecimento e pela democracia, mesmo quando está isolado e congrega poucas pessoas. Pois sabe que a tarefa da transformação social é histórica e resulta de sínteses complexas de forças coletivas que vivem e renovam nas ações dos indivíduos. Estes devem, portanto, estar conscientes e convencidos de seu papel. Sabe que, além das estratégias de guerra que jogam importante papel na definição dos rumos da conjuntura, há algo de mais universal e essencial: o fluxo de relações sociais e modos de vida que só se transformam pelo encadeamento de complexas forças sociais que agem com alto grau de espontaneidade. Intui, pois, que os valores mais universais se materializam na medida em que vão afastando os seus contrapostos e se plasmando no próprio cotidiano. Uma tarefa dessa envergadura é muito provável que exija a crítica das armas, mas jamais terá êxito se não puser em marcha um largo e complexo trabalho de educação e hegemonia. O esclarecimento e a democracia jogam, pois, papeis decisivos para as conquistas de longo alcance. As contradições da modernidade criam, com a mesma necessidade, o pensamento conformista e o tipo de homem conservador. A naturalização da vida social é a primeira e mais banal característica desse pensamento. Sua concepção de história postula que todo o passado da humanidade se fez para o aperfeiçoamento da natureza humana, que encontra no modo de vida capitalista as condições mais plenas para sua realização: o egoísmo, o individualismo possessivo, as trocas mercantis, o mercado e… o Estado como instância organizadora desse mundo. Para este tipo de homem moderno, o presente é a realização necessária do passado e o futuro apenas o aperfeiçoamento do que já temos. Ele reconhece as rupturas do passado (a revolução burguesa, por exemplo), mas as insere num fio de continuidade teleológica que teria por fim chegar aonde estamos: na modernidade capitalista. Inspirado nesse pensamento, o homem conservador sofre as contradições sociais e os carecimentos radicais como inevitabilidade, inexorabilidade, razão porque desenvolve uma atitude cambiante de desprezo ou de benevolência para com as dores da humanidade. Quando vive mais profundamente tais carecimentos e desafia suas convicções pessoais, o homem conservador chega mesmo a assumir um engajamento político ou religioso para melhorar a vida das amplas maiorias que não participam da riqueza moderna. Seus parâmetros e finalidades, entretanto, não ultrapassam o quadro do vigente, por isso o homem conservador é sempre eficaz funcionário defensor do status quoO radicalismo de direita é outro aspecto incorporado e refuncionalizado pela modernidade capitalista. Retorno a Heller para o caracterizar. A estrutura de pensamento do radicalismo de direita não considera a humanidade como o supremo valor social, razão porque pode fundar racional e positivamente, como valores, a guerra e a extinção de raças, etnias, grupos de humanos. Ele não se dispõe a discutir sobre o caráter ideológico de seus próprios valores, mas repele com veemência o quadro valorativo de seus oponentes. Ao tomar parte nas discussões públicas sobre temas da época, o radicalismo de direita agarra-se a argumentos não racionais, valora os interesses particulares em detrimento dos coletivos, invoca a autoridade e a fé ao invés do convencimento e da persuasão. Ao eleger argumentos particularistas e irracionais, o radicalismo de direita reduz os seguidores à condição de objetos manobráveis. Ele é, portanto, estruturalmente elitista e autoritário. O homem radical de direita é reacionário, pois não suporta os valores universalmente eleitos na época histórica. É incapaz de vislumbrar o gênero humano como horizonte de sua atuação no mundo, pois elege como parâmetros os interesses e o ponto de vista de seu grupo ou segmento social em detrimento dos demais. Sempre que pode, submete toda e qualquer discussão pública aos interesses particulares. Ele não pode suportar sequer as práticas da democracia burguesa como, por exemplo, o respeito às decisões coletivas ou das maiorias. Ele nutre ódio por tais decisões quando se lhes confrontam e sua ação social é amplamente baseada em preconceitos e exclusivismos.
* EPITÁCIO MACÁRIO é professor de Economia Política da Universidade Estadual do Ceará (UECE).

  https://espacoacademico.wordpress.com/2016/03/25/sobre-carecimentos-radicais-e-a-distincao-entre-radicalismo-de-direita-e-radicalismo-de-esquerda/

terça-feira, 22 de março de 2016

sobre uma lua cheia que ora sumia atrás das nuvens e ora aparecia no alto céu doze exercícios de dizer o mesmo de maneira quase igual

Carlos Rodrigues Brandão

Gente amiga de perto e de longe,
Ontem uma "lua quase cheia" brilhou aqui
 no céu  do Sul de Minas. Hoje e amanhã 
o tempo está pra chuva e talvez ela esteja escondida
 de nós.Mas, quem puder, não deixe de olhar 
o céu de hoje e de amanhã demoradamente. 
A lua está acompanhada de Júpiter e de Venus. 
Coisa rara e de uma beleza de tocaros olhos e a alma.  
Um abraço amigo,Carlos


Um 

Lentas as nuvens escondiam
o que da noite parecia o dia.
Lentas as nuvens ocultavam
o rosto de luz da lua amiga.
E entre o surgir e o se esconder,
(como a mulher que à noite
é bruxa  e ao dia é fada)
é a lua mesma quem semelha que viaja
como um barco de velha vela antiga.
E o céu ora escuro e ora claro,
onde tudo parece adormecido,
assiste ao lento viajar de prata
da lua. Clara lua. Lua vaga.
dois
Lua, vaga, vagarosa lua luminosa
a sua viagem de prata o céu colore.
Iluminada lua vagando no céu claro
que em seu vagar devagar o céu clareia.
Até quando Vênus e as estrelas de Órion
apagam a  luz de suas velas
pra brilhar com só a luz da Lua Cheia.
três
Clara, a clara lua se ilumina
e de claro colorida tece a manta
que entre o alvo do sal
e a mandioca, quando dela
é a farinha branca só o que resta,
cobre o corpo de rara prata fina
da lua e do luar de sua festa. 
E de branco e amarelo
fiada, tecida e revestida a lua
da luz do sol que ela reflete,
é de ouro e brilha a sua veste
de luz com que ela se toda se tatua,
e depois de plena luz que é sua
               de luz se cobre e se reveste.
               quatro
Vagante, a lua se viaja
e a noite sopra e assopra
o vento norte que lhe toca
a sua vela de errante e de veleiro.
E devagar o vento embala
a barca-lua pela noite afora
entre as estrelas que o céu
semeia ao dia,  e rega e cuida
e à noite acende em seu canteiro.
cinco
A manhã de outubro se demora
a clarear com o sol um outro dia
e o mar, e o céu do chão da terra
e mais tudo o que houve e há e havia.
Tudo pinta de luz como se a aurora,
para que a lua cheia brilhe ainda
um pouco mais na noite que adormece
sobre o veludo que a luz clara tece e fia. 
seis
A noite veio, veja!
no vento de julho
com o seu  escuro frio.
Clara navegava a lua
o seu veleiro
como se o céu inteiro
fosse um rio. 
sete
À noite
a lua acende
a sua vela
e, veleiro,
viaja o mar da noite
banhando de luz
o mundo e a terra
e tudo o que antes
foi escuro nela.
oito
Apaga a luz da lua
a das estrelas
da estrada do céu
por onde vaga.
E clareia o céu
e a terra inteira
no veleiro de velas
de seu barco.
Até quando a manhã chega
e acende fogos
e a lua se apaga
e a noite acaba.
Nove
Estala como um raio
a luz da lua
quando sai de trás
da novem escura
cercada do rosário
das estrelas.
E o céu inteiro ela clareia
a clara lua
com a luz que é da noite
e é toda sua
enquanto o dia tarda
e a noite dura.
dez
Abro a janela
e olho, vejo e espio
e quero vê-las
na noite escura
a lua clara
e as mil estrelas
onze
Vela, veleiro,
a branca lua
se hasteia no mastro
do céu claro.
E o céu todo navega
e se clareia
e se faz belo
e de tão claro
se faz raro. 
doze
A chama de uma vela
E seu pavio
acendem a lua
com a mão da noite de abril.
E a noite de claro se clareia
com a luz da luz que é dela
e é toda sua.

Estes pequenos poemas de improviso começaram a ser
Escritos em algum dia e lugar de que eu esqueço.
Foram revistos e dados por acabados (será mesmo?)
em quatro dias de um setembro frio, em Buenos Aires.
Era o ano de 2015.          
Dia d´água

sábado, 30 de janeiro de 2016

JURAMENTO DE PARIS : POR UM PODER CIDADÃO

Poema para começar o ano em sintonia com o destino da Terra
Carlos Brandão, antropólogo e educador, incentivador da economia solidária e de uma civilização mais amorosa, inspirou-se no Juramento de Paris por um poder cidadão (assine no 
https://fsm2016.org/es/
) e fez o belo poema abaixo:


CIDADÃS E CIDADÃOS DO POVO DA TERRA:
VAMOS CRIAR NOSSO PRÓPRIO PODER!

1.  
O POVO DA TERRA somos nós.
Somos as pessoas como você e eu,
e mais os gestos solidários que nos tornam um entre-nós.
E também é um agricultor do Nordeste do Brasil
e algum menino no Tibete, que nunca vimos e veremos.
E são o POVO DA TERRA todos os Seres Vivos
que vivem nela como nós vivemos,
cada um a seu modo e segundo a vocação de sua espécie
e que compartem conosco o milagre da Vida.
Nós, que sendo entre os humanos uma só espécie
somos diferentes povos, etnias, comunidades e culturas.
2. Eu nasci no Brasil
mas minha Pátria é o Planeta.
A minha Nação é a Terra,
e o meu lar é o Universo.
De nada somos senhores
nem donos de coisa alguma.
Somos seres que chegam e partem,
e somos eternos porque somos
apenas elos da Teia da Vida.
Somos a rede, a teia, a raiz,
e antes de sermos senhores do Mundo
somos irmãs e irmãos do Universo.
3. Chegamos a um “novo milênio”
mas chegamos a bem mais do que isto.
A Nave-Terra em que viajamos
atingiu o rumo de um momento
de uma Grande Transição
Mas ela é também um imenso dilema.
A nave em que navegamos há milhões de anos
pode seguir sua viagem pelo mar do Cosmos
com a gente ou sem ninguém de nós.
E, como foi no começo de tudo,
pode navegar com a Vida ou também sem ela.
E o destino da nossa Nave-Terra,
e o destino da Vida que há nela
mas do que nunca antes
dependem de nós, os Humanos.
4. Depois de anos e anos de espera
sabemos que dos senhores do poder
muito pouco podemos esperar.
De um lado e do outro do Mundo
e também entre as sociedades e culturas da Terra
eles estão bem mais preocupados
com os ilusórios ganhos de agora
do que com a felicidade da Vida... agora e sempre.
E vemos que os que “podem”, podem pouco,
quando é preciso não só “criar o sustentável”
entre cálculos, teorias e técnicas,
mas sustentar um outro modo de vida.
Uma vida fundada na consciência
e no sentimento compartido
de que para venha a Grande Transição
é preciso brotar dentro de nós
entre nós e através de nós
uma Grande Transformação.
5. Nós, cidadãs e cidadãos do Mundo
somos a mais legítima fonte de poder na Terra
porque aspiramos ser a mais sensível fonte de amor.
E também porque sabemos que somos juntos
a fonte de consciência crítica e criativa do que há
e do que precisa ser transformado
para que o que existe exista ainda,
mais vivo, mais verde, mais fecundo e feliz!
Somos, os povos originários de todo o Mundo
entre floretas, savanas, desertos, mares e montanhas,
e mais as mulheres e os homens do campo e das cidades:
artistas, professoras, cientistas, mães e marinheiros
pessoas de pensamento, sentimento e ação,
de princípios e práticas, poesias e preces.
6. Somos nós, os Humanos
e se são os Seres da Vida
aqueles a quem as ações dos poderes
deveriam ser dirigidas,
e não ao ganho, à posse e à reprodução do poder.
Empoderados pelos nossos conhecimentos e culturas
sabemos hoje que a despeito de nossas críticas
e a despeito de nossas previsões e pedidos,
tudo o que entre os senhores do poder e do capital
tem sido decidido, decretado e realizado
é menos do que uma pequena parte
de tudo o que por todo o Mundo
deveria estar sendo pensado, planejado e realizado.
7. Os mares e as geleiras, as florestas e as savanas
os rios, os lagos, a terra em que se planta
a Vida enfim que dá Vida à Vida da Terra
não podem mais esperar que dos senhores do poder
venha a surgir qualquer passo rumo a uma outra opção.
Toda a força e a energia que poderiam
estar sendo dirigidas a tornar mais viva a Vida,
estão por toda a parte sendo empregadas
para transformar a Terra e a Vida
em mercadorias ou em suportes de mercadorias.
8. É tempo de aprendermos a buscar em nós:
na unidade de cada pessoa
e na pluralidade diferenciada de todas e todos nós,
a Comunidade Planetária daqueles/as
que se dispõem a tomar em suas mãos
a bússola e o leme, a vela e o remo
para desviarem para sempre a nossa Nave-Casa
do rumo da Grande Predação da Natureza
para o rumo da Grande Transição da Humanidade e da Vida.
9. Pensemos em Nós e na Vida de que somos parte e partilha.
Pensemos nas pessoas de agora e do futuro.
Lembremos que vivemos em um planeta que bem poderia abrigar
e alimentar todas as pessoas que aqui vivem,
sem degradar a natureza e sem privar de pão e alegria
a imensa maioria dos que vivem “à margem”.
Sem deixar de estarmos atentos ao que pensam e fazem
os senhores do poder, da empresa e do capital
saibamos nos unir, cada pessoa, cada par,
cada pequeno grupo, cada fração de uma rede,
cada comunidade, cada Povo da Terra,
para criarmos as redes de “nós mesmos”,
e para construirmos uma ação coletiva, local e global
capaz de re-sentir e re-pensar a Vida da Terra
enquanto outros pensam no lucro da terra.
Sejamos capazes de lutar pelo dom da Vida
quando outros fazem dela uma fonte de ganhos.
Sejamos capazes de trabalhar em nome dos que virão,
quando alguns fazem os outros trabalharem
para gerarem no imediato do agora os seus ganhos.
10. Se somarmos o que até aqui fizeram
todas as pessoas ativas de todos os Povos da Terra
Veremos que muito foi feito de tudo o que falta.
E o que resta agora talvez seja o passo mais essencial!
Eis que é chegada a hora de darmos juntas/os
mais um passo na capacidade de nossa família humana
para garantir o seu destino comum,
iniciando nossas ações por nos contrapormos
a todas as ações que ameaçam tudo e todos no Planeta,
destruindo a Mãe Natureza que nutre a vida.
Chegou a hora de pensarmos em instaurar
um Processo Constituinte.
Um documento criado e assinado por nós,
Comprometendo Cidadãs e Cidadãos do Mundo.
Todas as pessoas que se reconhecem
Corresponsáveis pelo Destino da Terra e da Vida na Terra.
Um documento que vá além
da Declaração Universal dos Direitos Humanos
e estenda estes direitos à Natureza
e a tudo o que nela é Vivo e realiza a própria Vida.
11. É chegado o momento de reconhecermos e assumirmos
que os direitos e deveres de uma Cidadania Planetária
não podem mais ser a iniciativa e o poder
de estados, de governos e de empresas
cujo interesse primordial é a competição,
e é o interesse, o lucro e a acumulação do capital.
12. 
Saibamos tomar na mãos o leme da Nave
E construir enfim um Poder Cidadão
que em nosso nome e em nome da Vida
traga para o domínio da sociedade civil
de todos os povos da terra
o que até aqui esteve atrelado ao poder
dos interesses do mundo dos negócios.
Saibamos recolocar o equilíbrio das relações
no seu lugar certo e justo.
Que a base da vida social sejamos nós,
As Pessoas, as Comunidades, os Povos e a Vida
a quem todo o poder de estado deve servir,
e a quem, mais ainda, devem servir todas as empresas
que se apossam dos saberes das ciências
e dos poderes da tecnologia para gerarem mais lucro e mais ganhos em troca de mais desertos e menos Vida.
13. Em nome da Mãe Terra, em nome da Vida
e em nosso próprio nome
ousemos nos comprometer a buscarmos juntos/as
todas as formas de organização e expressão
de um novo Poder Cidadão.
Nos grandes fóruns internacionais, assim como nos mais locais,
ousemos fazer ser ouvida a nossa própria voz.
Estejamos presentes e, mais ainda:
ativos, ativistas, militantes, críticos, criativos.
14. Em nome desta urgência e do valor desta proposta
nós nos comprometemos juntos a pôr em prática
este juramento solene:
“Dedicaremos todas as nossas capacidades, toda a nossa criatividade, a nossa experiência intelectual, emocional, artística, material e imaterial, à aceleração imediata da Grande Transição para energia renovável e limpa, abandono de combustíveis fósseis e padrões destrutivos de produção e consumo para os seres humanos e o planeta, construção em todos os lugares e em todas as escalas, nossas famílias, nossas aldeias e nossas cidades, nossas regiões e nações, de uma nova economia baseada na igualdade e na solidariedade, respeitosa da vida, da saúde, do bem-estar humano, bem como da biodiversidade e do equilíbrio de todos ecossistemas terrestres e submarinos dos quais depende a sobrevivência da humanidade”.
15. Este propósito decidido e assinado
pelas pessoas que se reuniram em Paris
implica o projeto de perseverarmos no que aqui se propõe:
manter unida ativa e crescente
uma rede mundial de homens e mulheres
de todos os povos da Terra;
fortalecer todas as raízes,
redes e teias de pensamento, ação e intercomunicação;
estar sempre presentes quando em algum lugar algo essencial
esteja sendo posto em questão;
pressionar, como cidadãos e cidadãs livres e conscientes,
todos os poderes em qualquer um de seus níveis;
fortalecer os laços de companheirismo,
de generosa solidariedade e de um crescente compromisso
em nome de uma Cidadania Mundial,
em direção a uma Grande Transformação nossa
e daquelas e daqueles que aderirem a estes propósitos
em nome da realização da Grande Transição
que não apenas nos espera adiante
mas que nós Cidadãs e Cidadãos do Mundo
devemos tomar nas mãos e realizar.
16. E nos comprometemos a tornar tudo isto real
expandindo a rede global de cidadãs e cidadãos da Terra empenhados de corpo e alma nesta missão, atores da emergência de uma sociedade cívica mundial,
portadores de um novo Contrato Social e Ecológico Planetário,
garantidores deste juramento e deste compromisso
em nosso nome e para a proteção das gerações vindouras.
Todos e cada um dos cidadãos do Povo da Terra,
aqui em Paris e em todo o mundo,
confirmarão por sua assinatura esta inabalável resolução.
LEIA TAMBÉM:
http://brasileiros.com.br/2016/01/papa-francisco-fala-sobre-meio-ambiente-com-leonardo-di-caprio/ 

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

DOS CONSULTORES E TÉCNICOS DA BARRAGEM DE MARIANA - "FIZERAM, DA BARRAGEM, UM ATERRO ! "

FIZERAM DA BARRAGEM UM  ATERRO  Engenheiro Pimenta de Ávila informou proporção em depoimento à PF. Trecho diz que aumento de lama poderia comprometer estabilidade.
Do G1 MG 22/01/2016
Distrito de Bento Rodrigues após o desastre ambiental de Mariana
 (Foto: Flávia Mantovani/G1)
O engenheiro Joaquim Pimenta de Ávila afirmou, em depoimento à Polícia Federal, que a quantidade de lama depositada na barragem de Fundão era maior do que a informada pela Samarco, cujas donas são a Vale e a BHP Billinton. “A Samarco informava que a proporção de lama para rejeito arenoso era de 30% de lama para 70% de arenoso, mas na prática sempre foi 40% de lama para 60% de arenoso, isso sem considerar a Vale”, diz o trecho do depoimento, de dezembro de 2015.
  • MPF diz que a Vale jogava mais rejeito em barragem de MG do que declarou
  • A informação foi publicada nesta sexta-feira (22) pelo jornal Folha de S. Paulo. A TV Globo Minas teve acesso a parte do depoimento. De acordo com o relato do engenheiro, responsável pelo projeto de construção da estrutura, o aumento de percentual de lama poderia comprometer a estabilidade da barragem. Mas isso, se não for prevista uma acomodação adequada dos rejeitos no reservatório. Ainda de acordo com o engenheiro, a barragem de rejeito arenoso tem que ter a água constantemente controlada, “pois se não começa a aparecer situações de risco”. 
DESASTRE AMBIENTAL:AS PRIMEIRAS HORA




http://g1.globo.com/minas-gerais/desastre-ambiental-em-mariana/index.html
 ·        rompimento
·        fotos
·        cobertura em tempo real
·        relatos de moradores
·        perguntas e respostas
·        infográfico
·        mortos e desaparecidos
·        antes e depois
·        a tragédia em números
·        como ajudar
·        a vida após a lama
Questionado pelo G1 sobre o teor do depoimento, Pimenta afirmou que a proporção informada por ele se referia ao período anterior a 2010. Ele disse não ter conhecimento do percentual na data do rompimento. Em 2012, o profissional deixou de prestar serviço para a Samarco. A barragem de Fundão se rompeu no dia 5 de novembro de 2015, provocando o despejo de mais de 30 milhões de metros cúbicos de rejeito de minério e água, segundo a Samarco. O rompimento destruiu o distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, afetando Águas Claras, Ponte do Gama, Paracatu e Pedras, além das cidades de Barra Longa e Rio Doce. Os rejeitos também atingiram mais de 40 cidades na Região Leste de Minas Gerais e no Espírito Santo. O desastre ambiental, considerado o maior e sem precedentes no Brasil, deixou 17 pessoas mortas e duas desaparecidas.
Segundo a Samarco, nas barragens da mineradora são depositados dois tipos de rejeitos, um mais grosso, chamado de rejeito arenoso, e outro mais fino, a lama. Ainda conforme a empresa, ambos os rejeitos são transportados e dispostos em forma de polpa, ou seja, uma mistura de sólidos e água. 
Em nota, a mineradora afirma que pode ter havido variação na proporção dos rejeitos na barragem de Fundão e que isso não comprometeu a segurança. “Não obstante a proporção 30% lama e 70% arenoso, licenciada para barragem do Fundão, é possível que, no curso da operação ocorram variações próximas de 35% lama e 65% arenoso. Respeitadas premissas do manual de operação, essa distorção não traz impacto para a segurança da barragem”. A empresa afirma que o monitoramento de segurança é constante. “A Samarco realizava, e continua realizando, o monitoramento por meio de drones, acompanhamento de piezômetros, indicadores de nível de água, marcos superficiais, inspeções visuais, além das verificações diárias 24 horas por dia, 7 dias por semana”.
Distrito de Paracatu foi tomado por lama. Marca em Igreja mostra que ela quase foi totalmente coberta (Foto: Raquel Freitas/G1)
Contudo, uma especialista em barragens ouvida pelo G1 diz que a variação é significativa. “A variação de 10% é significativa porque você está falando em milhões de metros cúbicos. Isso pode deixar o projeto vulnerável”, afirma a engenheira civil Rafaela Baldi Fernandes. Ela ressalta que, quando há mudança na composição em relação ao que está no projeto, é necessário uma reavaliação do projeto e das condições de estabilidade da estrutura. Rafaela explica que um dos pontos mais relevantes na estabilidade de uma barragem é a quantidade de água. “O rejeito arenoso sedimenta, indo para o fundo. A água infiltra no maciço [estrutura de contenção], desestabilizando e levando a uma condição de ruptura”, disse. Em relação à acomodação dos rejeitos no reservatório de uma barragem, a especialista diz que, em termos gerais, deve se preservar 200 metros, que é uma distância aceitável de separação do rejeito fino com água do maciço da barragem para que não haja infiltração. 
Indiciamento
No dia 13 de janeiro, a Polícia Federal indiciou o então diretor-presidente da Samarco, Ricardo Vescovi, e Kleber Terra, que ocupava o cargo de diretor de operações, além de outros cinco executivos e técnicos. A empresa, a Vale e a VogBR também foram indiciadas. De acordo com a Polícia Federal, a suspeita é que eles causaram poluição em níveis que “resultem ou possam resultar em danos à saúde humana, ou que provoquem a mortandade de animais ou a destruição significativa da flora”, como previsto no artigo 54 da Lei de Crimes Ambientais. Na última quarta-feira (20), Vescovi e Terra se afastaram de suas funções na companhia. Segundo a nota divulgada pela empresa, “os executivos acreditam que o licenciamento temporário é importante para que possam se dedicar às suas defesas”.
Alerta sobre trincas
No último sábado (16), o engenheiro Joaquim Pimenta de Ávila disse à reportagem da TV Globo que alertou à mineradora Samarco sobre um princípio de ruptura na margem esquerda da barragem de Fundão. O aviso, segundo ele, foi dado em 2014 quando ele prestou consultoria para a mineradora. A informação também consta no depoimento do engenheiro na Polícia Federal, em dezembro do ano passado. 
O engenheiro afirma que uma trinca apareceu em um recuo feito na barragem e que não estava no projeto feito por ele. A recomendação do especialista na época foi que fosse feito o redimensionamento do reforço na estrutura e a instalação de ao menos nove piezômetros – instrumentos para medir a pressão da água no solo e o acompanhamento diário da posição do nível da água. Mas ele disse à PF que não sabe se as orientações foram seguidas pela mineradora. 
Você poderá ler também:
http://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2016/01/22/interna_gerais,727384/governo-anuncia-fundacao-financiada-por-mineradoras-para-recuperar-rio.shtml