A Cutrale, maior empresa de exportação de Suco de Laranja é o símbolo da grilagem que o Brasil sofreu durante centenas de anos.Sempre teve bons relacionamentos com o Palácio do Planalto - de Sarney ao atual governo. O artigo abaixo é do filósofo Roberto Malvezzi.
Cutrale e a moral do “sepulcro caiado”."Num gesto único na história brasileira, a Cutrale vai devolver as terras públicas que grilou para plantar laranja. Segundo uma pessoa que ocupa cargo decisivo, "mais importante que sete mil pés de laranja derrubados, são as cem mil famílias de brasileiros que estão na beira das estradas". O único condicionante da empresa é que as terras sejam destinadas à reforma agrária, dando preferência às famílias que ocuparam o lugar dias atrás.Para maior surpresa, admitiu que é inconcebível que, "num país de 8,5 milhões de km², haja tantas pessoas sem um lugar para trabalhar e até mesmo para morar".Com esse gesto, continuou, "contribuiremos para fazer uma justiça histórica nesse país, já que desde a chegada dos portugueses, a terra tornou-se um pesadelo para nossos índios, negros e pequenos camponeses. Queremos, de uma vez por todas, superar essa injustiça histórica, criar a paz no campo e que essa paz se estenda também por nossas cidades".Para concluir, afirmou que "espero que todas as pessoas e empresas que grilaram terras públicas, como aquelas do Pontal do Paranapanema, ou na Amazônia, ou em qualquer outro canto do Brasil, repliquem o nosso gesto, devolvendo ao país o que é do país. Afinal, todos os brasileiros têm direito a um lugar digno para viver, sem precisar de favoresgovernamentais.Além do mais, uma vez feita a justiça no campo, não vamos mais precisar de ocupações de terras".O gesto da Cutrale, sem dúvida, é histórico e pegou de surpresa todos aqueles que querem criar uma CPI para investigar o MST. Afinal, ao reconhecer que o primeiro crime cometido foi a grilagem das terras, não há mais por que buscar culpados onde eles não existem."
Faço esse texto a pedido de muitos amigos. Para muitos, o meu texto “Cutrale devolve terras griladas” fez com que muita gente acreditasse na conversão da empresa. Então, dou as devidas explicações.A ocupação da Cutrale pelo MST trouxe algumas perplexidades. Eu mesmo me senti constrangido quando o movimento foi acusado de depredar e, sobretudo, de furtar objetos pessoais de funcionários da empresa. Depois, o próprio Movimento lançou uma nota pedindo desculpas de seus erros, negou a depredação e, sobretudo, o furto de alguns objetos. Achei a carta do MST bonita e convincente. Só os magnânimos têm capacidade de reconhecer seus próprios erros. O Movimento teve.Entretanto, vendo a televisão e jornais, fiquei indignado com a moral farisaica que jorrou sobre o caso. Deputados, setores da mídia, profissionais da mídia, até o presidente da República, desfilaram uma onda de ataques ao movimento, mas sempre ocultando o problema mais grave, isto é, o fato da empresa ocupar área pública grilada. Foi pretexto até para uma nova CPI sobre os Sem Terra. E não é só a Cutrale. O Prof. Ariovaldo Umbelino estima que cerca de 200 milhões de hectares de terras públicas, 25% do território brasileiro, estão ocupados ilegalmente. Agora esse número deve diminuir, já que o governo Lula decidiu legalizar o grilo de 67 milhões de hectares só na Amazônia. Mas, não é só ali. O Pontal do Paranapanema e outras regiões do Brasil apresentam o mesmo problema.Então, todas essas acusações contra o MST me pareceram coisa típica da moral farisaica, que “côa mosquito e engole camelo”, ou dos sepulcros caídos, que “estão bonitos por fora e cheios de toda podridão por dentro”. Lamentar 7 mil pés de laranja e não ver a cem mil famílias que estão nas estradas, ignorar o grilo das terras, ignorar o que está acontecendo com os Guaranis no Mato Grosso, com os atingidos pelos grandes projetos, é uma moral de hipócritas, que coam mosquito e engolem elefantes.Decidi fazer um texto ironizando o caso. A grande mídia rodeou o texto, telefonou, mandou e-mails, mas não mordeu a isca. Não iria repercutir um texto como esse. Muitos amigos riram na hora, até elogiaram a peça de marketing ou disseram que era mais fácil acreditar em “saci, ET de Varginha, Papai Noel, etc.”. Porém, talvez por ingenuidade, ou por querer ver algo de sério acontecer nesse país, muitos acreditaram, embora seja a essência do absurdo. Quem já viu grileiro devolver terras, respeitar sem terra, reconhecer os problemas históricos dos índios, etc.?Então, afirmo que o texto “Cutrale devolve terras griladas” é uma ficção e não podia ser outra coisa, tamanho o absurdo do conteúdo
Roberto Malvezzi (Gogó), ex-coordenador da CPT, é agente pastoral.
Ferramenta criada para a disciplina “Tópicos Avançados em Ambiente e Sociedade I”oferecida pelo Nepam - Núcleo de Estudos e Pesquisas Ambientais da Unicamp com o objetivo de propor discussões sobre educação, ambiente e sociedade a partir de materiais provenientes de diferentes áreas, incentivando e permitindo o encontro com a diversidade do pensamento.
IMPOSTOS EM SÃO PAULO
domingo, 8 de novembro de 2009
sábado, 31 de outubro de 2009
OS BALAIOS DO SACI E SUAS TOCAS LÁ NO SÍTIO_Saci e a cultura caipira:
Quem trabalha e se envolve com Educação Socioambiental não pode deixar de conhecer ...
http://www.turmadosaci.com/
Criado pelo designer Ronaldo J. dos Santos, este website propõe-se como conclusão do curso de Pós-graduação em Design da Faculdade de Comunicação e Artes do SENAC, ano de 2004. O projeto consiste em um website educativo sobre mitos e lendas do folclore nacional. Os personagens são desenhados como se fossem personagens de histórias em quadrinhos. Direcionado a crianças de 7 a 10 anos, o website mostra a origem dos principais mitos folclóricos do Brasil, tem jogos e atividades, informação sobre a fauna e flora brasileiras, envio de cartões virtuais, entre outros.
http://www.lobato.com.br/
Síítio pertencente à Monteiro Lobato Licenciamentos, mantido e orientado pela família do escritor.
http://www.ancsaci.com.br/
Sítio da Associação Nacional dos Criadores de Saci. Em Botucatu, sede da Ancs, já foram realizados três festivais anuais do Saci.
wqsaci.vilabol.uol.com.br/WeQtSACI/Index.htm
Um trabalho sobre cultura popular, dirigido a estudantes e que pode ser enriquecido por qualquer pessoa. Elaborado por Ana Maria Martins de Souza.
criadoresdesacis.blig.ig.com.br
Blog da "Saciação" de Amigos e Criadores Interioranos de Sacis – SACIS, de São José do Rio Preto. O grupo é formado por jornalistas, médicos, psicólogos, músicos, escritores e artistas, entre outros.
http://www.confraria.art.br/
A Confraria é uma produtora de curta-metragens e se propõe documentar a tradição oral do interior de São Paulo, com seus mitos e lendas, por meio do registro das práticas sociais e entrevistas com a população (em construção).
http://http://www.ailhadoceu.com.br/
Site de Educação Ambiental, com ilustrações, quadrinhos e animação. Desenvolvido a partir de princípios definidos pelo cineasta e ambientalista Céu D'Elli.
Seres assombrosos: http://www.ailhadoceu.com.br/yandu1.html
Imagens e causo de Saci: http://www.ailhadoceu.com.br/saci/saci.html
http://www.tempodebrincar.com.br/
A Cia Tempo de Brincar nasceu com a união da atriz Elaine Buzato ao Músico e Compositor Valter Silva.
Com um trabalho de pesquisa e criação a partir da Cultura Popular Brasileira em suas diversas manifestações como a música, o teatro, os contos, lendas e mitos, as festas e crenças, a Cia Tempo de Brincar criou os espetáculos Tempo de Brincar, Cantigas de Amor para um Coração e Histórias Folias e Cantigas de Natal, todos destinados não só ao público infantil, mas a crianças de todas as idades
http://www.vilaesperanca.org/?cat=1/
http://www.myspace.com/quartetopere
http://www.myspace.com/grupoperere
http://www.eosaciurbano.wordpress.com/
http://www.flickr.com/thiagovazart
Síntese do trabalho do artista Thiago Vaz
Thiago Vaz é: grafiteiro, Ilustrador, educador, comunicador e produtor cultural. Trabalha com artes visuais desde 97, hoje é formado em comunicação social pela Faculdade Editora Nacional (FAENAC).
Em ilustração e comunicação, o artista Thiago Vaz atua como colaborador da editora: Momento Editorial. Que publica as revistas: A Rede (tecnologia para a inclusão social) e Wireless mundi (a revista da mobilidade social). Na educação, Vaz trabalha como instrutor de artes na Instituição Lar Espirita Bezerra de Menezes (LEBEM), que realiza oficinas lúdicas que complementam a educação das crianças e adolescentes nos bairros pobres das periferias dos municípios de Mauá e Ribeirão Pires.
Na Cultura, Vaz colabora com a Respeitada ONG Ação Educativa, atuando no Núcleo de Grafite do centro de juventude, cultura e mobilização social da ONG. Todo dia 27 de março o núcleo de grafite, organiza o mais importante evento de grafite no qual se comemora o dia nacional do Grafite, sempre em Homenagem ao dia da morte do pioneiro dessa arte no Brasil, o artista Alex Valauri.
Hoje, o tema central de seu trabalho é o folclore popular brasileiro ou o reconhecimento e a valorização do patrimônio cultural-nacional. Que vão desde intervenções com personagens tais como o saci-urbano até os grafites com referências da arte indígena, indicando sempre o povo que a faz em sua cultura ancestral. Para tal efeito o artista fez recentemente na Amazônia, uma pesquisa sobre esta arte para ilustrar a matéria “Floresta digital”, que será publicada em Wirelles Mundi (a revista da mobilidade digital).
http://www.turmadosaci.com/
Criado pelo designer Ronaldo J. dos Santos, este website propõe-se como conclusão do curso de Pós-graduação em Design da Faculdade de Comunicação e Artes do SENAC, ano de 2004. O projeto consiste em um website educativo sobre mitos e lendas do folclore nacional. Os personagens são desenhados como se fossem personagens de histórias em quadrinhos. Direcionado a crianças de 7 a 10 anos, o website mostra a origem dos principais mitos folclóricos do Brasil, tem jogos e atividades, informação sobre a fauna e flora brasileiras, envio de cartões virtuais, entre outros.
http://www.lobato.com.br/
Síítio pertencente à Monteiro Lobato Licenciamentos, mantido e orientado pela família do escritor.
http://www.ancsaci.com.br/
Sítio da Associação Nacional dos Criadores de Saci. Em Botucatu, sede da Ancs, já foram realizados três festivais anuais do Saci.
wqsaci.vilabol.uol.com.br/WeQtSACI/Index.htm
Um trabalho sobre cultura popular, dirigido a estudantes e que pode ser enriquecido por qualquer pessoa. Elaborado por Ana Maria Martins de Souza.
criadoresdesacis.blig.ig.com.br
Blog da "Saciação" de Amigos e Criadores Interioranos de Sacis – SACIS, de São José do Rio Preto. O grupo é formado por jornalistas, médicos, psicólogos, músicos, escritores e artistas, entre outros.
http://www.confraria.art.br/
A Confraria é uma produtora de curta-metragens e se propõe documentar a tradição oral do interior de São Paulo, com seus mitos e lendas, por meio do registro das práticas sociais e entrevistas com a população (em construção).
http://http://www.ailhadoceu.com.br/
Site de Educação Ambiental, com ilustrações, quadrinhos e animação. Desenvolvido a partir de princípios definidos pelo cineasta e ambientalista Céu D'Elli.
Seres assombrosos: http://www.ailhadoceu.com.br/yandu1.html
Imagens e causo de Saci: http://www.ailhadoceu.com.br/saci/saci.html
http://www.tempodebrincar.com.br/
A Cia Tempo de Brincar nasceu com a união da atriz Elaine Buzato ao Músico e Compositor Valter Silva.
Com um trabalho de pesquisa e criação a partir da Cultura Popular Brasileira em suas diversas manifestações como a música, o teatro, os contos, lendas e mitos, as festas e crenças, a Cia Tempo de Brincar criou os espetáculos Tempo de Brincar, Cantigas de Amor para um Coração e Histórias Folias e Cantigas de Natal, todos destinados não só ao público infantil, mas a crianças de todas as idades
http://www.vilaesperanca.org/?cat=1/
http://www.myspace.com/quartetopere
http://www.myspace.com/grupoperere
http://www.eosaciurbano.wordpress.com/
http://www.flickr.com/thiagovazart
Síntese do trabalho do artista Thiago Vaz
Thiago Vaz é: grafiteiro, Ilustrador, educador, comunicador e produtor cultural. Trabalha com artes visuais desde 97, hoje é formado em comunicação social pela Faculdade Editora Nacional (FAENAC).
Em ilustração e comunicação, o artista Thiago Vaz atua como colaborador da editora: Momento Editorial. Que publica as revistas: A Rede (tecnologia para a inclusão social) e Wireless mundi (a revista da mobilidade social). Na educação, Vaz trabalha como instrutor de artes na Instituição Lar Espirita Bezerra de Menezes (LEBEM), que realiza oficinas lúdicas que complementam a educação das crianças e adolescentes nos bairros pobres das periferias dos municípios de Mauá e Ribeirão Pires.
Na Cultura, Vaz colabora com a Respeitada ONG Ação Educativa, atuando no Núcleo de Grafite do centro de juventude, cultura e mobilização social da ONG. Todo dia 27 de março o núcleo de grafite, organiza o mais importante evento de grafite no qual se comemora o dia nacional do Grafite, sempre em Homenagem ao dia da morte do pioneiro dessa arte no Brasil, o artista Alex Valauri.
Hoje, o tema central de seu trabalho é o folclore popular brasileiro ou o reconhecimento e a valorização do patrimônio cultural-nacional. Que vão desde intervenções com personagens tais como o saci-urbano até os grafites com referências da arte indígena, indicando sempre o povo que a faz em sua cultura ancestral. Para tal efeito o artista fez recentemente na Amazônia, uma pesquisa sobre esta arte para ilustrar a matéria “Floresta digital”, que será publicada em Wirelles Mundi (a revista da mobilidade digital).
ERA UMA VEZ...UM SACI...NUM SÍTIO LÁ LONGE...
Por que "raloins", duendes e gnomos?
Nós, brasileiros, temos nossos próprios mitos, que não ficam nada a dever a esses importados, comerciais, que são usados para anestesiar a auto-estima do nosso povo. Respeitamos os mitos dos outros, mas não queremos que eles sejam usados pela indústria cultural como predadores dos nossos. Cada vez mais, muitos brasileiros começam a compreender isso. Uma prova foi o evento "O Grito do Saci", realizado nos dias 5, 6 e 7 de setembro, em São Luiz do
Paraitinga, Estado de São Paulo, que atraiu muita gente e foi uma catarse geral, uma lavação de alma. Outra prova é a onda de adesões que a Sosaci (Sociedade dos Observadores de Saci) vem recebendo de vários pontos do país. O Saci, a Iara, o Boitatá, o Curupira, o Mapinguari e muitos outros brasileiros legítimos estão aí para serem festejados, sem espírito comercial, como nossos legítimos representantes no mundo do imaginário popular e infantil.Viva essa turma boa!Por isso, nós, abaixo-assinados, solicitamos que o Ministério da Cultura abrace esta causa de valorização da cultura brasileira, instituindo o 31 de outubro como "Dia do Saci e seus Amigos".Se você concordar, coloque seu nome, identidade, profissão e cidade em que mora e recomende este sítio a seus amigos. http://www.sosaci.org/abaixo-assinado.htm
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Réquiem para a TRANSPOSIÇÂO do S.Francisco

O dobre dos sinos e o jejum têm o peso de uma profecia. Esses símbolos querem dizer que a transposição do São Francisco não se concluirá. (Fotos João Zinclar) É NATURAL que chefes de Estado tenham o sonho de vincular sua memória a uma grande obra perene. Brasília é o monumento que imortalizou Juscelino Kubitschek. Imagino que Lula, nordestino que passou sede no semiárido, carregou pote d'água na cabeça, possa estar sonhando em se ligar pessoalmente com o nordestino rio São Francisco, símbolo da integração nacional, transformando o grande sertão da seca num abençoado oásis graças a um gigantesco projeto de transposição de suas águas. O projeto nada deveria à Transamazônica nem a Itaipu. Isso explica, quem sabe, sua apaixonada tenacidade em querer levar adiante essa obra apesar das inúmeras reações contrárias de parte do Judiciário, do Ministério Público, da mídia, dos cientistas, do episcopado católico, das organizações sociais, dos atingidos pelas obras: camponeses, quilombolas, grupos indígenas.Na sua excursão ao longo do projetado canal, levando aos palanques Ciro Gomes, além da candidata Dilma Rousseff, não faltou, da parte do presidente, o irado recado para os que ele considera obstáculos à transposição. Enquanto isso, chamou a atenção de muitos o gesto do bispo da Barra, dom Luiz Cappio, ordenando o dobre de finados na catedral enquanto Lula perambulava por aquela cidade.Os sinos são a secular e inconfundível marca da cultura cristã nos templos das grandes metrópoles e nas pequeninas capelas do interior. Acompanham alegrias e esperanças, tristezas e angústias da comunidade nos eventos maiores do lugar ou marcam, com seu toque lúgubre, a morte dos entes queridos e o Dia de Finados. Conhecendo pessoalmente os sentimentos desse homem, que não hesitou em colocar a sua vida pelo povo ribeirinho, bem como pela revitalização do rio, posso dizer que esse gesto, o do dobre dos sinos, bem como o do jejum, tem o peso de uma profecia. Esses símbolos querem dizer que a transposição do São Francisco não se concluirá. Morrerá. Descansará em paz. Réquiem, então, para ela! Muita gente está convencida da inviabilidade desse megaprojeto. Eis as razões. A transposição pretende guindar continuamente, em um desnível de 300 metros, 2,1 bilhões de m3 da água mais cara do mundo para o Nordeste, que, por sua vez, já acumula 37 bilhões de m3 a custo zero. Se o problema da seca do Nordeste não se resolve com esses 37 bilhões de m3 armazenados, irá ser resolvido com 2,1 bilhões de m3 da transposição? Uma certeza muitos têm: os 70 mil açudes do Nordeste construídos nesses cem anos demonstram que lá não falta água. O que falta é a distribuição dessa água. Basta implantar um vigoroso sistema de adutoras, como o proposto pela Agência Nacional de Águas, por meio do "Atlas do Nordeste", que foi abafado pelo governo. Trata-se de levar água por meio de uma malha de tubos e adutoras a toda a população difusa do semiárido para o abastecimento humano, sem a transposição. Enquanto a transposição atenderia 12 milhões de pessoas em quatro Estados, segundo dados oficiais, o projeto alternativo atenderia 44 milhões em dez Estados. Custo: metade do preço da transposição. Nesse emaranhado de conflitos, existe um esperançoso toque de sino. Enquanto, de um lado, ainda prevalece a indústria da seca (a transposição aí se inscreve), que rende uma fortuna para os políticos e empresários e mantém o povo na situação do flagelado retirante, segundo a expressão lírica de Luiz Gonzaga, de Portinari, de Graciliano Ramos, de João Cabral de Melo Neto etc., do outro lado está surgindo uma nova consciência nas comunidades populares carregada de esperança libertadora.Trata-se da convivência com o semiárido. Como os povos do gelo, das ilhas e do deserto vivem bem na convivência com seu habitat, assim esse povo começa a descobrir a extraordinária riqueza de vida do Nordeste. A questão não é "acabar com a seca", mas de se adaptar ao ambiente de forma inteligente. Nessa linha, um pedreiro sergipano inventou a tecnologia revolucionária das chamadas cisternas familiares de captação da água de chuva para o consumo humano. Em mutirão, já foram construídas 290 mil cisternas como parte de um projeto de 1,3 milhão de cisternas para captação de água da chuva. Está chegando, pois, a transfiguração do povo e da terra construída de baixo para cima, no respeito e na convivência; libertando-se dos projetos faraônicos devastadores, impostos autoritariamente de cima para baixo. Esse humilde toque de sino, alegre e festivo, já se pode ouvir com nitidez, pois essa mudança, cheia de vida e esperança, é um fato no grande sertão nordestino.
_________________
Dom Tomás Balduino *
Mestre em teologia e pós-graduado em antropologia e linguística. Bispo emérito de Goiás. Ex-presidente da Comissão da Pastoral da Terra
Acompanhe também a luta das populações RIBEIRINHAS no Vale do Rio Ribeira
http://terrasimbarragemnao.blogspot.com/
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segunda-feira, 26 de outubro de 2009
AS LARANJAS E O SHOW
Na região de Capivari, interior de São Paulo, quando alguém exagera, tem uma expressão que diz: "Pare de Show!"É patético ver alguns senadores(as), deputados(as) e outros tantos "ilustres" se revezarem nos microfones em defesa das laranjas da Cutrale. Muitos destes, possivelmente, já foram beneficiados com os "sucos" da empresa para suas campanhas, ou estão de olho para obter "vitaminas" no próximo pleito. Mas nenhum deles levantou uma folha para denunciar o grande grilo do complexo Monções. As laranjas, e não poderia ser planta melhor, são a tentativa de justificar o grilo da Cutrale e de outras empresas daquela região. Passar por cima das laranjas é passar por cima do grilo e da corrupção que mantém esta situação há tanto tempo.Não é a primeira vez que ocupamos este latifúndio. Eu mesmo ajudei a fazer a primeira ocupação na região, em 1995, para denunciar o grilo e pedir ao Estado providências na arrecadação das terras para a Reforma Agrária. Passados quase 10 anos, algumas áreas foram arrecadadas e hoje são assentamentos, mas a maioria das terras continua sob o domínio de grandes grupos econômicos. E mais, a Cutrale instalou-se lá há 4 ou 5 anos, sabendo que as terras eram griladas e, portanto, com claro interesse na regularização das terras a seu favor. Para tanto, plantou laranjas! Aliás, parece ter plantado um laranjal em parte do Congresso Nacional e nos meios de comunicação. O que não é nenhuma novidade!Durante a nossa marcha Campinas-São Paulo, realizada em agosto, um acidente provocou a morte da companheira Maria Cícera, uma senhora que estava acampada há 9 anos lutando para ter o seu pedaço de terra e morreu sem tê-lo. Esta senhora estava acampada na região do grilo, mas nenhum dos ilustres defensores das laranjas pediu a palavra para denunciar a situação. Nenhum dos ilustres fez críticas para denunciar a inoperância do Executivo ou Judiciário, em arrecadar as terras que são da União para resolver o problema da Dona Cícera e das centenas de famílias que lutam por um pedaço de terra naquela região, e das outras milhares de pessoas no país.Poucos no Congresso Nacional levantam a voz para garantir que sejam aplicadas as leis da Constituição que falam da Função Social da Terra: a) Produzir na terra;
b) Respeitar a legislação ambiental e
c) Respeitar a legislação trabalhista.
Não preciso delongas para dizer que a Constituição de 1988 não foi cumprida. E muitos falam de Estado Democrático de Direito! Para quem? Com certeza estes vêem o artigo que defende a propriedade a qualquer custo. Este Estado Democrático de Direito para alguns poucos é o Estado mantenedor da propriedade, da concentração de terras e riquezas, de repressão e criminalização para os movimentos sociais e para a maioria do povo.Para aqueles que se sustentam na/da "pequena política", com microfones disponíveis em rede nacional, e acreditam que a história terminou, de fato, encontram nestes episódios a matéria prima para o gozo pessoal e, com isso, só explicitam a sua pobreza subjetiva. E para eles, é certo, a história terminou. Mas para a grande maioria, que acredita que a história continua, que o melhor da história sequer começou, fazem da sua luta cotidiana espaço de debate e construção de uma sociedade mais justa. Acreditam ser possível dar função social à terra e a todos os recursos produzidos pela sociedade. Lutam para termos uma agricultura que produza alimentos saudáveis em benefício dos seres humanos sem devastação ambiental. Querem e, com certeza terão, um mundo que planeje, sob outros paradigmas que não os do lucro e da mercadoria, a utilização das terras e dos recursos naturais para que as futuras gerações possam, melhor do que hoje, viver em harmonia com o meio ambiente e sem os graves problemas socias. A grande política exige grandes homens e mulheres, não os diminutos políticos - não no sentido do porte físico - da atualidade; a grande política exige grandes projetos e uma subjetividade rica - não no sentido material - que permita planejar o futuro plantando as sementes aqui e agora. Por mais otimista que sejamos, é pouco provável visualizar que "laranjas" possam fazer isso. Por Gilmar Mauro**Gilmar Mauro é integrante da coordenação nacional do MST.
sábado, 24 de outubro de 2009
Cutrale, símbolo do agronegócio internacionalizado
O EPISÓDIO DA ocupação pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) de uma das fazendas "invadidas" pela empresa Cutrale, de terras públicas da União na região de Iaras (SP), suscitou todo tipo de especulações na imprensa e, sobretudo, motivou os parlamentares ruralistas a pedirem uma nova CPI do MST e da reforma agrária.Sobre o caso, ficou evidente a manipulação da mídia ao veicular a cena da derrubada de pés de laranja pelas famílias. Reprisado insistentemente em todos os programas, por todos os canais de televisão, foi o suficiente para demonizar todas aquelas pobres famílias que estão há mais de cinco anos debaixo de lonas pretas esperando o direito de trabalhar na terra. Vandalismo!
A chamada "grande" imprensa não quis continuar pesquisando as outras denúncias de depredação de máquinas e "roubos" de casas de empregados, pois ficou evidente o circo armado pelo serviço de inteligência da Polícia Militar (PM), em conluio com a empresa, para criar um clima desfavorável às famílias. Logo, todas as autoridades, colunistas,políticos e assemelhados foram para a mídia esbravejar: vandalismo, vandalismo! Sem pensar e se perguntar quem teria feito de fato aquilo. As famílias negam que tenham furtado qualquer objeto e destruído tratores. Aliás, para destruir tratores, precisariam, convenhamos, de uma certa dose de força bruta. E mais. Por que não se fez uma investigação? Uma simples perícia iria identificar que aqueles tratores estavam desmontados há muito tempo pela oficina de reparos da empresa, existente na fazenda.Mas tudo isso é manobra dispersiva. Primeiro, para esconder que na região há 200 mil hectares de terras da União que vêm sendo sistematicamente griladas. E griladas por empresas cujos donos circulam por altas rodas da socialite paulistana. Mas mesmo assim o Incra já recuperou mais de 20 mil hectares que hoje assentam famílias de trabalhadores. Segundo, para esconder que a Cutrale "comprou" a área há apenas 5 anos, sabendo que não havia titulação, que havia um processo na Justiça por reintegração de posse pelo Incra. Por que então a Cutrale apostou em comprar terras baratas e griladas e enchê-las de laranja? Graças a seu poder de influência na sociedade brasileira e paulista.A Cutrale é o símbolo do processo de concentração de terras, produção e capital ensejado por esse modelo de subordinação da agricultura brasileira aos interesses do capital internacional.
Omissão
Ninguém da "grande" imprensa noticiou que a Cutrale possui nada menos do que 30 fazendas em São Paulo e Minas Gerais, totalizando 53.207 hectares. E que, destes, seis fazendas com 8.011 hectares são classificadas pelo Incra, no recente cadastro de 2003, como improdutivas; portanto, passíveis de desapropriação. Entre as 30 fazendas não consta a área grilada de Iaras, pois não é de sua propriedade (veja tabela abaixo).Uma colunista teve coragem de noticiar os vínculos partidários e as polpudas verbas gastas pela empresa nas campanhas eleitorais, em apoio a todos os partidos. O fato é que a Cutrale é símbolo desse modelo de agronegócio subordinado ao capital internacional. Uma empresa de origem familiar do interior de São Paulo se vincula ao mercado externo, se associa com a Coca-Cola e passa a controlar, em poucos anos, a maior parte do mercado de laranja do Brasil e 30% de todo o mercado mundial de sucos.Hoje, cerca de 90% do suco produzido no Brasil é exportado.
Monopólio
Em poucos anos, o setor se transformou, de muitas e médias agroindústrias e de milhares de pequenos e médios produtores de laranja, num setor altamente oligopolizado. Hoje são apenas quatro grupos que controlam toda laranja: Cutrale (mais ou menos 60%);Citrosuco; Louis Dreifus Commodities - LD(francesa); e Citrovita, da Votorantim. A Cutrale tem esse poder todo porque possui uma empresa associada (joint venture) à Coca-Cola mundial nos EUA, de quem é fornecedora exclusiva em escala mundial. Por isso sua condição de empresa "Ltda.", pois já é parte (menor) do monopólio mundial da Coca-Cola. Numa reportagem de 2003, a insuspeita revista Veja denunciou a empresa Cutrale de ter subsidiária nas ilhas Cayman, como forma de aumentar seus lucros, ou quem sabe de evasão fiscal... e saiba Deus mais o quê.
Exploração
Essas empresas passaram a comprar terras e assim garantem uma base da produção de laranja suficiente para impor preços e condições draconianas aos pequenos e médios agricultores que antes produziam laranja para um mercado concorrencial. Os trabalhadores dos laranjais são superexplorados com salários ridículos, pagos por produção, sem nenhum direito trabalhista.O resultado de todo esse processo foi que milhares de pequenos e médios agricultores tiveram que abandonar a produção de laranja. Entre 1996 e 2006, foram destruídos, segundo o Censo Agropecuário do IBGE, somente em São Paulo, nada menos do que 280 mil hectares de laranjais.Mas a Globo não fez nenhuma reportagem. Nem o serviço de inteligência da PM de São Paulo se preocupou em filmar porque os pequenos e médios agricultores estavam destruindo seus laranjais!Os parlamentares ruralistas realmente não têm consciência de sua classe - da burguesia rural. Em vez de defendê-la, ficam sempre puxando o saco da burguesia internacional. Razão tinha mesmo o nosso saudoso Florestan Fernandes: faltou-nos uma revolução burguesa nesse país, que pelo menos lhe desse sentido de classe e consciência de nação.
Ariovaldo Umbelino de Oliveira é doutor em Geografia, professor da
Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas - Departamento de
Geografia Humana - da Universidade de São Paulo (USP). É estudioso dos
movimentos sociais do campo e da agricultura brasileira e autor de vários livros.
Brasil de Fato - edição 347 - de 22 a 28 de outubro de 2009
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
Minha Experiência de Ditadura_Hidrelétrica Belmonte_A Pegada
PELA IMPORTÂNCIA ESSA POSTAGEM FOI RECOLOCADA NO DIA 5 DE DEZEMBRO DE 2009:
Estou tendo uma experiência de enfrentamento da ditadura no Brasil em pleno 2009. É realmente assombroso o andamento do licenciamento prévio da hidrelétrica de Belo Monte, que poderá sair nesta segunda.É diferente ouvir na televisão algo como "o governo garante agilidade no licenciamento das obras do PAC" de estar na frente do tanque de guerra. A comunidade acadêmica precisa tentar escapar das cortinas promovidas pela manipulação na mídia, por isso estou divulgando o resultado dos trabalhos de 42 pesquisadores (dentre os quais me incluo) que analisaram as 20.000 páginas do EIA/RIMA deste empreendimento. Os trabalhos estão disponíveis online e os endereços estão apresentados abaixo. Peço que divulguem dentre os seus contatos que possam se interessar por esta questão. Chamo a atenção para o resumo executivo, que pode ser lido sem grande custo de tempo. Atenciosamente,
Dr. Hermes Fonseca de Medeiros
Professor Adjunto
Faculdade de Ciências Biológicas
Universidade Federal do Pará - Campus de Altamira
Rua José Porfírio, nº 2515, no Bairro de São Sebastião
Fone: (093)35150264
Resumo Executivo em português*
http://www.internationalrivers.org/files/Resumo%20Executivo%20Painel%20de%20Especialistas_out2009.pdf
Pareceres Técnicos
http://www.internationalrivers.org/files/Belo%20Monte%20pareceres%20IBAMA_online%20(3).pdf
DIA 2 DE DEZEMBRO DE 2009
Passados alguns dias,as consequências aparecem na Imprensa:O polêmico e complexo processo de licenciamento do projeto da Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu (PA), já começa a abalar o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama). O diretor de licenciamento do órgão ambiental, Sebastião Custódio Pires, deixará o cargo.Vale apena completar a leitura depois de ter acompanhado as pesquisas do Dr. Hermes Fonseca de Medeiros,da UFPA acima
Pressão por licença derruba dois no Ibama
O polêmico e complexo processo de licenciamento do projeto da Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu (PA), já começa a abalar o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama). O diretor de licenciamento do órgão ambiental, Sebastião Custódio Pires, deixará o cargo.
A reportagem é de Leonardo Goy e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 02-12-2009.
Segundo o Ibama, a mudança foi uma decisão interna e se dará por meio de ato administrativo. Mas as mudanças não param por aí. O coordenador-geral de Infraestrutura de Energia Elétrica do Ibama, Leozildo Tabajara da Silva Benjamin, pediu para deixar o posto e teve sua exoneração confirmada ontem.
Tanto Pires quanto Benjamin trabalhavam no licenciamento da Hidrelétrica de Belo Monte. Segundo informações de um importante funcionário do Ibama, que preferiu não se identificar, os dois estão de saída por causa das pressões do governo para acelerar o licenciamento da usina.
De acordo com essa fonte, ainda há divergências na área técnica do Ibama quanto à viabilidade ambiental da obra. Mesmo assim, diz esse funcionário, há muita pressão para que a licença seja assinada logo.
Exemplo disso foi a atitude do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, no mês passado, ao anunciar uma data - dia 16 de novembro - para a publicação da licença ambiental. O Ibama negou que o processo estivesse terminado e até agora não há um parecer conclusivo. O fato é que há uma série de interrogações que ainda não foi esclarecida, alertam ambientalistas.
Com potência instalada de 11,2 mil megawatts (MW), a Usina de Belo Monte é o último grande projeto de geração de energia a ser iniciado dentro do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mas trata-se de um projeto polêmico, principalmente no que se refere aos seus impactos sociais. As comunidades indígenas que vivem na região do Xingu são contra a obra, assim como organizações sociais e ambientais. Até o cantor britânico Sting, em companhia do cacique Raoni, fez recentemente críticas à obra.
Ontem, o projeto foi debatido em audiência pública promovida pelo Ministério Público Federal, com a presença de representantes de pelo menos seis comunidades indígenas (araras, jurunas, caiapós, xavantes, xipaias e xicrins).O debate sobre prós e contras, porém, acabou sendo esvaziado pelo governo. Não foi enviado para a audiência nenhum representante dos órgãos de governo mais diretamente relacionados à obra como o Ibama, que está licenciando o projeto, nem da Eletrobrás, responsável pelo estudo de impacto ambiental, nem do Ministério de Minas e Energia ou da Fundação Nacional do Índio (Funai).
A ausência de autoridades relacionadas diretamente à obra incomodou os procuradores. A vice-procuradora-geral da República, Deborah Duprat, disse que, "se não é possível conversar, o caminho que nos resta é o judicial".Na mesma linha, o procurador da República no Pará, Ubiratan Cazetta, disse que a não participação da Eletrobrás, Ibama e outros órgãos importantes na audiência faz parte de uma estratégia do governo "de esconder informações". "Falta vontade de dialogar", disse Cazetta.
Estou tendo uma experiência de enfrentamento da ditadura no Brasil em pleno 2009. É realmente assombroso o andamento do licenciamento prévio da hidrelétrica de Belo Monte, que poderá sair nesta segunda.É diferente ouvir na televisão algo como "o governo garante agilidade no licenciamento das obras do PAC" de estar na frente do tanque de guerra. A comunidade acadêmica precisa tentar escapar das cortinas promovidas pela manipulação na mídia, por isso estou divulgando o resultado dos trabalhos de 42 pesquisadores (dentre os quais me incluo) que analisaram as 20.000 páginas do EIA/RIMA deste empreendimento. Os trabalhos estão disponíveis online e os endereços estão apresentados abaixo. Peço que divulguem dentre os seus contatos que possam se interessar por esta questão. Chamo a atenção para o resumo executivo, que pode ser lido sem grande custo de tempo. Atenciosamente,
Dr. Hermes Fonseca de Medeiros
Professor Adjunto
Faculdade de Ciências Biológicas
Universidade Federal do Pará - Campus de Altamira
Rua José Porfírio, nº 2515, no Bairro de São Sebastião
Fone: (093)35150264
Resumo Executivo em português*
http://www.internationalrivers.org/files/Resumo%20Executivo%20Painel%20de%20Especialistas_out2009.pdf
Pareceres Técnicos
http://www.internationalrivers.org/files/Belo%20Monte%20pareceres%20IBAMA_online%20(3).pdf
DIA 2 DE DEZEMBRO DE 2009
Passados alguns dias,as consequências aparecem na Imprensa:O polêmico e complexo processo de licenciamento do projeto da Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu (PA), já começa a abalar o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama). O diretor de licenciamento do órgão ambiental, Sebastião Custódio Pires, deixará o cargo.Vale apena completar a leitura depois de ter acompanhado as pesquisas do Dr. Hermes Fonseca de Medeiros,da UFPA acima
Pressão por licença derruba dois no Ibama
O polêmico e complexo processo de licenciamento do projeto da Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu (PA), já começa a abalar o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama). O diretor de licenciamento do órgão ambiental, Sebastião Custódio Pires, deixará o cargo.
A reportagem é de Leonardo Goy e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 02-12-2009.
Segundo o Ibama, a mudança foi uma decisão interna e se dará por meio de ato administrativo. Mas as mudanças não param por aí. O coordenador-geral de Infraestrutura de Energia Elétrica do Ibama, Leozildo Tabajara da Silva Benjamin, pediu para deixar o posto e teve sua exoneração confirmada ontem.
Tanto Pires quanto Benjamin trabalhavam no licenciamento da Hidrelétrica de Belo Monte. Segundo informações de um importante funcionário do Ibama, que preferiu não se identificar, os dois estão de saída por causa das pressões do governo para acelerar o licenciamento da usina.
De acordo com essa fonte, ainda há divergências na área técnica do Ibama quanto à viabilidade ambiental da obra. Mesmo assim, diz esse funcionário, há muita pressão para que a licença seja assinada logo.
Exemplo disso foi a atitude do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, no mês passado, ao anunciar uma data - dia 16 de novembro - para a publicação da licença ambiental. O Ibama negou que o processo estivesse terminado e até agora não há um parecer conclusivo. O fato é que há uma série de interrogações que ainda não foi esclarecida, alertam ambientalistas.
Com potência instalada de 11,2 mil megawatts (MW), a Usina de Belo Monte é o último grande projeto de geração de energia a ser iniciado dentro do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mas trata-se de um projeto polêmico, principalmente no que se refere aos seus impactos sociais. As comunidades indígenas que vivem na região do Xingu são contra a obra, assim como organizações sociais e ambientais. Até o cantor britânico Sting, em companhia do cacique Raoni, fez recentemente críticas à obra.
Ontem, o projeto foi debatido em audiência pública promovida pelo Ministério Público Federal, com a presença de representantes de pelo menos seis comunidades indígenas (araras, jurunas, caiapós, xavantes, xipaias e xicrins).O debate sobre prós e contras, porém, acabou sendo esvaziado pelo governo. Não foi enviado para a audiência nenhum representante dos órgãos de governo mais diretamente relacionados à obra como o Ibama, que está licenciando o projeto, nem da Eletrobrás, responsável pelo estudo de impacto ambiental, nem do Ministério de Minas e Energia ou da Fundação Nacional do Índio (Funai).
A ausência de autoridades relacionadas diretamente à obra incomodou os procuradores. A vice-procuradora-geral da República, Deborah Duprat, disse que, "se não é possível conversar, o caminho que nos resta é o judicial".Na mesma linha, o procurador da República no Pará, Ubiratan Cazetta, disse que a não participação da Eletrobrás, Ibama e outros órgãos importantes na audiência faz parte de uma estratégia do governo "de esconder informações". "Falta vontade de dialogar", disse Cazetta.
CENSO AGROPECUÁRIO, ALIMENTOS E AGRICULTURA FAMILIAR
O último censo agropecuário trouxe verdades incômodas, que atiçaram a ira do agronegócio brasileiro. Afinal, a pobre agricultura familiar, com apenas 24,3% (ou 80,25 milhões de hectares) da área agrícola, é responsável “por 87% da produção nacional de mandioca, 70% da produção de feijão, 46% do milho, 38% do café , 34% do arroz, 58% do leite, 59% do plantel de suínos, 50% das aves, 30% dos bovinos e, ainda, 21% do trigo. A cultura com menor participação da agricultura familiar foi a soja (16%). O valor médio da produção anual da agricultura familiar foi de R$ 13,99 mil”, segundo o IBGE. Quando se fala em agricultura orgânica, chega a 80%. Além do mais, provou que tem peso econômico, sendo responsável por 10% do PIB Nacional. Acontece que a agricultura familiar, além de ter menos terras, tem menos recurso público como suporte de suas atividades. Recebeu cerca de 13 bilhões de reais em 2008 contra cerca de 100 bilhões do agronegócio. Portanto, essa pobre, marginal e odiada agricultura tem peso econômico, social e uma sustentabilidade muito maior que os grandes empreendimentos. Retire os 100 bilhões de suporte público do agronegócio e veremos qual é realmente sua sustentabilidade, inclusive econômica. Retire as unidades familiares produtivas dos frangos e suínos e vamos ver o que sobra das grandes empresas que se alicerçam em sua produção. Mas, a agricultura familiar continua perdendo espaço. A concentração da terra aumentou e diminuiu o espaço dos pequenos. A tendência, como dizem os cientistas, parece apontar para o desaparecimento dessas atividades agrícolas.Porém, saber produzir comida é uma arte. Exige presença contínua, proximidade com as culturas, cuidado de artesão. O grande negócio não tem o “saber fazer” dessa agricultura de pequenos. E, bom que se diga, não se constrói uma cultura de agricultura de um dia para o outro. A Venezuela, dominada secularmente por latifúndios, não é auto suficiente em nenhum produto da cesta básica. Exporta petróleo para comprar comida. Chávez, ao chegar ao poder, insiste em criar um campesinato. Mas está difícil, já que a tradição é fundamental para haver uma geração de agricultores produtores de alimentos.O Brasil ainda tem – cada vez menos – agricultores que tem a arte de plantar e produzir comida. No Norte e Nordeste mais a tradição negra e indígena. No sul e sudeste mais a tradição européia de italianos, alemães, polacos, etc. É preciso ainda considerar a presença japonesa na produção de hortifrutigranjeiros nos cinturões das grandes cidades. Preservar esses agricultores é preservar o “saber fazer” de produtos alimentares. Se um dia eles desaparecerem, o povo brasileiro na sua totalidade sofrerá com essa ausência. Para que eles se mantenham no campo são necessárias políticas que os apóiem ostensivamente, inclusive com subsídio, como faz a Europa.
Do contrário, se dependermos do agronegócio, vamos comer soja, chupar cana e beber etanol.
ABAIXO ASSINADO REPUDIA CRIMINALIZAÇÃO DO MST
Contra a violência do agronegócio e a criminalização das lutas sociais
As grandes redes de televisão repetiram à exaustão, há algumas semanas, imagens da ocupação realizada por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em terras que seriam de propriedade do Sucocítrico Cutrale, no interior de São Paulo. A mídia foi taxativa em classificar a derrubada de alguns pés de laranja como ato de vandalismo.Uma informação essencial, no entanto, foi omitida: a de que a titularidade das terras da empresa é contestada pelo Incra e pela Justiça. Trata-se de uma grande área chamada Núcleo Monções, que possui cerca de 30 mil hectares. Desses 30 mil hectares, 10 mil são terras públicas reconhecidas oficialmente como devolutas e 15 mil são terras improdutivas. Ao mesmo tempo, não há nenhuma prova de que a suposta destruição de máquinas e equipamentos tenha sido obra dos sem-terra.Na ótica dos setores dominantes, pés de laranja arrancados em protesto representam uma imagem mais chocante do que as famílias que vivem em acampamentos precários desejando produzir alimentos.
A estratégia de luta do MST sempre se caracterizou pela não violência, ainda que em um ambiente de extrema agressividade por parte dos agentes do Estado e das milícias e jagunços a serviço das corporações e do latifúndio. As ocupações objetivam pressionar os governos a realizar a reforma agrária.É preciso uma agricultura socialmente justa, ecológica, capaz de assegurar a soberania alimentar e baseada na livre cooperação de pequenos agricultores. Isso só será conquistado com movimentos sociais fortes, apoiados pela maioria da população brasileira.
Contra a criminalização das lutas sociais
Convocamos todos os movimentos e setores comprometidos com as lutas a se engajarem em um amplo movimento contra a criminalização das lutas sociais, realizando atos e manifestações políticas que demarquem o repúdio à criminalização do MST e de todas as lutas no Brasil.
Ana Clara Ribeiro
Ana Esther Ceceña
Boaventura de Sousa Santos
Carlos Nelson Coutinho
Carlos Walter Porto-Gonçalves
Claudia Santiago
Claudia Korol
Ciro Correia
Chico Alencar
Chico de Oliveira
Daniel Bensaïd
Demian Bezerra de Melo
Fernando Vieira Velloso
Eduardo Galeano
Eleuterio Prado
Emir Sader
Gaudêncio Frigotto
Gilberto Maringoni
Gilcilene Barão
Heloisa Fernandes
Isabel Monal
István Mészáros
Ivana Jinkings
José Paulo Netto
Lucia Maria Wanderley Neves
Luis Acosta
Marcelo Badaró Mattos
Marcelo Freixo
Maria Orlanda Pinassi
Marilda Iamamoto
Maurício Vieira Martins
Mauro Luis Iasi
Michael Lowy
Otilia Fiori Arantes
Paulo Arantes
Paulo Nakatani
Plínio de Arruda Sampaio
Reinaldo A. Carcanholo
Ricardo Antunes
Ricardo Gilberto Lyrio Teixeira
Roberto Leher
Sara Granemann
Sergio Romagnolo
Virgínia Fontes
Vito Giannotti
Assine também: http://www.petitiononline.com/boit1995/petition.html
Atualizado e Publicado em 22 de outubro de 2009
As grandes redes de televisão repetiram à exaustão, há algumas semanas, imagens da ocupação realizada por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em terras que seriam de propriedade do Sucocítrico Cutrale, no interior de São Paulo. A mídia foi taxativa em classificar a derrubada de alguns pés de laranja como ato de vandalismo.Uma informação essencial, no entanto, foi omitida: a de que a titularidade das terras da empresa é contestada pelo Incra e pela Justiça. Trata-se de uma grande área chamada Núcleo Monções, que possui cerca de 30 mil hectares. Desses 30 mil hectares, 10 mil são terras públicas reconhecidas oficialmente como devolutas e 15 mil são terras improdutivas. Ao mesmo tempo, não há nenhuma prova de que a suposta destruição de máquinas e equipamentos tenha sido obra dos sem-terra.Na ótica dos setores dominantes, pés de laranja arrancados em protesto representam uma imagem mais chocante do que as famílias que vivem em acampamentos precários desejando produzir alimentos.
Bloquear a reforma agrária
Há um objetivo preciso nisso tudo: impedir a revisão dos índices de produtividade agrícola – cuja versão em vigor tem como base o censo agropecuário de 1975 – e viabilizar uma CPI sobre o MST. Com tal postura, o foco do debate agrário desloca-se dos responsáveis pela desigualdade e concentração para criminalizar os que lutam pelo direito do povo. A revisão dos índices evidenciaria que, apesar de todo o avanço técnico, boa parte das grandes propriedades não é tão produtiva quanto seus donos alegam e estaria, assim, disponível para a reforma agrária.
Para mascarar tal fato, está em curso um grande operativo político das classes dominantes objetivando golpear o principal movimento social brasileiro, o MST. Deste modo, prepara-se o terreno para mais uma ofensiva contra os direitos sociais da maioria da população brasileira.O pesado operativo midiático-empresarial visa isolar e criminalizar o movimento social e enfraquecer suas bases de apoio. Sem resistências, as corporações agrícolas tentam bloquear, ainda mais severamente, a reforma agrária e impor um modelo agroexportador predatório em termos sociais e ambientais como única alternativa para a agropecuária brasileira.
A concentração fundiária no Brasil aumentou nos últimos dez anos, conforme o Censo Agrário do IBGE. A área ocupada pelos estabelecimentos rurais maiores do que mil hectares concentra mais de 43% do espaço total, enquanto as propriedades com menos de 10 hectares ocupam menos de 2,7%. As pequenas propriedades estão definhando enquanto crescem as fronteiras agrícolas do agronegócio.Conforme a Comissão Pastoral da Terra (CPT, 2009) os conflitos agrários do primeiro semestre deste ano seguem marcando uma situação de extrema violência contra os trabalhadores rurais. Entre janeiro e julho de 2009 foram registrados 366 conflitos, que afetaram diretamente 193.174 pessoas, ocorrendo um assassinato a cada 30 conflitos no primeiro semestre de 2009. Ao todo, foram 12 assassinatos, 44 tentativas de homicídio, 22 ameaças de morte e 6 pessoas torturadas no primeiro semestre deste ano.
Não violênciaA estratégia de luta do MST sempre se caracterizou pela não violência, ainda que em um ambiente de extrema agressividade por parte dos agentes do Estado e das milícias e jagunços a serviço das corporações e do latifúndio. As ocupações objetivam pressionar os governos a realizar a reforma agrária.É preciso uma agricultura socialmente justa, ecológica, capaz de assegurar a soberania alimentar e baseada na livre cooperação de pequenos agricultores. Isso só será conquistado com movimentos sociais fortes, apoiados pela maioria da população brasileira.
Contra a criminalização das lutas sociais
Convocamos todos os movimentos e setores comprometidos com as lutas a se engajarem em um amplo movimento contra a criminalização das lutas sociais, realizando atos e manifestações políticas que demarquem o repúdio à criminalização do MST e de todas as lutas no Brasil.
Ana Clara Ribeiro
Ana Esther Ceceña
Boaventura de Sousa Santos
Carlos Nelson Coutinho
Carlos Walter Porto-Gonçalves
Claudia Santiago
Claudia Korol
Ciro Correia
Chico Alencar
Chico de Oliveira
Daniel Bensaïd
Demian Bezerra de Melo
Fernando Vieira Velloso
Eduardo Galeano
Eleuterio Prado
Emir Sader
Gaudêncio Frigotto
Gilberto Maringoni
Gilcilene Barão
Heloisa Fernandes
Isabel Monal
István Mészáros
Ivana Jinkings
José Paulo Netto
Lucia Maria Wanderley Neves
Luis Acosta
Marcelo Badaró Mattos
Marcelo Freixo
Maria Orlanda Pinassi
Marilda Iamamoto
Maurício Vieira Martins
Mauro Luis Iasi
Michael Lowy
Otilia Fiori Arantes
Paulo Arantes
Paulo Nakatani
Plínio de Arruda Sampaio
Reinaldo A. Carcanholo
Ricardo Antunes
Ricardo Gilberto Lyrio Teixeira
Roberto Leher
Sara Granemann
Sergio Romagnolo
Virgínia Fontes
Vito Giannotti
Assine também: http://www.petitiononline.com/boit1995/petition.html
Atualizado e Publicado em 22 de outubro de 2009
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
CAIÇARAS E ABELHAS_HISTÓRIAS QUE MUDAM O MUNDO
Estamos (Coletivo Jovem Caiçara, Rede Cananéia e Sala Verde Cananéia) participando de uma campanha na qual inscrevemos um vídeo que produzimos em parceria com a Cooperafloresta (Associação dos Agricultores Agroflorestais de Barra do Turvo/SP e Adrianopolis/PR). A campanha é do Museu da Pessoa e chama-se "Histórias de Que Mudam o Mundo", estão concorrendo vídeos de até 1 minuto que mostram histórias marcantes de vida das pessoas. O que estamos concorrendo é o vídeo "Abelhas e gente..." que conta a história de Seu Zé Baleia, um pessoa iluminada que vive em harmonia com a natureza e se dedica ao trabalho de criação de abelhas junto com agrofloresta.
"Somos Todos Diferentes"
Bum Bum Bole Taare Zameen Per
http://www.youtube.com/watch?v=TaUG18VvrfM
Mais informações:http://www.taarezameenpar.com/
O filme foi aclamado pelo público na Mostra Geração 2008.
Sinopse: Ishaan tem oito anos, é cheio de imaginação e gosta muito de desenhar e brincar. Solitário, tem como amigos os cães e os peixes do aquário. Suas brincadeiras passam por poças d'água e pipas. Ele não presta nenhuma atenção nas aulas e, antes de ser reprovado por preguiça e rebeldia, seus pais o transferem para uma escola interna. Num primeiro momento, o garoto se sente abandonado e sofre com a separação. Mas o professor de arte Nikumbh percebe a existência de um problema e, na busca da solução, devolve a alegria e a auto-confiança de Ishaan.
Biografia do diretor:
Nasceu em 1965, na Índia. Começou sua carreira no cinema como ator mirim em
1973. Seu primeiro papel de protagonista adulto veio com Qayamat Se Qayamat Tak (1988), de Mansoor Khan. Um dos mais conhecidos e requisitados atores de Bollywood, interpretou o papel principal em Lagaan (2001), de Ashutosh Gowariker, indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Esta é sua estréia na direção de longas metragens.
Mostra: Mostra Geração
Titulo Original: Taare Zameen Par
Titulo em Inglês: Stars on Earth
Classificação:10
Direção:Aamir Khan
Roteiro:Amole Gupte
Elenco:Aamir Khan, Darsheel Safary, Tanay Cheda
Fotografia:Setu
Montagem:Deepa Bhatia
Música:Shankar Ehsaan Loy
País:Índia
Ano:2007
Duração:165min
"Somos Todos Diferentes"
Bum Bum Bole Taare Zameen Per
http://www.youtube.com/watch?v=TaUG18VvrfM
Mais informações:http://www.taarezameenpar.com/
Sinopse: Ishaan tem oito anos, é cheio de imaginação e gosta muito de desenhar e brincar. Solitário, tem como amigos os cães e os peixes do aquário. Suas brincadeiras passam por poças d'água e pipas. Ele não presta nenhuma atenção nas aulas e, antes de ser reprovado por preguiça e rebeldia, seus pais o transferem para uma escola interna. Num primeiro momento, o garoto se sente abandonado e sofre com a separação. Mas o professor de arte Nikumbh percebe a existência de um problema e, na busca da solução, devolve a alegria e a auto-confiança de Ishaan.
Biografia do diretor:
Nasceu em 1965, na Índia. Começou sua carreira no cinema como ator mirim em
1973. Seu primeiro papel de protagonista adulto veio com Qayamat Se Qayamat Tak (1988), de Mansoor Khan. Um dos mais conhecidos e requisitados atores de Bollywood, interpretou o papel principal em Lagaan (2001), de Ashutosh Gowariker, indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Esta é sua estréia na direção de longas metragens.
Mostra: Mostra Geração
Titulo Original: Taare Zameen Par
Titulo em Inglês: Stars on Earth
Classificação:10
Direção:Aamir Khan
Roteiro:Amole Gupte
Elenco:Aamir Khan, Darsheel Safary, Tanay Cheda
Fotografia:Setu
Montagem:Deepa Bhatia
Música:Shankar Ehsaan Loy
País:Índia
Ano:2007
Duração:165min
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
JORNAL "FRUTO DA TERRA" ganha reconhecimento internacional
Sheila, estamos emocionados e emocionadas aqui no Brasil. Parabéns!
"Odila,internet é mesmo uma coisa incrível, né? Veja só onde o Jornal "Fruto da Terra" foi parar ... ganhamos o mundo !!! Fomos muito além do que poderíamos imaginar.E fazer parte deste grande movimento "do bem" que é a Carta da Terra, é MUITO BOM. Um grande abraço.Sheila"
"Un programa municipal en Brasil está usando la"Carta de la Tierra"
La Carta de la Tierra ha sido un instrumento importante en los esfuerzos de educación ambiental de las escuelas de la ciudad de Atibaia. Fruto de la Tierra, un programa educativo ambiental (Programa de Educação Ambiental Fruto da Terra) se convirtió, desde el 2003, en parte de la red pública municipal de Atibaia, Sao Paulo, Brasil. Cerca de 14.000 estudiantes y 400 docentes de educación primaria han sido beneficiados con este programa. Desde el 2007 el programa forma parte del Plan Educativo de la Ciudad y es política pública.
Los principales objetivos del programa son:
Contribuir al desarrollo de ciudadanos ambientalmente concientizados y comprometidos en la búsqueda de soluciones de los problemas ambientales del lugar en que viven Involucrarse en la capacitación de docentes y estimularlos para la construcción de estrategias y trabajo con las realidades locales y globales de manera significativa, tomando en consideración el rol formador de las escuelas y su coparticipación en el proceso de la transformación social. La Carta de la Tierra ha sido un instrumento importante en los esfuerzos de educación ambiental de las escuelas de esta ciudad. En el 2007 una versión para niños(as) de la Carta de la Tierra fue distribuida y así dio inicio un amplio movimiento de concientización de la visión de sustentabilidad de la Carta de la Tierra. Las escuelas primarias fueron instadas a leer la Carta y los padres de los niños y niñas recibieron el documento para su lectura y reflexión. En el 2009 la Carta de la Tierra fue utilizada nuevamente en la educación básica. El análisis del documento llevó a la producción de proyectos y cartas colectivas de “actitudes para cultivar”, así como compromiso por parte de los niños y las niñas. Algunos de los trabajos desarrollados en las escuelas de Atibaia fueron compartidos en el periódico que puede ser encontrado en el siguiente enlace (en portugués):
http://www.atibaia.sp.gov.br/freeaspupload/educacao/mural/jornal%20fruto%2016.pdf.pdf
COMENTÁRIO
Equipe do blog deixou um novo comentário sobre a sua postagem "JORNAL "FRUTO DA TERRA" ganha reconhecimento inter...": grande notícia! Emocionados aqui também :)aproveitando pra dizer que estamos seguindo seu blog
Rodrigo - equipe do blog EDUCOM: http://brasileducom.blogspot.com/
"Odila,internet é mesmo uma coisa incrível, né? Veja só onde o Jornal "Fruto da Terra" foi parar ... ganhamos o mundo !!! Fomos muito além do que poderíamos imaginar.E fazer parte deste grande movimento "do bem" que é a Carta da Terra, é MUITO BOM. Um grande abraço.Sheila"
"Un programa municipal en Brasil está usando la"Carta de la Tierra"
La Carta de la Tierra ha sido un instrumento importante en los esfuerzos de educación ambiental de las escuelas de la ciudad de Atibaia. Fruto de la Tierra, un programa educativo ambiental (Programa de Educação Ambiental Fruto da Terra) se convirtió, desde el 2003, en parte de la red pública municipal de Atibaia, Sao Paulo, Brasil. Cerca de 14.000 estudiantes y 400 docentes de educación primaria han sido beneficiados con este programa. Desde el 2007 el programa forma parte del Plan Educativo de la Ciudad y es política pública.
Los principales objetivos del programa son:
Contribuir al desarrollo de ciudadanos ambientalmente concientizados y comprometidos en la búsqueda de soluciones de los problemas ambientales del lugar en que viven Involucrarse en la capacitación de docentes y estimularlos para la construcción de estrategias y trabajo con las realidades locales y globales de manera significativa, tomando en consideración el rol formador de las escuelas y su coparticipación en el proceso de la transformación social. La Carta de la Tierra ha sido un instrumento importante en los esfuerzos de educación ambiental de las escuelas de esta ciudad. En el 2007 una versión para niños(as) de la Carta de la Tierra fue distribuida y así dio inicio un amplio movimiento de concientización de la visión de sustentabilidad de la Carta de la Tierra. Las escuelas primarias fueron instadas a leer la Carta y los padres de los niños y niñas recibieron el documento para su lectura y reflexión. En el 2009 la Carta de la Tierra fue utilizada nuevamente en la educación básica. El análisis del documento llevó a la producción de proyectos y cartas colectivas de “actitudes para cultivar”, así como compromiso por parte de los niños y las niñas. Algunos de los trabajos desarrollados en las escuelas de Atibaia fueron compartidos en el periódico que puede ser encontrado en el siguiente enlace (en portugués):
http://www.atibaia.sp.gov.br/freeaspupload/educacao/mural/jornal%20fruto%2016.pdf.pdf
COMENTÁRIO
Equipe do blog deixou um novo comentário sobre a sua postagem "JORNAL "FRUTO DA TERRA" ganha reconhecimento inter...": grande notícia! Emocionados aqui também :)aproveitando pra dizer que estamos seguindo seu blog
Rodrigo - equipe do blog EDUCOM: http://brasileducom.blogspot.com/
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
Um Encontro mais que especial:SOCIOECONOMIA SOLIDÁRIA_de 10 a 12 de OUTUBRO
P R O G R A M A Ç A O
Programação para o feriado dos dias 10, 11 e 12 de outubro/2009
Rosa dos Ventos. http://www.sitiodarosadosventos.com.br/
- Dia 09/10
Recepção dos participantes.
- Dia 10/10
Recepção dos participantes.
8h " Café da manhã
12h - Almoço
13h30 " Abertura do encontro e proposta da Rosa dos Ventos com Carlos Brandão.
14h30 " Marcos Arruda/RJ " Tema - Socioeconomia Solidária
16h30- Café
17h " Marcos Arruda "Socieconomia Solidária
19h " Preparação para o jantar
20h 30 " Atividades extras
(Vídeos, Roda de viola, Roda de poesia/textos na biblioteca, apreciação da lua, troca de experiências...)
Dia 11/10
7h30 " Café
9h " Atividade de integração/
9h30 " Daniel Tygel " DF
11h " Jaqueline do Projeto de educadores sociais da Bahia - Socialização da experiência do Projeto
12h30 - Almoço
14h " Paulo Roberto /RJ -" Tema Simplicidade Voluntária
16h - Café
16h30 - Carlos Brandão
19h " Preparação para o jantar"
21h - Atividades extras (Vídeos, Roda de viola, Roda de poesia/textos na biblioteca, apreciação da lua, troca de experiências...)
Dia 12/10
- Grupo que irá subir a pedra branca.
- Grupo que irá conhecer algumas cachoeiras.
- Reunião da equipe de trabalho da Rosa dos Ventos ( Encaminhamento da formação da associação da Rosa dos Ventos, programação continuada, curso de formação, graduação...)É possível que troquemos as atividades da manhã do dia 11/10 pela manhã do dia 12/10. Vai depender do tempo.
Almoço por voltas das 13h e um até logo Sul de Minas !! Carlos Brandão
Programação para o feriado dos dias 10, 11 e 12 de outubro/2009
Rosa dos Ventos. http://www.sitiodarosadosventos.com.br/
- Dia 09/10
Recepção dos participantes.
- Dia 10/10
Recepção dos participantes.
8h " Café da manhã
12h - Almoço
13h30 " Abertura do encontro e proposta da Rosa dos Ventos com Carlos Brandão.
14h30 " Marcos Arruda/RJ " Tema - Socioeconomia Solidária
16h30- Café
17h " Marcos Arruda "Socieconomia Solidária
19h " Preparação para o jantar
20h 30 " Atividades extras
(Vídeos, Roda de viola, Roda de poesia/textos na biblioteca, apreciação da lua, troca de experiências...)
Dia 11/10
7h30 " Café
9h " Atividade de integração/
9h30 " Daniel Tygel " DF
11h " Jaqueline do Projeto de educadores sociais da Bahia - Socialização da experiência do Projeto
12h30 - Almoço
14h " Paulo Roberto /RJ -" Tema Simplicidade Voluntária
16h - Café
16h30 - Carlos Brandão
19h " Preparação para o jantar"
21h - Atividades extras (Vídeos, Roda de viola, Roda de poesia/textos na biblioteca, apreciação da lua, troca de experiências...)
Dia 12/10
- Grupo que irá subir a pedra branca.
- Grupo que irá conhecer algumas cachoeiras.
- Reunião da equipe de trabalho da Rosa dos Ventos ( Encaminhamento da formação da associação da Rosa dos Ventos, programação continuada, curso de formação, graduação...)É possível que troquemos as atividades da manhã do dia 11/10 pela manhã do dia 12/10. Vai depender do tempo.
Almoço por voltas das 13h e um até logo Sul de Minas !! Carlos Brandão
terça-feira, 29 de setembro de 2009
Saúde Da Família terá US$ 166,9 milhões (dolares) do Banco Mundial...e
Ministério da Saúde e Banco Mundial firmam contrato de financiamento para o Projeto de Expansão e Consolidação desta estratégia, que beneficiará 184 municípios O trabalho das equipes de saúde da família nos centros urbanos ganhará um reforço de US$ 166,9 milhões a partir de setembro. O Ministério da Saúde e o Banco Mundial firmaram nesta quarta-feira (9), em Brasília, contrato de financiamento da segunda etapa do Projeto de Expansão e Consolidação da Saúde da Família (Proesf). O objetivo é ampliar o acesso à atenção primária nessas regiões, com ampliação da Estratégia Saúde da Família, que está voltada às ações de prevenção de doenças, promoção da saúde, diagnóstico, tratamento e reabilitação. “Por esse programa o Brasil mostra ao mundo que é possível construir um sistema de saúde com uma forte base na atenção primária de qualidade. Mostra também que um sistema moldado, pensado e estruturado nessas bases é um modelo que alia eficiência e racionalidade a um custo compatível com o perfil de um país como o nosso”, afirmou o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, durante a solenidade de assinatura do contrato. O recurso – advindo das duas instituições – será repassado a 184 municípios de todos os estados brasileiros, escolhidos por terem mais de 100 mil habitantes e apresentarem baixas coberturas de atenção primária às populações. A maior parte da verba do Banco Mundial, US$ 55 milhões, será utilizada na compra de equipamentos médicos e odontológicos, mobiliário e em reformas das unidades onde atuam as equipes de saúde da família. Outros US$ 28,45 milhões serão repassados aos estados para capacitação de gestores, monitoramento e avaliação da iniciativa. A contrapartida do governo federal, US$ 83,45 milhões – o equivalente a metade do valor total –, será utilizada para aumentar o número de equipes de saúde da família nos 184 municípios que participarão do Proesf. Atualmente, 8.960 equipes atuam nessas cidades. A expectativa é chegar a 11 mil em março de 2013, quando terminará a fase dois do projeto de expansão, atingindo 38 milhões de pessoas.
RESULTADOS - O acordo entre o Banco Mundial e o Ministério da Saúde prevê ainda recursos na ordem de US$ 200 milhões para a terceira fase do Proesf, que deverá começar após 2013. Na fase um da iniciativa, realizada entre 2003 e 2007, mais de 3.000 mil novas equipes de saúde da família passaram a atuar nos 184 municípios beneficiados pelo projeto, um aumento de 52%. Com isso, o trabalho desses profissionais atinge hoje mais de 30 milhões de pessoas nas cidades beneficiadas. O investimento do governo federal e do Banco Mundial na primeira fase da iniciativa foi US$ 166,9 milhões, o mesmo previsto para os próximos quatro anos.Além do aumento no número de equipes, a verba foi utilizada em reformas e na ampliação de 1.000 unidades básicas de saúde.
“A primeira fase do Proesf teve um êxito muito grande. A OMS reconhece que esse projeto está entre as melhores experiências mundiais de saúde pública. A visão do Banco Mundial não é a de trazer a experiência internacional ao Brasil, mas de exportar a experiência brasileira para outros países”, disse o diretor do Banco Mundial para o Brasil, Makhtar Diop. Levantamento feito pelo Ministério da Saúde em parceria com universidades públicas sobre o trabalho das equipes nesses municípios demonstra que a presença desses profissionais impacta no aumento de consultas pré-natal, cobertura vacinal de gestantes e crianças, além da redução significativa das hospitalizações. Nas cidades, antes da implantação da Saúde da Família, apenas 25% das gestantes faziam sete ou mais consultas de pré-natal. Este índice passou a 40% após a expansão promovida pelo Proesf. A vacinação de crianças e mulheres grávidas nos municípios que participaram da primeira fase do projeto foi três vezes melhor. Observou-se ainda que nessas cidades a hospitalização de crianças por infecções respiratórias agudas foi sete vezes menor e por diarréia, três vezes menor.
ATENÇÃO BÁSICA – A Saúde da Família é a principal estratégia do Ministério da Saúde para reorientar o modelo de atenção básica à população. Conforme a proposta, equipes multidisciplinares – formadas por um médico, um enfermeiro, técnicos ou auxiliares de enfermagem e até 12 agentes comunitários – atendem as famílias de determinada região. As equipes trabalham em ações de promoção, prevenção, recuperação, reabilitação de doenças e manutenção da saúde dessas comunidades. Além da realização da segunda fase do Proesf, o Ministério publicou portaria aumentando em R$ 209 milhões ao ano o valor destinado ao trabalho dos agentes comunitários de saúde, que trabalham na Estratégia Saúde da Família. O recurso repassado aos municípios por profissional a cada mês subiu de R$ 581 para R$ 651. A medida beneficia 5.330 municípios brasileiros, onde trabalham 229,9 mil agentes comunitários de saúde. O governo aumentou ainda o valor fixo repassado a todos os municípios brasileiros para a atenção básica. As Secretarias Estaduais de Saúde receberão um adicional de R$ 191,4 milhões por ano. O valor por morador para esse nível de assistência passou a ser R$ 18, em vez dos atuais R$ 17, conforme uma portaria publicada em agosto. Com o acréscimo, o investimento fixo nesse nível de assistência passa ao mínimo de R$ 3,4 bilhões por ano. Isso porque os municípios, além do repasse fixo, recebem também recursos dos programas federais voltados à atenção básica, totalizando R$ 8,7 bilhões anual. Atualmente, a Estratégia Saúde da Família está presente em 94% dos municípios do país, respondendo às demandas de 49,9% da população brasileira. Um total de 29.710 equipes de médicos, enfermeiros e agentes comunitários de saúde atua em 5.229 municípios. A meta do Ministério da Saúde é chegar a 32.000 equipes implantas no fim de 2010, quando a iniciativa completará 17 anos. Estudos do Ministério da Saúde de 2008 apontam que o trabalho das equipes de saúde da família nos municípios impacta positivamente no acesso à saúde, realização de pré-natal e redução de mortes de crianças menores de um ano por causas mal definidas. Uma pesquisa científica que analisou a iniciativa três anos atrás demonstrou que a cada 10% de aumento da cobertura, a mortalidade infantil reduz em 4,56%. Além dos resultados positivos na saúde materno-infantil, a presença das equipes resulta na melhoria na saúde dos adultos, reduzindo internações por doenças respiratórias, diabetes, hipertensão e outras doenças cardiovasculares.
COMENTÁRIOS: "É lamentável que o Brasil pegue dinheiro do Banco Mundial para financiamento da Saúde...É cavar dívida externa em nome de uma estratégia que o país, com suas riquezas tem condições de financiar!!!! Onde estão nossos Conselheiros Nacionais de Saúde!!!!!!"
De uma Profissional de Saúde
OUTRO COMENTÁRIO-Odila Fonseca
Hoje a noite haverá um encontro na Faculdade de Ciencias Médicas - UNICAMP- cujo tema será A Bacia do Platina e as questões SOCIOAMBIENTAIS. ( Ver postagem abaixo).Em algum momento fui colega de trabalho da Estela, autora do comentário acima. E é, com e através dela, que quero dialogar com toda a Rede de Educação Popular em Saúde e Redes Populares Ambientais. Na década de 1960, Robert Macnamara,Secretário de Defesa dos Estados Unidos no Governo Kennedy, depois de ter incendiado Saygon e perder a guerra para os vietnamitas, "foi ser" Presidente do Banco Mundial onde permaneceu até o fim de sua vida .Disse êle na ocasião, no documentário cinematográfico "TUDO É VERDADE", que uma das razões de ter ido para o Banco Mundial foi para pagar os "erros que cometera". Por tanto trabalhar "para os pobres". A pauta mundial hoje, além da Sede dos Jogos Olímpicos (Rio de Janeiro X Chicago) são as riquezas cantadas e decantadas do Petróleo e do Pré Sal, anunciadas com estrondo pela assessoria da Presidência da República(2009). No mes que entra o Congresso de Saúde Coletiva vai abrigar milhares de profissionais e representantes de todos os setores em Recife. Logicamente o Ministro Temporão estará lá.Vai ser um grande momento para pensarmos mais uma vez,como num mantra sagrado, a expanção do Agronegócio, a destruição da Floresta Amazonica em nome do desenvolvimento tecnológico. E lá vão os "militantes da saúde" higienizar as áreas em desenvolvimento para que o grande Capital possa crescer sem males da pobreza. Mais ainda sem gastar dinheiro do Pré-Sal e do Petróleo, já com certeza muito bem planejados até 2.050
Para complementar:
"O que o petróleo do Pré Sal tem a ver com você "
O Brasil pode fazer um novo fundo igual à soma do FAT e do FGTS, mais 20 trens-bala, mais uma Harvard tropical, mais corrigir e manter aposentadorias do INSS, e mesmo assim isso somaria apenas 14% de uma projeção rasteira dos recursos do pré-sal. Isso totalizaria, por alto, 730 bilhões de dólares. Saiba por que tanta gente quer por a mão nessa riqueza e por que há tanta agitação, no Congresso Nacional, sobre esse assunto. O artigo é de Castagna Maia.
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16164
RESULTADOS - O acordo entre o Banco Mundial e o Ministério da Saúde prevê ainda recursos na ordem de US$ 200 milhões para a terceira fase do Proesf, que deverá começar após 2013. Na fase um da iniciativa, realizada entre 2003 e 2007, mais de 3.000 mil novas equipes de saúde da família passaram a atuar nos 184 municípios beneficiados pelo projeto, um aumento de 52%. Com isso, o trabalho desses profissionais atinge hoje mais de 30 milhões de pessoas nas cidades beneficiadas. O investimento do governo federal e do Banco Mundial na primeira fase da iniciativa foi US$ 166,9 milhões, o mesmo previsto para os próximos quatro anos.Além do aumento no número de equipes, a verba foi utilizada em reformas e na ampliação de 1.000 unidades básicas de saúde.
“A primeira fase do Proesf teve um êxito muito grande. A OMS reconhece que esse projeto está entre as melhores experiências mundiais de saúde pública. A visão do Banco Mundial não é a de trazer a experiência internacional ao Brasil, mas de exportar a experiência brasileira para outros países”, disse o diretor do Banco Mundial para o Brasil, Makhtar Diop. Levantamento feito pelo Ministério da Saúde em parceria com universidades públicas sobre o trabalho das equipes nesses municípios demonstra que a presença desses profissionais impacta no aumento de consultas pré-natal, cobertura vacinal de gestantes e crianças, além da redução significativa das hospitalizações. Nas cidades, antes da implantação da Saúde da Família, apenas 25% das gestantes faziam sete ou mais consultas de pré-natal. Este índice passou a 40% após a expansão promovida pelo Proesf. A vacinação de crianças e mulheres grávidas nos municípios que participaram da primeira fase do projeto foi três vezes melhor. Observou-se ainda que nessas cidades a hospitalização de crianças por infecções respiratórias agudas foi sete vezes menor e por diarréia, três vezes menor.
ATENÇÃO BÁSICA – A Saúde da Família é a principal estratégia do Ministério da Saúde para reorientar o modelo de atenção básica à população. Conforme a proposta, equipes multidisciplinares – formadas por um médico, um enfermeiro, técnicos ou auxiliares de enfermagem e até 12 agentes comunitários – atendem as famílias de determinada região. As equipes trabalham em ações de promoção, prevenção, recuperação, reabilitação de doenças e manutenção da saúde dessas comunidades. Além da realização da segunda fase do Proesf, o Ministério publicou portaria aumentando em R$ 209 milhões ao ano o valor destinado ao trabalho dos agentes comunitários de saúde, que trabalham na Estratégia Saúde da Família. O recurso repassado aos municípios por profissional a cada mês subiu de R$ 581 para R$ 651. A medida beneficia 5.330 municípios brasileiros, onde trabalham 229,9 mil agentes comunitários de saúde. O governo aumentou ainda o valor fixo repassado a todos os municípios brasileiros para a atenção básica. As Secretarias Estaduais de Saúde receberão um adicional de R$ 191,4 milhões por ano. O valor por morador para esse nível de assistência passou a ser R$ 18, em vez dos atuais R$ 17, conforme uma portaria publicada em agosto. Com o acréscimo, o investimento fixo nesse nível de assistência passa ao mínimo de R$ 3,4 bilhões por ano. Isso porque os municípios, além do repasse fixo, recebem também recursos dos programas federais voltados à atenção básica, totalizando R$ 8,7 bilhões anual. Atualmente, a Estratégia Saúde da Família está presente em 94% dos municípios do país, respondendo às demandas de 49,9% da população brasileira. Um total de 29.710 equipes de médicos, enfermeiros e agentes comunitários de saúde atua em 5.229 municípios. A meta do Ministério da Saúde é chegar a 32.000 equipes implantas no fim de 2010, quando a iniciativa completará 17 anos. Estudos do Ministério da Saúde de 2008 apontam que o trabalho das equipes de saúde da família nos municípios impacta positivamente no acesso à saúde, realização de pré-natal e redução de mortes de crianças menores de um ano por causas mal definidas. Uma pesquisa científica que analisou a iniciativa três anos atrás demonstrou que a cada 10% de aumento da cobertura, a mortalidade infantil reduz em 4,56%. Além dos resultados positivos na saúde materno-infantil, a presença das equipes resulta na melhoria na saúde dos adultos, reduzindo internações por doenças respiratórias, diabetes, hipertensão e outras doenças cardiovasculares.
COMENTÁRIOS: "É lamentável que o Brasil pegue dinheiro do Banco Mundial para financiamento da Saúde...É cavar dívida externa em nome de uma estratégia que o país, com suas riquezas tem condições de financiar!!!! Onde estão nossos Conselheiros Nacionais de Saúde!!!!!!"
De uma Profissional de Saúde
OUTRO COMENTÁRIO-Odila Fonseca
Hoje a noite haverá um encontro na Faculdade de Ciencias Médicas - UNICAMP- cujo tema será A Bacia do Platina e as questões SOCIOAMBIENTAIS. ( Ver postagem abaixo).Em algum momento fui colega de trabalho da Estela, autora do comentário acima. E é, com e através dela, que quero dialogar com toda a Rede de Educação Popular em Saúde e Redes Populares Ambientais. Na década de 1960, Robert Macnamara,Secretário de Defesa dos Estados Unidos no Governo Kennedy, depois de ter incendiado Saygon e perder a guerra para os vietnamitas, "foi ser" Presidente do Banco Mundial onde permaneceu até o fim de sua vida .Disse êle na ocasião, no documentário cinematográfico "TUDO É VERDADE", que uma das razões de ter ido para o Banco Mundial foi para pagar os "erros que cometera". Por tanto trabalhar "para os pobres". A pauta mundial hoje, além da Sede dos Jogos Olímpicos (Rio de Janeiro X Chicago) são as riquezas cantadas e decantadas do Petróleo e do Pré Sal, anunciadas com estrondo pela assessoria da Presidência da República(2009). No mes que entra o Congresso de Saúde Coletiva vai abrigar milhares de profissionais e representantes de todos os setores em Recife. Logicamente o Ministro Temporão estará lá.Vai ser um grande momento para pensarmos mais uma vez,como num mantra sagrado, a expanção do Agronegócio, a destruição da Floresta Amazonica em nome do desenvolvimento tecnológico. E lá vão os "militantes da saúde" higienizar as áreas em desenvolvimento para que o grande Capital possa crescer sem males da pobreza. Mais ainda sem gastar dinheiro do Pré-Sal e do Petróleo, já com certeza muito bem planejados até 2.050
Para complementar:
"O que o petróleo do Pré Sal tem a ver com você "
O Brasil pode fazer um novo fundo igual à soma do FAT e do FGTS, mais 20 trens-bala, mais uma Harvard tropical, mais corrigir e manter aposentadorias do INSS, e mesmo assim isso somaria apenas 14% de uma projeção rasteira dos recursos do pré-sal. Isso totalizaria, por alto, 730 bilhões de dólares. Saiba por que tanta gente quer por a mão nessa riqueza e por que há tanta agitação, no Congresso Nacional, sobre esse assunto. O artigo é de Castagna Maia.
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16164
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
1º Encontro Brasileiro_Centro de Saberes e Cuidados Socioambientais da Bacia do Prata
29 de setembro de 2009_Auditório da Faculdade de Medicina-UNICAMP CAMPINAS-SP Evento Aberto ao Público
Programação
19h00 - Sessão de Abertura com a presença de:
Sr. Fernando Costa – Reitor da UNICAMP
Sr. Mohamed Habib – Pró-Reitor de Extensão e Assuntos Comunitários
Sr. Nelton Friedrich – Diretor de Coordenação e Meio Ambiente da ITAIPU Binacional
Sr. Vicente Andreu – Secretário Nacional de Recursos Hídricos do MMA
Sr. José Paulo Toffano – Dep Fed. Presidente da Representação Brasileira no Parlamento MercoSUL
Sra. Suraya Modaeli – Presidente Câmara Técn Educação Ambiental Conselho Nac Recursos Hídricos
Representantes do Centro de Saberes da Bolívia, Paraguay e Argentina
Sr. Kaká Werá Jecupé – Índio Tapuia, escritos, Fundação Arapoty
Prof. Sandro Tonso (coordenador da Abertura)
19h30 Apresentação do Centro de Saberes e Cuidados
Nelton Miguel Friedrich – Comitê Gestor do Centro de Saberes e Cuidados
20:00 Palestra - A Bacia do Prata: nosso território
Júlio Tadeu – Diretor da Secretaria de Recursos Hídricos do MMA
20:20 Painel/Celebração: Diálogos de Saberes e Cuidados na Bacia do Prata
Integrantes dos Círculos de Aprendizagem dos cinco países
Kaká Werá Jecupé – Celebração do Encontro das Águas
Nádia Campos – Cantora
Sandro Tonso – articulação do Painel
21:30 Coquetel de confraternização
AGROTÓXICO NO SEU ESTOMAGO
Os porta-vozes da grande propriedade e das empresas transnacionais são muito bem pagos para todos os dias defender, falar e escrever de que no Brasil não há mais problema agrário. Afinal, a grande propriedade está produzindo muito mais e tendo muito lucro. Portanto, o latifúndio não é mais problema para a sociedade brasileira. Será? Nem vou abordar a injustiça social da concentração da propriedade da terra, que faz com que apenas 2%, ou seja, 50 mil fazendeiros, sejam donos de metade de toda nossa natureza, enquanto
temos 4 milhões de famílias sem direito a ela.Vou falar das consequências para você que mora na cidade, da adoção domodelo agrícola do agronegócio.O agronegócio é a produção de larga escala, em monocultivo, empregando muitoagrotóxicos e máquinas.Usam venenos para eliminar as outras plantas e não contratar mão de obra.Com isso, destroem a biodiversidade, alteram o clima e expulsam cada vezmais famílias de trabalhadores do interior.Na safra passada, as empresas transnacionais, e são pouca (Basf,Bayer,Monsanto, Du Pont, Sygenta, Bungue, Shell química...), comemoraram que oBrasil se transformou no maior consumidor mundial de venenos agrícolas.Foram despejados 713 milhões de toneladas! Média de 3.700 quilos por pessoa.Esses venenos são de origem química e permanecem na natureza. Degradam o solo. Contaminam a água. E, sobretudo, se acumulam nos alimentos.As lavouras que mais usam venenos são: cana, soja, arroz, milho, fumo,tomate, batata, uva, moranguinho e hortaliças. Tudo isso deixará resíduos para seu estômago.E no seu organismo afetam as células e algum dia podem se transformar emcâncer.Perguntem aos cientistas aí do Instituto Nacional do Câncer, referência de pesquisa nacional, qual é a principal origem do câncer, depois do tabaco? A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) denunciou que existem no mercado mais de vinte produtos agrícolas não recomendáveis para a saúde humana. Mas ninguém avisa no rótulo, nem retira da prateleira. Antigamente,era permitido ter na soja e no óleo de soja apenas 0,2 mg/kg de resíduo do veneno glifosato, para não afetar a saúde. De repente, a Anvisa autorizou os produtos derivados de soja terem até 10,0 mg/kg de glifosato, 50 vezes mais.Isso aconteceu certamente por pressão da Monsanto, pois o resíduo deglifosato aumentou com a soja transgênica, de sua propriedade.Esse mesmo movimento estão fazendo agora com os derivados do milho.Depois que foi aprovado o milho transgênico, que aumenta o uso de veneno,querem aumentar a possibilidade de resíduos de 0,1 mg/kg permitido para 1,0 mg/kg.Há muitos outros exemplos de suas consequências. O doutor Vanderley Pignati, pesquisador da UFMT, revelou em suas pesquisas que nos municípios que têm grande produção de soja e uso intensivo de venenos os índices de abortos e má formação de fetos são quatro vezes maiores do que a média do estado.Nós temos defendido que é preciso valorizar a agricultura familiar, camponesa, que é a única que pode produzir sem venenos e de maneira diversificada. O agronegócio, para ter escala e grandes lucros, só consegue produzir com venenos e expulsando os trabalhadores para a cidade.E você paga a conta, com o aumento do êxodo rural, das favelas e com o aumento da incidência de venenos em seu alimento. Por isso, defender a agricultura familiar e a reforma agrária, que é uma forma de produzir alimentos sadios, é uma questão nacional, de toda sociedade. Não é mais um problema apenas dos sem-terra. E é por isso que cada vez que o MST e a Via Campesina se mobilizam contra o agronegócio, as empresas transnacionais, seus veículos de comunicação e seus parlamentares, nos atacam tanto. Porque estão em disputa dois modelos de produção. Está em disputa a que interesses deve atender a produção agrícola: apenas o lucro ou a saúde e o bem-estar da população? Os ricos sabem disso e tratam de consumir apenas produtos orgânicos.
E você precisa se decidir. De que lado você está?
JOÃO PEDRO STÉDILE é economista e integrante da coordenação nacional do
Movimento dos Sem Terra (MST).
temos 4 milhões de famílias sem direito a ela.Vou falar das consequências para você que mora na cidade, da adoção domodelo agrícola do agronegócio.O agronegócio é a produção de larga escala, em monocultivo, empregando muitoagrotóxicos e máquinas.Usam venenos para eliminar as outras plantas e não contratar mão de obra.Com isso, destroem a biodiversidade, alteram o clima e expulsam cada vezmais famílias de trabalhadores do interior.Na safra passada, as empresas transnacionais, e são pouca (Basf,Bayer,Monsanto, Du Pont, Sygenta, Bungue, Shell química...), comemoraram que oBrasil se transformou no maior consumidor mundial de venenos agrícolas.Foram despejados 713 milhões de toneladas! Média de 3.700 quilos por pessoa.Esses venenos são de origem química e permanecem na natureza. Degradam o solo. Contaminam a água. E, sobretudo, se acumulam nos alimentos.As lavouras que mais usam venenos são: cana, soja, arroz, milho, fumo,tomate, batata, uva, moranguinho e hortaliças. Tudo isso deixará resíduos para seu estômago.E no seu organismo afetam as células e algum dia podem se transformar emcâncer.Perguntem aos cientistas aí do Instituto Nacional do Câncer, referência de pesquisa nacional, qual é a principal origem do câncer, depois do tabaco? A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) denunciou que existem no mercado mais de vinte produtos agrícolas não recomendáveis para a saúde humana. Mas ninguém avisa no rótulo, nem retira da prateleira. Antigamente,era permitido ter na soja e no óleo de soja apenas 0,2 mg/kg de resíduo do veneno glifosato, para não afetar a saúde. De repente, a Anvisa autorizou os produtos derivados de soja terem até 10,0 mg/kg de glifosato, 50 vezes mais.Isso aconteceu certamente por pressão da Monsanto, pois o resíduo deglifosato aumentou com a soja transgênica, de sua propriedade.Esse mesmo movimento estão fazendo agora com os derivados do milho.Depois que foi aprovado o milho transgênico, que aumenta o uso de veneno,querem aumentar a possibilidade de resíduos de 0,1 mg/kg permitido para 1,0 mg/kg.Há muitos outros exemplos de suas consequências. O doutor Vanderley Pignati, pesquisador da UFMT, revelou em suas pesquisas que nos municípios que têm grande produção de soja e uso intensivo de venenos os índices de abortos e má formação de fetos são quatro vezes maiores do que a média do estado.Nós temos defendido que é preciso valorizar a agricultura familiar, camponesa, que é a única que pode produzir sem venenos e de maneira diversificada. O agronegócio, para ter escala e grandes lucros, só consegue produzir com venenos e expulsando os trabalhadores para a cidade.E você paga a conta, com o aumento do êxodo rural, das favelas e com o aumento da incidência de venenos em seu alimento. Por isso, defender a agricultura familiar e a reforma agrária, que é uma forma de produzir alimentos sadios, é uma questão nacional, de toda sociedade. Não é mais um problema apenas dos sem-terra. E é por isso que cada vez que o MST e a Via Campesina se mobilizam contra o agronegócio, as empresas transnacionais, seus veículos de comunicação e seus parlamentares, nos atacam tanto. Porque estão em disputa dois modelos de produção. Está em disputa a que interesses deve atender a produção agrícola: apenas o lucro ou a saúde e o bem-estar da população? Os ricos sabem disso e tratam de consumir apenas produtos orgânicos.
E você precisa se decidir. De que lado você está?
JOÃO PEDRO STÉDILE é economista e integrante da coordenação nacional do
Movimento dos Sem Terra (MST).
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
O AGRONEGÓCIO INCENDIÁRIO E A COMUNIDADE KAIOWÁ GUARANI DO APIKA´ Y
“Você quer ver, vem olhar aqui, tem quatro bugres mortos, vem ver!”, o tom de deboche e ameaça era revelador de um quadro tétrico de racismo e ódio que se julgava restrito às páginas da história de extermínio das populações indígenas no continente e no mundo. Mas naquela hora do meio dia de 18 de setembro, à beira da BR 486, a cena era muito real. Enquanto uma integrante do Cimi fotografava o que restou das casas queimadas, onde ainda a fumaça e pequenas chamas eram visíveis, os agentes de segurança e peões da fazenda faziam uma cerca para isolar o córrego e impedir o acesso dos índios, eles davam um show de racismo. “Esses vagabundos tem mais é que morrer!”, exclamavam enquanto repetiam sons de tiros para amedrontar a pessoa que estava fazendo o registro de mais uma violência absurda contra a comunidade Kaiowá Guarani do Apika’y, acampada há uns dez quilômetros da cidade de Dourados.Damiana, a líder religiosa, esteio do grupo que há mais de uma década luta pelo pedaço de terra tradicional, já tendo sido expulsa diversas vezes, mas que não desiste de ter um pedaço de terra tradicional para viver, fazia o relato dramático da agressão sofrida pelo seu grupo por volta de uma hora da madrugada. Em torno de dez pessoas chegaram atirando sobre os barracos onde se encontravam dormindo os indígenas. Um deles foi ferido na perna atingido por uma bala. No desespero, várias mulheres foram atingidas pelos agressores com socos e pontapés. Logo foram colocando fogo nos barracos, queimando com todos os pertences dos indígenas. Documentos, roupas, bicicleta, lona, madeira, tudo em pouco tempo estava reduzido a cinzas. Os Kaiowá Guarani,indefesos e transtornados, viam mais essa cena de vandalismo.Quando começou a clarear o dia, foram denunciar o fato e pedir providências.Alguns foram para a Funasa pois estavam feridos. Outros foram à FUNAI relatar os fatos e pedir socorro. Burocraticamente tudo foi muito lento. A administração regional da FUNAI disse que sequer conseguira que um dos procuradores do órgão registrasse a denúncia. Foram então encaminhados ao Ministério Público Federal. Até o meio dia, ninguém dos poderes públicos responsáveis havia chegado até o local, que dista a uns dez quilômetros da cidade de Dourados.Não fazia ainda uma semana quando há menos de cinqüenta quilômetros daí, no município de Rio Brilhante, tivesse acontecido o despejo da comunidade de Laranjeira Nhanderu e dois dias depois suas casas queimadas pelos fazendeiros e sua milícia armada.Tudo isso acontece enquanto os Kaiowá Guarani esperam ansiosamente a volta dos grupos de trabalho para concluírem os trabalhos de identificação dos tekoha, terras tradicionais deste povo.Quantas violências, mortes, feridos, presos terão que suportar até terem suas terras demarcadas conforme exige a Constituição e leis internacionais? Sequer à beira das estradas os índios são tolerados. Querem vê-los distante ou embaixo da terra para tranqüilizarem suas consciências.
Egon Heck
Cimi MS - Dourados, 18 de setembro de 2009
Um outro mundo é possível. Um outro Brasil é necessário!
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Reforma Agrária:Horto Florestal Tatu-SP
Estamos em um momento muito importante para o futuro do acampamento Elizabet Teixeira e nessa quarta terá uma audiência em Brasília para tratar sobre a portaria do Ministro que destina a área do Horto Florestal Tatu para fins de Reforma Agrária. Nesse sentido solicitamos a todos os amigos e amigas do MST que enviem uma carta/moção - conforme modelo em anexo - endereçada ao Ministro re-afirmando o pedindo de que a portaria deve ser mantida e a área destinada a Reforma Agrária. São muitos os esforços da prefeitura de Limeira para derrubar essa portaria e nesse momento precisamos do apoio e solidariedade de do maior número de companheiros(as). O endereço para envio da carta é: protocolo.judicial@stj.jus.br .
Os dados abaixo são o nome do Ministro responsável e o número do processo. As mesmas informações seguem em anexo ao "Excelentíssimo Sr. Dr. Ministro Herman Benjamin"
Mandado de Segurança 14.047 - DF (2008/0282522-4)
Agradeçemos desde já a solidariedade de todos e todas.Abraços, Melina R. Andrade
Carta ao Ministro do Supremo Tribunal de Justiça
"Venho por meio desta solicitarao Excelentíssimo Sr. Dr. Ministro Herman Benjamin que mantenha a destinação da área do “Horto Florestal Tatu”, no município de Limeira/SP, para a implementação de um assentamento de Reforma Agrária pelo INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária).
O objetivo do assentamento é produzir alimentos de qualidade, sem uso de produtos químicos; e também de recuperar a terra já degrada, reflorestar áreas de nascentes buscando trazer o re-equilíbrio ambiental através de um Plano de Desenvolvimento Sustentável para o assentamento(PDS). Essa proposta se contrapõe a da prefeitura que tem com principal objetivo a construção de mais um aterro sanitário (lixão) e manutenção de espaços privados em áreas públicas (como pista de kart e de aeromodelismo). Enquanto as famílias que lá se encontram produzem plantas nativas para região. Gostaria de re-afirmar que a área já possui há muitos anos um lixão (sem os devidos cuidados ambientais) administrado pela prefeitura. Nesse sentido, são as famílias sem-terra que vêm recuperando ambientalmente a área. Famílias estas que apesar de toda a violência que sofreram pelo poder público municipal mantém sua dignidade de trabalhadoras e trabalhadores que lutam apenas por um pedaço de terra para trabalhar".
SECRETARIA REGIONAL CAMPINAS - MST
Rua: Abolição, 569 - Ponte Preta
Campinas/SP - CEP 13045-610
Tel: (19) 98205-1395 - Correio Eletrônico: campinasmst@gmail.com
REFORMA AGRÁRIA: Por Justiça Social e Soberania Popular!!!
Comentários:
Odila,
Muito obrigada pela contribuição nessa luta. Andei vendo o seu blog e seria interessante se vocês pudessem contribuir conosco nessa questão ambiental. Um dos maiores questionamentos do prefeito é que nós estamos degradando ambientalmente a área; e devido as nossas dificuldades cotidianas temos poucos registros de nossas ações como a produção de mudas nativas. E também precisamos muito de documentos sobre a questão ambiental na área produzidos por companheiros(as) da Universdidade. Seria possível marcarmos uma reunião para conversar? Pode ser na nossa secretaria ou mesmo na Unicamp se for melhor.Aguardo retorno assim que possível.
Abraços,Melina
Comentários:
Odila,
Muito obrigada pela contribuição nessa luta. Andei vendo o seu blog e seria interessante se vocês pudessem contribuir conosco nessa questão ambiental. Um dos maiores questionamentos do prefeito é que nós estamos degradando ambientalmente a área; e devido as nossas dificuldades cotidianas temos poucos registros de nossas ações como a produção de mudas nativas. E também precisamos muito de documentos sobre a questão ambiental na área produzidos por companheiros(as) da Universdidade. Seria possível marcarmos uma reunião para conversar? Pode ser na nossa secretaria ou mesmo na Unicamp se for melhor.Aguardo retorno assim que possível.
Abraços,Melina
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
Agroecologia e políticas de Coronéis
Os moradores e moradoras do povoado Salva Terra, município de Rosário, Estado do Maranhão aqui por representadas por Lucilene Maria Mendes de Sousa e Rosemary Botentuit, vem informar e apresentar denúncia contra a Petrobrás, a Secretaria de Indústria e Comércio, Secretaria de Desenvolvimento Agrário e Instituo de Terras do Maranhão pois as referidas pessoas jurídicas querem expulsar os moradores do povoado. O povoado Salva Terra, é um povoado quilombola, pertencente ao município de Rosário, com mais de 200 anos de existência. São 450 hectares de terra, herança sem partilha, de quatro herdeiros do de Adriano e Francisca Botentuit onde moram e trabalham 34 famílias, pescadores e agricultores, dentre os moradores encontra-se Tiago Almeida com 87 anos que nasceu e sempre morou no povoado. Em 10 de setembro de 2009 os moradores/as do povoado foram i surpreendidos pela visita de sete representantes da Secretaria de Indústria e Comércio, Secretaria de Desenvolvimento Agrário e Instituto de Terras do Maranhão quem noticiaram aos presentes que o povoado estava na área de interesse da Refinaria em processo de implantação pela PETROBRÁS E que eles teriam 20 dias a contar do dia 10 de setembro para desocupar a área e que seriam posteriormente indenizados.Questionados sobre o destino dos moradores, idosos, crianças, animais, raízes históricas, a cultura, foi oferecido um barracão que em Bacabeira até a construção de casas para a moradia das famílias
No dia 11 de setembro receberam uma nova visita, dessa vez de dois representantes da PETROBRÁS que objetivavam conhecer os povoado do entorno do empreendimento, informado sobre a visita anterior os representantes da PETROBRAS observaram que não tinham conhecimento do procedimento em curso pela Secretaria de Industria e Comércio e sugeriram que os moradores buscassem seus direitos. Queremos nossa terra, ela nos garante a moradia e renda , aqui temos água, terra para plantar, riacho e igarapé para pescar, casa de forno, campo de futebol, juçara, cupuaçu, manga
Não queremos morar em barracão
Queremos seu apoio para continuar vivendo aqui.
Associação de Moradores de Salva Terra
Fórum Carajás
Associação de Pequnos Agricultores/as de Salva Terra
Associação Agroecológica Tijupá
MERECER A TERRA: COMUNIDADES QUILOMBOLAS E MEIO AMBIENTE EM MATA ROMA e ANAPURUS, BAIXO PARNAIBA MARANHENSE
O texto, a seguir, devota-se a uma simples palavra que anda meio apagada das memórias individual e coletiva na sociedade capitalista. Apaga-se com um leve bocejar como se a manhã de hoje extinguisse totalmente a noite de ontem sem que a claridade e a escuridão se agarrassem antes de partirem para outro rumo e para outra localidade incomensuráveis. A palavra pode denotar grandeza ou a busca dela como denotam as primeiras palavras balbuciadas por uma criança ou os primeiros passos de uma ou mais comunidades em direção aos seus objetivos. Relaxaram-se tantas palavras pela sociedade e uma a mais ou a menos pode não fazer diferença no cômputo geral do cansaço humano. A conta diária do cansaço humano mal chega ao trivial de algumas palavras cujos sentidos foram pregados pela mídia ou pelo comércio internacional. Abrir uma palavra para seus sentidos históricos significa que nem tudo foi alvo da contabilidade e despachado para o arquivo morto da incompreensão social. Os movimentos discrepantes da história insinuariam o quanto a compreensão fica retida em uma vertente mais apropriada da realidade.As pessoas desusam uma palavra porque ela espelha vários sentidos históricos e cansa a falta de praticidade desta em relação ao momento atual. Merecer é uma das palavras que caiu no ostracismo da vida moderna, mas ela bem representa ou bem representou modificações profundas na mentalidade ou na rotina de uma pessoa ou de mais pessoas em comparação com uma realidade mais ou menos adversa. O grau máximo de incompreensão numa hora dessas é "o que fizemos para merecer isso" ou "o que eles fizeram para merecer isso"? Fazer tais perguntas parece coisa de coitadinho que precisa de uma resposta transcendental, contudo as perguntas surgem em momentos de adversidade e o que se vê na sociedade capitalista é a tentativa de abolir a adversidade como se todos tivessem que atender ao mesmo chamado da indústria cultural.
As comunidades quilombolas de Bonsucesso, município de Mata Roma, Baixo Parnaiba maranhense, por décadas, escutaram mal o chamado da parafernália da indústria cultural e por isso continuam tocando seus tambores de crioula e balançando suas fitas de seus bumba-meu-boi pelas décadas afora. Outros, de fora, concluiriam o contrário: a indústria cultural deveria batizar os folguedos populares para que a sociedade os cumprimente e os remunere. Como não bateram palmas para a indústria cultural, as comunidades quilombolas de Mata Roma dimensionam as suas realidades sócio-econômicas de acordo com os sentidos históricos que cada palavra assumiu, ao longo do tempo, no sabor das festas, das brigas, das viagens, das reuniões de família e etc.
As comunidades quilombolas do Baixo Parnaíba se sujeitaram aos ditames das elites maranhenses como se fossem bois no pasto: prontos para o abate. Alguns representantes da elite local, e isso incluem membros do judiciário, querendo continuar com essa norma, desconfiam do merecimento das comunidades quilombolas se autodenominarem como tradicionais, e, por isso, merecedoras de tratamento especial por parte do Estado, e adjudicam a elas um discurso de que qualquer um pode fazer isso. Aqueles que querem diferença no trato que mereçam, sovinam esses senhores.
Quem merece o quê? O grau de merecimento a qualquer coisa depende de como a sociedade vê a ascensão social e o desenvolvimento econômico em seu seio. Quaisquer movimentações em sentidos contrários como fazem as comunidades quilombolas no Baixo Parnaíba maranhense se apartar-se do convívio. O que deveria acontecer é justamente o contrário, porque as movimentações das comunidades quilombolas por dentro do Cerrado, da Caatinga, da Floresta Amazônica e da Mata dos Cocais comprovam que as suas atividades econômicas são pouco impactantes do ponto de vista ambiental.
As comunidades tradicionais de Mata Roma e de Anapurus, assim como os de outros municípios do Baixo Parnaíba maranhense, merecem manter as áreas de uso comum sob as suas tutelas mais que seculares, pois um dia, um ano, uma década e um século viram meros normatizadores do tempo quando o que está em jogo é bem mais do que isso. A Associação do Povoado de Morros, município de Anapurus, rivalizou com os "gaúchos" por uma área de mais de 600 hectares e ganhou a causa e o senhor Totonho, morador da comunidade de São João, município de Mata Roma, municia seus descendentes com áreas de Chapada em Mata Roma e Anapurus para as próximas décadas sem divagar sobre possíveis ofertas de compra.
Os plantadores de soja mereceriam comprar essas áreas? O Isael é primo do Zé Curuca, presidente da Associação dos Morros, e parabeniza o seu primo pelas luta contra os "gaúchos' e pela proibição no desmate de bacurizeiros. Ele desatou um pouco os nós da Chapada do seu Totonho ao lembrar-se de uma área em que a pessoa senta para esquecer o mundo. Afora essa divagação, Isael faz parte do projeto "Educação Ambiental no Baixo Parnaíba para jovens quilombolas: ciranda agroecológica", uma realização do Fórum Carajás e da Associação de Preservação do Riacho Estrela e do Meio Ambiente, cuja proposta é promover a capacitação de jovens lideranças quilombolas do Município de Mata Roma em temáticas agroecológicas voltadas para a conservação da mata ciliar do Riacho Estrela e desenvolvimento consciente do cerrado Maranhense.
Entre os dias 12 e 13 de setembro de 2009 foi ministrada na comunidade de São João pelo professor Itaan Santos, da Universidade Estadual do Maranhão, a oficina sobre sistemas agroflorestais. A oficina de sistemas agroflorestais permitiu aos participantes tomar conhecimento sobre as possibilidades de tornarem seus quintais e suas roças produtivos, diversificados e ambientalmente sustentáveis sem precisar toca fogo, gerando renda e assegurando uma boa alimentação para suas familias.
Mayron Régis, assessor Fórum carajás
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