IMPOSTOS EM SÃO PAULO

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

De OLHO no PLANETA


Obra registra 'saber medicinal' do Cerrado
Um livro em fase final de preparação, feito por uma rede de organizações não-governamentais e acompanhado pelos ministérios do Meio Ambiente e da Saúde, vai registrar, pela primeira vez, a “sabedoria medicinal” das comunidades do Cerrado. A obra terá mais de 300 páginas, mais de 500 ilustrações, e abordará as propriedades curativas que as populações rurais de Goiás, Minas Gerais, Tocantins e Maranhão detectam em nove plantas da região, como o barbatimão, o algodãozinho e a batata de purga.

Intitulado “Farmacopéia Popular do Cerrado”, o livro começou a ser escrito em 2004 e deve ser lançado em março de 2008. Além das três plantas já citadas, outras seis serão destacadas no livro: pacari, rufão, ipê-roxo, buriti, velame branco e pé-de-perdiz. A iniciativa é da Articulação Pacari, rede formada por cerca de 90 instituições, ONGs e associações comunitárias.
“A idéia é registrar conhecimentos medicinais tradicionais do Cerrado, até hoje transmitidos oralmente pelas benzedeiras e raizeiros para seus filhos”, afirma a coordenadora da Articulação Pacari, Jaqueline Evangelista. Ela avalia que a publicação também servirá para prevenir a biopirataria, na medida em que registrará o conhecimento das comunidades sobre o tema.

Os moradores da região preparam as plantas medicinais que constam no livro de pelo menos dez formas diferentes: fazem xaropes, pomadas, cremes, sabonetes, balas, pílulas, chás, óleos, tinturas e garrafadas (mistura com bebida alcoólica). “O uso varia de acordo com a comunidade”, diz a diretora da Articulação Pacari, Eleuza Ório. Ela frisa que a obra não dará receitas para esses preparados, apenas indicações do uso fitoterápico das plantas. Também dirá onde elas podem ser encontradas e apresentará dados botânicos específicos. Como exemplo de efeitos fitoterápicos, Eleuza cita as pomadas feitas do barbatimão, usadas como cicatrizantes, os chás de pé-de-perdiz, com efeito antibiótico, e as garrafadas de algodãozinho, comuns para "limpar" o sangue de impurezas.

As comunidades pesquisadas pela Articulação Pacari usam mais de 70 espécies de plantas medicinais, 40% delas nativas do Cerrado. Para o livro, foram selecionadas as que estão sendo ameaçadas pelo avanço das fronteiras agrícolas, as usadas em maior número de comunidades e as utilizadas para fazer diferentes tipos de remédios. “Foi feito um levantamento de 100 a 150 plantas por região, que foram depuradas com base em uma metodologia estabelecida pelos próprios raizeiros e pela Articulação, para enfim chegarmos a essas que constam no livro”, afirma Eleuza.

Orientação
Além de registrar o conhecimento da região sobre as plantas medicinais, o livro também visa orientar benzedeiras, raizeiros e as farmácias populares para que usem os produtos com eficiência e segurança. “Existem centenas de farmácias comunitárias, que receitam os derivados das plantas há décadas”, diz Jaqueline.

As plantas citadas no livro são objeto de estudos acadêmicos de etnofarmacologia e etnobotânica em universidades brasileiras, como o Laboratório de Produtos Naturais da UNICAMP (Universidade Estadual de Campinas). No entanto, a Articulação Pacari salienta que os derivados dessas plantas ainda não são reconhecidos pela ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), porque não existe regulamentação federal específica para fitoterápicos e para remédios populares.

“Em junho de 2006, o presidente Lula assinou decreto para lançar as bases de uma política nacional para a medicina popular, então o reconhecimento em torno dos remédios ainda está sendo construído”, diz Jaqueline. Segundo ela, o livro poderá ser um instrumento de cobrança para que o governo reconheça as plantas medicinais e passe a regulamentar seu uso.

“Os raizeiros detêm o conhecimento para o manejo e a preservação das espécies de plantas medicinais, que muitas vezes estão ameaçadas de extinção”, diz a diretora do Departamento de Patrimônio Genético do Ministério do Meio Ambiente, Cristina Azevedo.

O governo federal, através de um termo de cooperação entre o IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) e o Ministério, acompanham a elaboração do livro. “Até agora, o trabalho tem sido muito bom, no sentido de preservar a memória do uso das plantas medicinais em comunidades rurais do Cerrado”, diz Cristina.

A diretora afirma que espécie alguma dessas plantas é desconhecida. “O fato da farmacopéia ser lançada não significa que esses remédios vão estar nas farmácias no dia seguinte, nem que os hospitais vão passar a adotar os fitoterápicos”, observa. O importante, avalia, é documentar as plantas que são usadas na região, para que sejam feitos planos de preservação ambiental e também para resgatar a cultura dos raizeiros e benzedeiras, ameaçada pelo avanço do agronegócio no Cerrado.

Após a publicação do livro, a Articulação Pacari planeja fazer um manual das boas práticas do uso das plantas medicinais. “A idéia é reunir métodos para preparar os remédios com controle de qualidade, com higiene e também para evitar que eles sejam feitos de qualquer jeito”, diz Jaqueline.

Fonte: Envolverde/Pnud

MIRAGEM NO CERRADO PIAUIENSE
Carta aos participantes da Romaria da Terra e da Água em URUÇUÍ-PI



Há 5 anos uma voz solitária, no sul do Piauí, se levantou contra a destruição do Cerrado e seu povo. Gritou em bom tom que o desenvolvimento prometido para a região era uma mentira, visava apenas beneficiar poucos (uma multinacional, alguns políticos e produtores de soja), e que a grande maioria estaria excluída. Naquele momento, o povo encantado com o “canto de sereia” da Bunge e do Governador não compreendeu. Mas agora é outro momento e o povo já está sabendo que foi enganado.

Isso aconteceu com a chegada da Bunge Alimentos à cidade de Uruçuí, Piauí. A promessa era grande: 10 mil empregos, a maior indústria de soja do Brasil. Tudo mentira. Estamos nos dando conta disso agora. E vejam, tudo com o aval do Governo do Estado. E podem esperar, se a Bunge ficar, depois que completar os 15 anos de isenção ela vai embora, deixando um deserto como herança para o povo da região.


O Cerrado do Piauí já está quase todo destruído (60% já foi liquidado), os rios e riachos estão secando e envenenados pelo uso abusivo de agrotóxicos nas lavouras de soja, os solos estão secando e sendo transformados em desertos. O calor é insuportável e as chuvas já faltam drasticamente. Como se a soja fosse pouco, agora estão chegando a mamona, a cana, o carvão e o eucalipto. E o Governador fazendo mais promessas: “É agora que o Piauí vai desenvolver”. Não acreditem, é mentira de novo. Se continuar assim, dentro de no máximo 5 anos a região desde Uruçuí a Bom Jesus do Gurguéia vai ser um grande deserto de rios secos, com o povo passando sede e fome.

Mas nem tudo está perdido. Podemos dar um basta nessa situação. Não podemos é esperar no Governo do Estado, pois o Governador WD é o principal representante desse modelo predador. E por quê? Porque os sojeiros e a Bunge são os financiadores de campanhas políticas, é quem dá o dinheiro para comprar os votos. O compromisso do Governador não é com o povo, mas com quem lhe garante dinheiro para subornar eleitores. O povo precisa ir para as ruas e dizer que não quer mais esse “desenvolvimento” que não respeita o meio ambiente, os direitos humanos e a cultura existente. Precisamos dizer agora, antes que seja tarde: “FORA Bunge”.

E por falar em direitos humanos, o que foi resolvido com relação à morte dos trabalhadores rurais envenenados por agrotóxicos em fazendas de soja? Até o momento nenhuma providência foi tomada. O Governador WD mandou a Secretaria de Saúde dar uma versão distorcida aos fatos e categoricamente afirmar que a morte dos trabalhadores não fora por agrotóxicos. Mandou também a Secretaria de Segurança promover um grande circo para desenterrar mortos e colher amostras que foram colocadas em “FORMOL” para que o resultado fosse negativo. Os trabalhadores, disse o Governador, não morreram envenenados por agrotóxicos, mas também até agora não disse do que foi. Convém lembrar que essas mortes aconteceram na campanha eleitoral em que o Governador era candidato à reeleição.

E o presente das isenções fiscais que foram oferecidas para a Bunge. Essa empresa não paga nenhum imposto no Piauí. 15 anos de isenção. Disse que ia criar 10 mil empregos. Não criou. Disse que ia montar uma indústria de óleos, margarina e ração. Também não montou, nem vai montar. Para que a isenção continue faz-se necessário que a Bunge cumpra com a sua parte no acordo. Não está cumprindo, mas o governador WD mantém a isenção. Qual será o motivo? Podemos imaginar que deve ter algum beneficio para manter uma isenção que dá prejuízo de quase 200 milhões de reais por ano ao Estado. Será que a Bunge financia campanhas de WD?

Vamos falar da política que está sendo executada pela Bunge e o Governador WD. É a política da intimidação. Calar o movimento ambientalista para que ninguém levante a voz no sentido de questionar a Bunge ou o Governador. Se você assim fizer corre sérios riscos, desde sua integridade moral à sua vida. Querem intimidar o povo usando um “bode expiatório”: “Povo, não se metam a besta, vejam a desmoralização que estamos promovendo ao ambientalista Judson Barros. É apenas um exemplo do que somos capazes de fazer e onde podemos chegar. Quem se meter nesse negócio vai ser execrado moral e publicamente”. É assim que a Bunge e o Governador atuam. A Bunge move uma ação contra o ambientalista Judson Barros na Comarca de Uruçuí pedindo uma indenização por danos morais que chega a 2 milhões de reais. Mas que danos morais? Questionar uma empresa que chega ao Piauí e, avalizada pelo Governador, não respeita as leis, é atingir a moral da Bunge? É claro que a empresa quer intimidar e calar o movimento.


E o Governador WD? Também cumpre sua parte na intimidação e tentativa de desmoralização do ambientalista. Utilizando-se do Estado e da prerrogativa de Governador mandou seus subordinados e bajuladores a montarem um Tribunal de Exceção na Secretária de Fazenda, onde o ambientalista é empregado através de Concurso Público. Na utilização desse expediente e através do Secretário Antonio Neto, WD determinou a criação de uma comissão, composta de “amigos seus” para promover uma execração do empregado, sem um motivo, sem legitimidade e sem fundamento legal. Tudo para atender a caprichos calhordas. Não pode fazer alguma coisa como homem e usa do Estado para promover terrorismo, demonstrando uma atitude de quem é fraco. Assim fez o Hitler perseguindo o povo judeu, assim fez o Stálin na União Soviética, assim fez o regime militar mandando matar aqueles que eram contrários aos interesses dos que ocupavam o poder. Assim fez o ditador Pinochet no Chile. O modo de operar é sistemático. Por um lado a Bunge ameaça cobrando indenizações astronômicas, por outro, o Governador ameaça de tomar o emprego. Cuidado Governador esse mundo dá muitas voltas. Nem o Senhor (WD) nem a Bunge vão consegui calar o movimento ambientalista.

A Romaria da Terra e da Água em Uruçuí representa um fato importante para que a sociedade conheça realmente o que se passa no Cerrado do Piauí. É uma boa ocasião para que o Brasil venha ver de perto essa realidade. O paraíso prometido pela Bunge e o Governador WD virou um inferno, literalmente, começando pelo calor e a falta de chuva.

Rede Ambiental do Piauí – REAPI

Fundação Águas do Piauí - FUNAGUAS

2 comentários:

Theresa Siqueira disse...

Está muito bom esse blog. E essa publicação sobre as plantas, os saberes do CERRADO deve ser interessantissima. Quando tiver o lançamento da publicação eu quero receber noticias.

Avelar Xavier disse...

Tenho acompanhado como filho de Uruçui(embora vivendo longe), o pseudo desenvolvimento da região, pseudo porque os filhos de Uruçui, continuam deixando a cidade em busca de trabalho em outras regiões, pois a nossa cidade com todo o "seu desenvolvimento" não oferece trabalho para a sua gente. Posso imaginar quando o bonde ""desenvolvimentista"" chegar ao fim, como ficará o homem simples, que ocupou apenas os sub-empregos oferecidos por tal crescimento. Que a luta por um desenvolvimento sustentável, onde as gerações futuras usem os recursos naturais de hoje continue.