IMPOSTOS EM SÃO PAULO

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

OPARÁ, O RIO MAR


Costuma-se traduzir o nome original indígena do Rio São Francisco – “Opará” – por “Rio-Mar” simplesmente.
Um bom dicionário jesuíta de Tupi, que tinha Dom José Rodrigues de Souza, bispo emérito de Juazeiro, grande lutador do povo de Sobradinho (a quem aqui rendemos homenagens, nessa memória de 30 anos da barragem e de suas lutas), dizia que “Opará” é rio “sem rumo definido, de limite incerto, errático”. Como em quase todos os topônimos brasileiros de origem indígena, é perfeito. Assim era o “Opará”, batizado São Francisco no dia do Santo em 1501, pelos navegadores Américo Vespúcio e André Gonçalves. Assim era antes das barragens, hidrelétricas e canais de irrigação e do interminável “ciclo do desenvolvimento” contra o povo. O ciclo natural de cheias e vazantes, altas e baixas, grandes e pequenas, fazia jus ao nome de um rio que tem declividade de apenas 7,4 cm por km (0,8 m/s), na maior parte de sua extensão de quase 3 mil Km (entre Pirapora-MG e Juazeiro-BA), devida à falha geológica conhecida por Depressão Sanfranciscana.
Talvez seja oportuno dizer, sobretudo aos companheiros e companheiras de outros países, que além de um milagre da natureza, o São Francisco, que corre ao contrário dos outros e é a maior bacia hidrográfica inteiramente brasileira (640 mil km2), terceira do país, é um dos símbolos informais da nacionalidade, tido como o “rio da unidade nacional”, porquanto serviu de caminho entre o Norte onde se iniciou o Brasil e o Sul onde o Brasil se centralizou.
Não obstante tanta importância geográfica, histórica, cultural e política, o “ciclo do desenvolvimento”, propagado como modernização e implantado como modernização compulsória e conservadora, iniciado na segunda quadra do século XX, viu nele, num primeiro momento, apenas hidreletricidade. Já são sete Usinas Hidrelétricas em sua calha, que desalojaram mais de 140 mil pessoas, produzem 10.356 megawats, comprometendo cerca de 80% de sua vazão; e mais quatro barragens se anunciam... Depois, ao final da terceira quadra, acrescentou-se a irrigação de frutas para exportação e, mais recentemente, no limiar do século XXI, para os novos “negociantes da ecologia”, irrigação de agrocombustíveis para exportação e perpetuação do modelo de civilização baseada nos carburantes. E suas águas, límpidas ou barrentas, contaminadas, como agora por cianobactérias como nunca se viu, passaram a ser consideradas, por aparato legal inclusive (a Lei no 9433/97 ), “recursos hídricos” para todos os usos, inclusive econômicos intensivos em água. A consolidar o “negócio da água”, o hidronegócio que se junta ao eletro e ao agronegócio, iniciaram-se as obras do Projeto de Transposição ou, no eufemismo oficial, Integração de Bacias do São Francisco com as do Nordeste Setentrional, para abastecer de água alegados 12 milhões de sedentos.
Além da poluição urbana, industrial, minerária e agrícola e das barragens, degradam os ecossistemas hidro-ambientais e culturais do São Francisco o desmatamento e o conseqüente assoreamento, as carvoarias e a irrigação, a serviço da expansão do agronegócio na Bacia, às margens da calha e dos afluentes e, sobretudo, nos Cerrados, bioma responsável por mais de 80% de suas águas. Resultado dessa série de múltiplos, sobrepostos e indisciplinados usos, o rio São Francisco, do qual dependem os 14 milhões de pessoas que são a população da Bacia, tornou-se um rio condenado, cuja revitalização, trabalho hercúleo de gerações, muito além do atual e pífio Programa de Revitalização do Governo Federal, dificilmente lhe devolverá a vitalidade e o vigor.
* * * Trecho retirado do artigo "De Sobradinho à transposição: para onde corre o São Francisco?" do Prof.Ruben Siqueira apresentado na Mesa Redonda, com esse mesmo título, no "I Encuentro Ciencias Sociales e Represas e II Encontro Ciências Sociais e Barragens, em Salvador – Bahia, Brasil, no dia 22 de novembro de 2007"

Voltaremos a ele

A PONTE INTERROMPIDA



Mais de mil pessoas acabam de fechar a ponte na BR 242

Mais de mil pessoas acabam de fechar a ponte do Rio São Francisco no município Ibotirama (BA), BR 242, que serve de acesso para Brasília. A ação acontece em protesto contra o projeto de transposição de águas do rio São Francisco e em solidariedade ao jejum do Dom frei Luiz Cappio. Além da paralisação está prevista uma caminhada pelas ruas dos municípios e uma celebração final.

Participam da manifestação os movimentos que fazem parte da Via Campesina (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, Movimento dos Pequenos Agricultores, Movimento dos Atingidos por Barragens), Movimento dos Trabalhadores Rurais Acampados, Assentados e Quilombolas da Bahia (CETA), Centro de Assessoria de Assuruá (CAA), quilombolas, geraizeiros, representantes da reserva extrativista Serra do Ramalho e pessoas ligadas à igreja.

Ato público reúne mais de quatro mil pessoas em Sobradinho
Ontem, dia 04/12/2007 (terça-feira), a caminhada pela vida do povo e do Nordeste, reuniu mais de quatro mil pessoas desde a Capela de São Francisco, em Sobradinho (BA), até as margens do rio. O ato aconteceu no final da tarde de ontem (04/12) em defesa do rio São Francisco e em solidariedade ao bispo Luiz Flávio Cappio, que completa hoje (05/12) nove dias de jejum e oração permanentes (greve de fome).

No grupo estavam trabalhadores ligados a organizações sociais, movimentos populares e caravanas dos municípios de Remanso, Sobradinho, Campo Alegre de Lurdes, Juazeiro, Barra, Ipupiara, Morpará, Casa Nova, Curaçá, Bonfim, Irecê e Sento Sé (BA), Petrolina (PE), além de pessoas dos estados do Mato Grosso, São Paulo e Ceará.

Durante o caminho foram feitas duas paradas. A primeira aconteceu na entrada da avenida que dá acesso ao rio. “Nós estamos aqui em solidariedade para garantir a preservação da biodiversidade para garantir a vida das futuras gerações”, disse Derli Casali, do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA). A segunda parada aconteceu em frente a estação de transmissão de energia da Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf).

No final da caminhada houve uma celebração presidida por Dom Luiz Flávio Cappio, com a presença de mais de 20 padres. Bastante animado, ele cantou junto com a multidão e durante um sermão disse que “não podemos deixar que a força do capital roube esse direito de todo o povo brasileiro, não podemos permitir”. Ainda aproveitou para chamar as pessoas para as mobilizações, disse que “chegou o momento de nós defendermos e lutarmos pela vida dele”.

Saúde
Dom Luiz Flávio Cappio fez todo o percurso da caminhada dentro de um carro, em companhia do pároco local e mais duas pessoas. Ao voltar à capela uma enfermeira aferiu a pressão dele que registrava em média onze por oito, considerado normal. O batimento cardíaco estava equilibrado e ainda falou em tom de brincadeira: “eu estou ótimo”.
Ele continua com o hábito de acordar cedo, se retirar para a oração e ter alguns intervalos para descanso. Além disso, tenta atender a todos que o visitam.

Manifestações de apoio

Hoje (05/12) haverá vigília em algumas cidades de Goiás. Amanhã um grupo de pessoas iniciará um jejum solidário em Belo Horizonte. Está prevista ainda para hoje a chegada de Marina Santos, da direção Nacional do MST, o deputado Adão Preto e uma comissão de deputados da Assembléia Legislativa de Sergipe.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

´´Rede Ambiental – Conexão de Saberes´´

´´Rede Ambiental – Conexão de Saberes´´
Não deixem de acessar este trabalho. O Prof. José Leite, da Filosofia-UFMT_já se manifestou aqui no BLOG sobre o assassinato do seu orientando,um ambientalista-MT
(Veja e clique a sua esquerda em "SITES INTERESSANTES" "Rede Ambiental–Conexão de Saberes"
www.pantanaltec.com.br/redeambiental

domingo, 2 de dezembro de 2007

"APA - Santuário Ecológico da Pedra Branca"

Caldas, 23 de novembro de 2007
Prezado(a) Senhor(a),
O município de Caldas (MG), situado numa área classificada como pertencente ao bioma Mata Atlântica (IBGE 1992), tem uma extensão de 705 Km2 com grande biodiversidade e encantadoras paisagens naturais, onde se destacam cachoeiras de águas cristalinas e nascentes de águas radioativas e sulfurosas.

Este Santuário da Natureza vem sofrendo há alguns anos a ação de empresas mineradoras, que se instalaram no local e estão operando a partir de autorizações questionáveis.

As entidades organizadas da sociedade civil de Caldas e região vêm atuando frente tais acontecimentos, e, recentemente, obtiveram uma significativa vitória ao conseguir a criação da "APA - Santuário Ecológico da Pedra Branca", que está em vias de regulamentação.

Este ato tem mobilizado estas entidades e a população para pressionar as autoridades a fazerem uma vistoria nessas mineradoras e regularizar esta situação.

Por estes motivos, pedimos sua atenção e colaboração no abaixo-assinado eletrônico que se encontra no link abaixo.

Giancarlo Stefanuto
Associação Novo Encanto

Carlos Rodrigues Brandão
Rosa dos Ventos

Anderson Rocha Patrizi Balducci
Associação Oportunidade

Luis Antônio de Freitas Gomes
Associação Ambiental do Sul de Minas Gerais

sábado, 1 de dezembro de 2007

Dois Opostos: Vulnerabilidade e Conscientização


" Basicamente ficaram rodando na minha cabeça dois opostos: A Vulnerabilidade a que, todos estamos expostos, e Conscientização.A Vulnerabilidade que nos coloca em perigo e a conscientização como segurança.Com a consciência poderemos fazer o que quisermos.Então parti para o trabalho pensando em consciência,uma consciência abrangente,de todos, homens,mulheres e gente de qualquer etnia,dai os perfis para representar essas pessoas.Olhos estão abertos:ATENÇÂO. Existem linhas vermelhas - sangue - que percorrem todos os desenhos e unem as pessoas.A palavra "consciencia" encerra o trabalho e chama atenção do público que o verá nas ruas...
Vania Mignone é artista plástica de reconhecimento internacional
Nosso Blog toma emprestado este trabalho que a Prefeitura de Campinas, através do Espaço FLUXUS, vem fazendo, e se solidariza neste movimento mundial de luta contra a AIDS.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Carta do Carlos Brandão avaliando o BLOG


Querida Odila,
Ficou maravilha. Pode colocar. Eu também ando querendo fazer um dia um blog, mas não sei nem por onde começar. A Maristela, de Uberaba, está fazendo o meu novo site da Rosa dos Ventos.E serão novos tempos na Rosa dos Ventos, maior e mais aberta.Vai ser uma CASA DE ACOLHIDA.Saiu o CD de O JARDIM DE TODOS, uma das maravilhas do século XXI.Espero você na ROSA DOS VENTOS!
Um abraço com carinho Carlos

Oi Carlos, comprei o livro e o CD no dia do lançamento na CPFL...lindo mesmo...a turma da roça é genial...beijos Odila
Aguardo o seu site de volta...sinto falta.Vou até o Sul de Minas te visitar.Assinei o abaixo assinado sobre a mineradora que está explorando aí em Caldas...Inté

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Zumbi olhava Gaia.

Roberto Malvezzi (Gogó)
“Essa era a visão que Zumbi tinha de Gaia”. Foi o primeiro pensamento que me veio à cabeça quando olhei as serras ao redor, ao nascer do sol, quando dez mil pessoas chegaram ao topo da Serra da Barriga, na romaria da Terra e das Águas, em Alagoas. O sol nascente, iluminando a neblina sobre os vales, sobre um resto de Mata Atlântica, com Gaia respirando aparentemente em paz, me fez pensar – a todo momento repenso – na teoria de Lovelock, segundo a qual a Terra é viva, já tem oitenta anos de idade para quem irá viver cem, está velha, está doente. Em quarenta anos, quando a emissão de CO2 atingir 500 ppm, as algas marinhas vão morrer e Gaia será um planeta tórrido, com poucos sobreviventes onde hoje estão as regiões mais frias do planeta. Segundo o cientista, quatro bilhões de seres humanos irão morrer.
Zumbi, na verdade, do alto da Serra, espreitava seus inimigos. O ponto é estratégico, posição de quem vivia em combate. Mas ainda é possível imaginar a visão que ele tinha da região há apenas 300 anos atrás. Sua nação se estendia por mais de cem quilômetros, onde reencontravam a liberdade para serem novamente africanos. Hoje, o que resta da Mata Atlântica, ainda nos dá uma idéia do que Gaia já foi no litoral brasileiro.
Voltando as costas para o mirante, a outra visão é de um estado dominado pela monocultura da cana, sob o comando de meia dúzia de usineiros. Dizimaram a nação Zumbi para entregar seu território a poucos latifundiários e para que eles a transformassem no verde paquidérmico da cana monocultural. Como diz Vandana Shiva: “a monocultura é, sobretudo, mental”.
A romaria é um ato de penitência. Começou às 7 da noite com bandas e apresentações culturais. Animei as comunidades das nove às 10. Das 10 às doze foi a missa. Da meia noite até 6 da manhã a longa marcha, serra acima, até chegar ao reduto de Zumbi. Gente de todas as idades, mães carregando filhos nos braços, idosos caminhando entre crianças, onde as distâncias se multiplicam pelo cansaço e pela dificuldade de andar em encostas íngremes. Depois, a visão quase que paradisíaca de Gaia.
Pelo percurso jovens – a maioria – cantam, dançam, celebram. É cansativo, mas também é festa. É um mistério essa paixão popular pelas noites em claro, em celebração, em oração, em reflexão, em caminhada. As romarias da Terra e das Águas modificaram o conteúdo das romarias, inovaram, trouxeram-lhe um novo sentido, sem abandonar seu milenar significado.
Há quem diga que nosso povo pobre já não existe enquanto Igreja. Há quem diga que as comunidades eclesiais de base já não existem. Há quem diga que a Igreja comprometida com os pobres e com os desafios ambientais já não existe. Só pode dizer isso quem não viu o que eu vi. Tenho a certeza que, do seu território sagrado, também nos viu Zumbi. Quem não vê o povo, quem não vê a Serra da Barriga, quem não vê Zumbi, quem não vê Gaia é porque já não enxerga.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Diálogos Alagoanos Sobre a Transposição do R.S.Francisco


Diálogos Alagoanos
SOBRE A TRANSPOSIÇÃO DO RIO SÃO FRANCISCO

18 de novembro 2007

De Thereza Siqueira, a FLOR de MANDACARÚ
Olá amigos

A 13a Conferência Nacional de Saúde (CNS) terminou hoje ás 3 da madrugada. A princípio queria falar sobre uma questão importante e polêmica, mas que muita gente não queria assumir o debate.
Sobre a transposição do Rio São Francisco.
Alagoas foi um dos estados que encaminhou uma proposta para a Nacional de que a 13a CNS deliberasse contraria a transposição e que fosse realizado um debate sobre o tema, pelo CNS. Como muitas propostas, esta apareceu no relatório, não como a defendemos em AL, mas com o seguinte texto: “que o governo suspenda o projeto de transposição do Rio São Francisco”. E essa foi polêmica, porque muitas delegações defendiam a transposição, com a justificativa de que este projeto beneficia a populações que sofre com a seca no nordeste. E sabemos que existe várias razões e argumento técnicos, políticos, econômicos, culturais e sociais que nos levam a ver a grande falácia que consiste este projeto de transposição Para quem interessar ver o site da www.fundaj.gov.br artigos de João Suassuna.
Tentamos fazer uma reunião com os estados da BA, SE, PE, MG mas no corre corre da 13a CNS não conseguimos. Os Povos Indígenas fecharam uma proposta contrario a transposição. Foi um trabalho de boca a boca e sensibilização para os outros delegados, principalmente do SUL e SUDESTE que defendiam a transposição.
A proposta terminou indo para a plenária final, para que fosse votada em supressão ou aprovação. Como tantas outras não teve debate. A plenária se mostrou dividida, e que visivelmente não tinha contraste. Mas, depois de duas votações, a mesa visivelmente conduzida pelo presidente do CNS, induziu pela supressão.
Pedimos recurso e não foi aceito pela plenária.
No entanto, nas primeiras horas de hoje, conseguimos aprovar a moção contra a Transposição do Rio São Francisco, feita por uma delegada da BA.
Outra proposta que passou sobre o rio São Francisco, que não foi polemica foi sobre a revitalização .Em resumo a Conferência deliberou sobre a revitalização do Rio São Francisco e repudiou o projeto de transposição .E para mim, vejo que precisamos retomar este debate com a relação deste projeto de transposição e suas consequências sobre as comunidades ribeirinhas.

Um abraço a todos Theresa Siqueira

Grande Theresa,
Valeu amiga,todo o esforço no debate por aqui e por tantos lugares e lá deu no que deu. Foi uma batalha de uma luta que se renova e toma novas caras.Os pescadores em Alagoas estarão gritando, e com eles, em outro lugar também gritaremos neste dia 22 de novembro.Por um lado... que bom que nas terras das Alagoas tivemos tão intenso debate, sobretudo com a sua garra como as andanças pelo sertão... viagens por vezes levando mais de 05 horas em estradas quase não existentes...Enfim, e na 13a deu nisso! Será hora de novo debate? Com outros jeitos...?
Suely Nascimento

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Percepção,Sensibilização e Educação Ambiental


ATIVIDADES DE CAMPO:
Percepção ,Sensibilização e Educação Ambiental
Visita com alunos de curso Técnico Ambiental
PETAR- Parque Estadual Turístico do Alto da Ribeira
Professora Ionara Urrutia Moura


A Região de Iporanga, no Alto Vale do Ribeira, é uma área onde se pode evidenciar as tensões provocadas pela preservação, a importância da gestão ambiental e a disputa pelo espaço para uso e preservação. Atividades agrícolas limítrofes ao maior corredor de área de Mata Atlântica preservada , atividade turística trazendo divisas e impactos sócio ambientais. Um conflito que atinge a população local e também o ambiente natural, que não escapa ás agressões do turismo e da depredação.
Paralelo a este cenário , tão evidente, o contato entre a área do Parque e o bairro vizinho, evidenciam o contraste entre o ambiente natural e antropizado.
Dentro do Parque, as caminhadas nas trilhas e cavernas , oferecem oportunidade de vivenciar situações de medo, insegurança, fragilidade e limitação , ao mesmo tempo que provocam euforia, admiração, contemplação e alegria . O grupo é levado a trabalhar a sensibilização, e a emotividade em dinâmicas especiais durante as trajetórias. Desta forma, estimulam-se a percepção e o prazer de vivenciar sentimentos de coleguismo, colaboração, e solidariedade . O contraste entre a mata exuberante e a escuridão das cavernas em sua grandiosidade, bem como minúcia de suas formações, modeladas tão lentamente pela água ,surpreendem os visitantes, imprimindo noção da grandiosidade da natureza e da fugacidade da vida humana frente ao tempo planetário.
O sentimento de admiração e alegria pelo convívio na natureza , o desenvolvimento da auto confiança e a superação de medos, são aspectos sempre presentes nos relatos que os alunos fazem após a atividade. Objetivos gerais
Sensibilizar e proporcionar momentos de alegria na vivência em ambiente preservado.
Desenvolver o "olhar sistêmico", questionador, olhar para entender as inter-relações que fazem parte do todo.
Objetivos específicos
Proporcionar contato com a natureza oferecer situações de convívio e trabalho em equipe.
Promover a oportunidade de percepção ambiental, através da observação crítica do individual e do coletivo, promovendo e desenvolvendo no aluno a capacidade de buscar no ambiente informações e índices de qualidade ambiental .
Desenvolver atividade de observação de espécimes e identificação dos grandes grupos vegetais ,sucessão ecológica no Bioma da Mata Atlântica.
Observar e relatar os impactos sócio-ambientais provocados pela exploração dos recursos naturais e pela exploração do turismo

domingo, 18 de novembro de 2007

Seminário de Educação SocioAmbiental da UNICAMP

26 de Novembro de 2007 -
das 08:00 às 18:00
CICLO BÁSICO –SALA PB 17 –
UNICAMP Campus Campinas


INFORMAÇÕES e INSCRIÇÕES: www.preac.unicamp.br/eaunicamp
PROMOÇÃO: PREAC – Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários
CESET – Centro Superior de Educação Tecnológica
APOIO: Departamento de Educação Ambiental - Ministério do Meio Ambiente-MMA
Coordenadoria Geral de Educação Ambiental - Ministério da Educação-MEC

Nestes últimos dois anos, diversas atividades e projetos ligados à área da “Educação SocioAmbiental” foram e estão sendo desenvolvidos em diversas Unidades da UNICAMP.
A idéia deste Seminário é colocar em contato estas diferentes ações e pesquisas realizadas nos âmbitos local, regional e nacional, facilitando a comunicação entre seus diversos atores: os docentes, técnicos, pesquisadores, estudantes de graduação e pós-graduação e as comunidades envolvidas em cada projeto.
Na parte da manhã, para estimular a reflexão e o debate sobre esta área do conhecimento, convidamos dois expoentes nacionais, que militam tanto na Academia quanto nos movimentos sociais, participando e animando diversas redes ligadas à Educação SocioAmbiental: Profa.Dra. Michele Sato e Prof.MSc. Luiz Ferraro Junior.
Este evento será o início de uma série de atividades de integração da comunidade da UNICAMP envolvida com esta área de pesquisa e ação, com o objetivo de fortalecer nossos diversos projetos integrando-os e/ou trocando metodologias, experiências, materiais para, no futuro, constituir uma rede de educadores ambientais da UNICAMP.
O tema deste Seminário procurará abordar os princípios básicos desta Educação SocioAmbiental (os conceitos de Ambiente, Educação e Sociedade que fundamentam a área), promovendo a reflexão, o debate e a apresentação dos diversos projetos de pesquisa e de ação realizados no âmbito da UNICAMP

ORGANIZAÇÃO: COEDUCA – Coletivo Educador Ambiental de Campinas
Equipe MEC / CJ / CESET / PREAC / UNICAMP
Projeto Educação Ambiental-Coletivos Jovens Brasileiros - MEC/UNICAMP
Projeto Beija Flor e Projeto Busca Sorrisos (SAE/CESET)
No início do período da tarde, teremos as apresentações orais dos resumos - com o exclusivo objetivo de nos apresentarmos e conhecermos o universo dos temas, metodologias e parceiros envolvidos – que deverão ser de 5 a 10 minutos, dependendo da dimensão do trabalho apresentado. Os importantes e necessários aprofundamentos, para conhecermos cada um dos trabalhos, serão objeto de um próximo Seminário a ser realizado no início de 2008.
Solicitamos que todos os interessados em apresentar seus trabalhos (já encerrados ou em andamento) enviem um resumo de no máximo 01 página para o endereço eletrônico:
preac@reitoria.unicamp.br (colocando no assunto: "Seminário EA UNICAMP")
Nos intervalos da manhã e tarde, serão oferecidos alimentos produzidos de modo social e ecologicamente compatíveis. Tragam suas canecas.
Sentimo-nos felizes com sua presença e com a contribuição de suas idéias.

Prof.Dr. Mohamed Habib
Pró-Reitor de Extensão e Assuntos Comunitários

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

“Primeiro ator ou palhaço negro do Brasil”



TEATRALIDADE CIRCENSE É RESGATADA EM LIVRO DA PESQUISADORA ERMINIA SILVA
Resultado de cerca de 20 anos de pesquisa, o livro mostra como foram surgindo as constituições das diversas famílias, suas mobilidades entre os vários circos e o repertório teatral dos artistas mais importantes, como Benjamim de Oliveira
A leitura do livro Circo-Teatro: Benjamim de Oliveira e a teatralidade circense no Brasil, de Erminia Silva, revela, como num espetáculo circense, a cada página uma surpresa. A primeira é certamente a incrível epopéia das famílias de circenses européias desde os primórdios das formações de circo de cavalinhos da Europa, principalmente Inglaterra, até a grande aventura que as fazia rasgar o mar em busca de novas platéias.
Depois, chegando ao Brasil, começaram um itinerário notável de adaptação aos costumes e viagens intermináveis, criando um modo de vida e sobretudo de produção artística ímpares na história. No processo de adaptação, Erminia mostra como surgiram as pantomimas que povoam o imaginário brasileiro desde mestres da literatura como Machado de Assis, Arthur Azevedo e Mario de Andrade até hoje.
Erminia analisa como os homens e mulheres circenses transformaram o palco/picadeiro num lugar polissêmico e polifônico, no qual se aliavam destreza corporal, musicalidade, comicidade, dança e representação teatral. Parte da idéia de que os circenses, particularmente os brasileiros, há mais de dois séculos, devem ser vistos como um grupo que sempre articulou saberes e técnicas artísticos contemporâneos, seja durante o século XIX como no XX, tendo como referência definidora um processo permanente de (re)elaboração e (re)significação, bem como produziam um espetáculo para cada público, manipulando elementos de outras variáveis artísticas já disponíveis e gerando novas e múltiplas versões da teatralidade circense. Por isso o estranhamento da autora em torno de um pretenso “ressurgimento do circo como moda”, ou do “circo novo”, das academias de circo ou de grandes espetáculos como o Cirque de Soleil, em cima de um debate de “contemporaneidade”; visto como o “enunciador” de uma “nova” linguagem artística que “revolucionou” a técnica circense.
São poucos historiadores que se dedicam à história do circo, e pouquíssimos que, como Erminia, reconhecem no processo de produção circense, em especial a brasileira, não uma “arte menor”, mas um imenso arsenal de saberes e práticas que já produziam teatro em grande escala, com peças ricamente elaboradas, contando com grande número de artistas, músicos profissionais e sofisticado aparato cênico. Para quem julga, como de hábito, que o teatro brasileiro só viria a existir a partir da década de 1940 com as peças de Nelson Rodrigues, é uma imensa surpresa descobrir que, no início do século XX, por exemplo, o Circo de Emílio Fernandes, montou uma peça em que o Teatro São Pedro de Alcântara (atual João Caetano) era completamente inundado e que os atores representavam embaixo d’água e sobre pontes construídas especialmente para o espetáculo. Ou ainda que, durante as badaladíssimas apresentações de Sarah Bernard no Rio de Janeiro, no Teatro Lírico, palco da antológica atriz, não houve lotação plena em nenhum dia, enquanto o Circo instalado no São Pedro via todas as noites multidões concorrendo pelo ingresso para ver Rosita de La Plata. Nas palavras dos cartazes-propagandas usados para a divulgação: “Sempre enchentes! Sempre enchentes!”
A PESQUISA E OS CARTAZES-PROGRAMAS
Para levantar a grandeza e a importância desta história desconhecida do grande público, Erminia, pesquisadora incansável, consultou mais de 20 jornais e revistas, abrangendo um período em torno de 60 anos. Como a história do circo do Brasil não era tratada até então com a atenção que merece, foi através das propagandas veiculadas pelos próprios circos que foi possível obter informações cruciais na reconstituição desta história. Assim, das páginas amareladas dos jornais pesquisados foram surgindo as constituições das diversas famílias, suas mobilidades entre os vários circos, os percursos delas e dos artistas mais importantes e, o que é notável, o repertório teatral desses circenses, já que nas propagandas as pantomimas eram descritas com uma infinita riqueza de detalhes, ato a ato.
Toda essa gama de informação pode ser conferida nos dois apêndices incluídos no livro: o “Repertório teatral dos circenses”, relação composta pelas peças representadas nos circos entre 1834 e 1912, localizadas nas fontes pesquisadas pela autora, com detalhes de quem realizou o mise-en-scène, os atores, as músicas etc.; e a coleção de “Cartazes-programas”, em uma seleção da autora por sua importância e significado.
A análise desse material nos dá como que um sentimento de justiça para com a história dos inúmeros homens e mulheres que fizeram da produção circense a sua vida.
BENJAMIM DE OLIVEIRA
Como não poderia deixar de ser, a figura de Benjamim de Oliveira conduz a narrativa do livro todo. Benjamim, conhecido por um epíteto que certamente diminui seus méritos – o de “primeiro ator ou palhaço negro do Brasil”-, foi um grande ator, sim, mas também acrobata, palhaço, cantor, músico, compositor, dramaturgo, encenador e proprietário de circo.
Aos 12 anos, em 1882, fugiu da fazenda em que seus pais eram escravos, na cidade de Pará de Minas, antiga Patafufo, no interior de Minas Gerais, com um circo que passava e desde então iniciou seu aprendizado circense em vários circos, até ser reconhecido nacionalmente e colecionar inúmeros méritos. Acompanhando sua trajetória até a década de 1910, Erminia, ao mesmo tempo em que esmiúça e exemplifica a trajetória de vários outros artistas, evidencia que embora sejam notórios seu talento e qualidades individuais, ele é também resultado de um rigoroso processo de formação presente no dia-a-dia do circo. Os múltiplos talentos que as teorias artísticas contemporâneas buscam e propõem, já era realidade concreta e cotidiana na vida dos circos do século XIX e início do XX.
“Portanto, Benjamin de Oliveira não foi avis rara. Talvez tenha sido a ave que conseguiu vôos longos e graciosos, mas foi um tipo de artista semelhante a outros, de menos fama, mas com iguais talentos e qualidades. Isso não diminui em nada a sua figura, só reafirma o raciocínio geral da autora de que o circo no Brasil, muito além do espetáculo, muito além da imagem desqualificadora de ‘melodrama, acrobacia e palhaço’ que lhe tem sido atribuída, esconde um processo de formação artística para o qual devíamos olhar mais atentamente”. Restabelece, também, a importância dos compartilhamentos e trocas que Benjamim e a maioria dos circenses faziam com as várias expressões artísticas consideradas “brasileiras”, particularmente no teatro e na música, com parcerias como Baiano, Mário Pinheiro, Paulino Sacramento, Eduardo das Neves e Catulo da Paixão Cearense; com a Gravadora Columbia Record onde gravou seis discos, e no cinema com Labanca, Leal & Cia.
E temos assim a história de um circo que, se na sua natureza é nômade, internacional e poliglota, passa a ser brasileiro, repleto de acrobacias, teatro, música e ginga, muita ginga.
A AUTORA

Erminia Silva, quarta geração circense no Brasil, filha de Barry Charles Silva, é mestre e doutora pelo departamento de História da Universidade Estadual de Campinas. Sua pesquisa sobre o processo histórico do circo e circenses no Brasil, resultou na dissertação de mestrado (1996) - O Circo: Sua arte e seus saberes. O circo no Brasil do final do século XIX a meados do XXI; e na tese de doutorado (2003) - As múltiplas linguagens na teatralidade circense: Benjamim de Oliveira e o circo-teatro, no Brasil, no final do século XIX e início do XX, que agora se transforma neste livro.

É professora de história do circo no Cefac – Centro de Formação Profissional em Artes Circenses (SP) e desenvolve oficinas de história na Escola Nacional de Circo (RJ); uma das coordenadoras do site www.pindoramacircus.com.br. Atua como consultora junto a grupos de artistas e coletivos, como a Asfaci – Associação de Famílias e Artistas Circenses, Associação de Escolas de Circo e a Rede Circo do Mundo, Brasil – Circo Social.
COMENTÁRIO:Pessoa, bom dia!!
Estou lendo o livro da Mina e é um espetáculo (com perdão do trocadilho...). E estou apenas no primeiro capítulo. Uma leitura gostosa e bacana. O tema é muito instigante.Um super-beijo da Nayara.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

De OLHO no PLANETA


Obra registra 'saber medicinal' do Cerrado
Um livro em fase final de preparação, feito por uma rede de organizações não-governamentais e acompanhado pelos ministérios do Meio Ambiente e da Saúde, vai registrar, pela primeira vez, a “sabedoria medicinal” das comunidades do Cerrado. A obra terá mais de 300 páginas, mais de 500 ilustrações, e abordará as propriedades curativas que as populações rurais de Goiás, Minas Gerais, Tocantins e Maranhão detectam em nove plantas da região, como o barbatimão, o algodãozinho e a batata de purga.

Intitulado “Farmacopéia Popular do Cerrado”, o livro começou a ser escrito em 2004 e deve ser lançado em março de 2008. Além das três plantas já citadas, outras seis serão destacadas no livro: pacari, rufão, ipê-roxo, buriti, velame branco e pé-de-perdiz. A iniciativa é da Articulação Pacari, rede formada por cerca de 90 instituições, ONGs e associações comunitárias.
“A idéia é registrar conhecimentos medicinais tradicionais do Cerrado, até hoje transmitidos oralmente pelas benzedeiras e raizeiros para seus filhos”, afirma a coordenadora da Articulação Pacari, Jaqueline Evangelista. Ela avalia que a publicação também servirá para prevenir a biopirataria, na medida em que registrará o conhecimento das comunidades sobre o tema.

Os moradores da região preparam as plantas medicinais que constam no livro de pelo menos dez formas diferentes: fazem xaropes, pomadas, cremes, sabonetes, balas, pílulas, chás, óleos, tinturas e garrafadas (mistura com bebida alcoólica). “O uso varia de acordo com a comunidade”, diz a diretora da Articulação Pacari, Eleuza Ório. Ela frisa que a obra não dará receitas para esses preparados, apenas indicações do uso fitoterápico das plantas. Também dirá onde elas podem ser encontradas e apresentará dados botânicos específicos. Como exemplo de efeitos fitoterápicos, Eleuza cita as pomadas feitas do barbatimão, usadas como cicatrizantes, os chás de pé-de-perdiz, com efeito antibiótico, e as garrafadas de algodãozinho, comuns para "limpar" o sangue de impurezas.

As comunidades pesquisadas pela Articulação Pacari usam mais de 70 espécies de plantas medicinais, 40% delas nativas do Cerrado. Para o livro, foram selecionadas as que estão sendo ameaçadas pelo avanço das fronteiras agrícolas, as usadas em maior número de comunidades e as utilizadas para fazer diferentes tipos de remédios. “Foi feito um levantamento de 100 a 150 plantas por região, que foram depuradas com base em uma metodologia estabelecida pelos próprios raizeiros e pela Articulação, para enfim chegarmos a essas que constam no livro”, afirma Eleuza.

Orientação
Além de registrar o conhecimento da região sobre as plantas medicinais, o livro também visa orientar benzedeiras, raizeiros e as farmácias populares para que usem os produtos com eficiência e segurança. “Existem centenas de farmácias comunitárias, que receitam os derivados das plantas há décadas”, diz Jaqueline.

As plantas citadas no livro são objeto de estudos acadêmicos de etnofarmacologia e etnobotânica em universidades brasileiras, como o Laboratório de Produtos Naturais da UNICAMP (Universidade Estadual de Campinas). No entanto, a Articulação Pacari salienta que os derivados dessas plantas ainda não são reconhecidos pela ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), porque não existe regulamentação federal específica para fitoterápicos e para remédios populares.

“Em junho de 2006, o presidente Lula assinou decreto para lançar as bases de uma política nacional para a medicina popular, então o reconhecimento em torno dos remédios ainda está sendo construído”, diz Jaqueline. Segundo ela, o livro poderá ser um instrumento de cobrança para que o governo reconheça as plantas medicinais e passe a regulamentar seu uso.

“Os raizeiros detêm o conhecimento para o manejo e a preservação das espécies de plantas medicinais, que muitas vezes estão ameaçadas de extinção”, diz a diretora do Departamento de Patrimônio Genético do Ministério do Meio Ambiente, Cristina Azevedo.

O governo federal, através de um termo de cooperação entre o IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) e o Ministério, acompanham a elaboração do livro. “Até agora, o trabalho tem sido muito bom, no sentido de preservar a memória do uso das plantas medicinais em comunidades rurais do Cerrado”, diz Cristina.

A diretora afirma que espécie alguma dessas plantas é desconhecida. “O fato da farmacopéia ser lançada não significa que esses remédios vão estar nas farmácias no dia seguinte, nem que os hospitais vão passar a adotar os fitoterápicos”, observa. O importante, avalia, é documentar as plantas que são usadas na região, para que sejam feitos planos de preservação ambiental e também para resgatar a cultura dos raizeiros e benzedeiras, ameaçada pelo avanço do agronegócio no Cerrado.

Após a publicação do livro, a Articulação Pacari planeja fazer um manual das boas práticas do uso das plantas medicinais. “A idéia é reunir métodos para preparar os remédios com controle de qualidade, com higiene e também para evitar que eles sejam feitos de qualquer jeito”, diz Jaqueline.

Fonte: Envolverde/Pnud

MIRAGEM NO CERRADO PIAUIENSE
Carta aos participantes da Romaria da Terra e da Água em URUÇUÍ-PI



Há 5 anos uma voz solitária, no sul do Piauí, se levantou contra a destruição do Cerrado e seu povo. Gritou em bom tom que o desenvolvimento prometido para a região era uma mentira, visava apenas beneficiar poucos (uma multinacional, alguns políticos e produtores de soja), e que a grande maioria estaria excluída. Naquele momento, o povo encantado com o “canto de sereia” da Bunge e do Governador não compreendeu. Mas agora é outro momento e o povo já está sabendo que foi enganado.

Isso aconteceu com a chegada da Bunge Alimentos à cidade de Uruçuí, Piauí. A promessa era grande: 10 mil empregos, a maior indústria de soja do Brasil. Tudo mentira. Estamos nos dando conta disso agora. E vejam, tudo com o aval do Governo do Estado. E podem esperar, se a Bunge ficar, depois que completar os 15 anos de isenção ela vai embora, deixando um deserto como herança para o povo da região.


O Cerrado do Piauí já está quase todo destruído (60% já foi liquidado), os rios e riachos estão secando e envenenados pelo uso abusivo de agrotóxicos nas lavouras de soja, os solos estão secando e sendo transformados em desertos. O calor é insuportável e as chuvas já faltam drasticamente. Como se a soja fosse pouco, agora estão chegando a mamona, a cana, o carvão e o eucalipto. E o Governador fazendo mais promessas: “É agora que o Piauí vai desenvolver”. Não acreditem, é mentira de novo. Se continuar assim, dentro de no máximo 5 anos a região desde Uruçuí a Bom Jesus do Gurguéia vai ser um grande deserto de rios secos, com o povo passando sede e fome.

Mas nem tudo está perdido. Podemos dar um basta nessa situação. Não podemos é esperar no Governo do Estado, pois o Governador WD é o principal representante desse modelo predador. E por quê? Porque os sojeiros e a Bunge são os financiadores de campanhas políticas, é quem dá o dinheiro para comprar os votos. O compromisso do Governador não é com o povo, mas com quem lhe garante dinheiro para subornar eleitores. O povo precisa ir para as ruas e dizer que não quer mais esse “desenvolvimento” que não respeita o meio ambiente, os direitos humanos e a cultura existente. Precisamos dizer agora, antes que seja tarde: “FORA Bunge”.

E por falar em direitos humanos, o que foi resolvido com relação à morte dos trabalhadores rurais envenenados por agrotóxicos em fazendas de soja? Até o momento nenhuma providência foi tomada. O Governador WD mandou a Secretaria de Saúde dar uma versão distorcida aos fatos e categoricamente afirmar que a morte dos trabalhadores não fora por agrotóxicos. Mandou também a Secretaria de Segurança promover um grande circo para desenterrar mortos e colher amostras que foram colocadas em “FORMOL” para que o resultado fosse negativo. Os trabalhadores, disse o Governador, não morreram envenenados por agrotóxicos, mas também até agora não disse do que foi. Convém lembrar que essas mortes aconteceram na campanha eleitoral em que o Governador era candidato à reeleição.

E o presente das isenções fiscais que foram oferecidas para a Bunge. Essa empresa não paga nenhum imposto no Piauí. 15 anos de isenção. Disse que ia criar 10 mil empregos. Não criou. Disse que ia montar uma indústria de óleos, margarina e ração. Também não montou, nem vai montar. Para que a isenção continue faz-se necessário que a Bunge cumpra com a sua parte no acordo. Não está cumprindo, mas o governador WD mantém a isenção. Qual será o motivo? Podemos imaginar que deve ter algum beneficio para manter uma isenção que dá prejuízo de quase 200 milhões de reais por ano ao Estado. Será que a Bunge financia campanhas de WD?

Vamos falar da política que está sendo executada pela Bunge e o Governador WD. É a política da intimidação. Calar o movimento ambientalista para que ninguém levante a voz no sentido de questionar a Bunge ou o Governador. Se você assim fizer corre sérios riscos, desde sua integridade moral à sua vida. Querem intimidar o povo usando um “bode expiatório”: “Povo, não se metam a besta, vejam a desmoralização que estamos promovendo ao ambientalista Judson Barros. É apenas um exemplo do que somos capazes de fazer e onde podemos chegar. Quem se meter nesse negócio vai ser execrado moral e publicamente”. É assim que a Bunge e o Governador atuam. A Bunge move uma ação contra o ambientalista Judson Barros na Comarca de Uruçuí pedindo uma indenização por danos morais que chega a 2 milhões de reais. Mas que danos morais? Questionar uma empresa que chega ao Piauí e, avalizada pelo Governador, não respeita as leis, é atingir a moral da Bunge? É claro que a empresa quer intimidar e calar o movimento.


E o Governador WD? Também cumpre sua parte na intimidação e tentativa de desmoralização do ambientalista. Utilizando-se do Estado e da prerrogativa de Governador mandou seus subordinados e bajuladores a montarem um Tribunal de Exceção na Secretária de Fazenda, onde o ambientalista é empregado através de Concurso Público. Na utilização desse expediente e através do Secretário Antonio Neto, WD determinou a criação de uma comissão, composta de “amigos seus” para promover uma execração do empregado, sem um motivo, sem legitimidade e sem fundamento legal. Tudo para atender a caprichos calhordas. Não pode fazer alguma coisa como homem e usa do Estado para promover terrorismo, demonstrando uma atitude de quem é fraco. Assim fez o Hitler perseguindo o povo judeu, assim fez o Stálin na União Soviética, assim fez o regime militar mandando matar aqueles que eram contrários aos interesses dos que ocupavam o poder. Assim fez o ditador Pinochet no Chile. O modo de operar é sistemático. Por um lado a Bunge ameaça cobrando indenizações astronômicas, por outro, o Governador ameaça de tomar o emprego. Cuidado Governador esse mundo dá muitas voltas. Nem o Senhor (WD) nem a Bunge vão consegui calar o movimento ambientalista.

A Romaria da Terra e da Água em Uruçuí representa um fato importante para que a sociedade conheça realmente o que se passa no Cerrado do Piauí. É uma boa ocasião para que o Brasil venha ver de perto essa realidade. O paraíso prometido pela Bunge e o Governador WD virou um inferno, literalmente, começando pelo calor e a falta de chuva.

Rede Ambiental do Piauí – REAPI

Fundação Águas do Piauí - FUNAGUAS

domingo, 28 de outubro de 2007

Cartas de Carlos R.Brandão-Notícias do Norte


Cartas de Carlos Brandão

Paris, 4 de outubro de 2007,

A todas as pessoas amigas de perto e de longe,

A última Notícias do Norte que me lembro de ter escrito a vocês, foi em Montes Claros, no Norte de Minas Gerais. Hoje é o dia de São Francisco de Assis e esta carta, uma vez mais, é escrita de um lugar um pouco mais ao Norte.
Estou "a Norte de Casa" desde o dia 22 de setembro. E como uma semana antes eu estava em Erechim, no Rio Grande do Sul, quase na beira do rio Uruguai, e quase na fronteira com a Argentina, posso dizer que em poucos dias – mais com um intervalo em casa, em Campinas – viajei de um quase extremo ao outro. "Lá no Sul" participei de um "Encontro de Educação Ambiental". E "aqui no Norte", de um outro.
Foi um I Congresso de Educação Ambiental de Paises de Língua Lusófona e de Galícia. Então, durante cinco dias estivemos reunidos na Universidade de Santiago de Compostela, pessoas vindas de Timor Leste, de Cabo Verde, de Guiné-Bissau, de São Tomé e Príncipe, de Moçambique, de Angola, de Portugal, da Galícia e... do Brasil. Fomos a delegação mais numerosa e, de longe, a mais falante. Não por minha causa, pois fui dos participantes mais silenciosos (sic).
Foi um Encontro de palestras, mesas redondas e, sobretudo, de oficinas e de trocas de saberes e de experiências. Dividi o meu tempo entre participar do Congresso, revisitar amigos e lugares de Santiago e de aldeias de perto (era a Festa de Santa Mínia em Brión, o município onde fiz a minha pesquisa em 1992, nas aldeias) e escrever um pouco mais de meu inacabável livro resultante dessa pesquisa. Consegui chegar na página 340 e o livro ainda vai pela metade. Do que vi, ouvi, vivi e falei, estou redigindo uma espécie de Memória do Congresso Lusófono que algum dia ficará pronta.
Estou agora aqui em Paris. Uma vez mais com Juan, Luciana, Iara e o pequeno Pablo, que por causa de sua serena e sábia quietude já recebeu o apelido de "Pequeno Buda", dado pelo avô.
Continuo escrevendo muito aqui. Escrever é o que faço em qualquer lugar, sempre que posso. Mas revejo lugares. E ocupo a maior parte de meu tempo aqui em estar com as pessoas de casa. Uma alegria nova tem sido o levar Iara à escola nas manhãs dos dias de semana e ir buscá-la depois. Ali ela comparte com várias outras crianças de vários paises, uma experiência de fato multicultural. Aqui as crianças são obrigadas ingressarem na escola no ano em que completam os 3 anos. Iara fará 3 anos no dia 18 de outubro, dez dias depois de Solange, minha mãe, completar no Rio de Janeiro os seus 90 anos.Voltamos algumas vezes ao mesmo "parquinho", um de seus lugares preferidos. Amanhã iremos de passeio a Londres, a família toda, e de trem. Será uma emoção nova passar por debaixo do Mar do Norte, o mesmo que atravessei com Luciana num, hoje distante, 1990, saindo em uma madrugada gelada de janeiro, de Oostende, na Bélgica.
Na volta passo ainda três dias aqui e viajo depois de volta à Galícia e às aldeias de Oms e de Ames, perto de Santiago. Dia 14 viajo de volta ao Brasil e tão cedo (espero) não sairei daí. Os "nortes" voltarão a ser os "de Minas" e eu espero que por vários meses eles sejam o "único norte".
De todas as muitas imagens, ao vivo, na tela da TV e nas revistas, livros e jornais, nenhuma ficou tão gravada como o corpo de bruços de um monge budista morto no Myamar, e jogado nas águas lamacentas de um rio. Passam os tempos e os anos. Nós vivemos encontros e congressos que quase sempre terminam com cartas, manifestos e palavras de esperança. Mas os tempos passam e mudam pouco os cenários de um mundo que se aferra na exclusão, na crescente desigualdade entre pessoas, países e povos, na perda progressiva da sensibilidade e na busca de "sucessos" resultantes de "vitórias" sobre "outros". Acontecimentos que em todos os planos obedecem cada vez mais aos termos da lógica e da anti-ética (e estética) competitiva de um mundo-mercado, e que a cada dia mais parecem estar ocupando, sutilmente ou não, esferas de nossas vidas que vão dos brinquedos das crianças aos jogos financeiros e deles às "conquistas" políticas e militares.
Não sei se de maneira intencional ou por distração, um jornal francês de ontem publicava duas notícias com destaque, uma ao lado da outra. Uma era sobre medidas governamentais dirigidas à descoberta e à expulsão de migrantes clandestinos, principalmente os vindos do mundo muçulmano, da África e da América Latina. E tudo o que toca o "controle dos imigrantes" é sempre assunto da maior importância por aqui. A outra notícia era sobre a aprovação de medidas destinadas à apreensão e a morte de cachorros altamente perigosos. Na mesma página, postas uma ao lado da outra, homens e cães quase poderiam ser lidos como os sujeitos das duas notícias.
De qualquer maneira, trata-se por aqui de resolver a questão essencial, agora: "o que fazer com o que agora não é mais essencial?"
O que fazer com o lixo que cresce a cada dia, porque sociedades de supérfluos consomem desbragadamente cada vez mais (basta ver o que se joga fora nos enormes reservatórios de dejetos nas esquinas de Paris). O que fazer com um outro supérfluo inaproveitável: seres humanos a quem alguns militantes dos direitos humanos e alguns cientistas sociais têm chamado de... "lixo humano"? O que fazer?
Na melhor livraria de Santiago de Compostela há uma bem visível estante com livros de Paulo Coelho. Pergunto pelos de um outro Paulo, Paulo Freire. A custo conseguem localizar três.
Bom, agora já é 9 de outubro. Voltamos de Londres. Caminhamos o tanto que pudemos debaixo de um céu generosamente ensolarado em uma cidade conhecida por suas chuvas e nevoeiros. Andamos mais do que tudo entre belos parques que as cores de outono transformam em lugares de sonho. Voltei de lá com alguns poemas pequeninos. São pensares sobre folhas e sobre nós. Alguns foram escritos em um dos lugares mais queridos de Santiago de Compostela, a Alameda. Se há um certo tom que salta da natureza no outono, para o outono da existência humana (de que eu me sinto um bom exemplo), que eles pareçam a vocês poemas mais outonalmente afetuosos do que invernamente tristes.

Fiquem com os pequenos poemas e o meu abraço com carinho,Carlos Brandão

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Atibaia se prepara para comemorar Ano Internacional do Planeta Terra

Parceria entre a Prefeitura Municipal de Atibaia e XI Congresso Brasileiro de Geoquímica garante diversas atividades voltadas para a população do município e região

A cidade de Atibaia comemora entre os dias 21 e 26 de outubro o Ano Internacional do Planeta Terra, uma proposta aprovada pela Assembléia Geral das Nações Unidas, com o apoio de 191 países, incluindo o Brasil. Nesta semana, está programada uma série de atividades para a população do município e região. As atividades estarão concentradas no Centro de Convenções e Eventos Victor Brecheret, mas envolvem também caminhada geológica e plantio de árvores.

Mais do que despertar a consciência da população local para os problemas e necessidades relacionadas ao meio ambiente, as comemorações ao Ano Internacional representam uma oportunidade para que os atibaienses debatam importantes questões que envolvem o município, como agricultura, educação e saúde.

Debates
No Centro de Convenções, estão agendados três debates para as noites de 22, 23 e 24 de outubro (segunda, terça e quarta-feira), a partir das 19 horas. Com a participação de profissionais da prefeitura de Atibaia e de outras instituições científicas, como Unicamp e USP, as palestras são abertas ao público e a entrada é gratuita. Na noite de segunda-feira, será discutido o tema “Meio Ambiente e Saúde”; na terça haverá um debate sobre “Meio Ambiente, Agricultura e Saúde” e na quarta o público, que deverá ser formado principalmente professores do Ensino Fundamental e Ensino Médio, poderá conferir uma discussão sobre “Educação Ambiental e Interdisciplinaridade”.

Planetário
Ainda no Centro de Convenções, na mesma semana, será montado um planetário portátil inflável, cedido pelo MAST (Museu de Astronomia e Ciências Afins), do Rio de Janeiro. O planetário deverá receber, durante o dia, visitas de centenas de crianças de algumas escolas de Atibaia, escolhidas pela Secretaria Municipal de Educação. Elas terão a oportunidade de conhecer os planetas do Sistema Solar, suas principais características e obter informações sobre o Planeta Terra e a importância da água para a existência da vida.

O objetivo desta atividade é usar a Astronomia para ampliar o nosso olhar sobre a água, aprofundando a reflexão sobre a forma como a ciência tem intermediado a relação entre a natureza e a sociedade.

Plantio de árvores
Crianças, estudantes e participantes do congresso também estarão juntos no dia 24, quarta-feira, quando haverá um plantio de mudas de árvores em pelo menos duas áreas de Atibaia: Bairro da Usina e Parque das Águas. As mudas estão sendo escolhidas por técnicos das áreas de meio ambiente e agricultura da prefeitura de Atibaia, preocupados em optar por espécies que se adaptem ao meio e que sejam importantes para a fauna local.

O plantio, segundo os organizadores do congresso, quer contribuir com o projeto de ampliação de áreas verdes e arborização de Atibaia, já desenvolvido pela prefeitura do município.

Caminhada geológica e cine-clube
Ainda faz parte da programação da semana uma caminhada geológica, na manhã de quinta (25), às 8 horas, onde alguns jovens de Atibaia poderão conhecer melhor a formação geológica do município.

Na tarde do dia 20, antecedendo a abertura oficial do XI Congresso Brasileiro de Geoquímica, está programada também a exibição do documentário “Uma Verdade Inconveniente”, na seção do Cine-Clube da Câmara Municipal de Atibaia. Após a exibição, haverá um debate entre o público presente e alguns congressistas sobre mudanças climáticas, qualidade de vida e meio ambiente.




domingo, 14 de outubro de 2007

A Fachada e a Seca



Nesta semana os varios fatos que aconteceram nos colocam desafios como Educadores Ambientais ou pelo menos que se propõe a pensar a situação planetária como prioridade em nossas metas. A produção de embalagens é responsável hoje por grande quantidade de lixo - reciclável ou não - Tomando como exemplo embalagens altamente ecológicas de fábricas com metas ecológicas tendo inclusive impressas suas marcas,ou suas instruções em Braille. Mas qual a responsabilidade social que elas vem demonstrando? Recolhem suas embalagens? Como fica por exemplo o meio ambiente laboral? Recebi hoje, por correio, num curso a distância, a provocação de uma amiga de Cuiabá. Nos perguntava por que não estamos discutindo no curso a depredação ambiental e humana que vem se intensificando...Tiveram que suspender uma Conferência Estadual de Saúde em virtude da densa fumaça que se abate sobre a Capital.Aconteceu esta semana. A razão todos nós sabemos. A cana invade o cerrado e o Pantanal

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Assassinato de ecologista em Cuiabá - Mato Grosso, em trabalho pela SMADES contra as queimadas na capital



Acreditar em algo e não vivê-lo é desonesto.
Mahatma Gandhi

Mato Grosso está em chamas, estamos no meio do caos, nunca tivemos tantas queimadas como agora, até chuva acida tivemos a duas semanas atrás... e o pior: parece que não está acontecendo nada... estamos anesteziados com a tragédia em processo, entra anos e sai anos e a situação fica cada vez pior... autoridade e a população em geral convivemos com essa situação de terror todos os dias, todos os anos, e nada... isso parece normal, o descontrole é tamanho que além da insencibilidade temos agora um mártir da luta contra as queimadas em Mato Grosso...
Foi assassinado hontem a tarde em Cuiabá o ecologista nosso querido amigo Luiz Carlos Faria Martins, carinhosamente conhecido como Mão... foi um dos fundadores e secretário da Associação Mato-grossense de Ecologia quando fui presidente dessa ONG... estava a anos trabalhando como fiscal da Secretaria de Meio Ambiente da Prefeitura Municipal de Cuiabá... durante anos de minha militância no movimento ecológico em Mato Grosso tive o mãoa como companheiro de luta... Foi-se um dos nossos guerreiros de luz...
Como isso pode acontecer? Um fiscal da secretaria de meio ambiente é assassinado com crachá e talão de multa na mão, agindo contra as queimadas descontroladas no estado... em que mundo estamos vivendo...A arrogância, a insesibilidade com todas as formas de vida, inclusive a humana, a certeza da provável impunidade...
Nosso querido Mão e meu irmão de coração, sempre foi uma pessoa
maravilhosa, alegre, com histórias fantásticas e que a anos trabalhou
todo um dia um pouco para melhorar o mundo que vivemos e com um compromiso socioambiental ético e na luta no dia a dia... se foi... é uma grande perda... A luta contra as queimadas em Mato Grosso não precisava pagar esse preço... não precisávamos de um outro Francelmo,de outro mártir, de outra vítima da nossa deseducação ambiental, do equívoco de nosso modelo de sociedade, fálido, excludente e
ecologicamente insustentável... Seus amigos ecologistas de Mato-grosso, inclusive os seus amigos ficais ecologista da Secretaria de Meio Ambiente da prefeitura de Cuiabá, tenho certeza, estão entristecidos e já saudosos de você, de sua alegria, irreverência,tenacidada na responsabilidade ambiental... Alguma coisa precisa ser feito mara mudar esse quadro de calamidade ambiental que estamos vivendo... não podemos ter vidas tiradas por fazer o que é de sua obrigação e de responsabilidade de todos... chega de insanidades... temos que ter um diálogo e relacionamento diferente neste planeta... e pela vida...
Esse assassinato é mais uma manifestação de intolerância com a
responsabilidade ambiental que graça pelo país... precisamos acabar
com isso... O nosso querido Mão se foi... boa viagem meu amigo... vc fez diferença aqui entre nós, por isso tantos aqui te amam, e você soube disso.. em vida... Vá em paz meu amigo louco guerreiro... A natureza te fará justiça... lutaremos até a vitória essa nossa luta...pelo planeta... pelo cosmo... pela vida... nos encontraremos no purgatório, como a dedicatória do livro do Mário Prata que me deste em meu aniversário, a duas semanas atráz... um beijo no coração... de todos seus amigos, com certeza... Te amamos MÃO... Beijos...
Heitor Queiroz de Medeiros - Técnico em Educação Ambiental do
Ministério do Meio Ambiente, Fundador e ex-presidente da Associação Mato-grossense de Ecologia, Facilitador da Rede Mato-grossense de Educação Ambiental e Rede Brasileira de Educação Ambiental..

Dra. Débora Fernandes Calheiros
Pesquisadora - Ecologia de Rios e Áreas Inundáveis
Embrapa Pantanal-Caixa Postal 109
79320-900 Corumbá, MS, Pantanal, Brasil
Telefone: + 55(0XX67) 3233-2430 ramal 262
Fax: + 55(0XX67) 3233-1011

Oi Odila.Foi - e está sendo -chocante o que ocorreu. É a barbarie tomando conta.
O Luis Carlos era aluno do Curso de Filosofia da UFMT e estava orientando-o em sua monografia de conclusão de curso.
Beijos.José Carlos

O Professor José Carlos Leite é titular da UFMT e filosofo

domingo, 30 de setembro de 2007

Semana Nacional de Ciência e Tecnologia

Com muitas atividades diferentes, como experimentos, filmes, exposições, palestras, oficinas, visitas a laboratórios, jogos, teatro e música, e misturando ritmos, computadores, máquinas e cores, a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia fará sua quarta incursão pelo país entre os dias 1 e 7 de outubro de 2007. A intenção é distribuir mudas de conhecimento, plantar sementes de criatividade e explorar a curiosidade das crianças e jovens para estimular o interesse para a ciência e para a tecnologia.
A cada ano cresce a adesão de instituições de pesquisa e ensino e de municípios à Semana Nacional de C&T. Em 2006, foram realizadas 8.654 atividades, em quase 400 cidades, envolvendo 1.014 instituições de ensino e pesquisa, ONGs, empresas, escolas, órgãos de governo, grupos de pesquisa, secretarias estaduais e municipais etc. Houve grande mobilização de pesquisadores, técnicos, professores e estudantes que, com entusiasmo e dedicação, organizaram eventos em todos os cantos do país.
Em várias cidades as atividades ultrapassaram os muros de instituições e universidades e se espalharam por locais públicos. Uma tenda da ciência significa um convite à curiosidade, com jovens e adultos perguntando, observando, experimentando, questionando, trocando idéias, aprendendo e se divertindo. Esta é uma forma possível e interessante de aproximar a ciência do público, particularmente dos jovens.
Convidamos, portanto, as instituições de pesquisa e ensino, universidades, Cefets, escolas de todos os níveis, secretarias estaduais e municipais de ciência e tecnologia e de educação, museus e centros de ciência, entidades científicas e tecnológicas, ONGs, empresas, cientistas, professores, estudantes, comunicadores da ciência e a todos os interessados a colocarem a data da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia de 2007 em suas agendas e a iniciarem o processo de sua preparação.

domingo, 23 de setembro de 2007

Educomunicação com audiovisual

Educomunicação com audiovisual
terça-feira 18 de setembro de 2007
Em época de onipresença da mídia, produções alternativas na escola e uso de vídeos para debates ajudam a aguçar espírito crítico, diz educador

Wanderson Mansur

Um caractetística deste início desse século é que as relações sociais se dão sob a interface da mídia, seja qual suporte for, a internet, a TV, o rádio, o jornal impresso, o outdoor.

Os meios de comunicação estão mais presentes do que nunca na vida das pessoas, criando verdades, formulando subjetividades, reverberando valores, produzindo discursos e fantasias.

Na era moderna, instituições como a igreja, a escola, a família, o Estado faziam esse papel de construção do imaginário social dos sujeitos. Na atualidade a nova arena social é a mídia e seus produtos.

Uma criança de 7 anos passa em média quatro horas por dia na escola, imagine só quanto tempo ela passa exposta aos meios de comunicação? Nessa disputa de consciência e de formação da identidade cultural, os meios de comunicação tem a vantagem de serem onipresentes, de estarem em todos os lugares ao mesmo tempo.

Muito antes de ir para a escola, a criança já está exposta às mensagens midiáticas, como expõe o jornalista e diretor de escola Stellio Mendes, educador da atividade autogestionada, que visou discutir o papel do cinema como recurso auxiliar à aprendizagem. "As informações da sala de aula se tornam insuficientes, resumidas em relação aos produtos da mídia. Então resta ao educador ter a humildade de reconhecer que esses recursos são importantes na pedagogia", afirma.

No entanto, ele ressalta a importância de se ter uma visão crítica em relação a essas produções, de se incetivar as produções escolares locais de mídia, visando complementar os conteúdos.

"Os educadores devem se prevalecer do audiovisual, para dicustir história, geografia, literatura, enfim qualquer conteúdo programático" afirma Mendes.

A oficina discutiu também o conservadorismo das escolas, com seu modelo clássico de educação formal. O mecanismo de educomunicação, com produção e convívio com o audiovisual, pode incentivar o protagonismo juvenil, fazer com que essas crianças e jovens agucem a visão de sociedade e promovam mudanças no seu círculo de relações comunitárias.

Um proposta é utilizar curtas metragens, por ser o longa mais cansativo, despertar menos a atenção da criança e do jovem e também tendo em vista a importãncia de se discutir, ao final do vídeo e/ou filme, os assuntos relacionados a essa produção.

No espaço escolar, o audiovisual pode tornar a experiência de apredinzagem algo mais dinâmico, mais atraente, mais parecido com o mundo que estamos vivendo, um mundo o qual tem a comunicação como algo central, comenta o educador.

A utilização dos recursos midiáticos pode contribuir inclusive para que essas crianças e jovens tenham uma leitura diferenciada dos próprios produtos da mídia de massa.

Socioambiente e as Hidrelétricas-Uma História


Catorze anos se passaram desde que os 3 mil participantes - 650 eram índios - do I Encontro dos Povos Indígenas do Xingu, realizado entre 20 e 25 de fevereiro de 1989, em Altamira (PA), bradaram ao Brasil e ao mundo seu descontentamento com a política de construção de barragens no Rio Xingu. A primeira, de um complexo de cinco hidrelétricas planejadas pela Eletronorte, seria Kararaô, mais tarde rebatizada Belo Monte. De acordo com o cacique Paulinho Paiakan, líder kaiapó e organizador do evento ao lado de outras lideranças como Raoni, Ailton Krenak e Marcos Terena, a manifestação pretendia colocar um ponto final às decisões tomadas na Amazônia sem a participação dos índios. Tratava-se de um protesto claro contra a construção de hidrelétricas na região.

Encontro de Altamira reuniu 3 mil pessoas, 650 índios, entre elas, e foi considerado um marco do socioambientalismo no Brasil
Na memória dos brasileiros, o encontro ficou marcado pelo gesto de advertência da índia kaiapó Tuíra, que tocou com a lâmina de seu facão o rosto do então diretor da Eletronorte, José Antônio Muniz Lopes, aliás presidente da estatal durante o governo FHC. O gesto forte de Tuíra foi registrado pelas câmaras e ganhou o mundo em fotos estampadas nos principais jornais brasileiros e estrangeiros. Ocorrido pouco mais de dois meses após o assassinato do líder seringueiro Chico Mendes, em Xapuri (AC), que teve repercussão internacional, o encontro de Altamira adquiriu notoriedade inesperada, atraindo não apenas o movimento social e ambientalista, como a mídia nacional e estrangeira.

O I Encontro dos Povos Indígenas foi o resultado de um longo processo de preparação iniciado um ano antes, em janeiro de 1988, (veja o item Histórico) depois que o pesquisador Darrel Posey, do Museu Emílio Goeldi do Pará, e os índios kaiapó Paulinho Paiakan e Kuben-I participaram de seminário na Universidade da Flórida, no qual denunciaram que o Banco Mundial (BIRD) liberara financiamentos para construir um complexo de hidrelétricas no Rio Xingu sem consultar os índios. Convidados por ambientalistas norte-americanos a repetir o depoimento em Washington lá foram eles. E, por causa disso, Paiakan e Kube-I acabaram enquadrados pelas autoridades brasileiras, de forma patética, na Lei dos Estrangeiros e, por isso, ameaçados de serem expulsos do país. O Programa Povos Indígenas no Brasil, do Centro Ecumênico de Documentação e Informação (Cedi), uma das organizações que deu origem ao Instituto Socioambiental (ISA), convidou Paiakan a vir a São Paulo, denunciou o fato e mobilizou a opinião pública contra essa arbitrariedade.

Para avançar na discussão sobre a construção de hidrelétricas, lideranças kaiapó reuniram-se na aldeia Gorotire em meados de 1988 e decidiram pedir explicações oficiais sobre o projeto hidrelétrico no Xingu, formulando um convite às autoridades brasileiras para participar de um encontro a ser realizado em Altamira (PA). A pedido de Paiakan, o antropólogo Beto Ricardo e o cinegrafista Murilo Santos, do Cedi, participaram da reunião, assessorando os kaiapó na formalização, documentação e encaminhamento do convite às autoridades. Na seqüência, uniram-se aos kaiapó na preparação do evento. O encontro finalmente aconteceu e o Cedi, com uma equipe de 20 integrantes, reforçou sua participação naquele que seria, mais tarde, considerado um marco do socioambientalismo no Brasil. Ao longo desses anos, o Cedi, e depois o ISA, acompanharam os passos do governo e da Eletronorte na questão de Belo Monte, alertas para os impactos que provocaria sobre as populações indígenas, ribeirinhas e todo o ecossistema da região.

Listada no governo FHC como uma das muitas obras estratégicas do programa Avança Brasil, a construção do complexo de hidrelétricas no Rio Xingu faz parte da herança legada ao governo Lula, eleito em novembro de 2002. Herança que era bem conhecida. Tanto assim, que o caderno temático O Lugar da Amazônia no Desenvolvimento do Brasil, parte do Programa do Governo do presidente eleito, alertava: "Dois projetos vêm sendo objeto de intensos debates: a Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, e o de Gás de Urucu, no Amazonas. Além desses também preocupam as 18 barragens propostas na Bacia do Rio Araguaia e Tocantins. A matriz energética brasileira, que se apóia basicamente na hidroeletricidade, com megaobras de represamento de rios, tem afetado a Bacia Amazônica. Considerando as especificidades da Amazônia, o conhecimento fragmentado e insuficiente que se acumulou sobre as diversas formas de reação da natureza em relação ao represamento em suas bacias, não é recomendável a reprodução cega da receita de barragens que vem sendo colocada em prática pela Eletronorte".
Decisão ficou para o novo governo

De fato, razões para preocupação não faltam. Exemplos infelizes como a construção das usinas hidrelétricas de Tucuruí (PA) e Balbina (AM), as últimas construídas na Amazônia, nas décadas de 1970 e 1980, estão aí de prova. Desalojaram comunidades, inundaram enormes extensões de terra e destruíram a fauna e flora daquelas regiões. Balbina, a 146 quilômetros de Manaus, significou a inundação da reserva indígena Waimiri-Atroari, mortandade de peixes, escassez de alimentos e fome para as populações locais. A contrapartida, que era o abastecimento de energia elétrica da população local, não foi cumprida. O desastre foi tal que, em 1989, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), depois de analisar a situação do Rio Uatumã, onde a hidrelétrica fora construída, concluiu por sua morte biológica. Em Tucuruí não foi muito diferente. Quase dez mil famílias ficaram sem suas terras, entre indígenas e ribeirinhos. Diante desse quadro, em relação à Belo Monte, é preciso questionar a forma anti-democrática como o projeto vinha sendo conduzido, a relação custo-benefício da obra, o destino da energia a ser produzida e a inexistência de uma política energética para o país que privilegie energias alternativas.

Essas questões continuam a ser repisadas pelos movimentos sociais que atuam na região, como por exemplo, o Movimento pelo Desenvolvimento da Transamazônica e Xingu (MDTX) e o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), entre outros. São eles que levam adiante a batalha contra a construção de Belo Monte e de outras hidrelétricas no Rio Xingu.

Empossado em janeiro de 2003, o novo presidente da Eletrobrás, o físico Luiz Pinguelli Rosa, declarou à imprensa que o projeto de construção de Belo Monte será discutido e opções de desenvolvimento econômico e social para o entorno da barragem estarão na pauta, assim como a possibilidade de reduzir a potência instalada, prevista em 11 mil megawatts (MW) no projeto original. As discussões sobre o empreendimento deverão envolver outros ministérios, como o do Meio Ambiente. Em todas as suas entrevistas, a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte é líquida e certa, embora ele insista que o processo será permeado de consultas e incluirá "medidas compensatórias". Abre-se com isso uma frente polêmica na relação dos socioambientalistas com o novo governo.

A persistência governamental em construir Belo Monte está baseada numa sólida estratégia de argumentos dentro da lógica e vantagens comparativas da matriz energética brasileira. Os rios da margem direita do Amazonas têm declividades propícias à geração de energia, e o Xingu se destaca, também pela sua posição em relação às frentes de expansão econômica (predatória) da região central do país. O desenho de Belo Monte foi revisto e os impactos reduzidos em relação à proposta da década de 80. O lago, por exemplo, inicialmente previsto para ter 1.200 km2, foi reduzido, depois do encontro, para 400 km2. Os socioambientalistas, entretanto, estão convencidos de que além dos impactos diretos e indiretos, Belo Monte é um cavalo de tróia, porque outras barragens virão depois, modificando totalmente e para pior a vida na região.

Como um dos personagens que deram apoio ao protesto de Altamira desde o início, o Instituto Socioambiental saiu a campo no segundo semestre de 2002 para apurar a opinião de especialistas, ambientalistas, movimentos sociais, prefeituras locais e dirigentes de órgãos governamentais durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. O ISA também pesquisou o que diz o governo Lula no item de seu programa de governo referente à construção de hidrelétricas e mais especialmente sobre Belo Monte. Como o assunto está longe de ser encerrado, este especial será atualizado com regularidade, até porque ainda não foi possível entrevistar o presidente da Eletrobrás, Luiz Pinguelli Rosa. Pesquisas, entrevistas e textos ficaram a cargo da jornalista Cristiane Fontes.

domingo, 16 de setembro de 2007

Deserto Verde e a Aracruz Celulose

A Aracruz Celulose invade o Rio de Janeiro

Por Joyce Enzler
Por ironia do destino, a Aracruz Celulose – empresa que depois de alguns anos tentando entrar no Rio de Janeiro com sua devastação de terras, de culturas – conseguiu adentrar no nosso estado através da mudança da Lei proposta pelo governador Sergio Cabral, e com o aval do Secretário do Ambiente Carlos Minc, outrora lutador das causas ambientais.
Defensores do eucalipto argumentam que a vinda da empresa traz mais emprego para a região. Ambientalistas, indígenas, sem-terra, técnicos especializados provam que a agricultora ecológica além de empregar mais pessoas e ser mais saudável, abastece a cidade com alimentos. E como disse, em audiência pública, na Alerj, o economista do INCRA, Gustavo Souto: “Que eu saiba aqui ninguém come papel”.
Com o intuito de aprofundar o debate sobre o tema, Algo a Dizer entrevista o ambientalista e fundador da Rede Alerta Contra o Deserto Verde.
Entrevista com o ambientalista Sérgio Ricardo
O PL 383/2007, que foi aprovado recentemente alterou a Lei Estadual 4063/2003, de autoria do atual Secretário de Meio Ambiente Carlos Minc (PT). Além de diminuir de 30% para 16% a área de cultivo da mata nativa e aumentar a devastação da Mata Atlântica, quais as outras implicações que esta monocultura trará para o nosso estado?
A obscura Lei da Aracruz Celulose, aprovada às pressas pela maioria de deputados governistas, é um atentado contra os remanescentes da Mata Atlântica fluminense, e também um empecilho ao avanço da reforma agrária e da agricultura familiar em nosso estado. A expansão da indústria da celulose e de outras monoculturas em nosso país, pode levar a riscos de insegurança alimentar no futuro. O Rio está submetido a uma intensa Agenda de poluição e de injustiça ambiental travestida de desenvolvimento econômico. O resultado destas políticas irresponsáveis será mais exclusão social e a pobreza de pescadores, agricultores e comunidades. O patético secretario estadual de Meio Ambiente, Carlos Minc (PT), atua como o principal “garoto-propaganda” da poluidora Aracruz que grilou, no Espírito Santo, terras de quilombolas e indígenas, envenenou com agrotóxicos as nascentes e a saúde dos trabalhadores e causou muitos acidentes trabalhistas.
Com a equivocada opção do governador Sérgio Cabral (PMDB) de “desenvolver” o interior do estado por meio de uma ou mais monoculturas sujas, ocorrerá um aumento do êxodo rural e da desigualdade no campo. A agricultura familiar e a reforma agrária também perdem com esta lei ilegítima, ilegal e injusta. Há risco de redução da produção dos alimentos, porque a monocultura de eucalipto ocupa grandes extensões de terras, inclusive áreas agrícolas em larga escala, o que gera uma maior concentração fundiária.

Porque os movimentos sociais, ambientalistas dizem que este PL é inconstitucional?
A aprovação de uma Lei que claramente beneficia uma única empresa, conhecida internacionalmente por ser uma multinacional da poluição, é uma vergonha. O governador e seus secretários confeccionaram uma casaca para vestir apenas os interesses econômicos da Aracruz que está impedida de se expandir no Espírito Santo. Lá, teve de devolver 11 mil hectares de terras aos povos indígenas, por causa de uma decisão corajosa do Ministério Público Federal e da Justiça.
A ilegalidade está no fato do Governo do Estado ter fabricado uma lei sob encomenda (da Aracruz Celulose). Além de colocar em risco as últimas áreas de Mata Atlântica ainda existentes, vai ocupar terras destinadas à produção de alimentos. Para aprovar esta lei bizarra, o governo utilizou um falso argumento, o de que seria necessário “regulamentar” o Zoneamento Ecológico-econômico (ZEE), que como sabemos não depende de lei estadual nenhuma para acontecer, ser implantado, pois trata-se de uma legislação federal. Portanto, bastaria o Estado criar a Comissão do ZEE incluindo a Emater, Pesagro, ITERJ, Defensoria Pública, convidar órgãos federais como Embrapa, Incra, IBGE, Ibama, além das universidades, agricultores e sociedade civil. Este processo geraria as audiências públicas na qual o potencial das diferentes vocações agrícolas e econômicas de cada cidade ou bacia ou região hidrográfica seriam debatidas, analisadas pela sociedade. Somente após este processo participativo a proposta de ZEE deveria ser enviada à Alerj. Todo este rico processo – que colocaria em foco as raízes da situação de abandono do campo fluminense e do longo processo de degradação ambiental do Norte e Noroeste fluminense – foi deliberadamente impedido, bloqueado de forma antidemocrática, por esta lei indecorosa.
A lei prevê destinar longas extensões de terras à monocultura de eucalipto, os chamados plantios em larga escala. O Governo do Estado e a maioria de deputados estaduais condenou esta região a ser transformada num verdadeiro deserto verde, sem vida e sem biodiversidade, o que afeta a produção de alimentos, além das monoculturas disputarem território com as poucas terras ainda disponíveis no estado para a reforma agrária e a agricultura familiar que é uma necessidade social e econômica em nosso país.
A nova lei é ilegal e ilegítima porque permite que plantios com até 400 hectares sejam realizados sem apresentação do Estudo de Impacto Ambiental (EIA/Rima). Isto é uma ameaça para que as terras fluminenses se transformem num deserto verde.
A lei beneficia ainda a “máfia dos agrotóxicos” uma vez que a monocultura de eucalipto usa bastante venenos químicos. Estas empresas, gigantes multinacionais do setor químico-farmacêutico e de biotecnologia, provocam o que os povos indígenas chamam “progresso da morte” já que contaminam nascentes e rios, afetam a saúde dos agricultores, destroem as florestas nativas, concentram terra e poder político-financeiro para poucos, porque a sua produção é para exportação – gerar riquezas no exterior.
Atualmente, as monoculturas são extremamente mecanizadas, portanto não geram empregos como vêm sendo mentirosamente anunciado pelo Governo do Estado e a Aracruz por meio de propaganda paga em TVs e jornais. Isto é uma ilusória forma de manipulação dos anseios e necessidades da população, algo como uma chantagem de emprego própria do desenvolvimento capitalista poluidor que tenta se impor a qualquer custo.
O projeto do governo do estado não indica medidas adequadas e efetivas para reverter o avançado processo de desertificação que já atinge as terras de várias cidades do Norte e Noroeste fluminense, o que os governistas e lobistas da Aracruz chamam de deserto cinza. Pelo contrário, a lei da Aracruz visa consolidar um terceiro ciclo de monocultura altamente poluidora, concentradora de renda e promotora de exclusão social no campo – os dois primeiros ciclos foram o do café e da cana-de-açúcar que degradaram enormemente os solos com desmatamentos e queimadas, eliminaram a vegetação nativa e exploraram a força de trabalho das populações rurais.
Agora, surge o antiecológico ciclo da monocultura de eucaliptos e seus conhecidos impactos sócioambientais. Técnicos experientes de diversas áreas têm destacado a falta de ética, inclusive com as futuras gerações, de se querer combater o “deserto cinza” com a implantação de um verdadeiro “deserto verde”, através de uma predatória monocultura de exportação. Ao invés de monoculturas, devemos ter políticas públicas voltadas para a conservação do solo e da biodiversidade, assim como a recuperação das áreas degradadas, a proteção das nascentes, de rios e cursos d`água. O atual governo preferiu condenar parte do território fluminense a ser uma zona de sacrifício ambiental e social.

Enfim, e infelizmente, a Aracruz Celulose entrou no nosso Estado após anos de luta dos verdadeiros e incansáveis ambientalistas. Não dá para lutar contra a força do dinheiro, o movimento ambientalista rachou ou é uma derrota da sociedade?
É um equívoco achar que a aprovação desta lei injusta é uma derrota de um único setor dos movimentos sociais, no caso dos ambientalistas, já que seus impactos afetarão toda a sociedade, a economia regional e a forma de ocupação do território fluminense, inclusive por que pretende subtrair, eliminar terras apropriadas para a reforma agrária e as últimas áreas de mata atlântica do estado.

As cidades serão afetadas pela redução de áreas produtoras de alimentos. Não será surpresa se houver um contínuo aumento dos custos dos hortifrutigranjeiros consumidos pela população urbana mais pobre, já que o plantio de eucalipto está previsto na lei para ser feito em larga escala e ocupar grandes extensões de terras. Outra conseqüência perversa será o aumento do êxodo rural que, como sabemos, gera ocupação desordenada das cidades, desemprego e pobreza nas cidades: caldo de cultura da violência urbana e da insegurança pública.
Parte do movimento ambientalista há tempos foi cooptado pelo grande capital e por governos que não levam em conta, de verdade, a questão ambiental e que ainda hoje submetem nossas vidas aos interesses econômicos imediatos de grandes empresas poluidoras. Estes mercadores da natureza abandonaram há muito tempo a perspectiva de luta coletiva e aderiram à Ecologia de Mercado. Estão empanturrados com seus milhões através de seus projetos e medidas compensatórias – muitas delas para maquiar a realidade de dor e sofrimento em que vivem muitas pessoas e comunidades vítimas da poluição.
Ecologia é coisa muito séria para ser tratada apenas por Ong’s. No Brasil, os movimentos sociais e ativistas, pesquisadores e grupos ecológicos que lutam para construir uma sociedade mais justa, solidária e com maior distribuição de renda e do poder político estão se organizando nos movimentos de justiça ambiental que têm trazido nova esperança mundo afora, nas lutas de resistência por transformação social coletiva e que propõem mudanças profundas à injusta globalização econômica em que vivemos.
As Redes Alerta contra o Deserto Verde lutam contra as monoculturas por entender que esta é uma luta ecológica anticapitalista, já que afeta os direitos da maioria da população trabalhadora e o meio ambiente. A luta contra os chamados desertos verdes, que avançam por diversos estados (ES, MG, BA, RS, SP e agora RJ), a base de generosos incentivos fiscais e bilionários e financiamentos públicos, via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), dados a um seleto grupo de grandes empresas transnacionais como, por exemplo, Aracruz, Suzano e Verace.
Esta não é uma luta apenas ecológica. Questionamos a opção de desenvolvimento capitalista altamente poluidor, destruidor da natureza, concentrador das riquezas, e socialmente excludente que o nosso país tem adotado ao longo dos tempos. Uma questão central a ser enfrentada é o papel do BNDES, que tem sido o principal incentivador deste modelo poluidor e excludente.
Este quadro só mudará com o aumento da organização da sociedade e de uma tomada de consciência de que é preciso construir um outro caminho, de que é possível uma outra economia, algo como uma Economia da Vida ou Economia da Natureza. As bases desta economia ecológica são: a melhor e mais ampla distribuição dos benefícios do desenvolvimento econômico e a inclusão social com proteção do meio ambiente.

Quais são as alternativas propostas pelos movimentos sociais ao plantio do eucalipto em larga escala? Existe alternativas às monoculturas?
O governo do estado e a maioria dos deputados governistas estão gestando o “ovo da serpente”, pois em função de seus interesses econômicos imediatistas optaram por destinar ao campo fluminense um modelo econômico poluidor, concentrador de terras e da renda, que provocará mais exclusão social e pobreza.Hoje em dia sabemos que as monoculturas, não só de eucalipto mais também de cana (etanol), não geram muitos empregos, porque são atividades bastante mecanizadas.
Como alternativas os governos deveriam destinar recursos, criar incentivos, priorizar a implantação de vários programas e tecnologias menos poluentes já existentes e de conhecimento do conjunto de técnicos experientes da Emater, da Pesagro, do Incra, da Embrapa, bem como apoiar o desenvolvimento de inúmeras teses e estudos que apresentam soluções alternativas e de menor custo financeiro e que poderiam estar sendo aplicadas na área rural em benefício da sociedade.
Várias teses não têm qualquer aproveitamento social, estão adormecidas nas gavetas das universidades públicas e privadas, e nunca tiveram apoio político e recursos financeiros para se desenvolverem de fato. Se concretizadas, poderiam consolidar opções econômicas mais sustentáveis e geradoras de postos de trabalho.
Ao invés do anunciado financiamento de mais de R$ 1 bilhão para a poluidora Aracruz celulose, o governo estadual e a Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) deveriam unir esforços com prefeituras e os movimentos da reforma agrária para destinar o montante desta verba para diversos projetos agroecológicos em municípios e regiões diferentes; bem como para executar ações de reflorestamento e recuperação das áreas degradadas e das matas ciliares, o incentivo ao plantio das seringueiras, a produção de biodiesel de forma descentralizada e sob controle dos pequenos agriculturores, a policultura, a agricultura familiar e os assentamentos rurais que são produtores de alimentos para abastecer as cidades, a floricultura, a psicultura, a produção de mel, o turismo rural e de valor histórico-cultural, o ecoturismo, os pólos de ecoesportes, projetos de aqüicultura e pesca, entre outros.
Diversas opções econômicas já foram estudadas e identificadas no Mapa de Solos do Estado do RJ, elaborado pela Embrapa, e comprovadamente contribuem para aumentar a renda do produtor rural, em especial dos pequenos agricultores, além de promover um desenvolvimento econômico com inclusão social e proteção ambiental. Já a monocultura de eucalipto não gera emprego, nem distribui renda e riquezas, é um plantio em larga escala destinado à exportação.
O atual governo, em continuidade às políticas anteriores, vem tentando extinguir, via sucateamento e baixos salários, os órgãos públicos de extensão rural (Pesagro, Emater, Iterj, Fiperj), que têm papel vital de apoio técnico e tecnológico à agricultura familiar e aos assentamentos da reforma agrária. Os funcionários deste setor não têm aumento há quase 10 anos, e falta infra-estrutura básica para atender o produtor rural e as prefeituras.

Quais os próximos passos desta luta?
A Rede Alerta Contra o Deserto Verde e o Fórum Estadual da Reforma Agrária – que congrega os 3 movimentos em atuação no estado do RJ (MST, Fetag e MTL) – , estão unidos e organizados para uma longa luta de resistência que visa denunciar os prejuízos ambientais e sociais que serão provocados com a implantação desta monocultura em nosso estado.
A implantação de monoculturas provoca instabilidade e aumento de conflitos agrários e, portanto, da violência no campo. Nossa tarefa é preparar uma Ação de Inconstitucionalidade (ADIN) para contestar a legitimidade e legalidade da lei da Aracruz por incentivar a monocultura e o latifúndio e ferir o Direito à Precaução reconhecido internacionalmente e na nossa legislação ambiental.
Também realizamos um ciclo de debates em universidades, comunidades e instituições diversas para esclarecer à população e aos consumidores, e para incentivá-los a boicotar desde já aos produtos da Aracruz. Aliás, há uma campanha internacional de boicote aos produtos da poluidora indústria da celulose. Juntos com alguns sindicatos e federações de trabalhadores urbanos vamos confeccionar cartazes e painéis bem grandes com a foto, o nome e o partido de todos os deputados estaduais que compõem a bancada da celulose, do governador Sérgio Cabral e do picareta ex-deputado-secretário Minc e do deputado-secretário de agricultura, Cristino Áureo, com os dizeres “Inimigos da Mata Atlântica e da Biodiversidade, Traidores da reforma agrária”. Todas as autoridades favoráveis ao projeto da monocultura de eucalipto precisarão se explicar para a sociedade e aos eleitores.
Por fim, a Rede Alerta quer agradecer profundamente e de coração à mídia sindical e alternativa que tem sido coerente e corajosa ao fazer este debate de forma democrática, compartilhando os desafios para se construir a solidariedade entre os povos da cidade e do campo.

Sérgio Ricardo, é gestor ambiental e fundador da Rede Alerta Contra o Deserto Verde Fluminense.
E-mail: srverde@uol.com.br
Tel. (21) 9908-2773, 2215-2161
contato@algoadizer.com.br

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Reflexões do Prof Ismar Soares - Educomunicação

Reflexões do prof. Ismar Soares
A educomunicação ganha visibilidade, na Bahia
A educomunicação mostra sinais de que vem sendo aceita como um campo capaz de articular agentes culturais e sociais em torno de projetos de transfomração social. Foi o que ficou evidenciado em Salvador, durante o 2o. Seminário Baiano de Radiodifusão Comunitária, ocorrido entre 29 e 31 de agosto, no espaço do Centro de Cultura da Câmera dos Vereadores de Salvador, no centro histórico. O evento que contou com a presença de instituições e personalidades do primeiro setor área governamental e do terceiro setor espaço de atuação das ONGs. A iniciativa coube à REBECA – Rede Brasileira de Educomunicação Ambiental, ao Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Rádio, TV e Publicidade da Bahia e à Associação de Rádios Alternativas e Comunitárias da Bahia, com o apoio do SESC, SENAC, SEBRAE, IPRAJ e Sindicato dos Jornalistas do Estado da Bahia, num trabalho articulado pela jornalista Simone Moraes.
O encontro notabilizou-se por reunir, numa mesma mesa-redonda, de um lado, representantes do Ministério das Comunicações (na pessoa de Zilda Beatriz, da Secretaria de Serviços de Comunicação Eletrônica) e da Casa Civil da Presidência da República (na pessoa de Carlos Freire Resende, Diretor do Departamento de Outorga de Serviços), que tiveram espaço e tempo para apresentar os pontos de vista do governo e, de outro, lideranças do movimento em favor da multiplicação dos canais comunitários (notadamente Joaquim Carvalho, representante da Associação Brasileira de Rádios Comunitárias e Manoel Ávila, presidente da Associação de Rádios Alternativas e Comunitárias da Bahia) que criticaram com veemência a forma com que Brasília trata os pedidos protocolados, inibindo o desenvolvimento de uma política democrática de comunicação para o país.
Educomunicação
O seminário dedicou tempo para refletir sobre educomunicação e ouvir experiências bem sucedidas de práticas educomunicativas através do uso do rádio. O tema da educomunicação apareceu na palestra de abertura, quando o conferencista, Prof. Ismar Soares, do NCE/USP, lembrou a importância de se reverter o paradigma funcionalista que dá suporte às políticas de comunicação, introduzindo, na prática social, o paradigma das mediações culturais, num trabalho articulado que leve em conta a busca de apoio dos demais setores da população para o trabalho que emerge das bases da sociedade, principalmente o apoio da nova geração, constituída pela infância e pela juventude, enfatizando: “Foi o que ocorreu com o projeto Educom.rádio, que levou a linguagem radiofônica a 455 escolas do município de São Paulo. A partir de uma aliança entre educadores e comunicadores, especialmente radialistas, um número significativo de professores e estudantes pode vivenciar a prática do planejamento de uma comunicação dialógica no contexto do espaço escolar, ampliando o número das pessoas empenhadas em lutar pelo direito à comunicação e ao acesso universal aos recursos da informação”. O professor comentou, ainda, que o próprio conceito de educomunicação nasceu a partir de pesquisas realizadas junto ao movimento social, dando conta de que o que era considerado como “alternativo” nos meados do século XX passa a ser considerado como opção relevante e de primeira linha, nos dias atuais, gerando uma demanda específica, até mesmo pelo mercado de trabalho. Deu, como exemplo, o recente reconhecimento do campo da educomunicação por órgãos da mídia, como o Canal Futura e o Jornal da Tarde, do Grupo Estado, ou pelas políticas públicas, através de ações de ministérios como o da Educação e o do Meio Ambiente e, mais recentemente, pelo próprio meio universitário, como ocorreu no caso da criação de uma Licenciatura em Educomunicação, na ECA/USP.
A educomunicação foi, ainda, objeto de uma das oficinas mais concorridas do encontro, ministrada por Francisco Assis, do Ministério do Meio Ambiente, que contou com a colaboração de Janete Reis. Por outro lado, várias das entidades presentes ao evento declararam conhecer e empregar o conceito em suas atividades, como foi o caso da CIPÓ, representada, no encontro, por Danielle Rocha, e do MOC, representado por um de seus coordenadores, Klaus Mimikuber. É importante lembrar que NCE/USP, a Cipó e o MOC fazem parte da Rede CEP – Comunicação, Educação e Participação, com sede em São Paulo, que adota a educomunicação como filosofia de trabalho.
Durante o evento, o tema da relação entre a comunicação e a educação foi objeto, ainda, das exposições de Airton Medeiros (Escola Brasil), Manina Aguiar (Centro das Mulheres do Cabo, de Pernambuco e represente da AMARC), Adriana Vieira (SESC nacional) e Maria Clara (SENAC Nacional), ambas articuladoras do projeto Sintonia.
Fórum
Durante o 2º. Seminário, uma série de compromissos foram assumidos pelos participantes, destacando-se o convite do Deputado Estadual Javier Alfaya, no sentido de que as pessoas envolvidas com a experiência das rádios comunitárias se integrem ao fórum a ser criado na Assembléia Legislativa do Estado da Bahia, para discutir políticas de comunicação e propostas especificas de ampliação do direito à expressão no Estado da Bahia.
Educomunicação socioambiental
Outro evento, ocorrido, em Salvador, no mesmo período, reuniu autoridades e funcionários da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Governo da Bahia, sob a coordenação de Maria Cristina Vieira. O encontro, que tinha como objetivo definir uma política de educação ambiental para todo o Estado, inseriu a educomunicação em sua pauta de discussões. Além da presença de Francisco Assis e de Ismar Soares que discorreram sobre uma visão educomunicativa para a educação ambiental, a platéia teve a oportunidade de ouvir e dialogar com os membros do Coletivo Jovem de Educomunicação, que vem se reunindo periodicamente para troca de leituras e de experiências no campo da prática educomuncativa. Contatos com a Secretaria do Meio Ambiente da Bahia podem ser feitos através do site www.semarh.ba.gov.br.
REBECA
Segundo Simone de Moraes, a REBECA nasceu em Goiânia, há três anos, como fruto da reflexão de profissionais da comunicação interessados em oferecer uma contribuição efetiva aos esforços do Ministério do Meio Ambiente em renovar as práticas de uso dos recursos da comunicação na educação ambiental junto à população. Adiantou que a rede conta, hoje, com mais de 500 comunicadores filiados, em todo o país. Contatos com a REBECA podem ser feitos através dos endereços: rebecadobrasil@yahoo.com.br e rebecainscricoes@yahoo.com.br. Lançamentos e contatos com projetos
Durante o evento, foi lançado o livro A arte de pensar e fazer rádios comunitárias, de Dioclécio Luz contatos com o autor: dioclecioluz@terra..com.br. Foi lançado também o portal do Projeto Sintonia, trabalho colaborativo entre o SENAC e o SESC responsável por disponibilizar programas educativos para 700 emissoras de rádio, em todo o país www.espacosintoniasesc.senac.br Por outro lado, o Projeto Escola Brasil, que produz programas de 30 minutos, disponibilizando o material para emissoras em todo o país, convidou os interessados em melhorar a educação através do rádio em apresentar sugestões de temas através de seus contatos
www.escolabrasil.org.br, endereço: CP 2490 – CEP 70849-970, Brasília, DF. Telefax: 61 – 3202 1720. Finalmente, a Secretaria de Serviços de Comunicação Eletrônica e a Casa Civil da Presidência da República através do Departamento de Outorga de Serviços disponibiliza uma cartilha explicativa sobre como solicitar a outorga de uma rádio comunitária. Basta entrar em contato pelo e-mail radiocomunitaria@mc.gov.br ou ligara pra a sala do cidadão: 61 – 311 6951.



A REBECA - REDE BRASILEIRA DE EDUCOMUNICAÇÃO AMBIENTAL,
GRUPO DE ESTUDOS EM EDUCAÇÃO E COMUNICAÇÃO PARA O MEIO AMBIENTE, DIRIGIDO A PROFISSIONAIS DE JORNALISMO, RADIALISMO E EDUCADORES AMBIENTAIS. PARA FAZER PARTE: rebecainscricoes@yahoo.com.br rebecadobrasil@yahoo.com.br