IMPOSTOS EM SÃO PAULO

quinta-feira, 23 de julho de 2015

A COR DAS FLORES

Girassóis- Van Gogh


MÃOS VENDO O GIRASSOL
 Ou “de que cor são as flores”? Esta foi a experiência  com a diretoria do Centro Cultural Louis Braille de  Campinas , especialmente composta no dia 22 de julho  de 2015 para pensar o trabalho do semestre. A  reunião foi  com os diretores Odair, Roberto,  Robson,Creuza e  Matilde juntamente com os artistas  Afranânio  Montemurro e Isabelle Ferrão Marques. 
 Nossa proposta:  criar uma marca ou um símbolo para o projeto CONTINUM 2015, que marcará o inicio a nova  gestão da instituição.Uma experiência muito motivadora para todo o grupo,
    sobretudo pelos desafios. Por que o Girassol? E qual a sua cor?
   - "A cor do girassol? É aveludada, macia com pétalas no entorno de um circulo com textura dura mas não pontuda. Ele é lindo!" disse Matilde.
- "E o artista que mais pintou girassóis foi Van Gogh", disse Isabelle, que vai dar a oficina em setembro.
Levamos também sementes de girassol crua  torradas.Assim demos sabor a cor amarela.Este é um tema que pode ser visto neste filme:  “DE QUE COR SÃO AS FLORES?”  https://youtu.be/s6NNOeiQpPM   
Flor de Girassol
Girassóis Van Gogh

  O que é Flor de Girassol:
A Mitologiagia Grega apresenta uma lenda que explica o aparecimento da flor girassol. Clítia ou Clície, era uma ninfa que estava apaixonada por Hélio, o deus do Sol. Quando este a a trocou por Leucotéia, Clície começou a enfraquecer. Ela ficava sentada no chão frio, sem comer e sem beber, se alimentando apenas das suas próprias lágrimas. Enquanto o Sol estava no céu, Clície não desviava dele o seu olhar nem por um segundo, mas durante a noite, o seu rosto se virava para o chão, continuando então a chorar. Com o passar do tempo, os seus pés ganharam raízes e a sua face se transformou em uma flor, e continou seguindo o sol. A Mitologia grega conta que assim nasceu o primeiro girassol. Uma planta nome científico do girassol é Helianthus annus, cujo significado é “flor do sol”. É uma planta originária da América do Norte e possui a particularidade de ser heliotrópica, ou seja, gira o caule sempre posicionando a flor na direção do sol. pois possui características do Sol. A flor de girassol significa felicidade. A cor amarela ou os tons cor de laranja das pétalas simbolizam calor, lealdade, entusiasmo e vitalidade, refletindo a energia positiva do sol. No entanto, o girassol também pode representar altivez.O girassol é uma planta cujo caule pode atingir os 3 metros de altura e tem diversas utilidades, principalmente as suas sementes que são usadas para a produção de óleo de cozinha, biodiesel ou para alimentação de pássaros. O girassol também pode ser usado no fabrico de lubrificantes e sabonetes. A fibra existente no caule do girassol pode ser usada para fabricar papel. Pela sua beleza e exuberância, a flor do girassol é muito procurada para ornamentação. Acredita-se que traz sorte e boas vibrações ao ambiente, sendo uma flor muito usada no Feng Shui. Está fortemente associada à fama, ao sucesso, longevidade, nutrição, poder e calor. Oferecer um girassol a uma pessoa que iniciou um negócio expressa o desejo de sucesso e de boa fortuna para essa pessoa. Segundo uma crença popular, a semente do girassol, quando deixada ao sol, pode curar a infertilidade. Na Hungria, acreditam que se na casa onde mora mulher grávida forem colocadas sementes de girassol na janela, a criança que nascer será homem. Na Espanha, quem tem 11 girassóis tem a sorte do seu lado. Na pintura, destaca-se a série de quadros “Os Girassóis” do pintor holandês Vincent van Gogh, produzidos durante a sua permanência na cidade de Arles, no sul da França. 

Ver Vaso com doze girassóis: Sompo Japan Museum of Art;Museu Van Gogh; 


sábado, 18 de julho de 2015

VERMELHO COMO O CÉU ...UMA HISTÓRIA VERDADEIRA - Recontada para o trabalho no Centro Cultural Louis Braille-Campinas - SP

VERMELHO COMO O CÉU NO EVENTO “CINEPSICANÁLISE”  
Livraria Cultura de Campinas -2012 -  Texto Odila Fonseca

"Pontedera Officina Canuti: l’artista e il território.Arte ambientale e didattica per i ragazzi sono stati gli elementi fondanti del progetto Officina Canuti che ha investito per un anno e mezzo Pontedera, una città che negli ultimi anni si è fortemente orientata sui linguaggi dell’arte recependo gli indirizzi regionali volti all’approfondimento di una cultura di rete che favorisca le contaminazioni tra le varie discipline artistiche. Se la poetica di Nado Canuti ha trovato sviluppo in città attraverso mostre, installazioni, murales, i laboratori d’arte e didattica sono stati i fondamenti di un processo educativo inserito in una dimensione affettiva degli apprendimenti che si basa sul coinvolgimento emotivo dei ragazzi per mezzo di immaginazione, fantasia e creatività a stretto contatto con l’artista".
INTRODUÇÃO
Depois da minha apresentação na Livraria Cultura, tive vontade de fazer o que sempre me suscita uma ação e uma experiência mobilizadora de emoções e desafios. Continuar o movimento. Por isso quis deixar um pouco, não só de meus pensamentos, expostos ali mas desenvolver um pouco mais a experiência vivida. Porque ao pensar na minha fala tive a certeza que ao me afastar um pouco da análise fílmica poderia trazer a minha experiência na busca do desenvolvimento do tema. Não prender-me a imagens do filme analisando-as foi uma escolha que demandou bastante empenho psíquico. E é isso que quero compartilhar neste texto.
VISÃO DE UMA IMAGEM NO ESCURO e o BATE PAPO
A convite da curadora Luciane Loss Jardim, psicanalista, vim conversar no evento CINEPSICANÁLISE na Livraria Cultura de Campinas sobre o filme proposto para o meu tema, como cineasta, num “diálogo” com apreciadores e espectadores do cinema como arte e a psicanalise. O filme VERMELHO COMO O CÉU suscitou-me a “brincadeira” da EXPERIÊNCIA NO ESCURO. Passados os 96 minutos do filme as luzes continuaram apagadas. A sala muito escura. Na surpresa uma voz feminina é escutada. É a experiência de uma imagem mental colocada para todos naquele momento.
“Foto em branco e preto”.
Em primeiro plano, iluminado, um adolescente sentado numa cadeira de rodas olha para a bola e levanta uma raquete de tênis com as duas mãos. A foto foi tirada no instante em que a bola de tênis ainda está no ar para ser rebatida. Ao fundo, uma luz é projetada na parede e vemos a sombra do adolescente na cadeira de rodas com a raquete. A bola de tênis está no espaço entre a raquete e sua sombra na parede. O adolescente usa uma camiseta sem mangas e um relógio esportivo no braço esquerdo. Abaixo da foto, no canto esquerdo, está escrito: Fotógrafo Vanderlei Kupicki. 
Logo que as luzes acenderam, Luciane e eu subimos no palco. Mudava meu lugar de mundo. Começava outra “experiência no escuro” para mim.
Mulheres Conversando
 - "Quero comentar um pouco esta EXPERIÊNCIA NO ESCURO DE UMA FOTOGRAFIA AUDIODESCRITA pela Bell Machado, que é professora de História do Cinema e pioneira no Brasil como audiodescritora. Queria que vocês guardassem na memória a imagem que construíram com esta experiência no escuro aqui, porque depois de terminada a nossa conversa vou entregar a fotografia escolhida do Vitor Hugo, que é uma criança portadora de mielomeningocele* e ATLETA PARALÍMPICO. Então quero que vocês, ao olharem a IMAGEM FORMAL, reflitam a criação dela no seu imaginário.
   - A imagem escolhida que vocês “viram no escuro” faz parte de uma EXPOSIÇÃO ITINERANTE que contém  vinte e nove fotos da ONG CEPE, Centro Esportivo para Pessoas Especiais, onde tenho trabalhado como consultora e Coach.  Esta instituição está comemorando dez anos e fica em Joinville-SC.   No percurso da sua existência sempre recebeu pessoas, na maioria delas com deficiência adquirida.  Num tempo mais recente foi criada a Escolinha de Esporte para crianças com deficiências mostrando um perfil mais desafiador. Tem chamado minha atenção o modo de “ver” e sentir a vida que estas crianças têm a partir do seu mundo. Muito diferente do sentir e pensar do mundo adulto.. Por ser este um momento que o tema da “inclusão” tem sido muito discutido na sociedade não tem sido nada fácil criar novas linguagens no campo da audiodescrição e libras, hoje regulamentadas por políticas públicas.
Vitor Hugo - 2010

        Trago comigo esta noite, para conversarmos descontraídos, dois artistas contemporâneos. Um na área da literatura e a outra nas artes plásticas. O que eu quero falar aqui tem a ver com a experiência do menino Mirco** protagonista do filme “VERMELHO COMO O CÉU” e a invenção da vida diante do desconhecido e do inusitado que o acidente doméstico desencadeou, nele em sua família e na escola. Uma história contada no pequeno Distrito de Pontedera na Toscana e com características culturais conservadoras da idade média. Pensei para este momento um pouco de outras invenções de criança, para acompanhar a experiência de Mirno, a de Manoel de Barros quando diz em suas “MEMÓRIAS INVENTADAS”
  _  “Eu tinha um ermo enorme dentro do olho. Por motivo do ermo não fui um menino peralta. Agora tenho saudade do que não fui...”
E continuando em outro trecho
_ “ENTÃO EU TRAGO NAS MINHAS RAIZES CRIANCEIRAS  A “VISÃO” COMUNGANTE. Porque se a gente fala a partir de ser criança, a gente faz comunhão, de um orvalho com sua aranha, de uma tarde com suas garças, de um pássaro com suas árvores”.
           ... EU SEI DIZER SEM PUDOR QUE O ESCURO ME ILUMINA.
Mais adiante, ele nos remete a um pensamento que suscitou um desafio para mim.
_ Gosto de coisas que começam assim: "Antigamente, o tatu era gente e namorou a mulher de outro homem". Está no livro "Vozes da Origem", da antropóloga Betty Mindlin. Essas leituras me ajudam a explorar os mistérios irracionais. Não uso computador para escrever. Sou metido. Sempre acho “que na ponta de meu lápis tem um nascimento.”.
As imagens de um menino que tinha este vazio, esta solidão, este deserto “dentro do olho” de Manoel de Barros me encantaram. É por isso que para ele foi possível escrever imagens mentais.
_ “INVENTEI UM MENINO LEVADO DA BRECA PARA ME SER. ÊLE TINHA UM GOSTO ELEVADO PELO CHÃO... PASSARINHOS BOTAVAM PRIMAVERAS NAS SUAS PALAVRAS. APRENDEU A DIALOGAR COM AS ÁGUAS AINDA QUE NÃO SOUBESSE NEM AS LETRAS QUE TEM UMA PALAVRA... DE MANHÃ PEGAVA O REGADOR E IA REGAR OS PEIXES...”.
 Essas são imagens do poeta e que inauguram o século XXI. Elas aparecem nos livros “Exercícios de ser criança” – 2000 e também em “O fazedor de amanhecer” – 2001 só para citar alguma de suas obras.
E ainda dialogando com outro grande escritor, Guimarães Rosa, que uma vez disse sobre o autor de EXERCÍCIOS DE SER CRIANÇA:
          _“Nunca vi uma escrita tão instável”
 Um exemplo dessas instabilidades é a frase
_ "Noventa por cento do que escrevo é invenção. Só dez por cento é mentira".
É uma frase tão impactante que levou o cineasta, Pedro Cezar, a dirigir o documentário sobre a vida do poeta e intitulado "Só dez por cento é mentira", e que foi exibido em abril de 2007. Estas escritas e “falas” de uma vida de 97 anos percorreram a educação e inventaram, por exemplo, a Escola Manoel de Barros e a Fundação Manoel de Barros, em Cuiabá-MT onde nasceu e que se contrapõem as instituições do tempo do menino Mirco cuja sociedade nos meados do século XX se vê e se percebe cega no trato desta questão. Não foi a especialidade “do ser cego” do diretor da escola que percebeu o desejo de Mirco criar uma nova linguagem. Foi a VISÃO COMUNGANTE do Padre com o aluno Mirco, dos colegas e da menina.
  Arte de Dalcio Machado

                          

“Não uso computador para escrever. Sou metido. Sempre acho que na ponta de meu lápis tem um nascimento.” 
Manoel de Barros, escritor, poeta e fazendeiro

sexta-feira, 17 de julho de 2015

VIAJANTE NORUEGUÊS FEZ DO PORTO DE PARANÁGUA SUA ENTRADA PARA O MUNDO COBOCLO

HÁ 80 ANOS
Morto em 1935, Andersen passou à história como pai da pintura paranaense: sua casa transformou-se num museu, suas obras tornaram-se referências regionais e sua trajetória converteu-se num “terreno fértil para a pesquisa em sociologia da arte”, afirma Amélia Siegel Corrêa, autora do livro Alfredo Andersen – Retratos e paisagens de um norueguês caboclo. O livro, publicado com o apoio da FAPESP, corresponde à tese de doutorado de Corrêa na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP), orientada por Leopoldo Garcia Pinto Waizbort, também com bolsa da Fundação. “O objetivo é entender os condicionantes sociais e históricos da atividade do artista”, resume Corrêa. O livro, em que ela também analisa as obras do pintor, será lançado em 6 de agosto, na Livraria Cultura, em Curitiba, no Paraná.
80 anos depois
A pesquisa envolveu consulta a diversas fontes bibliográficas, inclusive na Noruega – onde Andersen nasceu, em 1860, filho de um capitão de navio e de uma dona de casa –, para “entender a formação artística e a identidade do pintor”. Nos primeiro e segundo capítulos, Corrêa percorre a biografia e a trajetória artística do pintor, que começou a frequentar escola de desenho aos 14 anos e teve sua formação marcada pelo retrato e pelo paisagismo, tradicionais na Noruega, ainda fortemente contaminado pelo realismo. Andersen vendeu a primeira tela em 1888 e, em 1891, numa exposição individual, comercializou cinco dos dez quadros expostos. Sua arte, no entanto, desenvolveu-se na “periferia” da cultura europeia que tinha epicentro em Paris e no impressionismo. “Se a pintura naturalista perdia cada vez mais espaço na Europa com o avanço das vanguardas, ele foi bem recebido no Sul do Brasil”, afirma.
Um país promissor
Foi com essa bagagem que Andersen aportou no Brasil, país que ele conhecera anos antes, em viagem com o pai. “Instalar-se num país promissor era compatível com um homem de trinta e poucos anos que via sua carreira artística sob ameaça de fracasso.” No capítulo três, Corrêa analisa a fase brasileira do pintor, principalmente, os retratos, de forma a apreender, “pelo contexto social e pelas redes de relações que foram produzidas”, a relação entre arte, cultura e política no Paraná e a posição do pintor nessa configuração. A fotografia, na época, já fazia sucesso no Brasil e Andersen fez dela uma aliada: aceitava encomendas a partir de fotos de pessoas. “Costumava dizer que era mais fácil ser pintor do que fotógrafo”, ela conta. Pintava ao gosto de fregueses – comerciantes, profissionais ligados ao porto de Paranaguá, à estrada de ferro ou à erva-mate –,   que consideravam o retrato um “símbolo de status”, e assim garantia o sustento da família. Mudou-se para Curitiba e ampliou sua rede de relações para incluir também literatos e políticos. No quarto capítulo a autora investiga as pinturas de paisagens, gênero pelo qual ele se tornou mais conhecido: marinhas do litoral, cenas do porto e paisagens de Rocio, até chegar ao tema “canônico” dos pinheirais. “É possível perceber, também, o processo de mudança da fatura estética do pintor, o que se deu tanto pelo contato com outros paisagistas brasileiros, como pelas pressões do mercado”, ela explica. O quinto capítulo tem como pano de fundo a belle époque curitibana. Com a República, a promulgação da 1ª Constituição da província do Paraná e o crescimento da indústria do mate e da madeira, a atividade artística se expande e começam a surgir as primeiras exposições, assim como as primeiras tentativas de instauração de uma Escola de Música e Belas Artes, que se concretizará apenas em 1948. No sexto e último capítulo, Corrêa explora a posição de Andersen nesse novo ambiente, tendo como foco o casamento nativo e a sua condição de estrangeiro. “Entramos na casa do pintor através das suas pinturas, inclusive dos retratos afetivos dos seus familiares”, afirma. As cenas de gênero, ela sublinha, configuram a faceta mais autoral da sua produção. “É onde ele mostra o seu cotidiano e seu caminho sem volta rumo à luz e à cultura brasileira.”
Ficha
Título: Alfredo Andersen – Retratos e paisagens de um norueguês caboclo Autora: Amélia Siegel Corrêa Editora: Alameda Ano: 2014 Páginas: 380               
 NOTA AO PÉ DA LETRA: OSítio Paiquerê, em Valinhos, foi construido sob a lenda dos  índios Paranaenses cuja lenda  PAIQUERÊ significava PARAÍSO EM TUPI-GUARANI  A artista plástica Maria Judith de Campos Fonseca, casada com um médico, inspira-se nas pinturas naturalista de Alfredo Andersen para construir uma intalação de 128 mil hequitares nesta região ocupada por imigrantes italianos LEIA AQUI PONTO A PONTO A ENCICLICA PAPAL LAUDATO SI                                                http://www.observatoriodoclima.eco.br/a-enciclica-de-francisco-ponto-a-ponto/    

PAIQUERÊ
Sítio Paiquerê Valinhos  

segunda-feira, 13 de julho de 2015

GRANDES MOMENTOS DA CIÊNCIA E DA TECNOLOGIA_Louis Braille e o Alfabeto Braille

MOMENTOS DA CIÊNCIA E TECNOLOGIA - 
Em 1825, aos 16 anos de idade, Louis Braille desenvolveu um sistema de escrita que ainda é usado até hoje por cegos do mundo todo. Com as invenções de Braille, os cegos passaram a ser capazes de ler e escrever por si mesmos. Em 1878, o sistema de Louis Braille foi declarado o sistema de escrita oficial internacional para cegos em um congresso em Paris. Hoje, as pessoas cegas do mundo todo usam braille em muitas centenas de línguas. Nossa principal preocupação deve ser ensinar os cegos a ler", dizia Valentin Haüy, fundador da primeira escola para cegos do mundo, em Paris. Ele observara que as folhas impressas em sua gráfica exibiam no reverso todas as letras em relevo, só que invertidas. Haüy usou esse princípio para imprimir livros em relevo, com escrita palpável.Foi assim que tudo começou. Mas as letras em relevo de Haüy só podiam ser lidas a dedo com muita dificuldade. Isso também não mudou com uma escrita desenvolvida na Alemanha, que substituía o alinhamento de letras pela justaposição de pontos isolados. Influenciados pelo fato de terem visão perfeita, os primeiros inventores da escrita para cegos seguiam a lógica da escrita normal. 
O cego Louis Braille, porém, revolucionaria as pesquisas nessas área. Nascido a 4 de janeiro de 1809, na pequena cidade francesa de Coupvray, no distrito de Seine-et-Marne, a cerca de 45 km de Paris, Braille era cego desde os três anos de idade. Ele ferira o olho esquerdo ao tentar perfurar um pedaço de couro na oficina do pai. A infecção produzida pelo acidente expandira-se e atingira o outro olho, provocando a cegueira total.
Louis Braille
Estudo
Apesar disso, inicialmente Braille frequentou uma escola para crianças com visão normal, onde se destacou como aluno aplicado. Em 1820, pediu transferência para o instituto de crianças cegas de Paris, fundado 40 anos antes por Valentin Haüy.Logo notou que os meios e métodos usados à época no ensino para deficientes visuais ainda eram muito lentos. Isso se devia, principalmente, à baixa velocidade de leitura permitida pela escrita em relevo. Sua primeira tentativa para mudar este incômodo sistema foi usar as letras recortadas em couro.
Por influência da concertista cega Teresa von Paradis, Braille passou a estudar música. Como músico, conseguiu fundos para levar adiante suas pesquisas em torno de um novo sistema de leitura.
seis pontos
Reconhecimento A chamada "célula braille" é composta de seis pontos, em relevo, dispostos em duas colunas de três. As combinações destes pontos permitem representar todo o alfabeto, incluindo os acentos, números e a pontuação.
Como professor auxiliar no instituto de Paris, Braille demonstrou a utilidade prática do sistema de seis pontos, que em 1830 passou a integrar a escrita escolar e rapidamente melhorou o desempenho dos alunos cegos. A propagação e o reconhecimento oficial da nova escrita, porém, só viriam muito mais tarde. Somente após a morte precoce de Braille, a 6 de janeiro de 1852, alguns franceses iniciaram uma campanha para transformar seu sistema em padrão europeu. Na Alemanha, foi adotado no ensino para cegos em 1879. Em 1951, a Unesco criou seu código internacional oficial do braille e fundou o Conselho Mundial Braille, a fim de uniformizar a escrita para cegos em todo o mundo.
Hoje o braille é mundialmente usado e reconhecido. Para as organizações internacionais dos cegos, o desenvolvimento da anagliptografia, como também é chamado o braille, significou uma revolução cultural semelhante à invenção da imprensa por Gutenberg. "A escrita de pontos possibilitou literalmente o acesso dos cegos à grande parte da educação que antes lhes era inacessível", diz Hans Werner Lange, diretor da Associação dos Cegos da Baixa Saxônia.

domingo, 12 de julho de 2015

" A SOBREVIVÊNCIA DA HUMANIDADE DEPENDE DE NOSSA ALFABETIZAÇÃO ECOLÓGICA"


Fritjof Capra 


O PhD em física e escritor austríaco Fritjof Capra, autor de best-sellers como O Tao da Física, O Ponto de Mutação e As Conexões Ocultas, abriu nesta quinta-feira, 2 de julho, o Congresso Internacional de Sustentabilidade para Pequenos Negócios (Ciclos), realizado pelo Sebrae em Cuiabá, no Mato Grosso. Ao ministrar a palestra magna de abertura do evento, intitulada O estado do mundo: impactos da escassez na economia global, Capra defendeu o que chama de “pensamento sistêmico”, baseado na interdependência dos sistemas vivos, os quais ele inclui as sociedades urbanas e os ecossistemas.
“Nas próximas décadas, a sobrevivência da humanidade dependerá de nossa alfabetização ecológica”, destacou o físico. Para Capra, ser ecologicamente alfabetizado (ecoliterate) significa entender os princípios básicos da ecologia que os ecossistemas desenvolveram para manter a ‘teia da vida’.
“No Centro para Alfabetização Ecológica em Berkeley, meus colegas de trabalho e eu desenvolvemos uma pedagogia especial para ensinar nas nossas escolas esses princípios da ecologia e as ferramentas que são necessárias para construir e alimentar comunidades sustentáveis”, ressaltou.
Mudança de paradigmas
" Nem todo o crescimento é bom, pois pode, por exemplo, se valer de exploração excessiva de recursos naturais, combustíveis fósseis e desigualdade de renda” – Fritjof Capra . Para o austríaco, o grande desafio de nossa época é construir e nutrir comunidades sustentáveis. “Os maiores problemas de nossa era: mudanças climáticas, pobreza, energia, água, estão conectados, são interdependentes. Suas soluções também”, enfatizou. A fim de reverter o quadro atual do planeta, o pensador acredita que deva haver uma mudança de paradigmas, baseada em um “todo integrado”, tal qual um conjunto de sistemas interconectados, ao invés de uma coleção de partes dissociadas.
Papa Francisco
Avesso ao termo “desenvolvimento sustentável”, que segundo ele remete a ideia de crescimento ilimitado da economia, com base no Produto Interno Bruto (PIB), Capra enalteceu o chamado “crescimento qualitativo”, que segundo ele aprimora a qualidade da vida. 
O físico aproveitou para elogiar a Encíclica divulgada recentemente pelo Vaticano. “O Papa Francisco reconheceu isso, quando cita que é necessário ‘redefinir nossa visão de progresso’. Nem todo crescimento é bom, pois pode, por exemplo, se valer de exploração excessiva de recursos naturais, combustíveis fósseis e desigualdade de renda”, justificou.

Fritjof Capra

Fritjof Capra no primeiro dia do congresso Ciclos
Na concepção de Capra, o Papa Francisco reconheceu a interdependência da natureza em sua Encíclica, “mas nossos políticos não conseguem conectar os pontos”.
O físico, escritor e ativista ambiental ainda observou que um mundo mais sustentável passa por investimentos na agroecologia, arquitetura sustentável e energias renováveis.
O Congresso Ciclos segue até sexta-feira (3) na capital mato-grossense.
Alguns dos trechos mais importantes da palestra de Capra:

Fritjof Capra


“O conceito de sustentabilidade foi apresentado na década de 80 e, desde aquela época, foi distorcido. Vale a pena refletir por um momento sobre o que a sustentabilidade significa. Não é o crescimento econômico, mas a teia a qual defende nossa vida. Tem que ser projetada considerando a natureza.”
“O pensamento sistêmico pode servir para integrar ONGs, por exemplo. Ele é inerentemente multidisciplinar. As redes são o padrão básico de organização de todos os sistemas.”
“O crescimento bom é baseado nas energias renováveis, favorece a comunidade local, recicla… O crescimento qualitativo envolve soluções sistêmicas.”
“Os alimentos orgânicos têm efeito positivo na saúde das pessoas. A agricultura orgânica significa contribuir na luta contra as mudanças climáticas, pois o solo é rico em substâncias vivas.”
“Uma comunidade sustentável tem de ser projetada de uma forma que não interfira na maneira natural de como a natureza sustenta a vida.”
” [A alfabetização ecológica] Tem que se tornar uma competência crítica para políticos, empresários, indústria, universidade, todos os níveis. É preciso compreender os princípios básicos da ecologia e aplica-los.”
O repórter viajou a Cuiabá a convite do Centro Sebrae de Sustentabilidade.
Fonte: EcoD – Fotos: Rodrigo Lorenzon



sexta-feira, 12 de junho de 2015

COMO ESTRELA NA TERRA - Toda Criança é Especial (Taare Zameen Par) leg...

odila fonseca
Este foi um dos mais belos filmes que assisti.Vai fazer parte do material das OFICINAS que serão dadas no CENTRO CULTURAL LOUIS BRAILLE ,em Campinas - SP. A temática será AUTORETRATO. A ausencia da experiência humana - dizia Shopenhauer _ é percebido como sofrimento e que aumenta pelo impulso de tudo querer  ter e ter aprovação dos outros. 
A afirmação que um dos personagens, num determinado momento  do filme faz," Porque o lema é continue assim?" , levou-me a pensar mais uma vez em Shopenhauer na sua especulação do seu pensamento em O MUNDO COMO VONTADE E REPRESENTAÇÃO" de que escolhas podem permitir a nós a liberdade sob a inexorabilidade da vontade. A mim parece muita sabedoria nestes aforismos... E ainda o próprio Shopenhauer, numa fábula do dilema dos Porcos Espinhos, de que durante o inverno se aconchegavam mas diante da dor e do incomodo dos espinhos afastavam -se  para maior conforto (com certeza). Mas ao desconforto do frio tornavam a se aproximar e a experiência é a da dor, novamente. A estas tentativas de achar um meio termo de distância levou Freud usar esta parábola para escrever Psicologia das Massas e a Análise do Eu e Outros Textos relacionando o dilema do porco-espinho com a nossa sedimentação de sentimentos de aversão e hostilidas nos momentos de intimidade - uma das mais comuns necessidades do ser humano. Por isso , nestas oficinas , tentaremos equilibrar durante estes meses de convivência  a experiência e a possiblidade entre as relações dolorosas e sair de qualquer isolamento desprovido de amorosidade.
COMENTÁRIOS:
Aninha Teixeira


 Obrigada pela dica.... fiquei interessada em buscar informações. Desejo de sucesso e boas reflexões na oficina.



17 de junho de 2015 07:27
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Blogger Educomunicação Ambiental disse...
Aninha Teixeira obrigada e estaremos junt@s no processo de crescimento. Grande abraço e agurdamos sua visita. Odila Fonseca
Aninha disse: Obrigada pela dica.... fiquei interessada em buscar informações. Desejo de sucesso e boas reflexões na oficina. em COMO ESTRELA NA TERRA - Toda Criança é Especial (Taare Zameen Par) leg...


quarta-feira, 3 de junho de 2015

ESTRATÉGIAS SUBTERRÂNEAS

Nos campos rupestres, onde a vegetação pode crescer sobre rochas ou na areia, as plantas usam estratégias especializadas para absorver os escassos nutrientes. O biólogo Rafael Oliveira, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), vem descobrindo algumas dessas estratégias, como estruturas especializadas nas raízes que secretam uma substância capaz de liberar o fósforo presente no solo. Outras plantas são carnívoras, como a que mantém as folhas enterradas na areia e captura pequenos vermes subterrâneos. Veja no vídeo produzido pela equipe de Pesquisa FAPESP como especializações nas raízes permitem que plantas vivam no ambiente infértil dos campos rupestres, que não chegam a 1% % do território brasileiro, mas abrigam cerca de um terço da biodiversidade vegetal do país. 


Projeto
Mudanças climáticas em montanhas brasileiras: respostas funcionais de plantas nativas de campos rupestres e campos de altitude a secas extremas (n. 12/07271-7);Modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular; Pesquisador responsável Rafael Silva Oliveira (Unicamp); Investimento R$ 569.639,14 (FAPESP). 

Artigos científicos

ABRAHÃO, A. et alConvergence of a specialized root trait in plants from nutrient-impoverished soils: phosphorus-acquisition strategy in a nonmycorrhizal cactus.Oecologia. v. 176, n. 2, p. 345-55. out. 2014.
LAMBERS, H. et al. Leaf manganese accumulation and phosphorus-aquisition efficiencyTrends in Plant Science. v. 20, n. 2, p. 83-90. fev. 2015.
MULER, A. L. et al. Does cluster-root activity benefit nutrient uptake and growth of co-existing species? Oecologia. v. 174, n. 1, p. 23-31. jan. 2014.
OLIVEIRA, R. S. et al. Mineral nutrition of campos rupestres plant species on contrasting nutrient-impoverished soil typesNew Phytologist. v. 205, n. 3, p. 1183-94. fev. 2015.
PEREIRA, C. G. et al. Underground leaves of Philcoxia trap and digest nematodes.PNAS. v. 109, n. 4, p. 1154-8. 24 jan. 2012.

ESTRATÉGIAS RUPESTRAS